
A CDU Açores divulgou uma nota de imprensa da Organização da Região Autónoma dos Açores do Partido Comunista Português (PCP) a alertar para o impacto da inércia política no setor agrícola regional. Segundo a estrutura partidária, a desvalorização da produção local e o abandono dos agricultores aumentam a dependência externa de bens essenciais, agravam o custo de vida e fragilizam a autonomia económica do arquipélago.
O comunicado salienta que, além dos 23 milhões de euros inscritos no Orçamento do Estado que continuam por transferir atempadamente para os produtores, somam-se cerca de 3 milhões de euros já entregues à Região que se encontram retidos em entraves burocráticos. O PCP critica a postura do Governo da República (PSD/CDS) por falhar na concretização dos apoios e aponta igualmente responsabilidades ao Governo regional de coligação (PSD/CDS-PP/PPM) pela lentidão na resposta e falta de exigência junto do poder central.
Os custos acrescidos associados aos combustíveis (designadamente ao gasóleo agrícola), o aumento do preço dos fertilizantes e adubos, o mau estado das vias rurais e as dificuldades no fornecimento e captação de água são apontados como obstáculos concretos à atividade. O partido alerta ainda para a gravidade da descida do preço do leite pago à produção, um fator de pressão contínua sobre a rentabilidade das explorações agrícolas na ilha de São Miguel e em todo o arquipélago.
Para responder às dificuldades do setor produtivo, o PCP considera indispensável o pagamento imediato das verbas devidas aos agricultores, travar a descida do preço do leite e reforçar a manutenção e recuperação dos caminhos agrícolas. Entre as propostas apresentadas figura também a criação de um POSEI-Transportes específico, orientado para responder aos custos da insularidade e assegurar o escoamento e a comercialização dos produtos açorianos nos mercados externos.

O secretário regional da Agricultura e Alimentação disse, esta segunda-feira, nas Lajes do Pico, que o governo está “atento à mudança e à descida do preço do leite pago ao produtor”, uma vez que esta “pode inviabilizar a existência de explorações de bovinicultura de leite”, segundo comunicado do governo açoriano.
“Ninguém vai produzir para ter prejuízo, não pode haver uma atividade económica se não tiver lucro, e é por isso que estamos a tentar perceber essas dificuldades e qual a vontade dos produtores, em conjunto com a Associação de Agricultores da Ilha do Pico, para que as pessoas tenham um rendimento digno, muito mais numa atividade tão trabalhosa e tão dura como é a produção de leite”, adiantou.
António Ventura falava na sessão de apresentação da Feira Agrícola 2024, que vai decorrer entre os dias 4 e 6 de outubro, no Matos Souto, freguesia da Piedade, uma iniciativa e organização da Associação de Agricultores da ilha do Pico.
Na ocasião, António Ventura voltou a sublinhar a intenção do executivo açoriano em “apostar na produção alimentar local” e depender cada vez menos da importação de produtos alimentares, defendendo a “riqueza” que é poder produzir alimentos numa região como os Açores, lê-se ainda.
Sobre o evento, António Ventura enalteceu a “ousadia e coragem da Associação Agrícola em promover um evento fora do calendário habitual das feiras”, realçando a importância desta iniciativa que não se realiza desde 2018.
“A Feira Agrícola é um momento importante para a ilha do Pico, pois permite a mostra da sua agricultura, da sua diversidade produtiva, do que melhor se faz nesta geografia, que é diferente de outras geografias. Não há ilhas iguais, não há conselhos iguais, o que aqui se produz e se comercializa é diferente e tem características únicas, não só nos Açores como a nível mundial, e é por isso que o Pico merece uma mostra agroalimentar”, acrescentou.
O governante disse ainda que a organização visa apostar num “programa ambicioso e regional” e que “o Pico será o centro da agricultura nos dias 4, 5 e 6 de outubro”.