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Governo regional anuncia nova medida de proteção à infância

© GRA/MM

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, anunciou a implementação de uma medida legislativa que prevê o acolhimento familiar como uma resposta de apoio às crianças que não podem permanecer com as suas famílias de origem. O decreto legislativo será submetido a aprovação em Conselho de Governo, em novembro, segundo comunicado do governo regional.

O governante falava na quarta-feira, quando presidia à sessão de encerramento do VI Encontro Regional das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) dos Açores, que decorreu na ilha de São Miguel. Com o tema “Os direitos da criança vamos todos respeitar”, o evento anual, organizado pelo Comissariado dos Açores para a Infância, contou com a participação de mais de 200 profissionais dedicados à promoção e proteção dos direitos das crianças e jovens na região.

Durante os dois dias de encontro, foram debatidos temas fundamentais para a consciencialização e efetivação dos direitos das crianças, abordando-se também inovações e desafios nas áreas socioeducativas e de saúde, pode ler-se.

Entre os temas em destaque estiveram: “Infância e juventude – os ventos da mudança”, “Sinalizações às CPCJ – enquadramento, análise e atuação”, “Igualdade de Oportunidades”, “Boas Práticas na Promoção dos Direitos” e “Prevenção policial no âmbito do ‘cyberbullying’ na Região Autónoma dos Açores”. Estes debates “permitiram uma reflexão profunda sobre os desafios do setor e a partilha de boas práticas entre os diversos intervenientes”.

Esta nova medida, “de carácter transitório, tem como objetivo proporcionar às crianças um ambiente familiar seguro, estruturado e afetivo, promovendo o seu bem-estar físico, emocional e o seu desenvolvimento global”, afirmou José Manuel Bolieiro. Tal medida, prosseguiu, “visa proporcionar à criança um ambiente familiar seguro, estruturado, afetivo e reparador”.

O acolhimento familiar será sempre decidido por um tribunal ou por uma CPCJ, sendo da responsabilidade do Instituto de Segurança Social dos Açores identificar a família de acolhimento mais adequada às necessidades de cada criança ou jovem. As famílias que aderirem a este programa vão ser apoiadas financeiramente de forma a garantir o bem-estar das crianças. A medida pretende também ajudar a aliviar a pressão sobre as casas de acolhimento residencial na região.

Atualmente, existem nos Açores 28 respostas sociais: casas de acolhimento residencial distribuídas por cinco das nove ilhas do arquipélago, com uma capacidade instalada para 372 crianças e jovens. Em 2023, o financiamento destas casas foi de 8,8 milhões de euros, valor que poderá ser ajustado com a introdução do acolhimento familiar, lê-se ainda, na mesma nota.

O evento contou com a presença de várias personalidades, como Ana Isabel Valente, presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, Ana Margarida Silva, presidente do Comissariado dos Açores para a Infância, e Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande. Também marcaram presença elementos do Ministério Público, dos Tribunais e das várias entidades com competência em matéria de infância e juventude na Região.