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Ribeira Grande acolhe Gala “Estrelas no Atlântico” com foco no potencial regional

Evento nacional decorre na quinta-feira no Miradouro do Castelo e vai premiar três insígnias locais, contando com a presença de mais de quatro dezenas de autarcas do país

© CM RIBEIRA GRANDE

A cidade da Ribeira Grande recebe, ao final da tarde da próxima quinta-feira, 11 de junho, a Gala “Estrelas no Atlântico”, uma iniciativa que trará à costa norte da ilha de São Miguel mais de 40 autarcas de várias regiões de Portugal. De acordo com a nota de imprensa enviada à redação pela autarquia ribeiragrandense, o encontro serve de palco para a cerimónia da nona edição dos Prémios Cinco Estrelas Regiões.

O evento reveste-se de relevância para o panorama económico e geográfico de São Miguel, uma vez que contempla a distinção de três referências situadas no concelho ribeiragrandense: o CEmpA – Centro Empresarial dos Açores e o Areal de Santa Bárbara, ambos localizados na freguesia da Ribeira Seca, e a Vila de Rabo de Peixe. Além da entrega dos galardões, o programa prevê que o presidente da autarquia anfitriã, Jaime Vieira, determine através de sorteio o local que acolherá a próxima edição do evento nacional.

A iniciativa pretende funcionar também como uma montra pública da produção regional, com espaços dedicados à mostra de produtos alimentares, ao artesanato e ao tecido económico dos Açores. O início da cerimónia está agendado para as 17h00, no Miradouro do Castelo, sendo o acesso livre para o público que pretenda acompanhar a entrega das distinções.

Em comunicado, o presidente da Câmara da Ribeira Grande associou a escolha do território à visibilidade que o concelho tem registado. “A escolha da Ribeira Grande para a realização deste evento demonstra a importância e o reconhecimento que o concelho tem vindo a conquistar a nível nacional. A Ribeira Grande alcançou já uma notoriedade assinalável, afirmando-se como uma referência em diversas áreas e reforçando a sua projeção além-fronteiras”, sustenta Jaime Vieira.

O autarca sublinha ainda que os prémios atribuídos nesta edição derivam de dinâmicas partilhadas entre os agentes económicos e a sociedade civil. “Este reconhecimento é resultado do dinamismo da população, do empenho das instituições e da capacidade do concelho para atrair investimento, iniciativas e oportunidades. A Ribeira Grande deve continuar a afirmar-se como um território de liderança nos Açores, apostando no desenvolvimento económico, na valorização dos jovens e das famílias e na melhoria contínua da qualidade de vida de todos os ribeiragrandenses”, conclui o governante local.

PSP detém suspeito de tráfico de droga em jardim público no Pico da Pedra

Um homem de 33 anos foi detido pela brigada de investigação criminal da esquadra de Rabo de Peixe na posse de heroína e substâncias sintéticas, tendo ficado sujeito a apresentações periódicas às autoridades

© DL

Os agentes da brigada de investigação criminal da esquadra de Rabo de Peixe procederam, no final da semana passada, à detenção em flagrante de um indivíduo de 33 anos, suspeito da prática do crime de tráfico de droga. Segundo uma nota informativa do Comando Regional da Polícia de Segurança Pública (PSP) dos Açores, a operação ocorreu na sequência de uma investigação em curso, culminando na abordagem ao suspeito num jardim público situado na freguesia do Pico da Pedra, no concelho da Ribeira Grande.

No momento da detenção, o homem encontrava-se a desenvolver a atividade ilícita em pleno espaço público, tendo-lhe sido apreendidas 17 doses de heroína e oito doses de uma substância ainda indeterminada, embora as autoridades suspeitem tratar-se de droga sintética. Além do estupefaciente, os agentes confiscaram 107 euros em numerário e uma trotinete elétrica, com um valor estimado de 300 euros, que seria utilizada como apoio à prática do crime.

Após ter sido submetido a primeiro interrogatório judicial perante as instâncias competentes, foram aplicadas ao arguido as medidas de coação de termo de identidade e residência (TIR), a obrigação de apresentações periódicas perante as autoridades e a proibição expressa de frequentar locais referenciados pelo consumo e tráfico de estupefacientes.

Fé move 317 mulheres desde Rabo de Peixe até ao Santuário do Senhor Santo Cristo

Iniciativa mobilizou toda a comunidade da paróquia da costa norte de São Miguel, que todos os anos vai tendo mais romeiras na rua

© IGREJA AÇORES/CR

Foram 317 as mulheres que este sábado, 7 de março, participaram na romaria feminina da Vila de Rabo de Peixe até ao Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Num dia marcado pela oração, as peregrinas concluíram o percurso diante da imagem do Senhor, onde escutaram uma oração, ainda no exterior, e um apelo à continuidade do compromisso cristão lançado pelo padre Marco Luciano.

“Não nos esqueçamos, como refletíamos esta manhã: o Senhor espera-nos sempre de braços abertos a todos, a todos. Por isso, lá nos vamos encontrando na Eucaristia, na celebração dos Sacramentos e na Igreja do Senhor Bom Jesus, que continua a acolher a todos e a todas”, afirmou o sacerdote que acompanhou as romeiras, acrescentando o convite: “Encontramo-nos lá no dia 20, para rezarmos o terço”.

O pároco aproveitou a ocasião para institucionalizar um novo momento de união: “Todos os meses, na última sexta-feira, vamos passar a encontrar-nos. Marquem na agenda: será um dia de festa com o Senhor, um dia importante para que as romeiras se juntem na celebração da Eucaristia e levemos sempre Jesus no nosso coração para nossas casas”.

Para o padre Marco Luciano — que orientou, juntamente com o Bispo de Angra, um momento de adoração diante do Santíssimo —, este encontro mensal servirá para levar “o alimento que todos nós precisamos para continuar a labuta, para continuar a vida de casa e lidar com os problemas do dia a dia”.
Com diferentes idades e histórias de vida, as mulheres caminharam em espírito de penitência e gratidão, num gesto que tem vindo a afirmar-se como um momento marcante de espiritualidade comunitária. A caminhada culminou num momento de reflexão diante do Santuário, onde foi proclamada a oração ao Senhor Santo Cristo.

“Senhor, abençoa estas mulheres que hoje caminharam até aqui. Abençoa as suas casas, as suas famílias, os seus filhos; que nunca lhes falte a esperança e a coragem”, pediu o sacerdote, finalizando com o desejo de que a romaria não seja apenas um caminho físico, mas um “compromisso espiritual do dia a dia”.

“Não poderia investir em fogo-de-artifício sabendo que havia pessoas a passar fome”

Carlos Dias, 45 anos, foi eleito presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe em outubro passado. Natural da vila, com ligação a vários movimentos culturais, conhece bem a realidade da mesma. E foi sobre essa realidade que acedeu falar ao Diário da Lagoa, convicto de que poderá retribuir o apoio que recebeu

Presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe salienta que é necessário “investir muito” na parte pedagógica e educativa © ACÁCIO MATEUS

DL: O que o fez aceitar o convite para concorrer à presidência da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, como independente apoiado pelo Partido Socialista?
É uma história engraçada. Como é sabido, em 2013, fui o número dois da lista encabeçada pelo atual presidente da Câmara da Ribeira Grande. Fiz o primeiro mandato e ganhei o gosto pela política. Desta vez, fui desafiado por algumas pessoas a liderar um movimento cívico e comecei a perceber o que seria necessário, os custos, etc. Recebi apoio de muitas pessoas, mas tive que parar para pensar porque, para Rabo de Peixe, um movimento cívico com todas as mudanças que acarreta, poderia não ser devidamente identificado/reconhecido pelas pessoas. Por outro lado, um movimento cívico acarreta despesas e não estava em condições de investir dinheiro do próprio bolso. Assim sendo, desisti dessa ideia.
Na interrupção letiva da Páscoa, a Lurdes Alfinete foi à minha casa e sabendo da minha vontade desafiou-me a concorrer como independente com o apoio do PS-Açores. Após ponderação em família, acabei por aceitar.

DL: E não está arrependido…
Não, mas estes primeiros meses foram particularmente difíceis porque levei para casa muitos dos problemas da população. Na primeira semana recebi muitas pessoas aflitas devido a ordens de despejo, famílias com menores a seu cargo…

DL: Mas são ordens de despejo emanadas por quem?
São pessoas que estão a ver os seus contratos de arrendamento terminar e os proprietários não querem renovar os contratos, uns porque querem vender os imóveis, outros porque estão em situações de herdeiros e querem fazer as partilhas, outros ainda pretendem investir em alojamentos locais.

DL: Esta transição de passar a figurar numa lista do PSD para outra independente com o apoio do PS… Como foi para si esta mudança e que feedback recebeu das pessoas que lhe são mais próximas?
No início, nas redes sociais, houve alguns comentários do costume. Mas tanto na primeira situação, como nesta, candidatei-me na qualidade de independente. E quando fui convidado a encabeçar a lista à Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, a única condição que coloquei foi: a lista será totalmente feita por mim. E assim foi: escolhi o número dois, nós os dois escolhemos o número três e assim sucessivamente. Aliás, se prestarem atenção, a maioria das pessoas que aceitou integrar a nossa lista já tinha constado em listas do PSD. Mas são pessoas que se reveem na nossa forma de ser e de estar, nas nossas ideias, e isso é muito importante. Para liderar uma junta de freguesia, mais importante que a questão partidária, é a proximidade com as pessoas.
E a verdade é que eu, na rua, sempre senti o apoio das pessoas. Sou um filho da terra e para além de morar e trabalhar aqui, já fui escuteiro, pertenço aos movimentos da igreja e as pessoas souberam retribuir.

DL: Obviamente que ninguém se candidata para perder, mas acreditava que era possível ganhar?
Quando me candidatei, numa fase muito inicial, o meu discurso foi de contenção. Estava a candidatar-me contra dois adversários: contra Jaime Vieira que estava a sair da junta de freguesia e era o candidato à Câmara e contra a Anália que era a número dois do Jaime Vieira e candidata à presidência da junta de freguesia. Mas à medida que fomos saindo para a rua, senti que as coisas poderiam correr bem.
Somente entre o final da primeira semana de campanha e o início da segunda é que senti que poderia não ganhar porque as pessoas deixaram de nos acompanhar na rua, não via bandeiras do PS na rua, nas janelas, não via os miúdos. Notei um afastamento das pessoas na rua, mas felizmente não foi assim nas urnas.

DL: Qual a explicação para esse afastamento súbito das pessoas?
Havia medo! As pessoas vinham ter comigo e diziam: “estou noutra lista, mas vou votar em ti”. Ou “não posso estar contigo na rua, mas vou votar em ti”. Senti, e não foram poucas, que as pessoas estavam com medo. Mais parecia uma ditadura. Senti muito isso.

DL: Olhando para trás, revendo o percurso de meses até à noite eleitoral, qual foi a sua reação quando soube que tinha ganho as eleições?
No dia das eleições… aquilo é um ambiente horrível nas secções de voto. E sem fugir à questão, gostaria muito de retirar as eleições daquele espaço. Percebo que é próximo das pessoas, mas também é próximo de cafés, de oferta de álcool, e numas eleições com esta proximidade senti alguma tensão. Quando fui levar a minha esposa para integrar as mesas de voto atiraram-me uma pedra ao carro. Depois fui levar a minha mãe a votar e nem saí do carro. Quando fui votar à tarde, fiquei numa zona mais afastada e ouvi comentários a favor, outros contra, mas senti o ambiente muito tenso. Decidi ir embora pensando que estava perdido.
Ao final do dia, quando começaram a sair os resultados, estávamos com uma vantagem de duzentos votos por mesa. E o que era uma tristeza inicial foi-se transformando numa alegria imensa. Fiquei muito feliz, mas à noite, em casa, depois de tudo, veio o peso da responsabilidade.

DL: E que junta de freguesia encontrou no primeiro dia?
Foi caricato… Combinamos vir todos juntos. Quando chegamos já tínhamos oito senhoras à porta a dizer que íamos “oferecer casas”. Isto foi um sinal daquilo que encontrei, ou seja, as pessoas estavam sedentas de uma mudança e, também, de respostas. Respostas a questões que alguém andou a espalhar.
Encontramos uma junta de freguesia com poucos recursos humanos e no presente ainda são menos. Confrontando o executivo cessante o que nos foi explicado foi que as pessoas foram convidadas a ficar, mas a maioria quis regressar à câmara, pois são funcionários camarários que estavam ao serviço da junta de freguesia. Outros, porém, estavam a fazer programas de emprego e também regressaram à câmara.
Tínhamos quatro varredores, um jardineiro e um roçador. Naquela mesma altura, e isto aconteceu, é o que é, foram colocadas seis pessoas ao abrigo de um programa ocupacional. E após o apuramento dos resultados eleitorais, essas mesmas pessoas foram chamadas à câmara e recolocadas noutros locais. Algumas delas vieram fazer força junto de nós para regressarem a Rabo de Peixe e dessas seis, quatro voltaram. Neste momento temos dois varredores, um jardineiro e um roçador.

DL: E administrativos?
No registo do quadro de pessoal a Junta de Freguesia de Rabo de Peixe chegou a ter oito pessoas. Neste momento são três.

DL: Houve algum “mau perder” na base destas mudanças?
Não sei se foi mau perder. Sei que terminamos a passagem de pastas após a hora do expediente e já não havia funcionários ao serviço. Na manhã seguinte fiz questão de voltar à junta e já não encontrei o mesmo número de funcionários. O que sei é que eles dizem que foram chamados de volta à câmara, o presidente diz que voltaram por vontade própria. Foi vingança? Não sei! O que sei é que há histórias diferentes. O que sei é que há doze anos a casa continuou cheia apesar da mudança de executivo. Desta vez não senti isso. Não sei o futuro, mas no dia que sair da junta de certeza que não irei deixá-la como a recebi.

DL: E a nível financeiro, como encontrou a Junta de Freguesia de Rabo de Peixe?
O financiamento funciona por duodécimos, ou seja, as verbas são transferidas mensalmente. No dia 5 de novembro tínhamos cêntimos para combustível e alguns euros para apoio social. As verbas foram chegando e à medida que iam entrando já tinham para onde ir. Também, por esse motivo, optamos por não investir muito nas celebrações de Natal e passagem de ano. O pouco dinheiro que tínhamos foi para apoiar famílias com alimentos.
Tomamos essa decisão porque houve responsáveis de supermercados que nos telefonavam a dizer “tens de apoiar esta família porque veio comprar pescoços de galinha para fazer a ceia de Natal”. Não poderia investir em fogo-de-artifício na passagem de ano sabendo que havia pessoas a passar fome. Sei que não vou acabar com a fome, mas com o pouco dinheiro que tínhamos colocamos algum alimento na mesa de quem precisava.
O orçamento da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe é elevado. São cerca de 800 mil euros. É muito dinheiro. Metade desse valor transita de 2025, na medida em que são verbas de contratos com o governo e a câmara que ainda não foram transferidas na totalidade.
Resumidamente: tínhamos um saldo de 300 mil euros de dívida, mas que correspondem aos valores que falta receber por parte da câmara ou do governo.

DL: A curto/médio prazo quais são as prioridades? Ou seja, o que é que é emergente acudir no imediato e o que pode aguentar mais uns tempos com um penso rápido?
A nossa grande aposta tem sido a limpeza. Só numa semana fizemos trinta e cinco transportes de lixo. Se somarmos a isso os verdes, ultrapassou os quarenta. Com os poucos recursos disponíveis, creio que demos um sinal claro do que pretendemos em termos de limpeza.
O executivo anterior candidatou a junta de freguesia ao programa Eco-Freguesias. E de acordo com o programa, à nossa entrada, estávamos num nível muito baixo e dificilmente conseguiríamos chegar ao nível 10. Não só o alcançamos, como o superamos. Atingimos os objetivos, o que significa que em pouco mais de dois meses fizemos mais do que havia sido feito nos dez anteriores. Mas não basta limpar. É preciso investir muito na parte pedagógica/educativa. Esta será uma das prioridades.
Com o apoio da Câmara da Ribeira Grande e do Governo Regional dos Açores, a habitação é outra das nossas preocupações. A Junta de Freguesia de Rabo de Peixe não tem meios para fazer rigorosamente nada no que concerne à habitação. É triste, mas é mesmo assim. Cabe-nos encaminhar, ser o rosto da população, mas só com o apoio da câmara e do governo é que poderemos apoiar as famílias.
A autarquia tem a medida dos 35 mil euros anunciada em campanha e que espero seja colocada em prática para apoio na aquisição de primeira habitação. A autarquia também pediu que ajudemos a procurar terrenos que se possam lotear, mas sem o PDM aprovado fica difícil qual o terreno a indicar porque não sabemos se terá viabilidade para construção.
Obras urgentes, e para arrancar quanto antes, é a requalificação do coreto, a resolução da questão do passo quaresmal que se arrasta há dez anos, o muro de proteção que não se percebe se está pronto ou não e dar alguma dignidade ao espaço sem esquecer as casas de banho que só pela sua localização já são polémicas porque encontram-se numa zona nobre em frente a igreja e poderiam estar noutro local; mas também por estarem em cima de uma falésia. Se estamos a retirar as moradias da orla costeira devido ao risco que apresenta, que sentido faz construir casas de banho junto à orla costeira? Tenho algumas dificuldades em perceber se aquelas casas de banho estão realmente seguras. Para além disso, aquando das mais recentes chuvadas, foi necessário fechar as casas de banho porque entrava água por tudo o que é lado. Uma construção com apenas dois anos, deficiente, que já sofreu obras de adaptação porque não tem acesso a pessoas com mobilidade reduzida.
Inicialmente, o acesso para as casas de banho de homens e mulheres era o mesmo. Numa comunidade como Rabo de Peixe, que se calhar ainda não está preparada isso, foi necessário alterar o interior para que se criassem acessos exclusivos. Conclusão: é uma obra que não oferece a dignidade que Rabo de Peixe merece.
É nossa vontade dar início ao processo de procura de um local onde se poderá instalar a Casa das Associações, um espaço que dê repostas necessárias ao nível da pernoita de romeiros, intercâmbios culturais entre filarmónicas, escuteiros, etc. E podem perguntar: mas uma vila tão grande não tem casas para arrumar romeiros? A resposta é simples: neste momento não porque as casas estão sobrelotadas, com quatro ou cinco famílias a viver no mesmo espaço.
Depois há o estacionamento que em Rabo de Peixe é o que é. A rua do Rosário é o que se sabe. Os parques estão sempre cheios e os que não enchem é porque não têm videovigilância e ninguém quer ver o seu carro vandalizado. A variante à rua do Rosário talvez seja uma solução, mas isso está nas mãos do governo regional.

Moradores dos apartamentos Quintas do Mar “estupefactos” com respostas do Governo regional

A falta de água, a degradação dos edifícios e a ausência de intervenções na manutenção dos apartamentos nas Quintas do Mar, em Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, levaram os moradadores a denunciar a situação ao Diário da Lagoa. O caso levou o Bloco de Esquerda a questionar a Direção Regional da Habitação. No entanto, as respostas da tutela contradizem a versão dos moradores, que se dizem “estupefactos” com as explicações oficiais

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O Diário da Lagoa denunciou as queixas dos moradores nas Quintas do Mar, na vila de Rabo de Peixe, relativas à falta de manutenção nos apartamentos, falhas no abastecimento de água e às sucessivas ausências de resposta por parte da tutela. No seguimento da notícia veiculada pelo nosso jornal, o Bloco de Esquerda apresentou um requerimento ao Governo dos Açores com um conjunto de questões relacionadas com a insatisfação dos moradores.

Em resposta ao requerimento do Bloco de Esquerda, a Direção Regional da Habitação confirmou que “em dezembro de 2023, ocorreu uma avaria no grupo hidropressor (…) que condicionou o abastecimento de água em alguns apartamentos”.

Na sequência do sucedido, e face à necessidade urgente de reparar a bomba de água, a Direção Regional da Habitação optou “em dezembro de 2023, pela instalação de uma bomba provisória, por empréstimo, após contato com a empresa Sousa & Garcês”.

Mais acrescenta a DRH que, em durante o ano de 2024, foi “rececionada da administração do condomínio uma proposta para solução definitiva” que passava pela “instalação de uma central hidropressora com duas bombas, quadro elétrico e limpeza do reservatório”.

No final de 2024 aconteceu a passagem da gestão dos apartamentos para uma nova empresa de condomínio – a Loja do Condomínio (sem qualquer justificação conhecida para tal) –, tendo esta realizado uma “avaliação técnica em agosto de 2025 que concluiu que a pressão da rede pública era suficiente, chegando mesmo a ser excessiva para a tubagem existente”, motivo pelo qual foi decidido “desligar o grupo hidropressor e instalar um redutor de caudal”.

No mesmo requerimento, em resposta ao Bloco de Esquerda, a Direção Regional da Habitação adianta que “não foi confirmada a ocorrência de inundações por sobrepressão em maio de 2025” e assegura que a qualidade da água está em “conformidade legal para consumo humano”, acrescentando que as demais intervenções – portas, janelas, e remoção total do parque infantil – obedecem a uma “calendarização com início previsto durante o segundo semestre de 2025”.

No exercício do contraditório, o grupo de moradores que denunciou as ocorrências ao Diário da Lagoa em agosto passado, não escondeu a “estupefação” pelas respostas do Governo dos Açores/Direção Regional da Habitação ao requerimento do Bloco de Esquerda.

“Nunca tivemos bomba de água por empréstimo e estivemos várias semanas com falhas de água entre dezembro e janeiro de 2023. A empresa Sousa & Garcês é que conseguiu remediar a situação que permanece inalterada desde então. Mais recentemente surgiram novos problemas com a canalização a apodrecer e cheia de ferrugem. Por segurança, optaram por desligar a bomba sem avisar os moradores e colocaram um redutor de caudal. Só demos por isso porque a pressão da água não era suficiente para tomar banho porque os esquentadores não disparavam”, explicaram os moradores quando contactados pelo Diário da Lagoa.

“Por que motivo o Governo não esclareceu porque alguns condóminos já pagaram por uma bomba nova que até hoje nunca foi instalada? Ou por que motivo menciona a pressão excessiva e nega a existência de inundações por sobrepressão quando, pelo menos quatro condóminos, queixaram-se (e reportaram à DRH) de inundações nos seus apartamentos por rebentamento da canalização? E por que um técnico da DRH esteve a fazer um levantamento dos danos? E por que remeteram respostas para os contratos em vigor e, passados quatro meses, nenhuma resposta oficial foi dada às queixas apresentadas?”, questionam os mesmos moradores.

Lamentaram ainda que “pouco ou nada tenha sido dito quanto à substituição das portas partidas, nichos de água, luz e gás sem segurança, remoção do parque infantil que se encontra em precárias condições há vários anos, infiltrações várias desde o segundo andar às garagens ou falta de proteção do quadro elétrico na garagem”.

No mesmo dia em que o Governo dos Açores emitiu a resposta ao requerimento do Bloco de Esquerda, a EDA notificou o condomínio que o fornecimento de eletricidade relativo às áreas comuns dos prédios sitos às ruas da Misericórdia, Providence, Hamilton e Bermudas seria interrompido por falta de pagamento de faturas vencidas.

Moradores das Quintas do Mar queixam-se da inércia da Direção Regional da Habitação na manutenção dos apartamentos

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Os moradores das Quintas do Mar, na vila de Rabo de Peixe, fizeram chegar uma missiva ao Diário da Lagoa onde denunciam o estado de degradação dos apartamentos e a falta de manutenção dos mesmos por parte da Direção Regional da Habitação.

À cabeça das preocupações dos moradores estão as sucessivas falhas no abastecimento de água. “Em dezembro de 2023 a bomba de água avariou e, desde então, pouco ou nada foi feito para resolver a situação”, pode ler-se na carta. “Foi-nos prometida a aquisição de uma bomba nova, inclusivamente foi faturada a despesa aos inquilinos que não estão sob alçada da Direção Regional da Habitação, mas, até hoje, a bomba nova não chegou”.

Explicam que a solução passou por “reparar a bomba, situação que veio a revelar-se infrutífera, pois a mesma continuou a avariar, ao ponto de ter de ser desligada. Contudo, desligada, os apartamentos do primeiro e segundo andares ficam com menor caudal de água porque a rede pública não tem pressão suficiente para bombear a água na vertical”.

Deste modo, acrescentam os moradores, “tomar banho é um desafio constante porque nunca sabemos se a pressão será suficiente para fazer funcionar o esquentador. Por vezes, começamos o banho com água quente e terminamos com água fria”.

Para além disso, “a porta onde está instalada a torneira de passagem está partida, ficando à mercê de delinquentes que por ali passam e fecham-na, situação que já é recorrente. A substituição da porta ainda não aconteceu. O mesmo acontece com o quadro da eletricidade. A segurança, neste aspeto, é nula”, denunciam.

Os moradores queixam-se também da falta de manutenção dos equipamentos, limpeza e reparações diversas. “As bombas de água estão enferrujadas, as canalizações estão a apodrecer, o parque infantil há muito que se encontra inoperacional, há portas de acesso às áreas comuns com vidros partidos há meses devido às correntes de ar aquando de ventos fortes”.

A preocupação sobe de tom quando o assunto é eletricidade. “Há alguns meses verificou-se uma infiltração e a água estava a cair em cima do quadro elétrico da cave. Os moradores é que o conseguiram desligar e, posteriormente, colocaram uma proteção por cima do quadro para o proteger das infiltrações aquando de chuvas fortes”.

“Estamos ao abandono”, lamentam na carta onde também denunciam outra situação ocorrida em maio passado: “Por motivos que ainda nos são desconhecidos, pelo menos quatro apartamentos sofreram inundações no seu interior devidamente ao rebentamento das bichas”.

“A situação foi reportada à Direção Regional da Habitação. Um fiscal já visitou alguns apartamentos, outros continuam à espera do levantamento dos estragos. Mas os que já receberam a visita do fiscal ainda aguardam por uma resposta relativamente à reparação dos estragos, principalmente no que diz respeito ao levantamento do soalho”.

A Direção Regional da Habitação não foi poupada nas críticas. “Pouco ou nada faz. Desde 2023 que aguardamos pela aquisição da bomba nova. Muitas promessas e poucas concretizações. Percebe-se o jogo do empurra e os problemas continuam por resolver”.

O Diário da Lagoa exerceu o direito ao contraditório junto da Direção Regional da Habitação mas, até ao momento de publicação desta notícia, nenhum esclarecimento foi prestado.

Filmagens da segunda e terceira temporada da série «Rabo de Peixe» concluídas

Série promete “mais emoções e reviravoltas” sendo adicionadas novas personagens interpretadas por atores “igualmente reconhecidos”

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A Netflix revelou esta quinta-feira, 17 de outubro, que «Rabo de Peixe», a segunda série portuguesa do serviço de streaming, concluiu as filmagens da sua segunda temporada e que, além disso, também filmou uma terceira temporada que será lançada a nível global na plataforma.

Segundo nota de imprensa enviada às redações, “a série portuguesa da Netflix é (muito vagamente) inspirada num acontecimento real” e as próximas temporadas prometem “mais emoções e reviravoltas”.

“Depois do sucesso da primeira temporada, tanto em Portugal como no estrangeiro, o ritmo e a adrenalina vão manter-se elevados, mas Eduardo e os seus amigos vão enfrentar novas e inesperadas aventuras”, destaca a Netflix.

“Na segunda temporada, três meses depois da sua partida, Eduardo regressa e encontra uma realidade completamente diferente em Rabo de Peixe. As drogas que escondeu já não estão nas mãos do Uncle Joe, mas são agora controladas por um inimigo inesperado, o que desencadeia uma série de acontecimentos que irão testar os laços de amizade e lealdade do grupo”, avança a produtora.

A história continua a centrar-se na amizade única do grupo de personagens e no cenário açoriano. “Mesmo com o crescimento do negócio da droga, eles mantêm-se fiéis a si próprios e à sua comunidade, enfrentando perigos imprevisíveis com o mesmo espírito divertido, emocional e cúmplice que os carateriza desde a infância” é, também, revelado no comunicado.

Como já anunciado, o elenco principal regressa com José Condessa, Helena Caldeira, Kelly Bailey, André Leitão e Rodrigo Tomás, enquanto atores portugueses de renome como Maria João Bastos, Afonso Pimentel e Pepê Rapazote também voltam, sendo adicionadas novas personagens secundárias interpretadas por atores igualmente reconhecidos como José Raposo, Ricardo Pereira e Paolla Oliveira.

Produzida pela Ukbar Filmes, criada por Augusto Fraga e escrita por Augusto Fraga, Hugo Gonçalves e Tiago R. Santos, a série é realizada por Augusto Fraga e João Maia na sua segunda temporada e por Augusto Fraga e Patrícia Sequeira na sua terceira temporada.

Presidente da Assembleia Legislativa considera Ruy Galvão de Carvalho inspiração para jovens de Rabo de Peixe

© ALRAA

O presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, considerou hoje crucial “elevarmos nomes como o de Ruy Galvão de Carvalho e outros grandes vultos da nossa cultura”, que, segundo ele, são uma inspiração “especialmente para as novas gerações de Rabo de Peixe, que merecem e precisam de referências inspiradoras para o seu futuro”, segundo comunicado da ALRAA.

Luís Garcia falava na apresentação do livro “Ruy Galvão de Carvalho – O Discípulo de Antero”, da autoria de António Pedro Costa, ontem, 18 de setembro, na Vila de Rabo de Peixe. “Ele é a prova de que, independentemente das adversidades, é possível alcançar grandes feitos e marcar profundamente a nossa sociedade”, afirmou o presidente da Assembleia.

Durante o discurso, Luís Garcia reconheceu que a Vila de Rabo de Peixe “é muitas vezes associada a desafios sociais, particularmente no campo do ensino e das oportunidades de desenvolvimento”, ao mesmo tempo que “é também uma Vila rica em potencial humano, onde reside uma juventude que também pode ser agente de transformação”, acrescentou, citado na mesma nota.

“Aqui, tal como em tantas outras localidades dos Açores, encontramos jovens com talento, criatividade e desejo de vencer. E é precisamente neste contexto que a figura de Ruy Galvão de Carvalho surge como uma inspiração”, afirmou o presidente da Assembleia.

Na ocasião, o presidente da Assembleia Legislativa enalteceu a qualidade da obra apresentada considerando-a “um trabalho de grande mérito”, que no seu entender “oferece a oportunidade de redescobrir quem foi Ruy Galvão de Carvalho, um homem que deixou uma marca indelével
nos Açores”.

A propósito do reconhecimento e da valorização da literatura açoriana, o presidente Luís Garcia aproveitou para relembrar a recente aprovação, em sede de plenário, do Prémio Literário Vitorino Nemésio, “uma demonstração clara e inequívoca da unidade e do compromisso deste Parlamento em valorizar a nossa cultura e em honrar figuras ímpares da literatura açoriana”. “Esta é uma causa que ultrapassa qualquer barreira política ou ideológica, pois todos nós, enquanto açorianos, temos a responsabilidade de valorizar as nossas raízes e identidade”, afirmou o presidente.

Luís Garcia terminou o seu discurso apelando a que “não nos limitemos a recordar e celebrar o passado, mas que façamos desse legado uma força motriz para o futuro”, pois só assim é possível “manter sempre viva a nossa identidade e o nosso património”.

Junta de Freguesia de Rabo de Peixe quer nova unidade de saúde na vila

© JF RABO DE PEIXE

O presidente da Junta de freguesia de Rabo de Peixe, Jaime Vieira, em visita às instalações do posto de saúde daquela vila verificou a necessidade de obras de intervenção naquela unidade de saúde, comprometendo-se a realizar ” pequenas reparações e melhorar o atendimento ao público”, segundo nota enviada pela Junta.

Jaime Vieira defende que há que começar a pensar em criar mais uma unidade de saúde.

O governante entende que “dando mais condições ou alargando o serviço de saúde, serão de certeza menos os utentes a deslocar-se ao centro de saúde da Ribeira Grande ou Ponta Delgada”, lê-se na mesma nota.

“Assim torna-se imprescindível começar a pensar numa nova localização para a unidade de saúde de Rabo de Peixe”, considera a Junta de Freguesia.

“Mesmo havendo outras propriedades, há que dar o pontapé de saída rumo àquilo que se pretende que é uma nova unidade de saúde”, lê-se, ainda, no comunicado.