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Benevides Racing Team: os irmãos campeões que nasceram com o motocross no sangue 

Detentores de vários títulos de campeões e vice-campeões regionais de motocross, os irmãos Henrique e Rodrigo Benevides contam a sua história, desde o tempo em que cresceram em cima das motas

Henrique, 27 anos, e Rodrigo Benevides, 24,  nasceram e cresceram no meio do motocross © DL

A paixão pelo motocross já lhes veio no sangue e manifestou-se desde cedo. Naturais da freguesia da Candelária, concelho de Ponta Delgada, Henrique e Rodrigo Benevides, bem como as duas irmãs, cresceram no meio da modalidade. O pai, Carlos Benevides, e o tio, Rui Benevides, competiam em motocross.

“As motas estão ligadas à família há muitos anos”, começa por contar Henrique Benevides, de 27 anos. Agarrou a mota aos quatro anos e nunca mais a largou. Hoje, é um dos nomes açorianos mais conhecidos do motocross e detém uma longa lista de títulos regionais. Em 2005 e 2006 foi campeão regional de MX65, e em 2010 de MX85. Em 2014, foi vice-campeão regional de MX1 e MX Elite. De 2015 a 2018, foi campeão regional de MX1 e MX Elite. De 2019 a 2022, com interrupção da pandemia em 2020, foi campeão regional de mx2 e MX Elite. Em 2023 foi vice campeão regional dessas mesmas classes. Em 2024, voltou novamente a conquistar o título de campeão regional, de MX1 e MX Elite, na prova na ilha do Faial. Contam-se, assim, sete títulos consecutivos de campeão. Atualmente, corre no patamar mais elevado, em mota de 450, em MX1.

Por sua vez, Rodrigo Benevides, com 24 anos, também começou cedo no desporto motorizado, mas esteve inativo alguns anos. Em 2008 foi vice-campeão regional MX50, e em 2011 de MX65. Em 2022 foi campeão regional de MX1 e vice em MX Elite. Em 2024 foi campeão regional de MX2.

Os dois irmãos formam a Benevides Racing Team, treinam em conjunto e apoiam-se mutuamente. A irmã mais velha, Micaela, também adquiriu o gosto pelo motocross e chegou a competir.

Campeão absoluto regional em 2024, Henrique recorda claramente quando começou na modalidade. “Quando eu tinha quatro anos, o meu pai ofereceu-me a minha primeira mota, uma LEM 50. Antes de receber a mota já gostava muito, e acompanhava o meu pai e tio, nas provas de mota, tanto de quatro como de duas rodas. Sempre fui um apaixonado pelas motas. Quando recebi a primeira mota nunca mais parei”, conta-nos. 

Como só era permitido competir nas provas federadas a partir dos cinco anos, teve de esperar, mas era como se já estivesse a preparar para ser campeão, andando nos troços, nos dias das provas. “Era como um treino”. Aos cinco anos, teve oportunidade de se estrear na pista do Pico da Cova, na Ribeira Grande. No entanto, com tão tenra idade que tinha, “fiquei com tanto medo nesse dia que acabei por não fazer a minha primeira corrida. A minha irmã Micaela é que correu. Daí em diante ela também se começou a dedicar à modalidade”, conta Henrique.

Para Rodrigo, o motocross também sempre fez parte da sua vida. “Lembro de ver os meus irmãos a correr. A primeira mota que eu tive foi uma KTM 50. Um dia cheguei à oficina do meu pai e estava lá a mota. Comecei a dar umas voltas, lá mesmo”. Aos oito anos começou nas corridas oficiais, no campo de futebol das Capelas. Aos 11 anos, após prova traumática na ilha Terceira, Rodrigo decidiu arrumar a mota. “Sofri uma queda, e apesar de não ter fraturado nada, abalou-me muito. Fiz um salto muito maior do que era suposto e perdi os sentidos”. Alguns anos depois, a paixão voltou a vir ao de cima. “Depois,voltei a correr, por volta dos 15 anos, já com outra maturidade e com ambição”, explica Rodrigo. Com o regresso, o jovem piloto teve de recomeçar de novo. “Comecei a trabalhar e penso que evolui muito, desde então”, considera.

Rodrigo diz ter um grande respeito pelo nível a que o irmão chegou. “Tenho orgulho por o meu irmão ser o piloto que é, e não me sinto triste nem inferior. Tento tirar o máximo proveito disso, de aprender com ele”, diz.

Salto de Henrique Benevides  © RITAROSAPHOTOGRAPHY

Dupla em evolução no Campeonato de Portugal

A dupla Benevides participa igualmente no Campeonato de Portugal: Henrique desde 2016 e Rodrigo desde 2020. Os irmãos têm observado uma evolução pessoal nas provas nacionais.

“Inicialmente, quando fui correr no campeonato nacional o objetivo era ganhar ritmo e dar um salto aqui no campeonato regional, e fez toda a diferença”, afirma Henrique. Desde então, a nível nacional, já conseguiu alcançar vários pódios, nomeadamente terceiro classificado em MX2, em 2021. Em 2023, explica, “teria ganho outra vez o terceiro lugar”, mas uma avaria na mota colocou Henrique em quinto lugar. Em 2024, ficou em quarto, em MX1.

No caso de Rodrigo, já alcançou o 16° lugar em 2022, 15.º em 2023 e 9.º em 2024, todos na classe MX2, no nacional.

Com o próximo campeonato nacional a começar em fevereiro, Henrique explica que a Benevides Racing Team nunca prepara a época a pensar no campeonato regional. “Preparamos a época a pensar no campeonato nacional, porque começa mais cedo”. 

Rodrigo revela que o seu objetivo é tentar ficar outra vez entre os 10 primeiros na competição nacional, enquanto Henrique ambiciona chegar ao pódio: “Vou trabalhar para isso. Ganhar não é impossível, é muito difícil, mas sei que consigo chegar ao pódio”. Os irmãos contam com o apoio da família, que os acompanha também nas provas no continente.

No entanto, a dupla acusa uma falta de apoio, não só dos privados, mas especialmente governamental. “As entidades públicas e o governo tinham de apoiar. Representamos os Açores no campeonato nacional”, apontam.

Sobre o seu futuro no motocross, e porque quem corre por gosto não cansa, os irmãos Benevides ainda pensam em correr por muitos mais anos. “Gostamos muito disto e é difícil deixar. Ainda é cedo para pensar em deixar de correr”.