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Câmara do Comércio de Ponta Delgada defende fundo de captação de rotas aéreas

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A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada considera (CCIPD) “imperativo adotar instrumentos de política pública que mitiguem as desvantagens competitivas” associadas à insularidade dos Açores e ao facto da Ryanair ter deixado de voar para a região.

Em comunicado, a CCIPD entende ser necessário “assegurar níveis adequados de conectividade aérea e garantir a sustentabilidade do setor turístico, que constitui um dos principais motores da economia regional”.

Para tal, dá como exemplo as ilhas Canárias que “implementaram um programa de desenvolvimento de voos no âmbito territorial da Região Ultraperiférica das Canárias para 2013-2026”, que assenta num “regime público de incentivos à criação e operação de novas rotas aéreas internacionais, baseado em mecanismos concorrenciais e transparentes”.

É um programa que “visa apoiar a abertura de rotas diretas, reduzindo o risco inicial para as companhias aéreas através de incentivos financeiros proporcionais à capacidade oferecida”, pode ler-se na missiva.

Sublinha que “este regime foi formalmente enquadrado e aprovado pela Comissão Europeia, no âmbito das regras de auxílios de Estado, designadamente ao abrigo das diretrizes relativas a aeroportos e companhias aéreas, que valida a sua compatibilidade com o mercado interno e reconhece a sua contribuição para o desenvolvimento económico de uma região ultraperiférica”.

De resto, acrescenta a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, “o anúncio do vice-presidente executivo da Comissão Europeia para a Coesão e Reformas, Rafaelle Fitto, de que irá apresentar um novo pacote legislativo para responder às especificidades das regiões ultraperiféricas, onde se incluem os Açores, é inequivocamente uma oportunidade que não pode ser desperdiçada pelo governo regional e que permitirá enquadrar adequadamente o imprescindível programa de captação de novos operadores e rotas aéreas”.

“Face ao impacto económico negativo decorrente da perda de conectividade aérea nos Açores, torna-se urgente e estratégico avaliar a implementação de um programa análogo ao modelo das Canárias, devidamente adaptado à realidade regional, que permita incentivar a criação de novas rotas, reforçar a competitividade do destino e assegurar a sua integração nos principais mercados emissores internacionais. Tal medida constitui não apenas uma resposta conjuntural à atual perda de oferta aérea, mas uma opção estrutural de política pública alinhada com as melhores práticas europeias e com os instrumentos já reconhecidos e aprovados pelas instituições comunitárias”, finaliza o comunicado.

Do Torreão da Fajã: O Açorianocentrismo e a falta de bom senso

Bruno Pacheco

Sou cidadão do mundo, socialista formado politicamente nos movimentos soberanistas e independentistas açorianos do início da década de noventa. Luto, desde sempre, por uns Açores melhores e que sejam local de eleição para os optaram por aqui viver.

Contudo, fico “incrédulo” ao ver os posicionamentos “Açor-cêntricos” de alguns dos nossos governantes, baseados na retórica fácil e sem a devida sustentação técnica e científica sobre o nosso “valor intrínseco”. Como se diz nas arquinhas da vida… muito parla più.

Há um traço recorrente no discurso político regional, enraizado numa linha académica que vigora desde 1976, que importa desmontar (para nosso bem): o Açorianocentrismo acrítico, essa convicção quase dogmática de que os Açores ocupam um lugar central no mundo, não por evidência cientificamente demonstrada, mas por insistência repetida baseada apenas no nosso capital histórico.

Valorizar os Açores é legítimo. É imprescindível e necessário. O problema começa quando essa valorização deixa de assentar em dados, análise técnica e fundamentos científicos, passando a viver apenas de retórica política e de autoafirmação vazia baseada apenas na nossa geografia. Confunde-se orgulho com sobranceria, estratégia com propaganda. E, pior ainda, transforma-se uma agenda de desenvolvimento numa narrativa de autocelebração permanente.

A verdade é simples: relevância geoestratégica, importância ambiental ou potencial económico não se proclamam… demonstram-se. Demonstram-se com indicadores sólidos, estudos comparativos internacionais, políticas públicas avaliadas e resultados mensuráveis. Sem isso, tudo o que resta é discurso. E, por si só, o discurso não atrai investimento, não fixa talento e não cria prosperidade sustentável.

Tudo isto a propósito de…

O episódio da saída da Ryanair dos Açores é um exemplo paradigmático dessa falta de noção do ridículo. Em vez de uma análise fria sobre competitividade, custos operacionais, massa crítica de procura ou enquadramento regulatório, assistimos a reações inflamadas, muitas vezes desconectadas da realidade do setor da aviação. Os nossos governantes pensaram que os “O’Leary” andavam a fazer bluff e que, no final, viriam “comer na nossa mão”, e ficaram a ver a banda passar pela avenida. Errado, como se viu!

Mas, mais grave do que a saída em si, foi a forma como foi enquadrada: uma mistura de indignação e, depois, incredulidade, como se o mundo tivesse falhado aos Açores. Esta postura revela uma visão fechada, quase insular no pior sentido da palavra, em que se assume que a centralidade é um dado adquirido e não uma conquista permanente. Um reflexo de quem fala muito para dentro e pouco para fora e da evidente falta de mundividência dos nossos governantes.

…e de…

O recente episódio protagonizado pelo Presidente do Governo, à saída do Conselho Superior de Defesa Nacional, é mais uma expressão do açorianocentrismo sem urbanidade. À saída de uma reunião realizada ao abrigo do segredo de Estado, tivemos uma proclamação da nossa centralidade geoestratégica e da nossa importância vital para a República Portuguesa, acrescentando que a futura Lei das Finanças Regionais deve incorporar essas variáveis para fins de financiamento.  Como sabem, aqui no Torreão, desde o início, abordaram-se os temas do “capital natural” e do “capital estratégico” como vetores para o financiamento da Região Autónoma. Contudo, temos de seguir um caminho sério, tecnicamente e cientificamente sustentado, que nos permita entrar nessa discussão com a certeza do que “queremos ter e porque é que queremos”. A centralidade geoestratégica não se afirma em declarações: mede-se, compara-se e prova-se com métricas objetivas reconhecidas internacionalmente.

Deste modo, recomenda-se ao Sr. Presidente do Governo que, em vez de “furar o segredo de Estado”, dê orientações para que se proceda a estudos sérios e cientificamente credíveis, de forma a podermos apelar a esta retórica, mas com sustentação e evidências.

Por fim…

Se queremos um projeto de futuro para os Açores, ele tem de assentar no realismo, nas exigências técnicas e na capacidade de integração global. Menos retórica, mais evidência. Menos autocomplacência, mais ambição sustentada. Mais avaliação independente, mais transparência e mais cultura de resultado. Caso contrário, continuaremos presos a um discurso que soa bem cá dentro, alimenta egos e ciclos políticos de curto prazo, mas que, lá fora, ninguém leva a sério e, pior do que isso, ninguém tem incentivo para contrariar.

O mundo não começa nem acaba nos Açores. E reconhecer isso não diminui a Região, mas, pelo contrário, é o primeiro passo para afirmá-la com seriedade. Porque só quem entende o seu lugar relativo consegue, de facto, ambicionar mais e negociar melhor.

Saída da Ryanair dos Açores ameaça anular até três quartos do crescimento económico em 2026

Estudo da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada estima um impacto negativo anual que pode atingir os 166 milhões de euros, comprometendo a sustentabilidade do turismo regional

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A Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) tornou públicos os resultados de um estudo sobre a saída da Ryanair dos Açores, prevista para março de 2026, alertando que a redução da oferta aérea terá “consequências económicas relevantes para a Região Autónoma dos Açores, afetando o turismo, o tecido empresarial e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) regional”.

Segundo a análise do seu Gabinete de Estudos, o impacto negativo total na economia (que inclui efeitos diretos, indiretos e induzidos) deverá situar-se entre os 144 e os 166 milhões de euros anuais. Para a associação empresarial, a mobilidade aérea num território arquipelágico não é apenas um instrumento de desenvolvimento, mas uma “condição estrutural para o funcionamento da economia”. O relatório destaca que este recuo da transportadora ocorre num cenário de particular incerteza, marcado pela reestruturação da SATA Azores Airlines e pela “ausência de uma estratégia consistente, e de médio prazo, para as acessibilidades aéreas”. Estas circunstâncias, de acordo com a CCIPD, agravam a insegurança quanto à conectividade futura da região, especialmente num setor onde a Ryanair é responsável por uma quota de dormidas turísticas que chega aos 8,7%.

A metodologia quantitativa utilizada baseou-se nos fluxos de passageiros para Ponta Delgada e Terceira, estimando-se que a saída da companhia resulte numa perda anual entre 339 mil e 391 mil dormidas. Com uma despesa média por turista calculada em 1.036 euros, o impacto no Valor Acrescentado Bruto (VAB) — utilizado como proxy do PIB — situar-se-á entre os 80 e os 92 milhões de euros. Em termos globais, a economia regional poderá sofrer uma contração anual entre 1,5% e 1,7% do seu PIB total.

O estudo realça, assim, que este impacto assume uma gravidade extrema quando comparado com o crescimento económico de 2% previsto para 2026. Feitas as contas, a saída da Ryanair poderá “absorver entre dois terços e três quartos desse crescimento”, anulando na prática a dinâmica económica perspetivada no plano e orçamento regional. Para a CCIPD, a presença da operadora foi crucial para introduzir “concorrência efetiva, estimular a moderação tarifária e reforçar a conectividade internacional direta”, pelo que a sua partida representa a perda de um fator vital de dinamização da estrutura produtiva.

Os resultados demonstram, portanto, que o prejuízo potencial é “de uma ordem de grandeza substancialmente superior ao esforço financeiro público que poderia ser necessário para assegurar a manutenção e a diversificação das acessibilidades aéreas”. A CCIPD defende, por isso, que a política de transportes não pode ser “reativa nem circunstancial”, apelando ao Governo regional para a definição urgente de uma estratégia integrada que proteja a competitividade das empresas e a sustentabilidade do turismo açoriano.

Governo regional surpeendido pela decisão da Ryanair de deixar de voar para os Açores

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A Ryanair vai deixar de voar para os Açores a partir de março de 2026. A decisão foi avançada pela companhia aérea de baixo custo no seu site online. A transportadora diz que os Açores vão perder seis rotas e 400 mil passageiros. A decisão deve-se ” às elevadas taxas aeroportuárias (definidas pelo monopólio aeroportuário francês ANA) e à inação do Governo português, que aumentou as taxas de navegação aérea em +120% após a Covid e introduziu uma taxa de viagem de 2€, numa altura em que outros Estados da UE estão a abolir taxas de viagem para garantir o crescimento de capacidade, que é escasso”.

Em comunicado, a Ryanair diz que “o monopólio da ANA não tem qualquer plano para aumentar a conectividade de baixo custo com os Açores. A ANA não enfrenta concorrência em Portugal – o que lhe permitiu obter lucros monopolistas, aumentando as taxas aeroportuárias portuguesas sem qualquer penalização – numa altura em que aeroportos concorrentes noutros países da UE estão a reduzir taxas para estimular o crescimento”. 

O Governo dos Açores já reagiu à notícia. Em comunicado, a secretaria regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas “manifesta surpresa perante o comunicado oficial da Ryanair emitido hoje relativamente à operação para a Região Autónoma dos Açores, porquanto a Visit Azores acompanha atentamente a operação dessa companhia aérea na Região”.

O executivo garante que a Visit Azores “está ativamente empenhada e a manter contactos diretos e regulares com a Ryanair, pelo que o comunicado emitido hoje é entendido como extemporâneo, contrariando inclusivamente notícias e declarações recentes do CEO da companhia em que afirmava a vontade de investir nos Açores e reativar a base operacional em Ponta Delgada”.

A Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas mantém-se expectante relativamente ao trabalho que está a ser desenvolvido pela Visit Azores, reconhecendo que “decorre um complexo processo de interação, que envolve várias entidades, e sinalizando, porém, que há, hoje, como já aconteceu em situações passadas, questões alegadamente relacionadas com taxas aeroportuárias e ETS alheias à região”.

 

A Crise Aérea dos Açores: Quando o Governo Perde o Rumo

Venicio da Costa Ponte
Vice coordenador da Iniciativa Liberal Açores

A decisão da Ryanair de cancelar todos os voos de e para os Açores a partir de 29 de março de 2026 não é apenas mais um episódio turbulento na aviação europeia. É um sinal claro de que algo estruturalmente profundo falhou na gestão da conectividade aérea da região. E, apesar de todos os constrangimentos operacionais associados ao arquipélago, meteorologia imprevisível, dispersão territorial, custos inerentes ao insularismo, essas dificuldades não chegam para justificar uma perda tão grave.

A própria companhia aérea foi explícita: a responsabilidade recai sobre dois alvos bem definidos, a ANA, que detém o monopólio da gestão aeroportuária, e o Governo português, cuja “inação” é criticada pela transportadora. Segundo a Ryanair, as taxas aeroportuárias continuam a subir sem contrapartidas em conectividade, as taxas de navegação aérea aumentaram 120% após a pandemia, e foi ainda introduzida uma taxa adicional de 2 € por passageiro num momento em que vários países europeus fazem precisamente o contrário. Por fim, a crítica estende-se ao ETS europeu, que penaliza regiões remotas como os Açores, mas isso apenas reforça a necessidade de uma atuação governamental robusta — não a dispensa.

É aqui que se torna impossível ignorar uma realidade desconfortável: a região tem sido incapaz de garantir um quadro estável, competitivo e previsível para as companhias aéreas que operam no arquipélago. As low-cost não abandonam um destino por capricho; fazem-no quando as contas deixam de fechar. E o que a Ryanair diz sobre os Açores é grave: o ambiente regulatório português, associado ao monopólio aeroportuário, tornou o destino insustentável quando comparado com alternativas na Europa.

Enquanto isso, o Governo Regional mantém um discurso que, apesar de politicamente prudente, pouco acrescenta à resolução do problema. Entre afirmações como “fizemos o que tínhamos a fazer” ou expectativas de que a companhia “honre os compromissos”, não surgem medidas concretas, renegociações eficazes ou um plano plurianual de conectividade que dê garantias à economia regional. A ausência de respostas públicas firmes às acusações da Ryanair contrasta com o impacto económico anunciado: perder-se-ão ligações diretas para Londres, Bruxelas, Lisboa e Porto, rotas críticas para a mobilidade e o turismo.

A acompanhar esta indefinição política, o setor privado faz soar os alarmes. O alojamento local, que já alertara para perdas superiores a 30% se a companhia reduzisse operações, enfrenta agora um cenário drasticamente pior. A economia açoriana, altamente dependente da aviação, não pode funcionar com incerteza permanente.

É verdade: gerir aviação nos Açores é mais complexo do que gerir aviação na Madeira ou nas Canárias. O clima é mais instável, os custos são maiores e a fragmentação territorial exige uma logística mais exigente. Mas isso não torna a operação impossível. Torna-a, isso sim, dependente de governação competente, de visão estratégica e de políticas que compreendam, de facto, as regras da aviação moderna.

Num setor em que tudo depende de margens apertadas e previsibilidade, os Açores têm oferecido exatamente o contrário: decisões tardias, negociações opacas, hesitação permanente e uma estrutura tarifária nacional que penaliza especialmente a região. Sem alterar esse quadro, qualquer tentativa de atrair ou reter operadores será apenas cosmética.

O cancelamento anunciado pela Ryanair não é um aviso. É a consequência.

Para garantir o futuro da conectividade aérea açoriana, será necessário um programa quinquenal de incentivos estáveis, um organismo técnico dedicado exclusivamente à negociação com companhias aéreas, e uma estratégia clara que coloque Ponta Delgada como hub principal, não por preferência política, mas porque é assim que o mercado funciona.

Até lá, os Açores continuarão a perder altitude. E a responsabilidade não será do clima.

Ryanair quer voltar aos Açores e Governo regional congratula-se com a intenção

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A Ryanair, através do seu CEO, Michael O’Leary, afirmou numa conferência em Lisboa, que pretende reabrir a base em Ponta Delgada, em São Miguel, mas crítica a demora ao pedido de reabrir a base nos Açores.

Segundo o jornal de Negócios, o responsável pela companhia de aviãção irlandesesa disse que: “parte desse plano é reabrir a base em Ponta Delgado, apesar de termos perdido dinheiro. Enquanto conseguirmos crescer em Lisboa, Faro e Porto, vamos continuar a investir”.

A Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, em comunicado enviado esta sexta-feira, 19 de setembro, às redações, diz que acolhe “com muito agrado, as notícias veiculadas pela comunicação social”.

O Governo regional dos Açores, refere ainda que se congratula com o interesse da Ryanair e “manifesta-se disponível, como sempre tem feito, para prestar a sua colaboração no desenvolvimento do processo que, de acordo com a informação pública, decorre junto das instâncias governativas nacionais”.

No entanto, o Governo regional diz que é reconhecido que “estas decisões de investimento e respetivos processos subjacentes são complexos e dependem de diferentes fatores, envolvendo diversos requisitos legais e a articulação entre várias entidades, incluindo o Governo da República, a Autoridade de Aviação Civil (ANAC) e a ANA Aeroportos”.