
DL: Como se processa a integração de um novo residente no Lar de Santo António?
Para falar no processo de integração, é importante que a população tenha conhecimento que atualmente o sistema de vagas nas ERPI´s [Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas] está centralizado. O sistema em São Miguel e na Terceira é centralizado, ou seja, não somos nós que geramos as nossas vagas. Qualquer pessoa que queira fazer uma inscrição numa ERPI, num Lar, basta se dirigir apenas a uma instituição que tenha protocolo com a Segurança Social e a partir desse momento poderá inscrever-se em todas as instituições da Ilha São Miguel. Tem a ordem de preferências, portanto eles podem escolher por ordem de preferências qual é a instituição que querem ser admitidas, ou então podem escolher só uma, imagina alguém residente na Lagoa, pode escolher só a Lagoa. O que é que isso faz com o quê?
Poderá haver eventualmente mais tempo até a pessoa ser admitida no RP, porquê? A disponibilidade de vagas só depende de uma coisa, que é o falecimento dos utentes, portanto se demorar muito tempo até existir um falecimento, que a gente nunca sabe, demora muito tempo até existir a admissão, e atualmente é o que se verifica.
DL: Esse é o critério básico?
De disponibilidade de vagas. Sim, nós temos um número finito de vagas, portanto nós temos 48 vagas e essas 48 vagas estão preenchidas.
DL: O Lar dedica-se às pessoas no seu tempo de vida.
Sim, até ao falecimento. Qual é o fenómeno que temos visto atualmente? É que elas vivem cada vez mais tempo, com todas as comorbilidades e as multipatologias que eles têm, e portanto aqui consubstancia-se factualmente o aumento da nossa esperança média de vida.
Outro critério fundamental no critério de avaliação para admissão e é um critério fundamental, que é o principal, é o utente aceitar vir para o lar. Se o utente, quando questionado por mim ou pela assistente social e disser que não quer vir para o lar, a inscrição é cancelada. A família pode querer, mas se o utente não quiser, é respeitada sempre, unilateralmente, a decisão dele. Portanto, por isso é que eu estava a referir que no processo de adaptação, antes disso, a gente tem que pensar na questão da vontade do utente. Qual é a exceção a esta regra?
Se o utente tiver um processo de maior acompanhamento, ou seja, se existir a decorrer, ou já concluído, um processo a considerar que, judicialmente, o utente não está capaz de tomar decisões por si próprio, portanto, a família é que toma. Exceto esta situação, sempre que o utente diz que não quer ir para o lar, a inscrição é recusada e sai da plataforma. E o utente não é admitido.
O processo de adaptação é sempre feito em articulação com a família. Isso é uma componente importante, porque o utente vai sair do seu domicílio, da sua zona de conforto, e vai integrar uma instituição que, necessariamente, tem um conjunto de rotinas, digamos assim, tem um conjunto de regras que têm que ser seguidas por uma questão organizacional.
DL: Qual foi o principal desafio destes últimos 15 anos?
Não houve um acompanhamento dessa mudança no que diz respeito à população dos lares. Portanto, continua tudo muito semelhante em termos regulamentares há 15 anos atrás.Porque há 15 anos o lar era visto como uma resposta social. E hoje em dia já não é uma resposta social, é uma resposta mista. É social, mas também é de saúde. Um exemplo é, não está previsto um psicólogo. Como é que eu tenho uma prevalência de mais de 50% dos utentes com demência e não está previsto um psicólogo? Não faz sentido, não é? Utentes que têm altas prevalências de doenças cardiovasculares. É impossível ter um enfermeiro a cuidar desses utentes. Fisioterapia também não está previsto na legislação das ERPI´s, esse tipo de técnico. Nós conseguimos, nós temos, em vez disso, utilizado algumas ginásticas que vamos fazendo e numa gestão, como eu já disse, que tem que ser feita, para que a gente consiga que os utentes tenham algum tipo de estimulação física, também importante, de forma a reter ao máximo o grau de dependência deles. Nutricionista, a mesma coisa. Portanto, fica aqui um apelo aos legisladores. Acho que existe a falta de vontade política para que isso aconteça e perceba-se de uma vez por todas que há aqui, efetivamente, uma mudança no que diz respeito aos utentes que integram essas instituições. Existem várias respostas na comunidade, elas estão desagregadas. Não existe nada que as agregue e que permita que nós possamos gerir as respostas em função das necessidades dos utentes.
DL: Em relação ao programa Novos Idosos, é positivo?
Enquanto diretor é um projeto positivo. Acho que é um projeto que vem trazer esse novo conceito do Aging at Place at home. Agora esse conceito tem que evoluir para o Aging at the Right Place. Portanto, o envelhecimento no sítio certo. Eu posso envelhecer no lar, se não reunir condições para estar em casa.
Eu posso envelhecer em casa, se eu reunir condições para estar em casa. Eu posso ter que ir para a comunidade de cuidados continuados de forma transitória, para regressar a casa, ou ter que ir para o lar. Mas isto tem que funcionar de forma coordenada e bastante articulada para que a gente consiga personalizar ao máximo possível os cuidados do utente em função das necessidades.O envelhecer no sítio certo, no lugar certo, é cada vez mais importante. No sentido de personalizar os cuidados, no sentido da sustentabilidade financeira e económica.
É só assim que a gente vai conseguir que ao longo do tempo, com o passar do tempo, com a população cada vez mais envelhecida, cada vez mais doente, cada vez mais dependente, se consiga dar resposta a esse fenómeno.

A Santa Casa da Misericórdia de Santo António de Lagoa recebeu o Grupo de Cantares Populares de Bustelo, de Águeda, distrito de Aveiro, na passada quinta-feira, dia 29 de agosto, segundo nota de imprensa da instituição lagoense.
Durante a manhã, o Grupo realizou uma atuação no Lar de Santo António, “proporcionando um
momento de alegria e harmonia aos idosos residentes”.
O provedor da mesa administrativa da Misericórdia, António Borges, deu as boas vindas ao
grupo e agradeceu a visita à instituição, “sendo um privilégio ter a sua atuação no lar de idosos,
edifício que também inclui uma Unidade de Cuidados Continuados Integrados” (UCCI), lê-se, no comunicado.
Para um dos residentes do Lar, “é sempre bom termos a oportunidade de assistir a atuações como
esta. Faz-nos lembrar tempos antigos, pois são canções do nosso tempo”, disse, citado na mesma nota.
Conhecido pela sua dedicação à música tradicional portuguesa, o Grupo de Cantares Populares de
Bustelo trouxe aos Açores um repertório variado de canções, e relembrou aos presentes as
tradições e raízes da cultura popular.
Após a atuação, o Grupo seguiu para um momento de confraternização, no edifício da Casa da
Partilha, pertencente à Misericórdia.
Estes eventos reforçam a importância de atividades de natureza cultural e recreativa nas estruturas
residenciais para pessoas idosas (ERPI´s), explica ainda o comunicado.
A visita deste grupo à ilha de São Miguel decorreu no âmbito de um intercâmbio com o Grupo de
Cantares Tradicionais de Santa Cruz, Lagoa.