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Mau tempo nos Açores provoca nove ocorrências e obriga ao realojamento de 67 pessoas na Praia da Vitória

As condições meteorológicas adversas afetaram várias ilhas do arquipélago, com registo de inundações em São Miguel, obstrução de estradas em São Jorge e danos em habitações no Pico

© ACÁCIO MATEUS

As condições meteorológicas adversas que estão a afetar o arquipélago dos Açores motivaram, até ao momento, a intervenção das autoridades em nove ocorrências. Entre as situações de maior impacto registadas pela proteção civil está a perda de condições de utilização do Parque de Campismo da Praia da Vitória, na ilha Terceira, situação que obrigou ao realojamento preventivo de 67 pessoas. A informação foi avançada pelo Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), em atualização emitida esta quinta-feira, 6 de agosto.

Na ilha de São Miguel, o mau tempo provocou quatro inundações no total: três afetaram quintais e habitações no concelho de Vila Franca do Campo e uma atingiu uma residência no concelho do Nordeste.

A intempérie deixou igualmente marcas noutras ilhas do arquipélago. Em São Jorge, registou-se uma inundação numa habitação na freguesia da Urzelina, concelho de Velas, e uma derrocada na estrada regional na zona dos Nortes, cujos trabalhos de desobstrução ainda se encontram a decorrer. Já na ilha do Pico, o concelho da Madalena contabilizou danos em duas habitações, enquanto em Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, ocorreu uma inundação.

Nas operações de socorro, apoio às populações e resolução das ocorrências nos locais afetados estão empenhados os corpos de Bombeiros, a Direção Regional das Obras Públicas, os Serviços Municipais de Proteção Civil e a Polícia de Segurança Pública.

Face à continuidade do estado do tempo, o SRPCBA recomenda à população açoriana o acompanhamento constante das previsões e avisos emitidos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), aconselhando a adoção rigorosa das medidas de autoproteção. A autoridade regional assegura que prossegue a monitorizar a evolução da situação meteorológica e emitirá novos pontos de situação sempre que a evolução dos factos o justifique.

Novo edifício do INCUBA.Açores em Angra do Heroísmo representa investimento de 3,1 milhões de euros

Instalações do primeiro laboratório de experimentação da Administração Pública Regional foram inauguradas na passada terça-feira pelo presidente do Governo dos Açores, num projeto financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência e pelo Orçamento da Região Autónoma dos Açores

© MIGUEL MACHADO

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu na passada terça-feira à inauguração do novo edifício do INCUBA.Açores – Laboratório de Experimentação da Administração Pública Regional dos Açores, localizado em Angra do Heroísmo.

O projeto representou um investimento total de 3.096.194,00 euros, dos quais 2.517.230,93 euros foram financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR-Açores) e 578.963,07 euros suportados pelo Orçamento da Região Autónoma dos Açores, correspondentes ao IVA. A informação foi dada a conhecer em nota de imprensa divulgada pelo Governo regional.

Durante a cerimónia de abertura das novas instalações, o líder do executivo açoriano sustentou que o espaço reflete o caminho traçado para a modernização da administração pública. “Este é um projeto de inovação, modernização e reforma da Administração Pública da Região Autónoma dos Açores. É um espaço para criar, inovar e participar, com método, sentido crítico e ousadia, para reformarmos a administração pública através da sua modernização”, declarou José Manuel Bolieiro. 

O presidente do Governo acrescentou que a infraestrutura permitirá “acelerar a simplificação administrativa”, promovendo a “desmaterialização de procedimentos” e um acompanhamento mais “rigoroso” da resposta prestada aos cidadãos.

A vertente colaborativa do projeto foi igualmente destacada no discurso inaugural, com o governante a sublinhar o impacto prático previsto para a administração pública da região. “Através dos projetos de ‘coworking’, cocriação, experimentação e laboratório de inovação, poderemos redesenhar os serviços da Administração Pública Regional, tornando-os mais eficientes, mais colaborativos e mais centrados nas necessidades das pessoas”, afirmou.

Criado em 2022 no âmbito da estratégia de modernização administrativa do Governo regional e da Componente 19 do PRR-Açores, o INCUBA.Açores é o primeiro laboratório de experimentação da administração regional a aplicar metodologias de investigação, cocriação e experimentação focadas nos utilizadores.

Ao longo dos últimos quatro anos, a estrutura desenvolveu 19 projetos de inovação pública e redesenho de serviços, envolvendo mais de 7.600 participantes e promovendo a formação de mais de 200 dirigentes e trabalhadores públicos em metodologias de inovação e desenho de serviços.

Com o novo espaço em Angra do Heroísmo, a estrutura passa a dispor de condições para acolher sessões de cocriação, ações de formação, projetos de experimentação e iniciativas de colaboração entre a administração pública, empresas, instituições de ensino e a sociedade civil, reforçando igualmente a participação dos Açores em redes nacionais e internacionais de inovação pública.

Para a nova fase, estão previstas as iniciativas “Portas Abertas” e “Agente INCUBA”, destinadas a disseminar a cultura de inovação em toda a Administração Pública Regional e a criar uma rede de colaboradores que atuarão como agentes de mudança nos diversos organismos públicos.

A cerimónia contou com a presença do secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, da Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, da presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Fátima Amorim, e do vice-presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Emanuel Sousa, entre outras entidades civis e institucionais.

Atualização das taxas aeroportuárias nos Açores sem impacto nos passageiros e no turismo

Aumento das taxas associado à operação interilhas será integralmente absorvido pela SATA Air Açores, não afetando os custos suportados pelos passageiros nem a atividade turística regional

© ISAAC STRUNA

As taxas aeroportuárias aplicáveis aos aeródromos e aeroportos sob tutela da Região Autónoma dos Açores foram atualizadas, mas a medida não terá qualquer impacto no valor pago pelos passageiros nem na atividade turística regional. 

Segundo nota de imprensa enviada pelo Governo Regional dos Açores, o aumento das taxas associado à operação interilhas será integralmente absorvido pela SATA Air Açores, garantindo a manutenção dos preços praticados aos utentes.

A portaria que procede a este ajustamento já se encontra publicada em Jornal Oficial, abrangendo as taxas de tráfego, assistência em escala e ocupação nas infraestruturas de São Jorge, Pico, Graciosa e Corvo, além das aerogares civis das Lajes e das Flores. 

Segundo a informação divulgada pela Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, trata-se da primeira revisão estrutural destas taxas em cerca de duas décadas, período durante o qual os valores se mantiveram inalterados sem acompanhar a evolução dos custos de operação, manutenção e gestão das infraestruturas.

Nos aeródromos geridos pela SATA Gestão de Aeródromos (SGA), a atualização das taxas de tráfego e de assistência em escala traduz-se num aumento de 40,79%, cujo impacto financeiro recai exclusivamente sobre a SATA Air Açores. 

A Aerogare Civil das Lajes regista um ajustamento de 2,34% nas taxas de assistência em escala e de ocupação, cumprindo o disposto no Decreto Legislativo Regional n.º 27/2025/A, que aprovou o Orçamento da Região Autónoma dos Açores para 2026, mantendo-se inalteradas as respetivas taxas de tráfego.

Relativamente às taxas de ocupação nos espaços geridos pela SGA, os novos valores destinam-se apenas a futuras licenças de utilização, enquanto as que estão atualmente em vigor ficam sujeitas somente à atualização anual de 2,34%. 

A nova portaria introduz ainda um mecanismo de atualização automática anual indexado ao índice médio de preços no consumidor, prevenindo correções acumuladas de grande dimensão em anos futuros.

A Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, sustenta que “a evolução da realidade económica, o crescimento da atividade aeroportuária e o reforço das exigências em matéria de segurança, manutenção e qualidade de serviço tornaram indispensável proceder a uma atualização gradual, equilibrada e responsável das taxas praticadas, garantindo a sustentabilidade das infraestruturas sem afetar a competitividade da Região”.

A tutela governamental salienta que a medida assegura a sustentabilidade financeira do setor sem comprometer a acessibilidade aérea interilhas. Adicionalmente, o Governo Regional assinala que, mesmo após a presente revisão, as taxas cobradas nas infraestruturas sob gestão da SGA permanecem substancialmente inferiores às praticadas nos aeroportos açorianos geridos pela ANA – Aeroportos de Portugal.

Segunda edição do “Menu Separar Sempre” reforça separação de resíduos no canal HORECA

Iniciativa da Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática em parceria com a Novo Verde prevê a distribuição de kits de recolha em mais de 900 estabelecimentos das nove ilhas, num momento em que a região alcança uma taxa de preparação para reutilização e reciclagem de 49%

© SRAAC

O secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, presidiu, na ilha Terceira, ao lançamento da segunda edição da campanha “Menu Separar Sempre”, uma iniciativa desenvolvida em parceria com a Novo Verde.

A iniciativa, dirigida ao canal HORECA (hotelaria, restauração e similares), pretende reforçar a sensibilização ambiental e promover a economia circular no arquipélago, segundo nota de imprensa enviada pelo Governo Regional dos Açores.

No âmbito desta ação, desenvolvida exclusivamente para a realidade açoriana, serão distribuídos kits de eco-bags em mais de 900 espaços comerciais pelas nove ilhas do arquipélago, de modo a facilitar a triagem e a correta separação das embalagens no setor da restauração e hotelaria.

Durante a apresentação da campanha, Alonso Miguel sublinhou que a iniciativa constitui “mais um excelente meio de sensibilização ambiental, alinhado com os objetivos vertidos na Agenda para a Economia Circular dos Açores”, destacando a importância da educação e da literacia ambiental na ação governativa.

O governante enquadrou a ação no âmbito dos dados do Relatório Anual de Resíduos Urbanos de 2025, indicando que cerca de 82% dos resíduos produzidos na região foram encaminhados para operações de valorização. 

De acordo com o responsável pela tutela do ambiente, a taxa de preparação para reutilização e reciclagem nos Açores alcançou os 49%, enquanto a deposição em aterro registou uma descida para 18% do total dos resíduos urbanos produzidos, valor que se fixava nos 44,9% no ano de 2020.

“Estes resultados demonstram que estamos a avançar na direção certa, confirmando a consolidação de uma estratégia adequada, que está a produzir resultados concretos e mensuráveis”, afirmou o secretário regional.

Alonso Miguel salientou igualmente que o “Menu Separar Sempre” se enquadra nos objetivos da Agenda para a Economia Circular dos Açores e do Programa Estratégico de Prevenção e Gestão de Resíduos dos Açores 20+ (PEPGRA 20+), sendo reforçado pelo novo regime jurídico de prevenção e gestão de resíduos dos Açores, recentemente aprovado.

O secretário regional enfatizou que, no contexto de insularidade do arquipélago, a transição para um modelo de economia circular ultrapassa a dimensão legislativa e depende do envolvimento dos diferentes agentes da sociedade nas decisões e comportamentos do quotidiano.

“Os Açores serão tão mais sustentáveis quanto maior for a nossa capacidade de transformar recursos em valor, desafios em inovação e limitações geográficas em oportunidades”, concluiu o governante, reiterando o papel das campanhas de proximidade na consolidação dos resultados ambientais da região.

Hospital da Terceira reforça diagnóstico oncológico com novo mamógrafo de última geração

Equipamento financiado pelo PRR substitui tecnologia com 16 anos no HSEIT e reforça o diagnóstico precoce do cancro da mama na região, numa fase em que a tutela prepara a contratação de um novo médico especialista

© SRSSS

O Hospital de Santo Espírito da ilha Terceira, nos Açores, conta com um novo mamógrafo de última geração, num investimento superior a 330 mil euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O equipamento substitui a tecnologia em funcionamento desde 2010 e reforça a capacidade de resposta e rastreio de cancro da mama para as utentes da Região Autónoma dos Açores, segundo informou a Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social.

A nova tecnologia permite um diagnóstico mais precoce e rigoroso através da introdução da mamografia com contraste, uma técnica avançada na deteção e caracterização de lesões mamárias. O dispositivo integra ainda funcionalidades de estereotaxia, tomossíntese e imagem sintetizada, que asseguram maior detalhe clínico e aceleram a realização e o processamento dos exames. O serviço está disponível para as utentes acompanhadas na unidade hospitalar da Terceira e para as utentes encaminhadas pelo Centro de Oncologia dos Açores.

Em declarações divulgadas pela tutela, a secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, sublinha que “este investimento traduz o compromisso do Governo dos Açores com a modernização do Serviço Regional de Saúde e com a melhoria contínua dos cuidados prestados à população.” A titular da pasta acrescenta ainda que “dotar as nossas unidades de saúde com equipamentos de elevada tecnologia significa investir na prevenção, no diagnóstico precoce e na qualidade da resposta clínica, colocando os recursos do PRR ao serviço da saúde dos açorianos.”

A aquisição insere-se no projeto de Modernização e Requalificação do Serviço Regional de Saúde, no qual foram aplicados cerca de 11 milhões de euros de fundos comunitários no hospital de Angra do Heroísmo. A verba permitiu igualmente a incorporação de um robot ortopédico, uma torre de laparoscopia 3D, novos ecógrafos, um equipamento de sequenciação genética e um sistema de litotrícia extracorporal.

A par do investimento em tecnologia, a unidade de saúde prepara o lançamento de um procedimento concursal para o recrutamento de um médico especialista em Imagiologia, cuja publicação está prevista para o final deste mês, de forma a reforçar os recursos humanos afetos à especialidade.

Ordem dos Enfermeiros inicia inscrição de 77 novos profissionais para reforçar a saúde nos Açores

O processo de acolhimento arrancou em Ponta Delgada e estende-se à ilha Terceira na próxima semana, integrando os recém-licenciados da Universidade dos Açores no sistema regional de saúde

© DIREITOS RESERVADOS

A Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros (SRRAAOE) deu início, em Ponta Delgada, ao processo de inscrição dos recém-licenciados em Enfermagem pela Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores. A iniciativa, comunicada através de uma nota de imprensa emitida pela própria estrutura regional da Ordem, visa integrar formalmente os novos profissionais no mercado de trabalho, estando já agendado o alargamento deste processo a Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, no decorrer da próxima semana.

No total, passam a ficar à disposição do sistema regional de saúde 77 novos enfermeiros, dos quais 42 terminaram o seu percurso académico no polo de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e os restantes 35 concluíram a formação em Angra do Heroísmo. Este contingente é visto como um balão de oxigénio para a cobertura de cuidados médicos no arquipélago, preenchendo lacunas geográficas e reforçando as equipas locais.

O presidente da Ordem dos Enfermeiros dos Açores, Pedro Soares, sublinha o impacto deste passo tanto para o setor como para a comunidade açoriana. “Este é um momento de particular significado para a profissão e para os Açores. A inscrição destes novos enfermeiros na Ordem dos Enfermeiros representa não apenas o culminar de um percurso exigente de formação, mas também o início de uma responsabilidade acrescida perante a sociedade. Estamos a acolher profissionais qualificados, comprometidos com a ética, a qualidade e a segurança dos cuidados, num contexto em que o reforço dos recursos humanos em saúde é absolutamente determinante”, afirma o dirigente.

A dispersão geográfica e as especificidades que caracterizam a acessibilidade às nove ilhas da região foram também destacadas pelo presidente do Conselho Diretivo Regional como desafios em que estes novos profissionais terão um papel central. Segundo Pedro Soares, a integração destes jovens licenciados “constitui um contributo fundamental para a sua sustentabilidade e capacidade de resposta. Num território marcado pela dispersão geográfica e por desafios específicos de acessibilidade, a presença de enfermeiros bem preparados é essencial para garantir proximidade, continuidade de cuidados e equidade no acesso à saúde. Estes profissionais serão peças-chave na resposta às necessidades das populações, desde os cuidados de proximidade até aos contextos mais diferenciados”.

A par da receção aos novos membros, a Ordem dos Enfermeiros aproveitou o momento para lançar um apelo direto à tutela política e aos agentes do setor, reforçando a necessidade urgente de se criarem mecanismos estruturais que garantam a valorização profissional e impeçam a fuga destes talentos para fora do arquipélago.

O enfermeiro Pedro Soares defende que “este momento deve ser acompanhado por políticas que valorizem efetivamente a carreira de enfermagem, promovam condições de trabalho dignas e fixem profissionais na região”. O líder da secção regional assegura ainda que a instituição “continuará a assumir o seu papel na defesa da qualidade dos cuidados e da valorização dos seus profissionais, incentivando estes novos membros a exercer com rigor, humanidade e espírito crítico”, concluindo que “o futuro da saúde nos Açores depende, em larga medida, da capacidade de integrar, apoiar e reconhecer estes profissionais desde o início do seu percurso”.

FLAD Summer Program traz vinte jovens açor-descendentes aos Açores

© ACÁCIO MATEUS

A Região Autónoma dos Açores acolhe, entre os dias 1 e 16 de julho, a primeira edição do FLAD Summer Program – Azores, os cursos de verão para jovens açordescendentes dos Estados Unidos da América, uma iniciativa com atividades programadas nas ilhas de São Miguel e Terceira.

O programa resulta de um protocolo de colaboração celebrado entre a Região Autónoma dos Açores, representada pela presidência do Governo Regional dos Açores, a Universidade dos Açores e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), assentando no reconhecimento partilhado da importância de reforçar os laços culturais, científicos e económicos entre os Açores e as comunidades açorianas residentes nos Estados Unidos, promovendo a identidade e a pertença das gerações descendentes.

O curso tem como propósitos centrais divulgar o património natural, histórico e cultural do arquipélago junto dos jovens açor-descendentes e fomentar relações duradouras entre a região e as suas comunidades na diáspora norte-americana.

O programa combina aulas e seminários teóricos com visitas de estudo de caráter prático e cultural, lecionados integralmente em inglês por docentes da Universidade dos Açores.

A conclusão com aproveitamento equivale a uma unidade curricular, conferindo seis créditos ECTS ou três créditos norte-americanos, sendo emitido pela Universidade dos Açores um certificado oficial de participação e conclusão.

Das 49 candidaturas recebidas, 46 foram consideradas elegíveis, das quais foram selecionados vinte participantes, provenientes de diversas universidades norte-americanas, entre elas a Universidade de Massachusetts nos seus vários polos, a Bridgewater State University, a University of Rhode Island, a Salve Regina University e a California State University em Fresno, respeitando critérios de diversidade geográfica e paridade de género.

Ao longo de duas semanas, os participantes terão contacto com múltiplas dimensões da realidade açoriana, através de aulas e seminários conduzidos por docentes da Universidade dos Açores em áreas tão diversas como a geologia, a biodiversidade marinha e terrestre, a história, a literatura, a geopolítica, a economia, o turismo, os recursos hídricos, a agricultura, as tecnologias alimentares e os riscos naturais, entre outras.

O programa inclui ainda visitas à presidência do Governo dos Açores e ao gabinete da representante da República, a infraestruturas de referência regional como a Base Aérea das Lajes e o TERINOV, e experiências de campo como o avistamento de cetáceos, a exploração geotérmica e a visita ao centro histórico de Angra do Heroísmo, classificado património mundial pela UNESCO.

Homem detido na Terceira por tráfico de cocaína

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A Polícia Judiciária (PJ), através do departamento de investigação criminal dos Açores, identificou e deteve, em flagrante delito, um homem com 40 anos, por fortes indícios da prática do crime de tráfico de estupefacientes.

A detenção teve lugar na cidade de Praia da Vitória, na sequência de uma operação policial que permitiu a apreensão de um quilo de cocaína que se encontrava na posse do suspeito.

A droga agora apreendida seria suficiente para 5165 doses de consumo médio individual.

O detido, de nacionalidade estrangeira, será presente às autoridades judiciárias para aplicação das adequadas medidas de coação.

O Século do Mar e da Mulher

Alexandra Manes

9 de junho. António José Seguro deu um passeio coreografado pelas ruas de Angra e da Praia, com sorrisos largados, abraços pontuados. Acompanhou-se pelas presidentes de Câmara, pela chefe de gabinete, pela Margarida (que nunca será primeira-dama) e pela representante da República. Foi ao Basílio Simões tirar fotos com a Dona Serafina. Falou com a Sandra Serpa da Olhar Poente, com atenção e preocupação. Esteve na Avós por Linhas e Travessas, a conversar e a ouvir. Tomou chá com Mota Amaral, na mesa preparada pela Soraia e acompanhado pela Dona Helena.

Foi um dia histórico para a Terceira, e um dia de homenagem aos Açores, devidamente feita entre o povo, o primeiro dia de Seguro como presidente do afeto insular, terminando a noite na Livraria da Marta e do Joel, onde Margarida Maldonado decidiu ficar de pé, e dar a sua vez, porque não precisa sentar-se ao lado do marido para existir. Provavelmente, sem se aperceber, um dia dedicado à mulher. Seguro não o referiu, mas quem viu de fora, reconheceu a postura oposta ao machismo primário de Rebelo de Sousa, nos comentários aos decotes, e outras tolices. Seguro retomou uma tradição de outros tempos socialistas, em que as esposas deixaram de ser luz de cabeceira para terem voz ativa. Lembro Maria Barroso ou Maria José Ritta.

10 de junho amanheceu com nevoeiro, para que pudessem conhecer bem a realidade insular. Só lhes faltou rumar às Flores, para perceber o que é ser Bruma. O dia prosseguiu com a chegada do primeiro-ministro e de outras figuras que vieram aparecer nas câmaras. Mas, há uma diferença a assinalar. Miguel Monjardino embalou a vocação marítima de Portugal, sem cometer o erro saudosista de usar a mensagem pessoana para tapar o sol com a peneira. Antes pelo contrário. Miguel foi assertivo na sua narrativa de que o passado é uma ferramenta, que devemos estimar com cuidado, e utilizar para combater os adversários da liberdade e da democracia. Reforçou-se com a baía de Angra do Heroísmo, e a arqueologia subaquática, numa clara alusão ao Museu Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, que o povo açoriano já reivindicou através de uma petição pública.

Foi essa a estruturante e decisiva linha de pensamento do 10 de junho em Angra do Heroísmo. Não foi um corta-fitas. Foi um trampolim para o futuro do arquipélago e de Portugal. O século do Mar, conforme Miguel Monjardino lhe chamou, reconhecendo assim que o papel destas ilhas deve ser o oceano, e não as múltiplas e erradas tentativas de fazer delas porta-aviões dos americanos. Tomando o exemplo do Museu Nacional e da Arqueologia, o que ficou subentendido foi a necessidade de apostar nas ciências, sejam elas humanas, sociais, naturais ou formais. O século do Mar pode ser o século dos Açores e da sua verdadeira autonomia, porque somente quando reconhecermos que é o mar que nos dignifica poderemos virar costas às mentalidades que querem importar de outros mundos, e cumprir a nossa verdadeira açorianidade.

Seguro complementou com um discurso mais poético, necessário para equilibrar a verve reformista e progressista que o antecedeu. A visita presidencial prosseguiu. Ladeada por mulheres de relevo. Coroada pelo espírito da missão marítima que nos falta abraçar. Episódio caricato foi o de uma mulher se aproximar de Seguro para tirar uma foto, pedindo a Aguiar Branco, que ali se encontrava, para o fazer, como se ele fosse um assessor presidencial. Foi preciso vir aos Açores, e conhecer a mulher açoriana, para descobrir um trabalho que lhe fica bem.

Escolas de São Roque do Pico e da Terceira vencem etapa açoriana do Apps for Good

Alunos de três ilhas do arquipélago reuniram-se em Ponta Delgada para apresentar soluções digitais que respondem a desafios reais das comunidades, garantindo os projetos “Elite Fishing” e “Travel Buddy” um lugar na final nacional do programa em setembro

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O talento e a inovação tecnológica dos jovens açorianos estiveram em grande destaque na etapa regional da 12.ª edição do «Apps for Good». Este prestigiado programa educativo tecnológico desafia alunos e professores a desenvolverem aplicações para smartphones ou tablets com foco no impacto social.

O encontro, que decorreu em Ponta Delgada, reuniu 11 projetos criados por estudantes de sete escolas provenientes de três ilhas do arquipélago. Todos os trabalhos apresentados procuraram responder a desafios reais das suas comunidades, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Segundo a nota de imprensa enviada à nossa redação pelo CDI Portugal, entidade promotora da iniciativa, as grandes vencedoras da jornada foram a Escola Básica 1,2,3/S/JI de São Roque do Pico e a Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, da ilha Terceira. Ambas as comitivas asseguraram a representação dos Açores na grande final nacional, marcada para o próximo mês de setembro.

Na categoria do Ensino Secundário, o grande vencedor foi o projeto «Elite Fishing», desenvolvido pelos alunos da ilha do Pico na Escola EB1,2,3/S/JI de São Roque do Pico. Esta plataforma promove experiências de pesca e turismo sustentável com um forte cariz comunitário. A equipa acompanha os utilizadores para incentivar o contacto com a natureza e, ao mesmo tempo, a app inclui uma funcionalidade solidária de doação de peixe.

Já na categoria do Ensino Básico, o primeiro lugar sorriu à Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade com a aplicação «Travel Buddy». Trata-se de um guia turístico interativo que recorre à realidade aumentada para mostrar imagens históricas de locais e monumentos através da câmara do telemóvel, permitindo ainda a criação de roteiros personalizados para quem visita a região.

O evento atribuiu também o Prémio do Público, que foi conquistado pelo projeto «Encontra PET», da EB 1,2,3/JI de Vila de Capelas, de São Miguel. Esta aplicação hiperlocal utiliza inteligência artificial e geolocalização por freguesia para ajudar a cruzar dados e encontrar animais perdidos de forma mais eficaz do que as tradicionais publicações nas redes sociais.

O encontro regional contou ainda com a participação ativa e dinâmica de outras escolas de referência, nomeadamente a Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe, a EB1,2/JI Canto da Maia, a EB 1,2,3/S Cardeal Costa Nunes e a EB1,2,3/JI/S/EA Tomás de Borba.

Para João Baracho, diretor executivo do CDI Portugal, o desempenho dos estudantes açorianos reforça o valor desta iniciativa que, ao longo de 12 anos, já envolveu mais de 32 mil alunos no país. O responsável sublinhou em comunicado que “o Apps for Good continua a demonstrar a enorme capacidade dos jovens para pensar soluções inovadoras com impacto real nas suas comunidades”.

O diretor da entidade promotora concluiu ainda que estes projetos são a prova viva de que “a tecnologia, quando aliada à educação e à criatividade, é uma poderosa ferramenta de transformação social.”