
O Largo do Santiago, na vila de Água de Pau, no concelho da Lagoa, vai receber, entre os dias 3 a 5 de julho, o império de São Pedro – festa em honra do Divino Espírito Santo. Esta efeméride encerra, no concelho da Lagoa, as comemorações em honra do Divino Espírito Santo.
O programa festivo combina religiosidade, cultura, convívio, união comunitária e muita animação musical, reafirmando a sua importância na preservação das tradições e dos valores da solidariedade e da partilha.
As festividades têm início na sexta-feira, 3 de julho, com a distribuição de cerca de setecentas pensões aos portadores do cartão Lagoa + Saúde, seguida da abertura do quarto do Divino Espírito Santo, com a presença da banda filarmónica Fraternidade Rural. A noite contará com atuações do Grupo Vozes do Monte Santo e dos Imperadores.
No sábado, 4 de julho, o destaque vai para o convívio comunitário com porco no espeto, acompanhado pela animação do grupo de acordeões de Pedro Estrela. O programa inclui também atuações do grupo Folias da Nossa Terra, a apresentação de marchas populares da Casa do Povo de Água de Pau e da Ribeira Chã, que será antecedido de um desfile protagonizado pelos grupos de escoteiros n.º 97 de Água Pau, o agrupamento de escuteiros n.º 1233 da Ribeira Chã e o agrupamento de escuteiros n.º 798 do Cabouco, encerrando a noite com o espetáculo de Nuno Martins e as suas bailarinas.
O domingo, 5 de julho, será marcado pelos momentos mais solenes, com a missa com coroação do império de São Pedro, na igreja de Nossa Senhora dos Anjos, seguida de procissão. Durante a tarde, haverá distribuição de sopas do Espírito Santo, massa sovada e arroz-doce, acompanhada pela animação da despensa Os Companheiros, de Rabo de Peixe. O programa prossegue com atuação de grupos de foliões, concerto da banda Acoustics e termina com o tradicional sorteio de domingas.

As ruas de Vila Franca do Campo e da cidade de Angra do Heroísmo enchem-se esta noite de cor, música e milhares de pessoas para celebrar o São João, naquela que é considerada a noite popular mais longa e participada destas duas ouvidorias da Diocese de Angra. De acordo com reportagem no portal Igreja Açores, as celebrações contam este ano com um total de 16 marchas a desfilar na primeira capital da ilha de São Miguel e 49 marchas a transformar a cidade património mundial, na ilha Terceira, num espetáculo de comunhão e convívio comunitário difícil de igualar.
Por detrás deste forte espírito festivo que une as duas ilhas está a figura de São João Batista, um dos santos mais populares da tradição cristã e o único, a par da Virgem Maria, de quem a Igreja recorda tanto a festa litúrgica, a 24 de junho, como o martírio, a 29 de agosto. Esta forte ligação entre a dimensão religiosa e as tradições populares permanece bem visível nos Açores, onde os festejos continuam a refletir valores associados à coesão das comunidades, à fertilidade e à renovação da vida.
Em declarações na reportagem, a investigadora e historiadora Susana Goulart Costa explica que “São João Batista é o precursor, aquele que anuncia a vinda do Messias”, lembrando que o santo nasceu seis meses antes de Jesus e que a sua missão passou por preparar espiritualmente o povo para a chegada de Cristo. Numa entrevista disponível em formato podcast, a académica recorda ainda antigas tradições açorianas ligadas às chamadas “sortes de São João”, rituais que eram realizados por jovens solteiras na esperança de conhecer o futuro marido, bem como práticas associadas à água, vista como um símbolo de purificação. Para a historiadora, o principal ensinamento do santo continua atual, assentando na “defesa da verdade, da integridade e da coerência entre palavras e ações”, valores que mantêm viva a ligação entre a fé e a festa.
O ponto alto que une formalmente a Igreja aos festejos populares acontece em Angra do Heroísmo com a tradicional Coroação das Sanjoaninas, agendada para o próximo dia 28 de junho. O momento solene alia a devoção ao Divino Espírito Santo às celebrações em honra do padroeiro da cidade, iniciando-se às 10h15 com a partida do cortejo do Pátio da Alfândega, que seguirá pela Rua Direita, Praça Velha e Rua da Sé. Pelas 11h00, será celebrada a missa dominical com coroação na Sé Catedral, seguindo-se um desfile com a maioria dos impérios da ilha Terceira em direção ao Império de São Bento, coroando uma manifestação de fé profundamente enraizada na identidade açoriana.

João Alegre fala com emoção do que vive há quase duas décadas sendo voluntário das Festas do Divino Espírito Santo da Santa Casa da Misericórdia de Santo António, na Lagoa, ilha de São Miguel. “O espírito voluntário muito forte é um dos sinónimos do Espírito Santo. Desde que estou cá, apesar de distribuirmos tanto, sempre sobra. Já participo há 18 anos nestas festas, mais dois e faz vinte, e mais quantidade ou menos quantidade nunca me lembro de chegar ao fim e dizer que faltou isso ou faltou aquilo. Há sempre o milagre da multiplicação, é uma festa muito especial”, diz, visivelmente emocionado.
Este funcionário da Santa Casa da Misericórdia de Santo António confessa que a sua ligação espiritual é antiga: “sempre tive devoção ao Espírito Santo. Eu sempre vi que há uma partilha de tarefas entre a comunidade que pertence aqui à irmandade e também a funcionários da Santa Casa que se disponibilizam de forma voluntária”, destaca.
O voluntariado põe estas festas de pé. Helena Alcaidinho é uma dos cerca de 50 voluntários desta festa. “O Espírito Santo é alegria, é vida, é fé, é esperança, é muita coisa mas tem que ser vivido com muita fé, com muita esperança. E ele está ali iluminado desde sexta-feira, está iluminado para nos ajudar”, diz ao Diário da Lagoa (DL).
A azáfama na “Casa da Partilha”, em Santa Cruz, onde se confeccionam as tradicionais sopas do Espírito Santo, é grande. E foi lá que encontrámos o homem que trouxe a receita das sopas para a Lagoa: José Carreiro. “Nasci entre sopas. E a partir daí, quando vim para aqui, porque não sou de cá, falou-se nas sopas, ninguém conhecia, ninguém sabia o que era. Falei com o mordomo, na altura, e disse-lhe, eu posso fazer. Hoje sinto muito prazer em dizer que, se se faz sopas hoje no concelho da lagoa, eu é que sou o primitivo”, diz. A receita veio com ele, da sua terra: “os temperos são de Água Retorta. E já é uma tradição aqui com quase 40 anos. Comecei a fazer isto aqui há 40 anos, em 1987, 1988. As pessoas começaram a gostar. O valor de tudo isto é esta gente toda aqui, por amor, por gosto, e às vezes curiosidade também, para ver como é que se faz, e as coisas vão-se fazendo, resolve-se a faz-se. Claro que tem de ser com muita ajuda porque é uma festa grande”.
Para o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santo António, instituição organizadora das festas, o domingo de Pentecostes “é o dia da partilha, o dia da união, faz parte dos estatutos da Santa Casa e já há 23 anos que estamos cumprindo a nossa festa estatutária, está dentro da nossa missão, de servir, partilhar por isso é uma festa onde tentamos envolver todos os colaboradores, toda a gente, toda a comunidade”. António Augusto Borges sublinha que foram servidas entre “1100 a 1200 sopas”. “Temos 480 quilos de carne. Toda a gente, durante toda a tarde pode comparecer, enquanto tivermos sopas vamos servir por isso toda a gente está convidada, toda a comunidade, fazer uma festa aberta a todos, todos, todos”. O responsável destaca a importância dos que contribuem: “esta festa vive toda do voluntariado. Ainda hoje levantaram-se às três e meia da manhã, estiveram cá, ontem, anteontem, amanhã, são todos voluntários, toda a gente é bem vinda, todos são poucos nesta grande festa”.
A Praça da República encheu-se com centenas de pessoas que vieram de propósito degustar as sopas e participar nas festas. “Todos os anos eu venho, venho para estar aqui no convívio, para dar folga às panelas e a mim”, conta Lúcia Alcaidinho ao DL.
Isaura Cabral também gostou do que provou na praça: “o meu marido vem cantar para o Grupo de Cantares de Santa Cruz e eu aproveito e venho com ele. Gosto da partilha, de estarmos conversando, convivendo, vendo pessoas conhecidas no domingo de Pentecoste, gosto”. Partilha e convívio andaram de mãos dadas nestas festas, de todos, e para todos, tipicamente açorianas.

Celebrar as Festas de Santo António em Santa Cruz é uma tradição com mais de três décadas. Sérgio Costa, presidente da junta de freguesia, destaca que “este é o maior cartaz de festas populares” da Lagoa e o único que celebra os casamentos de Santo António nos Açores. A organização é partilhada entre a Câmara Municipal de Lagoa, a Junta de Freguesia de Santa Cruz e a Igreja Matriz de Santa Cruz, cabendo a cada entidade um papel importante na elaboração do programa. “Foi desde há três anos para cá que nós desenvolvemos as festas de maneira que elas ganharam a dimensão que têm atualmente”, explica o presidente.
No dia 9 de junho têm início as celebrações, com uma sessão solene de abertura que contará com um momento musical do Orfeão Nossa Senhora do Rosário. O autarca garante que as festas manterão o espírito dos últimos anos, embora introduzam uma novidade na “véspera de Santo António”. No dia 12 de junho haverá, assim, o arraial de Santo António, com a distribuição de sandes de pernil ao público presente, contando com o apoio da Associação de São Martinho.

As marchas populares voltam a ser um dos pontos altos das celebrações e Sérgio Costa destaca mais um ano de apresentação das emblemáticas Marchas de Santo António. Este ano, participam nove marchas, duas delas provenientes das Feteiras e de São Vicente, sendo as restantes do concelho: “Desde o ano passado, temos todas as freguesias da Lagoa representadas aqui na nossa festa, algo que antes não acontecia”. A maioria das marchas é “de adultos”, sendo visível a preocupação com o decréscimo, cada vez mais acentuado, das marchas infantis. “A essência destas festas sempre foram as crianças e as marchas infantis, mas este ano só temos quatro. Já tivemos muitas mais e agora já não temos marchas das escolas”, acrescenta.
Glória Moniz, responsável pela marcha infantil do Polo de Leitura da Ribeira Chã e coreógrafa da marcha dos adultos da freguesia, faz um balanço positivo dos ensaios. “As crianças estão muito felizes e aprendem com uma rapidez incrível, e os ensaios com os adultos são uma animação constante”. A responsável salienta que a logística de preparação de uma marcha não é fácil, sobretudo com o aumento dos preços, que exigem um esforço constante. “É difícil, mas quando se faz como o coração é possível”, afirma. Acrescenta ainda a importância de preservar as tradições através das Marchas de Santo António e, não escondendo também a sua “profunda tristeza” pela menor adesão das crianças, reforça a ideia de que incentivar os mais jovens é essencial para o futuro das marchas.
“Era uma Vez”, relacionado com o projeto de leitura “Contos Infantis”, será o tema da marcha infantil do Polo de Leitura da Ribeira Chã. O grupo, juntamente com outros como o Som do Vento, que voltará a realizar uma marcha este ano, apresenta-se no dia 13 de junho.
Sérgio Costa afirma que as Festas de Santo António “colocam Santa Cruz no mapa” e considera que a presença de artistas nacionais atrai visitantes de outros locais à freguesia. “As pessoas acabam por ficar aqui na festa e começam a perceber que não é uma festa popular qualquer”, diz. O autarca adianta que a expectativa é receber um número de visitantes semelhante ao dos últimos anos, maioritariamente “conterrâneos”, sendo o turismo ainda “uma pequena parte” do público. O cartaz deste ano inclui os concertos de Toy, a 10 de junho, e de Augusto Canário & Amigos, no dia 14. O programa conta ainda com as atuações de artistas locais, como Nuno Martins e Doce Sinfonia.

Serão dois os casais que este ano vão celebrar o matrimónio através da tradicional iniciativa dos Casamentos de Santo António, no dia 11 de junho. O Diário da Lagoa falou com Diana Carvalho, uma das noivas, que manifestou o seu agradecimento às entidades organizadoras, referindo que esta oportunidade lhe permitirá concretizar um sonho. Diana partilha que sempre desejou “casar pela Igreja”, na companhia dos filhos e ser levada “ao altar” pelo pai. “Já temos tudo preparado e estamos ansiosos para que chegue o grande dia”, acrescenta, sublinhando a importância da existência deste apoio.
Preparar as grandes Festas de Santo António é descrito pelo presidente da junta como um trabalho exigente, desde a seleção dos casais inscritos, com base nos “requisitos sociais necessários”, à contratação dos artistas nacionais e à preparação das marchas.
Sérgio Costa apela ao “manter da tradição”, convidando todos a “aproveitar as festas ao máximo”, uma vez que estas “fazem-se com muito sacrifício e custo”. O autarca destaca ainda o esforço feito pela organização para manter um cartaz desta dimensão, apesar dos “recursos” limitados, agradecendo o apoio das entidades parceiras, e garantindo que Santa Cruz está pronta para “receber todos da melhor forma”.

A Ouvidoria da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, vai celebrar, entre os dias 1 e 7 de junho, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. A iniciativa é promovida pela Confraria do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela, que convida todas as paróquias do concelho a unirem-se nesta importante manifestação de fé.
Segundo a notícia publicada pelo sítio Igreja Açores, o programa arranca com um tríduo preparatório nos dias 1, 2 e 3 de junho, pregado pelo diácono Fábio Silveira. No primeiro dia, a celebração começa às 19h00 e inclui a conferência “A comunidade dos Crentes, a Igreja”, proferida pelo padre Nelson Pereira. Nos dois dias seguintes, o tríduo terá lugar às 20h00.
As celebrações continuam na sexta-feira, dia 6 de junho, com a Eucaristia às 18h30, seguida de um momento de Adoração ao Santíssimo Sacramento. O ponto alto está reservado para sábado, dia 7 de junho, com uma nova celebração eucarística que culminará com a solene procissão pelas ruas da cidade.
A organização está a cargo da Confraria do Santíssimo Sacramento da Matriz, fundada a 26 de novembro de 1669. De acordo com os seus estatutos, a instituição mantém a missão de preservar esta tradição secular, profundamente enraizada na identidade e na vivência religiosa da comunidade local.
Esta solenidade remonta ao século XIII, instituída pelo Papa Urbano IV em 1264. Celebrada 60 dias após a Páscoa, a festa realça a centralidade da Eucaristia. Na exortação Sacramentum Caritatis, o Papa Bento XVI recorda que este mistério “é a doação que Jesus Cristo faz de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus”.
Em todo o arquipélago dos Açores, a data assume um forte significado comunitário. O documento partilhado destaca o exemplo vizinho da Ouvidoria da Povoação, onde o dia é vivido como feriado concelhio. Agora, a Ouvidoria da Ribeira Grande apela à participação de todos os fiéis para renovar a fé e fortalecer os laços entre as paróquias.

A tradição volta a ganhar vida nas ruas do concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, com o lançamento da 30.ª edição do Concurso de Maios, conforme anunciado em nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense.
O evento, que se assume como um pilar da identidade cultural e do património imaterial da comunidade, está aberto à participação de residentes a título individual, bem como a grupos escolares e instituições coletivas sediadas no município. Com o intuito de valorizar o esforço e a criatividade dos envolvidos, a Câmara Municipal decidiu aumentar o valor global dos prémios para esta edição histórica, distribuindo agora um total de 1.000,00 euros pelos cinco melhores classificados, sendo que o vencedor receberá 300,00 euros, o segundo 250,00 euros o terceiro 200,00 euros, o quarto 150,00 euros e o quinto posicionado 100,00 euros.
Os interessados podem formalizar a sua inscrição até ao próximo dia 29 de abril, utilizando o endereço eletrónico oficial concursodemaios@lagoa-acores.pt ou o formulário disponível no portal da autarquia, onde constam as normas regulamentares. A exposição pública dos trabalhos, que habitualmente transforma o cenário urbano do concelho num roteiro de arte popular, ocorrerá no feriado de 1 de maio, entre as 8h00 e as 18h00. A avaliação será realizada de forma simultânea pelo público, através de votação online na página de Facebook do município, e por um júri técnico composto por três elementos, estando a divulgação dos resultados prevista para o dia 11 de maio.
A vereadora da Educação e Cultura da Câmara Municipal da Lagoa, Albertina Oliveira, sublinha que “a realização do Concurso de Maios representa um momento de grande importância para a preservação das nossas tradições e para o reforço da identidade cultural do concelho, envolvendo diferentes gerações num esforço conjunto de valorização do nosso património imaterial”.

A Vila da Povoação, na ilha de São Miguel, prepara-se para acolher mais uma edição da Gala Regional dos Pequenos Cantores Caravela D’ouro. Segundo nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal da Povoação, organizadora do certame, a XXXII Gala contará com a participação de dez jovens concorrentes. Os artistas serão avaliados por um júri composto por cinco elementos, num espetáculo que procura não só premiar a performance vocal, mas também a qualidade da composição. Estão em jogo os troféus para o primeiro, segundo e terceiro lugares, bem como as distinções para “Melhor Letra”, “Melhor Música” e “Canção Recomendada para Crianças”.
Como já dita a tradição deste evento que une gerações no arquipélago, os participantes serão acompanhados ao vivo pela Orquestra Ligeira da Câmara Municipal da Povoação. Sob a batuta do maestro Carlos Sousa, o conjunto de 17 músicos dará suporte melódico às vozes dos concorrentes, que contarão ainda com o apoio das 22 vozes do Coro Infantojuvenil da Caravela D’ouro, dirigido pela maestrina Andreia Festa Amaral. O palco, decorado sob o mote “O Encanto”, servirá de moldura para um programa que inclui participações especiais de dois representantes do Festival Infantil Baleia de Marfim (Lajes do Pico), um representante do Festival da Canção Infantil da Madeira e a vencedora da edição anterior da gala povoacense.
A condução do espetáculo ficará, uma vez mais, a cargo de Graça Moniz, figura já familiar do público que, nos últimos anos, tem orientado as Galas dos Pequenos Cantores da Povoação.

O Grupo Folclórico das Camélias celebrou oficialmente o seu 50.º aniversário com um jantar comemorativo no Restaurante Vale das Furnas, num momento que reforçou o papel da instituição como o grupo folclórico mais antigo em atividade no concelho da Povoação. Segundo a nota de imprensa enviada à nossa redação, o evento serviu não só para honrar o passado, mas também para projetar o futuro da coletividade, contando com a presença de diversas individualidades, entre as quais Rute Melo, vereadora da Câmara Municipal da Povoação, e o executivo da Junta de Freguesia das Furnas, liderado por Eduarda Pimenta. A celebração foi marcada por um forte espírito de união geracional, unindo representantes do tecido associativo local, desde os escuteiros e a Harmónica Furnense até ao Clube de Motards e instituições paroquiais, todos reunidos para prestar tributo a uma das mais emblemáticas embaixadoras da cultura popular açoriana.
Fundado a 27 de fevereiro de 1976 por Maria Eugénia Moniz Oliveira e Maria Cecília Frazão, a partir do grupo teatral “Jovens Rebeldes”, o percurso das Camélias foi recordado pela atual presidente, Dina Moniz. Durante a sua intervenção, a dirigente enalteceu o papel fundamental das fundadoras e das ex-presidentes, Helena Borges e Margarida Ferreira, dirigindo ainda um apelo direto às camadas mais jovens para que assegurem a continuidade deste legado. “As intervenções de Rute Melo e de Eduarda Pimenta destacaram a importância cultural e identitária do Grupo Folclórico das Camélias para a comunidade”, sublinha a organização, referindo o momento simbólico em que o bolo de aniversário foi cortado pelas três gerações de presidentes da direção.
Composto atualmente por 37 elementos, com idades compreendidas entre os 7 e os 68 anos, o grupo prepara-se agora para um ano de intensa atividade. No âmbito das comemorações das cinco décadas de existência, está já agendada uma deslocação a Portugal Continental entre os dias 3 e 8 de junho, para um intercâmbio com o Rancho Folclórico de Penamacor, no distrito de Castelo Branco. O ponto alto das festividades junto da população local e dos emigrantes terá lugar em julho, com um programa de três dias (17, 18 e 19) que incluirá o tradicional churrasco “Frango à Galo”, um grande concerto musical e a realização do VI Festival de Folclore, onde serão homenageados antigos e atuais componentes que, ao longo de 50 anos, levaram o nome das Furnas a palcos nos Estados Unidos, Canadá, Espanha e por todo o arquipélago.

A Escola Básica Integrada (EBI) de Ponta Garça, no concelho de Vila Franca do Campo, prepara-se para transformar o quotidiano dos seus alunos e da comunidade local com a realização de mais uma Semana Cultural, que decorrerá entre 23 e 27 de março. Sob o lema “Explorar, Criar e Aprender”, a iniciativa, comunicada pela própria instituição, pretende reforçar os laços entre o estabelecimento de ensino e a sociedade civil, contando com a colaboração de diversas entidades ligadas à ciência, ao ambiente e à cultura açoriana. O arranque das atividades destaca-se pela vertente prática e formativa, incluindo a II edição da Feira de Empregabilidade, Formação e Educação, que reunirá várias escolas profissionais da ilha de São Miguel para apresentar soluções de futuro aos jovens estudantes.
A programação deste ano assume uma forte componente de identidade regional, estando patente uma exposição comemorativa dos 50 anos da Autonomia Regional, organizada pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas da escola. A inovação tecnológica e o conhecimento científico também marcam presença através de um atelier de robótica e da instalação de um planetário, este último sob a responsabilidade do Observatório Astronómico de Santana Açores (OASA). No campo da literatura, a Biblioteca Escolar será o palco do evento “Chá com Letras”, onde serão apresentadas as obras “O Ciclo do Leite”, de Mariana Magalhães e Cristina Quental, e “Aqui Nasceu Ponta Garça”, da autoria de Renato Nunes, além da leitura de “Contos com Garça” por Rosa Cardoso e da partilha digital de cerca de 100 recomendações de livros no formato booktoker.
O cartaz cultural estende-se ainda à música e à criatividade artística, com um concerto do grupo “Pura Folia” e atuações dos músicos emergentes Tomás Sampaio e Marta Tavares. Ao longo da semana, os alunos participarão em oficinas de artesanato, pintura de murais, feiras de plantas e atividades físicas, não esquecendo a vertente ambiental com a plantação de espécies endémicas.
O encerramento da Semana Cultural, agendado para o último dia, será marcado pelo sentido de pertença e tradição: a Associação de Pais organiza uma Romaria que levará toda a comunidade educativa até à Igreja de Nossa Senhora da Piedade para uma celebração eucarística, terminando com um lanche convívio que celebra os costumes enraizados na freguesia de Ponta Garça.

Ainda antes do nascer do sol, quando a madrugada guarda o silêncio que amplia o som de cada passo, a Romaria da Comunidade de Nossa Senhora de Fátima, em Ponta Delgada, começou a contornar as estradas. Entre quase meio milhar de peregrinos, cruzam-se histórias que ajudam a perceber o sentido profundo de um caminho que, este ano, fez paragem no miradouro do Pisão, perto da Ribeira Chã, concelho da Lagoa, num lembrete de que a romaria nunca acaba, pois somos peregrinos a vida inteira.
Patrícia Varão e a filha Maria João, de 11 anos, são presenças assíduas. A filha segue na frente, como uma das “meninas da Cruz”. A mãe, mais atrás, confessa com orgulho: “Desde que me lembro, venho sempre nesta romaria”. Embora pertençam à paróquia de Nossa Senhora do Rosário, na Lagoa, sentem-se em casa. Para Patrícia, a romaria é “um retiro, um parar dos afazeres para ter um tempo só para nós, com Deus… um tempo de introspeção e reflexão”.
Na correria dos dias, onde tudo parece urgente, a romaria por contraste oferece silêncio, oração e disponibilidade interior. É nesse espaço que muitos dizem reencontrar Deus.
Ao longo do percurso, os participantes foram convidados a viver dinâmicas espirituais. Este ano, cada romeiro recebeu uma pedra acompanhada de um poema na primeira paragem de descanso. “As pedras estão no caminho. Guardemo-las todas porque podemos construir um castelo”, explicou uma das dinamizadoras no Centro Pastoral Pio XII. O grupo de cerca de 500 peregrinos — composto na sua maioria por mulheres, mas também por homens e muitos jovens — acolheu a metáfora: cada pedra representa os desafios e momentos de crescimento. “Que cada pedra seja a descoberta de um dom; que sejamos capazes de perceber onde nos encaixamos, pois grãos de areia constroem uma linda praia”, acrescentou.

Para o pároco Fernando Teixeira, esta romaria é uma imagem viva da Igreja em movimento. Embora já não caminhe fisicamente, faz-se presente pelo espírito. “Aproveitem a caminhada, fortaleçam-se e, no regresso às vossas comunidades, sejam fermento. Ajudem a transformar a vossa paróquia, sejam amigos”, desafiou o sacerdote, num “caderno de encargos” para uma jornada que culminou com a Eucaristia ao pôr do sol.
O padre Norberto Brum, dinamizador destas romarias quaresmais, sublinhou que a caminhada ganha um significado particular no percurso pastoral da diocese: “Procuramos renovar esta graça batismal e reafirmar o dom de sermos filhos de Deus e termos um Deus que caminha connosco”.
A iniciativa rompe também com o modelo tradicional de romarias exclusivamente masculinas ou femininas. “É uma romaria diferente por ter homens e mulheres; é uma forma de sentirmos esta Igreja como comunidade e povo que se renova dia a dia”, esclareceu o sacerdote.
Entre as novidades deste ano esteve a dinâmica do vaso partido. Durante a celebração do perdão, um vaso foi quebrado para representar a fragilidade da vida humana, e cada participante depositou ali as suas intenções. No final, os fragmentos foram simbolicamente integrados num vaso novo. “É a nossa vida, muitas vezes fragmentada, que se transforma. É essa mudança que Deus opera em nós”, descreveu o padre Norberto.
Antes da partida, também o bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, deixou uma mensagem centrada na persistência: “Quanto mais caminhamos, mais longe vamos… é triste o cristão que para. Quanto mais caminhardes, mais O encontrareis”.

Para a Irmã Hirondina Mendes, da Congregação de São José de Cluny, a experiência foi uma revelação. “É um momento de interiorizar a fé e partilhar os nossos sofrimentos com os de Cristo e da humanidade. Há uma sede de Deus nesta humanidade e é interessante ver tanta gente a procurar essa fonte verdadeira”, afirmou, impressionada com a emoção partilhada pelo grupo.
Bárbara Ramos, natural de Trás-os-Montes e estudante de Medicina, viveu a romaria pela primeira vez. “É desafiante e sinto uma grande irmandade. Esta diferença geracional é uma novidade para mim”, contou a jovem, que vive atualmente um processo de redescoberta espiritual e de aproximação à Igreja.

Organizada pela Comunidade de Nossa Senhora de Fátima, esta sexta edição da romaria comunitária, sob o tema “Batizados na Esperança”, integra-se no caminho rumo aos 500 anos da Diocese de Angra.
Mais do que os números ou os quilómetros, os peregrinos demonstram que o que fica desta jornada é o que acontece no interior de cada um. Entre pedras simbólicas, silêncio e partilhas, cada passo recordou uma verdade fundamental: por vezes, é preciso caminhar devagar para reencontrar o essencial.