
A antiga Fábrica do Açúcar (Sinaga), em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, será transformada num polo multifuncional de regeneração urbana que combina habitação acessível, espaços culturais, áreas verdes e valências económicas. A proposta orientadora para a intervenção, apresentada esta quinta-feira, 5 de fevereiro, no Teatro Micaelense, resulta de um processo de planeamento participativo entre o Governo regional dos Açores e a Ordem dos Arquitetos, marcando o que a autarquia local classifica como um “novo ciclo” para a zona poente da cidade. O projeto incide sobre uma área de mais de cinco hectares na freguesia de Santa Clara e propõe um modelo de uso misto que preserva a memória industrial do complexo, articulando-se com valores patrimoniais e naturais relevantes, como a Gruta do Carvão.
O programa de usos, detalhado no relatório de participação pública, prevê a criação de comércio e restauração de proximidade, pequena indústria alimentar, escritórios e espaços de coworking, além de serviços comunitários e habitação com quota acessível. Para garantir a viabilidade da intervenção, o documento técnico recomenda a classificação de elementos do conjunto como Imóvel de Interesse Público e identifica a necessidade urgente de obras de conservação nas coberturas e estruturas para estancar a degradação do edificado.
O secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, sublinhou o caráter “exemplar” deste exercício de cidadania, destacando que a mobilização pública registada durante as fases de auscultação valida a estratégia do executivo. Segundo o governante, o Governo avançará nos próximos meses com um procedimento concursal que integrará a conceção, construção e concessão, sem excluir soluções específicas para parcelas distintas do terreno.
Pela parte do município, o presidente da Câmara de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, afirmou ser um “imperativo categórico” projetar valências que dignifiquem o tempo atual e criem referências para as novas gerações. O autarca enalteceu o diálogo institucional e reiterou a disponibilidade total da autarquia para colaborar na implementação de soluções que revitalizem a zona urbana a poente da cidade, transformando o antigo complexo fabril numa alavanca de desenvolvimento económico e social para a ilha de São Miguel.
Para a concretização do plano, a Comissão de Trabalho sugere um modelo de concurso que avalie em simultâneo a qualidade arquitetónica e a viabilidade económica, admitindo-se ainda a criação de uma Unidade de Execução para garantir que o desenvolvimento do complexo ocorra de forma faseada, coerente e integrada na malha urbana existente.