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Federação Agrícola dos Açores contesta redução no preço do leite e avisa que matéria-prima poderá escassear

Federação afirma que a falta de bom-senso da indústria poderá levar à escassez de leite no mercado nos próximos tempos

© DL

A Federação Agrícola dos Açores (FAA) manifestou a sua forte oposição à decisão unilateral da UNICOL de reduzir em três cêntimos por litro o preço do leite pago aos produtores das ilhas Terceira e Graciosa. Em nota enviada à comunicação social, a estrutura liderada por Jorge Rita classifica a medida como uma “agressão económica e psicológica” e alerta que a estratégia de defesa dos produtores poderá levar à falta de leite no mercado.

A redução, que entrou em vigor esta quarta-feira, 4 de fevereiro, é justificada pela UNICOL com uma alegada “conjuntura adversa”, argumento que não convence os representantes dos agricultores. Na nota emitida, a FAA sublinha que este corte atinge um valor “de que não há memória” e lamenta que a medida surja num momento crítico, alegando que esta decisão “arrasa o esforço de investimento por parte dos agricultores e dos jovens agricultores, que estão a recorrer ao PEPAC”. Para a federação, a atitude da indústria demonstra uma falta de sensibilidade perante o esforço de modernização que o setor tem vindo a realizar.

A apreensão da FAA estende-se ao impacto sistémico que esta decisão pode ter no arquipélago, temendo que a postura da UNICOL acabe por “contaminar a restante indústria e lançando expetativas negativas sobre o sector” em todas as ilhas. Perante o que considera ser uma situação “complexa e muito difícil”, a federação anunciou que irá avançar junto do Governo regional dos Açores com uma proposta de reconversão para mais três mil direitos de vacas aleitantes. Esta medida, que visa a transferência da produção de leite para a carne, deverá abranger cerca de meia centena de produtores, sendo descrita como uma “saída, que não é desejada”, mas que se afigura como urgente e “provocada pela própria indústria”.

O comunicado termina com um aviso severo aos industriais. A FAA recorda que apelou ao bom-senso em tempo útil, mas perante a inflexibilidade da UNICOL, avisa que “a disponibilidade de matéria-prima poderá escassear, face à estratégia que a produção implementará nos próximos tempos”. Segundo a federação, os produtores serão forçados a adotar medidas de autodefesa contra aquela que consideram ser uma gestão que ignora a viabilidade de quem está na base da cadeia de valor.

Associação Agrícola de São Miguel acolhe XI Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono

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A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) anuncia a realização do XI Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono, que decorrerá entre os dias 28 e 30 de novembro de 2025, no Parque de Exposições de São Miguel, no recinto da feira, em Santana, na Ribeira Grande.

O evento volta a reunir criadores, produtores e entusiastas da raça Holstein Frísia, “numa mostra de excelência genética do setor leiteiro açoriano” indica a AASM.

A edição deste ano contará igualmente com a presença de um juiz de reconhecida experiência internacional, reforçando o prestígio do certame.

O programa do XI Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono tem início a 28 de novembro, com a inauguração oficial às 16h00, seguida da eleição do melhor apresentador jovem e adulto às 17h00, e do concurso de vitelas e novilhas às 18h00.

O momento mais aguardado do evento terá lugar no sábado, 29 de novembro, a partir das 19h00, com o concurso das vacas em lactação.

Ao longo da noite, serão avaliados os diferentes animais, sendo no final eleita a vaca Grande Campeã, distinção que marca o ponto alto do XI Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono.

No domingo, 30 de novembro, decorrerá a partir das 11h00 a cerimónia de entrega dos prémios do Concurso Bovino, momento que encerra formalmente esta edição. O evento tem entrada livre. 

Curso de Preparadores de Animais de Carne para Concursos com 14 participantes

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Termina hoje, 24 de abril, a primeira edição do Curso de Preparadores de Animais de Carne para Concursos, uma iniciativa do Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel em colaboração com a Associação Agrícola de São Miguel e o CERCA – Centro de Estratégia Regional para a Carne dos Açores.

Em nota enviada, o Governo dos Açores diz que “este curso surge como uma ferramenta fundamental para reforçar a qualidade e valorização dos animais de carne, destacando o papel essencial da sua preparação para mostras e concursos. A correta preparação dos animais não só potencia o seu desempenho e apresentação nestes eventos, como contribui diretamente para a valorização da carne e para o reconhecimento do trabalho dos produtores. Apostar na formação de preparadores é, por isso, um passo decisivo para elevar a competitividade e a notoriedade da produção regional”.

O curso, com a duração de 15 horas, teve início na passada terça-feira e termina hoje, na Associação Agrícola de São Miguel. O mesmo contou com a adesão de 14 participantes que se dedicaram a aprender as melhores técnicas para destacar e enaltecer as características de cada animal.

A sessão de encerramento vai contar com uma demonstração do trabalho realizado pelos formandos e com a presença de diretor regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação, Luís Estrela.

 

 

“É preciso pensar mais nos Açores e menos nos cargos políticos que queiram ocupar”

Presidente da Associação Agrícola de São Miguel alerta para os perigos da instabilidade política na região. Em entrevista ao DL, Jorge Rita defende que é preciso aumentar o rendimento dos agricultores

Jorge Rita defende “pacto de regime” no setor agricola © DL

DL: Como encara a manifestação dos agricultores que aconteceu a 8 de fevereiro?
A manifestação dos agricultores aqui, em São Miguel, nasce obviamente de um grupo de agricultores com uma razão objetiva que tem que ver com o seu rendimento, com a qual concordamos plenamente. É isso que tenho defendido, claramente, ao longo destes anos, o rendimento dos agricultores. Embora ninguém tenha falado connosco, nós não nos desligamos dessa situação. Do meu ponto de vista a manifestação teve a agregação de muitos agricultores e correu bem. Fiquei satisfeito com a forma ordeira como decorreu. Mas, claro, que depois o objetivo não foi falar do rendimento e do preço do leite, como se percebeu, por isso não há muito mais a dizer sobre isso, porque o meu foco vai essencialmente para o rendimento dos agricultores. E o que temos feito para colmatar essas situações ao longo dos anos é diferente do que se vê ao nível nacional e também na Europa.

DL: O que difere a realidade nacional e de outros países europeus no setor agrícola para com a açoriana?
Há manifestações na Europa com as quais somos totalmente solidários mas a maior parte delas não tem que ver com a Região Autónoma dos Açores. Começando pela Alemanha, onde começou, está relacionado com a retirada do subsídio ao gasóleo verde. Os agricultores manifestaram-se contra porque se tirassem esse subsídio deixavam de ser competitivos. Na França tem a ver com o rendimento e também com a proibição de produtos da União Europeia para a França. Abre-se assim uma caixa de pandora, a livre concorrência entre os países pode não existir com a França a ter esse comportamento. Depois temos os cereais da Ucrânia que estão a ser vendidos a preços baixos no mercado europeu e que beneficiam os Açores e o continente porque nós não somos auto suficientes em termos de cereais. Mas se houver proibições os preços aumentam e somos prejudicados.
A nível nacional a grande reivindicação é na questão da desburocratização, bem como o compromisso do Governo da República na produção biológica e produção integrada ao nível dos apoios. Essa situação não existe aqui nos Açores, pois foi resolvida há mais de três anos. Nós estamos muito mais à frente.

DL: Então o que falta fazer nos Açores?
Para mim o que é preocupante é o rendimento dos agricultores que está sempre assente naquilo que são a sua receita e as suas despesas. Ninguém está indiferente ao que acontece no mundo inteiro, mas essas situações estão trabalhadas, reivindicadas e identificadas.

DL: A crise política nos Açores afeta o setor agrícola?
A instabilidade política para nós é muito complicada. O rendimento do agricultor pode ser muito penalizado pela instabilidade, por isso é que eu apelo a que haja bom senso da nossa classe política. É preciso pensar mais nos Açores e menos nos cargos políticos que queiram ocupar.
O que é sempre muito importante é o preço do leite. Nós não podemos perder mais tempo, nós precisamos de um Governo que acolha aquilo que são as nossas grandes preocupações, que trabalhe em conjunto com o Governo da República para resolver essas questões. A questão do rendimento é transversal a todos e a opinião pública tem que saber isso, as indústrias têm que ter outra capacitação comercial e a distribuição tem que olhar para o setor como um de fileira, porque senão a produção começa a baixar, perdemos agricultores e a distribuição terá que comprar leite e derivados a outros países.

DL: Fixar um preço justo mínimo para o leite pago ao produtor é uma reivindicação. Como e quando pode ser essa medida implementada?
Quando se fala de preço justo é muito simples. Nós até sabemos quanto é que custa produzir um litro de leite em média, a Associação tem esses dados, sabemos o preço médio que é pago ao produtor. A indústria sabe das suas contas e nós não temos problema nenhum em tornar transparente todo o processo. Esperamos que os outros, incluindo a distribuição, tenham essa capacidade e lealdade para com o setor e que tornem tudo transparente. Alguém que verifique, fiscalize e tenha capacidade de penalizar quem fica com a fatia de leão. Por isso o apelo que faço aos agricultores é no sentido de responsabilidade e de união entre agricultores.

DL: E se a Associação Agrícola de São Miguel construísse uma fábrica de leite?
Não está na nossa estratégia, porque temos uma que é da lavoura, a Unileite. Tivemos um período de recolha que atingia os 50 por cento em São Miguel. Não transformava na totalidade mas recolhia e depois vendia à Prolacto, portanto, já é uma grande indústria. Eu penso que não acrescentava grande valor. O que nós precisamos é que a Unileite consiga, nos próximos tempos, orientar-se para criar mais alguns produtos de valor acrescentado. Não estamos a passar a responsabilidade para ninguém. A Unileite e a sua direção sabem que a associação está sempre do lado das organizações da produção. O que queremos é uma Unileite forte, no sentido de puxar o setor para cima. A Unileite como também as outras indústrias que estão ligadas à Lactaçor e que são da própria produção. Também pretendemos que ao nível da Unicol se consiga melhorar o preço dos produtores na ilha Terceira. É transversal a todas as ilhas.

DL: Defende um pacto de regime na região para o setor agrícola. Como pode esse pacto tornar-se uma realidade?
O que nós discutimos com o presidente do Governo regional antes do período eleitoral e que até anunciou como bandeira é que se encontre uma plataforma de entendimento entre todos para que o leite não baixe o preço a partir de um determinado limite. Acho que é um risco que devemos assumir mesmo que sejamos penalizados, porque somos uma região ultraperiférica em que a proteção aos agricultores açorianos nunca poderá ser igual à de outros países europeus.