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Manipulação de dados origina falso alerta para barcos de pesca chineses perto das Flores

© MARINHA PORTUGUESA

O serviço de inspeção da Secretaria do Mar e das Pescas alertou, esta quarta-feira, 21 de agosto, o Centro de Controlo e Vigilância da Pesca da Direção-Geral de Segurança e Serviços Marítimos para a existência de 16 navios com pavilhão da República Popular da China a sul da ilha das Flores, comunicou o Governo regional.

As embarcações foram identificadas no Marine Traffic por AIS (sistema de informação informática) terrestre como sendo de pesca, mas apresentavam um comportamento aparentemente não compatível com atividades e operações de pesca.

Segundo comunicado do Governo regional de hoje, 22 de agosto,o Comando Local da Polícia Marítima das Flores esteve no local “e não verificou qualquer navio. A aeronave da FAP fez sobrevoo da área para além da área de referência, incluindo até aos limites da Zona Económica Exclusiva (ZEE) nacional da subárea dos Açores e não verificou qualquer navio deste conjunto, tudo levando a crer que se trata de AIS ‘spoofing'”, lê-se.

“AIS spoofing” é a manipulação deliberada de dados do sistema de identificação automática, com o objetivo de iludir embarcações e sistemas de monitorização.

Aquando do alerta, tinham sido de imediato ativados os meios navais e aéreos das entidades participantes no SIFICAP. 

A Marinha tinha enviado um semirrígido da Polícia Marítima da ilha das Flores para efetuar uma primeira aproximação e a Força Aérea enviou um avião P3 para monitorização da área identificada. Não obstante, mas para melhor acompanhamento imediato da situação e respetiva evolução, foram solicitados os serviços de satélite da European Maritime Safety Agency para concederem acesso/imagens do serviço Copernicus, explica o Governo dos Açores, em comunicado.

Pelas 20h30, na sequência do “empenhamento exemplar” de meios das entidades participantes no SIFICAP, deram-se por concluídas as ações de fiscalização, lê-se, na mesma nota.

Marinha acompanha navios russos nos Açores

© MARINHA PORTUGUESA

Desde 10 de agosto até ontem, dia 19, a Marinha Portuguesa acompanhou e monitorizou a fragata Neustrashimyy e o reabastecedor Yelnya, que iniciaram a navegação ao longo da Zona Económica Exclusiva (ZEE) dos Açores e, posteriormente, transitaram toda a ZEE açoriana e do continente, rumo ao Mar Mediterrâneo, numa navegação que durou mais de 140 horas, comunicou a Marinha.

No dia 18 até ao dia 19 agosto, simultaneamente, foi efetuado o acompanhamento e monitorização do navio de desembarque e transporte anfíbio, Ivan Green, que iniciou a sua navegação em direção a sul, através da ZEE do continente, lê-se ainda, no mesmo comunicado.

Nestas operações, esteve empenhado o Centro de Operações Marítimas que coordenou, em conjunto com os Comandos das Zonas Marítimas dos Açores e do Sul, o emprego dos navios da Marinha NRP Sines, NRP Setúbal, NRP Oríon e NRP Sagitário. 

A Força Aérea Portuguesa também auxiliou com o empenhamento da aeronave de patrulha Marítima P3-C, no acompanhamento dos navios Neustrashimyy e Yelnya durante o dia 16.

A Marinha Portuguesa, através destas ações de monitorização e vigilância, “garante a defesa e segurança dos espaços marítimos sob soberania, jurisdição ou responsabilidade nacional, contribui para a proteção dos interesses de Portugal e das suas infraestruturas críticas e, simultaneamente, assegura o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos no quadro da Aliança Atlântica”, explica a Marinha.