
Catarina Rola
Nutricionista
Tendo em conta como o panorama nacional de saúde (ou a precariedade da mesma), a pandemia, a guerra na Europa e a inflação presente, agravaram os cuidados alimentares e o perfil nutricional da nação, é surpreendente e lamentável que o Orçamento de Estado para 2023 não integre rigorosamente nada referente à Nutrição.
Ora, sendo o Orçamento de Estado um instrumento de planeamento e gestão do dinheiro público cujas funções essenciais são baseadas nas principais necessidades políticas, económicas e jurídicas do país, ficou claro que a nutrição e alimentação dos cidadãos não representam uma prioridade do Governo.
Esta realidade não só é triste como alarmante, pois deveria ser um setor de investimento estratégico. Portugal é o terceiro país da União Europeia cuja inflação dos produtos alimentares está mais acima da taxa de inflação geral. Na equação temos também o enorme dano ambiental causado pela produção alimentar (responsável por um quarto das emissões globais de gases com efeito de estufa) e, ainda, o fato de 12% da população registar causas de morte associadas a uma alimentação inadequada, nomeadamente por doenças cardiovasculares, oncológicas, diabetes e doenças renais.
E, caríssimo leitor, saiba que dos 4.800 nutricionistas só 5% estão no Serviço Nacional de Saúde. Os números falam por si.
Enquanto a sociedade entender a nutrição como um campo exclusivo ao emagrecimento, e, portanto, ignorando a sua atuação e o seu impacto social nas áreas da saúde, da educação, do ambiente e da economia, os custos elevados e as consequências nocivas manter-se-ão. A necessidade de reconhecer a nutrição no centro de atuação política parece-me inquestionável.
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