{"id":152118,"date":"2025-05-16T11:23:10","date_gmt":"2025-05-16T11:23:10","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/?p=152118"},"modified":"2025-05-16T11:23:12","modified_gmt":"2025-05-16T11:23:12","slug":"henrique-levy-a-vida-a-quem-pertence-o-mundo-inteiro-e-nao-e-de-lado-nenhum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/en\/henrique-levy-a-vida-a-quem-pertence-o-mundo-inteiro-e-nao-e-de-lado-nenhum\/","title":{"rendered":"Henrique Levy: a vida a quem pertence o mundo inteiro e n\u00e3o \u00e9 de lado nenhum"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-1-2025-acacio-mateus.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-152119\" srcset=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-1-2025-acacio-mateus.jpg 960w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-1-2025-acacio-mateus-300x200.jpg 300w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-1-2025-acacio-mateus-768x512.jpg 768w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-1-2025-acacio-mateus-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\"><sup>\u00a9 AC\u00c1CIO MATEUS<\/sup><\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-center\">\n<p><em>\u00abO meu amigo Henrique Levy \u00e9 um camoniano, um dos melhores poetas e romancistas da nossa atualidade, um editor ex\u00edmio, que tem viabilizado a exist\u00eancia e a continuidade, com um rigoroso crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o, \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de uma poesia de qualidade. Estuda imenso, pois de outra forma n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel escrever bem. \u00c9 educad\u00edssimo, ut\u00f3pico, objetor de consci\u00eancia. Seria incapaz de pegar numa arma. Um irm\u00e3o na minha vida. Temos uma cumplicidade imensa que at\u00e9 no sil\u00eancio comunica.\u00bb<\/em><\/p>\n<cite>\u00c2NGELA DE ALMEIDA<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<p><b>DL: \u00c9 um camoniano. De onde vem a paix\u00e3o por Cam\u00f5es?<\/b><b><br \/><\/b>Cam\u00f5es, para mim, \u00e9 uma pessoa de fam\u00edlia. \u00c9 um poeta que faz parte do meu quotidiano. N\u00e3o h\u00e1 nenhum dia em que, antes de adormecer, n\u00e3o leia, como uma ora\u00e7\u00e3o, um soneto de Cam\u00f5es. \u00c9 algu\u00e9m com quem convivo diariamente. Muitas vezes, dou por mim a ter de gerir pequenos dramas interiores e questiono-me: Que resposta daria Cam\u00f5es a uma situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga? Depois, adapto o pensamento do poeta \u00e0 nossa \u00e9poca, e geralmente encontro uma via ponderada para a resolu\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es que a vida, de quem pensa e se p\u00f5e em causa, lhe vai exigindo. A poesia de Lu\u00eds de Cam\u00f5es apresenta uma identifica\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande com a Humanidade, que facilmente, nela nos revemos. Cam\u00f5es foi um homem extraordin\u00e1rio, cheio de valores e um grande estudioso. Um homem muito interessado pela cultura cl\u00e1ssica mas, essencialmente, um humanista. \u00c9 isso que eu procuro ser: um humanista, e como Cam\u00f5es, um homem do mundo.<br \/>Lu\u00eds de Cam\u00f5es \u00e9, sem d\u00favida, o melhor poeta da literatura ocidental. A sua poesia \u00e9 sempre atual, por isso \u00e9 que nos revemos naquela leitura onde nos encontramos e procuramos ensinamentos para as nossas vidas. \u00c9 para isso que viemos ao mundo: para chegarmos de uma maneira e partirmos muito melhor do que cheg\u00e1mos. Essencialmente, para melhorarmos a capacidade de amar as pessoas com as quais nos cruzamos.<\/p>\n<p><b>DL: Foi professor em Lisboa. Sentiu-se mais professor ou estudioso?<\/b><b><br \/><\/b>Durante vinte e quatro anos dei aulas no Curso de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Aut\u00f3noma de Lisboa. Ajudei a formar dezenas de jornalistas. Ministrei as disciplinas de Gram\u00e1tica da Comunica\u00e7\u00e3o, L\u00edngua e Cultura Portuguesas e Escrita Criativa. Foram anos muito importantes para a minha forma\u00e7\u00e3o, pois convivi com excecionais mestres e alunos que me levaram a estudar v\u00e1rias mat\u00e9rias. Investiguei e estudei muito para depois refletir, partilhar e discutir com os alunos as conclus\u00f5es a que tinha chegado. Nesse sentido, devo aos meus alunos ter apurado o esp\u00edrito de investigador e mantido a constante curiosidade que me tem levado \u00e0 busca de conhecimento. A minha base de estudo \u00e9 a lingu\u00edstica. Estudei lingu\u00edstica para melhor entender a organiza\u00e7\u00e3o do pensamento humano, as diversas culturas e religi\u00f5es, e, por conseguinte a literatura e as restantes artes.<br \/><br \/><b>DL: Nasceu em Lisboa, mas tem nacionalidade cabo-verdiana. A liga\u00e7\u00e3o Cabo Verde, Lisboa e A\u00e7ores, como \u00e9 que acontece?<\/b><b><br \/><\/b>Sou um autor cabo-verdiano. N\u00e3o me identifico como autor portugu\u00eas. A minha identidade e forma de sentir o mundo est\u00e3o muito mais pr\u00f3ximas da cultura caboverdiana. Fa\u00e7o parte dos dois milh\u00f5es de caboverdianos que vivem em todos os cantos do mundo. Somos uma Na\u00e7\u00e3o que n\u00e3o cabe no seu territ\u00f3rio. Ser caboverdiano foi um dos melhores legados que o meu pai me deixou. Os meus av\u00f3s eram caboverdianos e meu pai nasceu em Cabo Verde. S\u00f3 a minha gera\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o, porque o meu pai veio estudar para Lisboa, casou, fez vida e ficou.<br \/>A minha op\u00e7\u00e3o por viver nos A\u00e7ores tem exatamente o prop\u00f3sito de tentar perceber aquilo que se pode fazer pelos territ\u00f3rios insulares que formam a Macaron\u00e9sia. Eu acho que falta cumprir a Macaron\u00e9sia e, no futuro, o tempo vai dar-me raz\u00e3o. A autonomia que a Rep\u00fablica concede aos A\u00e7ores e \u00e0 Madeira n\u00e3o ajuda ao desenvolvimento destes arquip\u00e9lagos. Os povos que habitam os arquip\u00e9lagos que comp\u00f5em a Macaron\u00e9sia exigem que se desenvolvam la\u00e7os de identidade cultural, pol\u00edtica e social. Repare como estes quatro arquip\u00e9lagos vivem de costas voltadas: os a\u00e7orianos desconhecem a realidade caboverdiana, madeirense e das Can\u00e1rias. Com a Madeira, Can\u00e1rias e Cabo Verde passa-se a mesma coisa. O desenvolvimento harmonioso destas regi\u00f5es e de Cabo Verde, como pa\u00eds, n\u00e3o pode deixar de passar por um profundo interc\u00e2mbio cultural, econ\u00f3mico e pol\u00edtico. O futuro da Humanidade s\u00e3o os oceanos, por essa raz\u00e3o os A\u00e7ores e todos os restantes tr\u00eas arquip\u00e9lagos da Macaron\u00e9sia v\u00e3o ser espa\u00e7os important\u00edssimos para o desenvolvimento dos povos que os habitam.<br \/>No caso dos A\u00e7ores, a Rep\u00fablica domina as leis que dizem respeito \u00e0s \u00e1guas territoriais destas nove ilhas no meio do oceano, mas, em troca de tamanha riqueza, envia parcas esmolas. Na verdade, o povo destas ilhas h\u00e1 500 anos que \u00e9 aut\u00f3nomo, no sentido em que esgravatou a vida com as m\u00e3os e sobreviveu a todas as intemp\u00e9ries. \u00c9 um povo her\u00f3ico! Por vezes, nem sequer pensamos nisto, mas se percebermos a situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica destes nove gr\u00e3os de terra espalhados no Atl\u00e2ntico, neste momento com cerca de 241 mil almas, somos levados a deduzir que se trata de gente extraordin\u00e1ria cujos antepassados foram igualmente admir\u00e1veis. S\u00f3 um povo her\u00f3ico sobreviveria a tantas dificuldades geogr\u00e1ficas e a uma organiza\u00e7\u00e3o social baseada na explora\u00e7\u00e3o de quase todos por um \u00ednfimo n\u00famero de senhores terratenentes. Foi, tamb\u00e9m, esta resili\u00eancia dos a\u00e7orianos que me cativou muito e que me levou a fixar na ilha de S\u00e3o Miguel.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-3-2025-acacio-mateus.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-152121\" srcset=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-3-2025-acacio-mateus.jpg 960w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-3-2025-acacio-mateus-300x200.jpg 300w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-3-2025-acacio-mateus-768x512.jpg 768w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-3-2025-acacio-mateus-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup>Henrique Levy quer ver o nascer do sol nos A\u00e7ores at\u00e9 ao \u00faltimo dos seus dias  <\/sup><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\"><sup>\u00a9 AC\u00c1CIO MATEUS<\/sup><\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p><b>DL: Como decide fixar-se nos A\u00e7ores?<br \/><\/b>Desde 1989, que vinha, todos os anos, passar f\u00e9rias nos A\u00e7ores. Quando tive oportunidade de voltar a assentar arraiais noutro lugar, escolhi estas ilhas.<br \/>Os A\u00e7ores s\u00e3o o lugar onde quero morrer. Sou um cabo-verdiano que se sente a\u00e7oriano. E repare que eu n\u00e3o lhe digo &#8220;que me sinto portugu\u00eas&#8221;. Para mim, Portugal foi o pa\u00eds onde nasci, mas que sempre me acolheu como um imigrante. Como todos os humanos, tamb\u00e9m eu perten\u00e7o ao mundo. E assim \u00e9 que est\u00e1 bem, n\u00e3o devia haver fronteiras. Como \u00e9 poss\u00edvel existirem pessoas que consideram outras como ilegais? N\u00e3o h\u00e1 sobre a Terra quem possa ser ilegal. Como humanista, tenho pautado a minha vida a lutar pelos direitos de todas as pessoas a uma exist\u00eancia com dignidade. Amando e compreendendo todas as viv\u00eancias espec\u00edficas das v\u00e1rias culturas existentes nos cinco continentes. Partindo sempre do princ\u00edpio que cultura n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. Interessa-me muito a cultura popular. Perceber como \u00e9 que as pessoas organizam o seu pensamento. Estudar as suas l\u00ednguas. Com e como cozinham. As tradi\u00e7\u00f5es que pretendem deixar \u00e0s gera\u00e7\u00f5es vindouras. Como ocupam o espa\u00e7o. A forma escolhida para se organizarem socialmente. A rela\u00e7\u00e3o que mant\u00eam com as divindades\u2026 Pois tudo isto, tamb\u00e9m, \u00e9 cultura.<\/p>\n<p><b>DL: Vivemos numa altura em que se fala de falta de apoio \u00e0 Cultura e se diz que a cultura est\u00e1 em crise. Como v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o atual?<\/b><b><br \/><\/b>Quando se fala de apoio \u00e0 cultura, o que eu penso, imediatamente, \u00e9 na falta de apoio para que as pessoas tenham melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Apoiar a cultura \u00e9 governar no sentido de dar dignidade humana a cada um dos cidad\u00e3os a\u00e7orianos. Tudo fazer para combater a forma miser\u00e1vel como vive, ainda, o a\u00e7oriano, cinquenta anos depois de uma Revolu\u00e7\u00e3o Popular. Em cinquenta anos somos a regi\u00e3o do pa\u00eds com mais abandono escolar. O acesso \u00e0 sa\u00fade \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil e desigual. Satisfazer as necessidades b\u00e1sicas das popula\u00e7\u00f5es \u00e9 dar-lhes a oportunidade de poderem ser agentes de cultura. As pessoas precisam de estar bem para se encontrarem com elas pr\u00f3prias e terem disponibilidade para se interessarem por bens culturais. E depois, se houver unidade, se as pessoas se juntarem umas \u00e0s outras, apercebem-se imediatamente, da sua for\u00e7a. Que est\u00e1 nas suas m\u00e3os p\u00f4r cobro a desmandos e injusti\u00e7as que impedem o progresso da sociedade a\u00e7oriana como um todo.<br \/>Nos A\u00e7ores, por exemplo, o que \u00e9 o culto do Esp\u00edrito Santo sen\u00e3o um processo que cumpre a fun\u00e7\u00e3o de mostrar desejo pela verdadeira igualdade em busca da sabedoria? N\u00e3o h\u00e1 nada mais maravilhoso na cultura a\u00e7oriana do que o culto do Divino Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p><b>DL: Criou uma editora em 2020, a \u00fanica nos A\u00e7ores exclusivamente de poesia. Como surgiu esse desafio?<\/b><br \/>A editora N9na-Poesia inaugurou-se com a edi\u00e7\u00e3o do livro <i>A Sibylla \u2013 Versos Philosophicos<\/i>, de Marianna Belmira de Andrade, uma jorgense que, em 1884, escreveu e editou um \u00e9pico, absolutamente superior, com 1250 versos. A obra foi votada ao esquecimento pela generalidade da cr\u00edtica, o eco dos seus versos, apesar de indiscut\u00edvel qualidade, n\u00e3o chegou ao continente portugu\u00eas, e esbarrou na indiferen\u00e7a da maioria dos literatos a\u00e7orianos. \u00c9 um poema extraordin\u00e1rio escrito pela mais singular voz da poesia a\u00e7oriana, mas at\u00e9 ser por mim editada, Marianna foi votada ao sil\u00eancio e ao esquecimento, pr\u00f3prios de uma sociedade mis\u00f3gina que tende a silenciar o feminino. Nesse \u00e9pico Marianna Belmira de Andrade reprova a sociedade terra-tenente a\u00e7oriana, a Igreja Cat\u00f3lica e a institui\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica, responsabilizando-as pelo atraso do pa\u00eds, da pobreza e das desigualdades sociais. A autora revolta-se contra a condi\u00e7\u00e3o das mulheres e o papel dom\u00e9stico para que s\u00e3o relegadas, sendo-lhes negado o direito \u00e0 instru\u00e7\u00e3o, o acesso \u00e0 cultura, bem como o desempenho de qualquer fun\u00e7\u00e3o social relevante. \u00c9 num contexto social em que vigora ainda um conservadorismo feroz que emerge a voz de Marianna Belmira de Andrade votada durante s\u00e9culos n\u00e3o s\u00f3 ao isolamento geogr\u00e1fico, mas tamb\u00e9m ao arca\u00edsmo s\u00f3cio-cultural da condi\u00e7\u00e3o de mulher em geral e da insular em particular.<br \/>Em <em>A Sibylla<\/em>, a autora afirma-se feminista, anticlerical e ecologista \u2013 \u00e9 algo de uma novidade extraordin\u00e1ria. Fascinado com o achado, resolvi estudar a autora e editar a obra, tendo-a dotado de 163 notas. Como n\u00e3o encontrei editora interessada na publica\u00e7\u00e3o deste livro, decidi criar a N9na-Poesia, como uma editora dedicada exclusivamente \u00e0 poesia de grande qualidade. \u00c9, por isso, gra\u00e7as \u00e0 obra po\u00e9tica de Marianna Belmira de Andrade e ao apoio da Nova Gr\u00e1fica, na pessoa de Ernesto Resendes, que temos, nos A\u00e7ores uma editora dedicada exclusivamente \u00e0 poesia.<br \/><br \/><b>DL: Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 RTP A\u00e7ores, quando ganhou o Pr\u00e9mio Liter\u00e1rio Nat\u00e1lia Correia, disse: \u201ceu n\u00e3o sei respirar sem escrever\u201d. Continua a sentir o mesmo?<\/b><b><br \/><\/b>Com certeza. Escrever \u00e9 como respirar. Escrevo todos os dias. Levanto-me cerca das tr\u00eas e meia da manh\u00e3, antes das quatro j\u00e1 estou a escrever at\u00e9 por volta das oito. \u00c9 um ritual di\u00e1rio. Geralmente, n\u00e3o volto a escrever. Aproveito o resto do dia para ler, investigar, pensar, nadar na piscina da Lagoa, conhecer a realidade da vida das pessoas e conviver com os amigos; mas n\u00e3o para escrever. Deito-me cedo e como n\u00e3o tenho necessidade de dormir muito, os meus dias s\u00e3o longos e muito diversificados. Escrevo entre as quatro e as oito horas da manh\u00e3, pois, o mundo, a essa hora, n\u00e3o nos pede nada. H\u00e1 um sil\u00eancio absoluto e muito bonito. Porque \u00e9 um sil\u00eancio de esperan\u00e7a. Anuncia-se um novo dia. Depois come\u00e7am os sons pr\u00f3prios do despertar da Natureza; o alegre chilrear dos p\u00e1ssaros e o cantar dos galos. Tenho doze gatos, a essa hora, ainda est\u00e3o todos a dormir. H\u00e1, em casa, uma tranquilidade que me \u00e9 necess\u00e1ria. Muitas vezes, quando o dia come\u00e7a a nascer, saio de casa para me despedir da Lua que se p\u00f5e de um lado e receber o Sol que nasce do outro. Este ritual dura de cinco a dez minutos. Normalmente, acompanhado de uma ch\u00e1vena de caf\u00e9, sento-me num banco de pedra e fa\u00e7o ora\u00e7\u00f5es que lan\u00e7o ao novo dia.<\/p>\n<p><b>DL: Quando venceu a segunda edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9mio Liter\u00e1rio em 2022, disse tamb\u00e9m que saberia, dentro de dois ou tr\u00eas anos, se o pr\u00e9mio teria import\u00e2ncia. Valeu a pena? <br \/><\/b>Para mim, foi uma honra o romance <em>Vinte e Sete Cartas de Artem\u00edsia<\/em> ter sido agraciado com o Pr\u00e9mio Nat\u00e1lia Correia. Lembro-me de ter pensado: a partir de hoje tenho a responsabilidade moral de ir ao encontro da confian\u00e7a que em mim foi depositada, ao ver um romance, de que sou autor, ser distinguido com o Pr\u00e9mio Liter\u00e1rio que transporta o nome de uma das nossas maiores poetisas e pensadoras. Apesar de n\u00e3o estar preocupado em ter visibilidade como autor, \u00e9 gratificante ver um certo reconhecimento p\u00fablico, depois de tantos anos dedicados \u00e0 literatura e \u00e0 cultura. A atribui\u00e7\u00e3o deste importante Pr\u00e9mio n\u00e3o teve grande visibilidade na Regi\u00e3o nem na Rep\u00fablica. Pelo contr\u00e1rio, foi amplamente divulgado em Cabo Verde, em Macau e at\u00e9 no Egipto atrav\u00e9s da R\u00e1dio Cairo que me entrevistou.<br \/>N\u00e3o tenho como objetivo, cativar o leitor da atualidade. O leitor que idealizo n\u00e3o \u00e9 meu contempor\u00e2neo. Escrevo para a mem\u00f3ria futura dos povos.<br \/>Em 2023 publiquei <i>Bento de G\u00f3is: uma longa caminhada na \u00c1sia Central<\/i>. Tr\u00eas meses depois, este romance entrou no Plano Nacional de Leitura, mas, pasme-se, n\u00e3o faz parte no Plano Regional de Leitura. N\u00e3o podemos esquecer que Bento de Goes \u00e9 o maior her\u00f3i a\u00e7oriano; n\u00e3o h\u00e1 nenhum outro que se lhe compare. A maior parte das vezes, os respons\u00e1veis pol\u00edticos a\u00e7orianos maltratam as mais not\u00e1veis figuras da Hist\u00f3ria e da Cultura dos A\u00e7ores. Insultam os a\u00e7orianos, silenciando os seus her\u00f3is e poetas. Por inc\u00faria, ou ignor\u00e2ncia, enaltecem, o que nos chega de fora. Como exemplo, basta referir Antero de Quental h\u00e1 anos silenciado pela academia, pois n\u00e3o h\u00e1 vontade pol\u00edtica de homenagear e divulgar a obra de Antero, por ser um autor, tal como Nat\u00e1lia Correia e muitos outros, que nos obriga a pensar e depois de confrontados com a realidade, ter mais consci\u00eancia social e pol\u00edtica para exigir a altera\u00e7\u00e3o do estado de coisas.<br \/>Manter o povo na ignor\u00e2ncia continua a ser o des\u00edgnio dos governos da Regi\u00e3o, pois sabem que um povo informado e culto nunca elegeria governos incapazes.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"639\" src=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-2-2025-acacio-mateus.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-152120\" srcset=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-2-2025-acacio-mateus.jpg 960w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-2-2025-acacio-mateus-300x200.jpg 300w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-2-2025-acacio-mateus-768x511.jpg 768w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-2-2025-acacio-mateus-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup>Escritor cabo-verdiano foi o vencedor do Pr\u00e9mio Liter\u00e1rio Nat\u00e1lia Correia, em 2022, com o romance &#8220;Vinte e Sete Cartas de Artem\u00edsia&#8221; <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">\u00a9 AC\u00c1CIO <\/mark><\/sup><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\"><sup>MATEUS<\/sup><\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p><b>DL: Envolve-se com as suas personagens?<\/b><br \/>Sim, muito. E isso pode ser devastador. Por essa raz\u00e3o, enquanto estou a escrever fic\u00e7\u00e3o, socorro-me, em simult\u00e2neo, da escrita da poesia que me permite reorganizar emocionalmente. Penso que o escritor, o ficcionista, o artista \u2013 se quiserem \u2013 \u00e9 algu\u00e9m que passa por diferentes formas de humor. H\u00e1 momentos de enorme exalta\u00e7\u00e3o e outros em que se fecha sobre si mesmo. Normalmente, estou sempre em grande exalta\u00e7\u00e3o. S\u00f3 me sinto abatido quando o destino das personagens da hist\u00f3ria que estou a contar \u00e9 brutal. Por exemplo: neste momento, encontro-me a escrever um romance que me obrigou a estudar, profundamente, o quotidiano dos presos pol\u00edticos no Tarrafal, tendo de ler mais de 100 testemunhos de presos dessa col\u00f3nia penal, em Cabo Verde. Cheguei a pensar desistir de escrever este romance, mas percebi que, por mais doloroso que fosse, para poder fazer um trabalho cred\u00edvel, tinha de conhecer o depoimento de todos os homens que, abnegadamente, entregaram as suas vidas para que os portugueses pudessem alcan\u00e7ar a liberdade e os povos colonizados por Portugal conhecessem a autodetermina\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/><b>DL: Hoje em dia, sabemos o que \u00e9 a liberdade? Cumpriu-se Abril?<\/b><b><br \/><\/b>Essa pergunta n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. De qualquer modo vou tentar responder. H\u00e1 certamente, diferentes conceitos de liberdade. Enquanto os trabalhadores anseiam por um tipo de liberdade que lhes permita exigir melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho, os donos das f\u00e1bricas e os propriet\u00e1rios das terras anseiam pela liberdade de poderem aumentar os lucros e por conseguinte terem mais poder para oprimirem quem trabalha. Ainda h\u00e1 os que lutam por outros diferentes tipos de liberdade\u2026 P\u00f4r o voto numa urna n\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio de liberdade, a maior parte das vezes, n\u00e3o passa de uma forma de legitimar regimes que se recusam a governar para o progresso dos povos, tendo antes o objetivo de manter um poder que oprime esse mesmo povo. Poderia dar dezenas de exemplos. Repare: a um trabalhador a\u00e7oriano, o sal\u00e1rio n\u00e3o lhe chega. N\u00e3o se trata de um desempregado; \u00e9 um pai ou m\u00e3e de fam\u00edlia cujo ordenado n\u00e3o \u00e9 suficiente para fazer face \u00e0s despesas do quotidiano. Assim, temos muitos trabalhadores na mis\u00e9ria e a depender de ajuda alimentar, ou de outras, para poder sobreviver. \u00c9 necess\u00e1rio que as pessoas tenham esta consci\u00eancia, que tenham uma consci\u00eancia de classe, porque s\u00f3 assim \u00e9 que podem lutar por uma vida melhor e por justi\u00e7a social, ou ent\u00e3o, vamos continuar, nos pr\u00f3ximos 50 anos, com os mesmos problemas sociais de hoje.<b><\/b><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"639\" src=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-4-2025-acacio-mateus.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-152122\" srcset=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-4-2025-acacio-mateus.jpg 960w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-4-2025-acacio-mateus-300x200.jpg 300w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-4-2025-acacio-mateus-768x511.jpg 768w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-4-2025-acacio-mateus-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup>Poeta e romancista conta que tudo o que prometeu fazer foi ler poesia<\/sup> <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\"><sup>\u00a9 AC\u00c1CIO MATEUS<\/sup><\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p><b>DL: \u00c9 um homem de F\u00e9?<\/b><b><br \/><\/b>Com certeza. Mas em quem? Em qu\u00ea? Sou um homem de f\u00e9 no Sublime, no Mist\u00e9rio, naquilo que n\u00e3o entendo e que n\u00e3o confronto. Mas n\u00e3o a f\u00e9 no dogma criado por humanos. Nunca confronto o mist\u00e9rio; n\u00e3o saberia viver sem ele. Por exemplo: o mist\u00e9rio da transfigura\u00e7\u00e3o de Cristo, para mim, tem de ser mantido como algo que a ci\u00eancia n\u00e3o poder\u00e1 nunca explicar. Para muitos depende da F\u00e9, para mim \u00e9 uma quest\u00e3o est\u00e9tica. Procuro sempre sentido para a vida em coisas misteriosas. N\u00e3o procuro respostas para os assuntos encobertos pela poesia, pela filosofia, pela teologia que encaro como os grandes mist\u00e9rios da Humidade. Costumo dizer que Deus \u00e9 como um amigo imagin\u00e1rio com quem aprendemos a comunicar com quem partilhamos os nossos problemas. E quando crescemos, transportamos esse mesmo amigo, da inf\u00e2ncia para a fase adulta, criando com Deus uma rela\u00e7\u00e3o de quase chantagem: prometemos isto, se nos der aquilo. Se me der sa\u00fade, pagarei com uma rota de joelhos, \u00e0 volta de um santu\u00e1rio. N\u00e3o seria muito mais bonito fazer uma promessa a Nossa Senhora ou ao Senhor Santo Cristo, e o pagamento dessa promessa ser recitar poemas em voz alta no recinto de F\u00e1tima ou no Largo de S\u00e3o Francisco? Essas entidades, certamente que ficariam muito mais satisfeitas, muito mais consoladas do que se o pagamento das promessas for com sofrimento e muita dor. Deus \u00e9 alegria e liberta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o O devemos presentear com dor e sofrimento! Tamb\u00e9m j\u00e1 fiz promessas. Com certeza que sim, sou humano como os outros e tenho F\u00e9. Mas tudo o que prometi fazer foi exatamente ler poesia: entrar num templo, independentemente da religi\u00e3o, e, em voz baixa, meditando, ler poemas perante o sil\u00eancio, a\u00ed encontrado. Tenho a certeza de que esta troca, para a divindade, \u00e9 muito mais exaltante. Porque todos os deuses foram criados na medida da necessidade da Humanidade e n\u00e3o pretendem ser ve\u00edculos de sofrimento, mas de liberta\u00e7\u00e3o, sabedoria e compaix\u00e3o.<\/p>\n<p><b>DL: \u00c9 a ideia de que Deus \u00e9 amor numa esp\u00e9cie de energia feminina?<\/b><b><br \/><\/b>Sim. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 isso mesmo. Uma energia feminina e criadora que pretende libertar o Homem de todo o g\u00e9nero de opress\u00e3o.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A entrevista ao poeta e romancista que quer ver o nascer do sol nos A\u00e7ores at\u00e9 ao \u00faltimo dos seus dias. <\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":152119,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[12],"tags":[754,2890,2891,2892,2893,2894,31,240],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v20.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Henrique Levy: a vida a quem pertence o mundo inteiro e n\u00e3o \u00e9 de lado nenhum - Not\u00edcias que contam<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A entrevista ao poeta e romancista que quer ver o nascer do sol nos A\u00e7ores at\u00e9 ao \u00faltimo dos seus dias.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/en\/henrique-levy-a-vida-a-quem-pertence-o-mundo-inteiro-e-nao-e-de-lado-nenhum\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Henrique Levy: a vida a quem pertence o mundo inteiro e n\u00e3o \u00e9 de lado nenhum - Not\u00edcias que contam\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"A entrevista ao poeta e romancista que quer ver o nascer do sol nos A\u00e7ores at\u00e9 ao \u00faltimo dos seus dias.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/en\/henrique-levy-a-vida-a-quem-pertence-o-mundo-inteiro-e-nao-e-de-lado-nenhum\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Not\u00edcias que contam\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2025-05-16T11:23:10+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2025-05-16T11:23:12+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/henrique-levy-1-2025-acacio-mateus.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"960\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"640\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Di\u00e1rio da Lagoa\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Di\u00e1rio da Lagoa\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"18 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/henrique-levy-a-vida-a-quem-pertence-o-mundo-inteiro-e-nao-e-de-lado-nenhum\/\",\"url\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/henrique-levy-a-vida-a-quem-pertence-o-mundo-inteiro-e-nao-e-de-lado-nenhum\/\",\"name\":\"Henrique Levy: a vida a quem pertence o mundo inteiro e n\u00e3o \u00e9 de lado nenhum - Not\u00edcias que contam\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/#website\"},\"datePublished\":\"2025-05-16T11:23:10+00:00\",\"dateModified\":\"2025-05-16T11:23:12+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/#\/schema\/person\/1615a002370e8857b6f972834bc43ece\"},\"description\":\"A entrevista ao poeta e romancista que quer ver o nascer do sol nos A\u00e7ores at\u00e9 ao \u00faltimo dos seus dias.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/henrique-levy-a-vida-a-quem-pertence-o-mundo-inteiro-e-nao-e-de-lado-nenhum\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/henrique-levy-a-vida-a-quem-pertence-o-mundo-inteiro-e-nao-e-de-lado-nenhum\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/henrique-levy-a-vida-a-quem-pertence-o-mundo-inteiro-e-nao-e-de-lado-nenhum\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Henrique Levy: a vida a quem pertence o mundo inteiro e n\u00e3o \u00e9 de lado nenhum\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/#website\",\"url\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/\",\"name\":\"Not\u00edcias que contam\",\"description\":\"Not\u00edcias que contam. 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