{"id":99783,"date":"2022-01-22T15:37:50","date_gmt":"2022-01-22T15:37:50","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodalagoa.sapo.pt\/?p=99783"},"modified":"2025-06-20T23:47:06","modified_gmt":"2025-06-20T23:47:06","slug":"a-diaspora-portuguesa-e-como-um-fruto-de-uma-arvore-transplantada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/en\/a-diaspora-portuguesa-e-como-um-fruto-de-uma-arvore-transplantada\/","title":{"rendered":"\u201cA di\u00e1spora portuguesa \u00e9 como um fruto de uma \u00e1rvore transplantada\u201d"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"wp-block-heading\">Os relatos dos av\u00f3s eram \u201cde tempos duros, de tentar ganhar a vida, e todas as raz\u00f5es que os levaram a emigrar\u201d, uma hist\u00f3ria comum a tantos lusodescendentes<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"890\" height=\"694\" src=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/millicent.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-109582\" srcset=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/millicent.jpg 890w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/millicent-300x234.jpg 300w, https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/millicent-768x599.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup>Escritora Milicent Borges Accardi, com ra\u00edzes na Terceira, lan\u00e7ou livro inspirado em poesia portuguesa<\/sup> <sup><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">\u00a9\u00a0CORTESIA MILLICENT B. ACCARDI<\/mark><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p>Na vida de Millicent, como na de tantos emigrantes, a narrativa do passado contrasta com a do presente: \u201cTudo o que ou\u00e7o \u00e9 sobre a exuber\u00e2ncia dos A\u00e7ores, qu\u00e3o lento \u00e9 o ritmo e que \u00e9 como viver num para\u00edso\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs netos e os bisnetos dos emigrantes lusos, tudo o que queremos \u00e9 voltar\u201d, conta ao DL Millicent Borges Accardi.<br \/>A poeta lan\u00e7ou em outubro \u201cThrough a Grainy Landscape\u201d, pela New Meridian Press.<\/p>\n<p>Muitos dos poemas s\u00e3o inspirados em versos de poesia portuguesa ou luso-americana.<\/p>\n<p>\u201cA inspira\u00e7\u00e3o, para mim, foi a escrita como um ponto de entrada para perceber a cultura que eu ansiava conhecer melhor. Parece que, independentemente da gera\u00e7\u00e3o, os portugueses sentem perpetuamente falta de casa e que t\u00eam uma \u00e2nsia pelo que est\u00e1 ausente, \u00e9 essa a natureza da saudade de que se ouve falar\u201d.<\/p>\n<p>Foi a partir dessa ideia, mas tamb\u00e9m na tentativa de responder a \u201ccomo \u00e9 que algu\u00e9m pode ser \u2018eu\u2019 e \u2018outro\u2019 ao mesmo tempo?\u201d que nasceram os poemas de \u201cThrough a Grainy Landscape\u201d.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que a pr\u00f3pria coloca, mas que \u201ctodos procuramos\u201d, considera a escritora.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, \u201cnos versos da poesia de autores portugueses\u201d, foi \u201ctamb\u00e9m inspirada pelas imagens de isolamento e tristeza, mas tamb\u00e9m de um sentido de humor subjacente, do que n\u00e3o pode ser. Talvez um vazio de que estamos todos \u00e0 espera e a tentar encontrar\u201d.<\/p>\n<p>O escritor Frank X. Gaspar considera que \u201ceste \u00e9 um livro vital para quem tem uma heran\u00e7a cultural portuguesa, mas \u00e9 tamb\u00e9m um livro importante para leitores americanos de qualquer contexto ou tradi\u00e7\u00e3o. Tra\u00e7a uma ponte est\u00e9tica entre culturas\u201d.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 dedicado a George Monteiro e Christopher Larkosh, que Millicent descreve como dois dos seus \u201cher\u00f3is liter\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>Ao Di\u00e1rio da Lagoa, explicou que o s\u00e3o \u201cn\u00e3o tanto pelo seu trabalho no mundo luso, que \u00e9 brilhante, mas pelo desejo por uma vida acad\u00e9mica e criativa\u201d que os escolheu como \u201cmentores\u201d.<\/p>\n<p>George Monteiro foi professor da Universidade de Brown, onde impulsionou os Estudos Portugueses, e foi um dos seus primeiros \u201camigos liter\u00e1rios\u201d, conta.<\/p>\n<p>Christopher Larkosh tamb\u00e9m ensinou Estudos Portugueses, mas na Universidade de Massachussetts, e era um \u201cgrande f\u00e3 do que estava a ser escrito atualmente por escritores luso-americanos no s\u00e9culo XXI\u201d.<\/p>\n<p>O interesse pela literatura portuguesa come\u00e7ou numa viagem a Lisboa em que diz ter-se apaixonado pela poesia de Nuno J\u00fadice, depois de ter ouvido uma das suas leituras.<\/p>\n<p>\u201cPouco depois, descobri um \u2018site\u2019 incr\u00edvel, chamado Poems from the Portuguese, com poesia de autores portugueses traduzida. O \u2018site\u2019 foi fundado a partir de uma ideia do Guilherme d\u2019Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura, e \u00e9 gerido pela Ana Hudson, com o patroc\u00ednio da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian\u201d.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m atrav\u00e9s da literatura portuguesa que foi aprendendo sobre a sua heran\u00e7a cultural.<\/p>\n<p>Para esse percurso, foram importantes autores como Rosa Alice Branca, Jacinto Lucas Pires e Jos\u00e9 Lu\u00eds Peixoto, tendo entrevistado os \u00faltimos dois, ou o \u201crevolucion\u00e1rio\u201d livro de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, \u201cNovas Cartas Portuguesas\u201d.<\/p>\n<p>Millicent \u00e9 tamb\u00e9m uma das fundadoras da cooperativa Kale Soup for the Soul, um instituto fundado em 2011, que promove arte portuguesa e que j\u00e1 mostrou mais de 30 escritores portugueses ou lusodescendentes em cidades como Boston, Seattle, Providence, New Bedford, Albuquerque, Iowa City, Newark, S\u00e3o Francisco, ou S\u00e3o Jos\u00e9.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-center\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>\u201cEu sempre fui curiosa <br>sobre de onde tinha vindo.<br>O que eu sabia era que o meu pai<br> tinha sido adotado (\u2026) <br>quando era pequeno.\u201d<\/strong><\/h3>\n<cite><sup><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">MILLICENT B. ACCARDI<\/mark><\/sup><\/cite><\/blockquote>\n\n\n<p>Considera que \u201ca di\u00e1spora portuguesa \u00e9 como um fruto de uma \u00e1rvore transplantada, embora os ramos sejam diferentes, eles continuam a ser alimentados pela mesma raiz\u201d.<\/p>\n<p>Muita dessa di\u00e1spora, nos Estados Unidos, \u00e9 origin\u00e1ria dos A\u00e7ores, como a fam\u00edlia da escritora, que vem da ilha Terceira.<\/p>\n<p>O arquip\u00e9lago faz parte do imagin\u00e1rio de muitos dos escritores que promove, mesmo aqueles que nunca o visitaram, como Millicent, que apesar de j\u00e1 ter estado v\u00e1rias vezes em Portugal, o estado de sa\u00fade do marido, que espera um transplante de cora\u00e7\u00e3o desde pouco antes da pandemia de covid-19 ter aparecido, tem adiado a viagem aos A\u00e7ores.<br \/>\u201cA terra f\u00e9rtil e a natureza caprichosa dos vulc\u00f5es, a ind\u00fastria da pesca, as vidas vividas rodeadas de \u00e1gua, a natureza sazonal da vida na ilha\u201d, fascinam os autores que conhecem ou imaginam as ilhas que lhes foram contadas.<\/p>\n<p>Esse caminho imagin\u00e1rio e a redescoberta das ra\u00edzes nem sempre vem de onde se espera.<\/p>\n<p>\u201cTalvez uma das raz\u00f5es seja a tecnologia, que nos abriu uma avenida ou uma ponte para uma hist\u00f3ria de que n\u00e3o tinham no\u00e7\u00e3o anteriormente. Quem est\u00e1 na Am\u00e9rica e faz um teste de ADN, pode apontar a origem em muitas dire\u00e7\u00f5es e criar uma nova curiosidade para explorar a identidade e a hist\u00f3ria familiar, o que \u00e9 incr\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>Antes disso, procurar \u201cidentidade e hist\u00f3ria familiar era sentar com um familiar, olhar para uma fotografia antiga, colocar quest\u00f5es, contudo, tanto ficou perdido na Ellis Island. Nomes mudados, fam\u00edlias separadas pelo tempo, pela geografia ou raz\u00f5es financeiras\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTantos imigrantes portugueses na Calif\u00f3rnia e na costa leste eram originalmente dos A\u00e7ores, n\u00e3o do continente portugu\u00eas, e pode ser complicado tentar localizar pap\u00e9is antigos de par\u00f3quias pequenas, como registos de batismo ou at\u00e9 pap\u00e9is de ado\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Para Millicent, a literatura preencheu uma lacuna que a fam\u00edlia deixou.<\/p>\n<p>\u201cEu sempre fui curiosa sobre de onde tinha vindo. O que eu sabia era que o meu pai tinha sido adotado pela av\u00f3 materna e uma tia-av\u00f3 quando era pequeno. Sabia que o nome dele tinha sido mudado de Baptista para Borges e que a fam\u00edlia era da Terceira. Para al\u00e9m disso, as mem\u00f3rias eram confusas. O meu pai era um ac\u00f3lito em New Bedford e que tinha um tio Manny que trabalhava na constru\u00e7\u00e3o civil\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA primeira l\u00edngua do meu pai era o portugu\u00eas, um dialeto a\u00e7oriano, e ele sempre achou que tinha sido adotado para ser o guia tur\u00edstico da av\u00f3, sempre que ela e a sua irm\u00e3 nunca falavam ingl\u00eas, por isso mandavam o meu pai \u00e0 loja e levantar receitas na farm\u00e1cia. Ele dizia que lia o jornal em voz alta para elas, depois de ter aprendido ingl\u00eas na escola prim\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Millicent Borges Accardi vive na Calif\u00f3rnia. Tem editados os livros \u201cOnly More So\u201d, \u201cInjuring Eternity\u201d e \u201cWoman on a Shaky Bridge\u201d.<\/p>\n<p>Recebeu v\u00e1rias bolsas de cria\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o e colaboradora com edi\u00e7\u00f5es como The Writers Chronicle, Association of Writers &amp; Writing Programs, The Portuguese American Journal ou Portuguese-American Review.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os relatos dos av\u00f3s eram \u201cde tempos duros, de tentar ganhar a vida, e todas as raz\u00f5es que os levaram a emigrar\u201d, uma hist\u00f3ria comum a tantos lusodescendentes Na vida de Millicent, como na de tantos emigrantes, a narrativa do passado contrasta com a do presente: \u201cTudo o que ou\u00e7o \u00e9 sobre a exuber\u00e2ncia dos [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":109582,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v20.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u201cA di\u00e1spora portuguesa \u00e9 como um fruto de uma \u00e1rvore transplantada\u201d - Not\u00edcias que contam<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/en\/a-diaspora-portuguesa-e-como-um-fruto-de-uma-arvore-transplantada\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cA di\u00e1spora portuguesa \u00e9 como um fruto de uma \u00e1rvore transplantada\u201d - Not\u00edcias que contam\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Os relatos dos av\u00f3s eram \u201cde tempos duros, de tentar ganhar a vida, e todas as raz\u00f5es que os levaram a emigrar\u201d, uma hist\u00f3ria comum a tantos lusodescendentes Na vida de Millicent, como na de tantos emigrantes, a narrativa do passado contrasta com a do presente: \u201cTudo o que ou\u00e7o \u00e9 sobre a exuber\u00e2ncia dos [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/en\/a-diaspora-portuguesa-e-como-um-fruto-de-uma-arvore-transplantada\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Not\u00edcias que contam\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2022-01-22T15:37:50+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2025-06-20T23:47:06+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/millicent.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"890\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"694\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Di\u00e1rio da Lagoa\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Di\u00e1rio da Lagoa\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"7 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/a-diaspora-portuguesa-e-como-um-fruto-de-uma-arvore-transplantada\/\",\"url\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/a-diaspora-portuguesa-e-como-um-fruto-de-uma-arvore-transplantada\/\",\"name\":\"\u201cA di\u00e1spora portuguesa \u00e9 como um fruto de uma \u00e1rvore transplantada\u201d - Not\u00edcias que contam\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/#website\"},\"datePublished\":\"2022-01-22T15:37:50+00:00\",\"dateModified\":\"2025-06-20T23:47:06+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/#\/schema\/person\/1615a002370e8857b6f972834bc43ece\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/a-diaspora-portuguesa-e-como-um-fruto-de-uma-arvore-transplantada\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/a-diaspora-portuguesa-e-como-um-fruto-de-uma-arvore-transplantada\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/a-diaspora-portuguesa-e-como-um-fruto-de-uma-arvore-transplantada\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"\u201cA di\u00e1spora portuguesa \u00e9 como um fruto de uma \u00e1rvore transplantada\u201d\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/#website\",\"url\":\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/\",\"name\":\"Not\u00edcias que contam\",\"description\":\"Not\u00edcias que contam. 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