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Brincar aos museus

Foto: DL

Andava eu a navegar no Facebook, uma rede social que vejo como partilha de conteúdos, que vai muito para além do mexerico, quando me deparo com um vídeo, divertido e criativo, onde um indivíduo vestia a pele de guia, possivelmente um pai, e fazia uma visita guiada pela casa às crianças, provavelmente filhos, mostrando e explicando os desenhos reproduzidos de famosas obras de arte, dispersas pelas paredes.
Achei muito interessante este conceito, visto que se alia o conhecimento cultural à brincadeira, com uma linguagem adaptada e acessível para a faixa etária em questão, onde o interesse estava na identificação das obras de arte, além do envolvimento da família numa atividade conjunta no combate, não só ao isolamento que o momento obriga, mas também à inércia que pode advir no seio familiar.
Uma vez que não é possível prever quando será possível reabrir os espaços museológicos é hora de brincar aos museus em casa, recriando, por exemplo, famosas pinturas recorrendo a objetos do dia-a-dia, como foi o desafio lançado pelo J. Paul Getty Museum em Los Angeles – inspirado na conta de Instagram “Tussen Kunst en Quarantaine” – no Twitter em que consiste escolher a obra de arte, encontrar em casa três objetos do quotidiano que se assemelham à obra escolhida e usar esses objetos na recriação da mesma. Desafio que tem proporcionado o desenvolvimento da criatividade, da diversão e do sentido de humor, enquanto se estimula o interesse pela arte, resultando em inúmeras interpretações.
Diria que é certamente uma forma de os museus se reinventarem, o tempo que atravessamos assim o exige, mantendo a comunicação e interação entre o museu e o público, ainda que de forma virtual, dando a conhecer a uma vasta audiência de novos públicos o museu.
Embora fisicamente de portas fechadas, os museus continuam abertos através da porta virtual, adaptando-se o melhor que podem a esta situação que atravessamos, demonstrando que não estão fechados sobre si, partilhando inúmeras atividades, aproximando-se ainda mais do público, através de estratégias que permitem continuar a desenvolver a função educativa que lhes compete.

Joana Simas, Museóloga

(Artigo de opinião publicado na edição digital de maio de 2020)

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