O cancro da mama é um problema de saúde pública, tem uma alta incidência e uma alta mortalidade, sobretudo no sexo feminino. Segundo a Liga Portuguesa Contra o Cancro, em Portugal surgem 6000 novos casos de cancro da mama por ano, ou seja, 11 novos casos por dia, e estima-se que morrem 4 mulheres, por dia, com esta doença.
Existem vários fatores de risco para o cancro da mama, os mais estudados são a idade, a possibilidade de ter cancro da mama aumenta com o aumento da idade, história pessoal de cancro da mama, história familiar pois o risco de uma mulher ter cancro da mama está aumentado se houver história familiar desta patologia, alterações genéticas, primeira gravidez depois dos 31 anos, mulheres que tiveram a primeira menstruação antes dos 12 anos de idade, menopausa após os 55 anos, mulheres que nunca tiveram filhos tem maior probabilidade de desenvolver cancro da mama.
Outros fatores como a obesidade, sedentarismo, terapêutica hormonal de substituição, raça, entre outros, estão também implicados na avaliação do grau de risco.
A prevenção é fundamental para a diminuição da prevalência desta doença por isso recomenda-se a realização de exames de rastreio, como a mamografia, antes de surgirem quaisquer sinais ou sintomas. A mamografia é o melhor exame de rastreio na deteção precoce do cancro da mama.
A partir dos 40 anos as mulheres devem fazer uma mamografia por ano ou em cada dois anos.
As mulheres que apresentam um risco aumentado de ter cancro da mama, poderão iniciar exames de rastreio mais cedo e com uma periodicidade diferente. É muito importante informar o seu médico sobre fatores de risco pessoal para ter cancro de mama, só assim o seu médico poderá planear a sua vigilância da forma mais indicada para si.
O autoexame da mama é uma excelente forma de conhecer a anatomia da sua mama, o que ajudará a identificar rapidamente alterações que possam indicar o desenvolvimento de cancro.
Todas as mulheres devem realizar o autoexame da mama no sentido de prevenir e diagnosticar precocemente o cancro de mama. Este deve ser efetuado todos os meses entre o 3º e 10º dia após o aparecimento da menstruação ou numa data fixa nas mulheres que não menstruam.
O autoexame da mama consiste na observação frente ao espelho, palpação, desde a axila, de pé e deitada.
Durante a observação deverá avaliar o tamanho, forma e cor das mamas, assim como inchaços, baixamentos, saliências ou rugosidades. Caso existam alterações que não estavam presentes no exame anterior ou existam diferenças entre as mamas é recomendado consultar o seu médico.
A palpação deve ser feita com os dedos da mão juntos e esticados em movimentos circulares em toda a mama e de cima para baixo. Os mamilos devem ser pressionados suavemente para observar se existe saída de algum líquido.
Os sinais de alerta são todas e quaisquer alterações a nível da pele da mama, aumento de uma das mamas, vermelhidão ou alterações da cor da mama, saída de liquido pelos mamilos e nódulos.
A detenção precoce do cancro da mama é fundamental para a eficácia do tratamento.
Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa
(Artigo publicado na edição impressa de novembro de 2018)
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