
A Câmara Municipal do Nordeste convidou o serviço de psiquiatria do hospital do Divino Espírito Santo a desenvolver uma sensibilização para a prevenção do consumo do álcool junto do público escolar.
O convite foi aceite por aquele serviço, que considerou pertinente e de interesse a sensibilização do público jovem, sendo o próprio serviço de Psiquiatria a indicar as idades apropriadas para o fim em vista.
As sessões foram dinamizadas por duas médicas internas da especialidade de Psiquiatria do hospital do Divino Espírito Santo, nomeadamente Sofia Quintal e Daniela Pacheco.
Foram realizadas duas sessões para alunos do terceiro ciclo, cada uma com a duração de trinta minutos de apresentação, seguidas de quinze minutos para perguntas e discussão. Ao todo, passaram pelo centro municipal cento e vinte e cinco alunos do 7.º ao 9.ºanos.
Na sessão foi realizada uma abordagem sobre a componente química do álcool, o efeito que o químico tem no cérebro dos jovens e com possíveis consequências por se tratar de um cérebro ainda em fase de desenvolvimento até à idade adulta (25 anos), bem como a composição do cérebro e o seu desenvolvimento, a influência que figuras públicas podem exercer sobre os jovens ao associar-se a campanhas que promovem o álcool, as doenças e problemas que podem advir de consumos excessivos, como sejam, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, acidentes e danos físicos e mentais que podem vir a revelar-se mais tarde em consumos frequentes.
Atualmente, verifica-se um consumo de álcool nos jovens, sobretudo em situações de aglomerados, tendo a sessão das palestrantes alertado para esta situação.
O consumo excessivo de álcool nos Açores, segundo as estatísticas, e todas as consequências que estão associadas ao nível da saúde mental e física, ao nível de problemas sociais e do bem-estar em geral, justificam, também, este género de sensibilizações e, se possível, com o máximo de antecedência possível.

O deputado lagoense do PSD/Açores, Rúben Cabral, no final de uma visita às antigas instalações da Fábrica do Álcool da SINAGA, na Lagoa, no passado dia 26 de março, afirmou que “ninguém fica indiferente perante a ação do governo liderado por José Manuel Bolieiro, que, através da democracia participativa, envolve, respeita e valoriza a Lagoa”.
Segundo o deputado do PSD/Açores, “a Fábrica do Álcool não é uma mera ruína, mas um símbolo da história coletiva da Lagoa e dos lagoenses”.
“A Lagoa e os lagoenses sabem que este Governo dos Açores entende muito bem que a reabilitação deste espaço não é uma mera operação urbanística”, prosseguiu.
De acordo com o deputado social-democrata, prevê-se que até setembro de 2025 a Ordem dos Arquitetos entregue à Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública as versões preliminares das propostas orientadoras para cada uma das fábricas.
O parlamentar social-democrata enalteceu, por isso, a decisão do Governo da coligação em avançar com um processo que “envolve a sociedade civil no seu todo, ouvindo inclusive os lagoenses que trabalharam na Fábrica do Álcool, pois são eles os legítimos herdeiros do que aqui existiu e daquilo que hoje representa”.
Para Rúben Cabral, o Governo regional “mais do que falar, faz, envolvendo as pessoas, deixando o espaço necessário para que o que aqui seja feito esteja em harmonia com o desenvolvimento urbanístico da Lagoa”, congratulou.
O Governo regional, em parceria com a Ordem dos Arquitetos, promoveu recentemente dois eventos em que se acolheram contributos para as necessárias intervenções nos edifícios da SINAGA, na Lagoa e em Ponta Delgada. Sobre o primeiro evento, no passado dia 22 de fevereiro, o Diário da Lagoa escreveu a reportagem publicada, aqui.

“Como está, não pode ficar”. Esse é um ponto assente, bem vincado pela historiadora Susana Goulart, que moderou o debate com especialistas e a comunidade sobre o futuro das instalações da fábrica do álcool. A razão é simples: “A degradação leva à inutilidade e a requalificação levará à vitalidade”, prosseguiu a especialista.
Para retirar da degradação as antigas fábricas da SINAGA do álcool (Lagoa) e do açúcar (Ponta Delgada), o Governo Regional dos Açores, em parceria com as duas autarquias e a Ordem dos Arquitectos, está a promover uma auscultação pública sobre a requalificação das duas estruturas.
É possível, até 31 de março, deixar um contributo na página da internet sinaga.pt, e este processo de auscultação tem como pontos altos os debates públicos e conferências que acontecem nos dois polos. O primeiro já aconteceu. Teve como ponto de partida uma visita guiada por Marcelo Borges, que abriu espaço para as conferências de João Amado Mendes e José Manuel Lopes Cordeiro, historiadores especializados em património industrial, e da arquitecta Inês Vieira Rodrigues.

Na manhã de 22 de fevereiro, o gigante industrial do coração da Lagoa voltou-se a encher de pessoas que visitaram o espaço e imaginaram as formas que ele pode tomar. Por uma manhã, ficou cumprida uma das intenções da Câmara da Lagoa: “devolver vida e pessoas” à fábrica.
De boas intenções estava a plateia cheia, e as da autarquia eram já conhecidas: ter um espaço de restauração, um museu alusivo ao passado da fábrica, comércio local, espaços para a indústria cultural e criativa, com oficinas e laboratórios, e um espaço de residências artísticas.
O presidente da autarquia, Frederico Furtado Sousa, quer “honrar o papel central” que a fábrica teve na vida da Lagoa e tirar o maior proveito da sua “localização privilegiada”, criando “sinergias com o tecnopolo, a norte, e abrindo aquele espaço à frente-mar, a sul, com a criação de espaços verdes”.
Das ideias da Câmara para aquele espaço de 10 mil metros quadrados, várias são partilhadas por muitos dos participantes no debate.
Comecemos pelo que parece já estar garantido.

Qualquer intervenção terá de conservar o património que ainda existe, como as caldeiras, recuperar arquivo documental e fotográfico e contar a história. Esta é uma garantia deixada por Duarte Freitas, Secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, e referida por todos os outros intervenientes – do presidente da Câmara ao presidente da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitectos, passando pelos especialistas convidados e membros da comunidade ali presentes. E “já se perdeu metade do património, como tanques para guardar álcool e melaço que foram para o lixo”, alertou um morador vizinho da fábrica.
Mas a história que se conta vai além do que se produzia. “Não tem somente a fábrica, tem memória cívica. Foi aqui que a Região conheceu a primeira forma de liberdade. Aqui se comia, aqui se estudava, havia bolsas de estudo para os filhos dos trabalhadores. Havia uma companha de pesca, e, quando o mar estava mau e não dava para pescar, os pescadores tinham aqui outros trabalhos adjacentes, que permitiam levar para casa, sempre, um salário mais ou menos estável”, lembrou um lagoense, que, como tantos outros, viveu ligado àquela fábrica.
A fábrica do álcool foi motor de recuperação económica no final do século XIX, altura em que o ciclo da laranja entrava em declínio. A transformação da beterraba e da batata-doce garantiu emprego a várias gerações e gerou também um impulso indireto na produção agrícola destes recursos. É, por isso, com orgulho que da plateia uma voz se levanta para dizer que aquela fábrica tem “histórias que chegaram à Lagoa toda”.

Recordar é viver, mas sonhar é viver melhor. E a manhã de 22 de fevereiro serviu para fazê-lo em conjunto. Foram idealizados espaços comerciais e de restauração, um mercado municipal, uma biblioteca municipal e um pequeno hotel. Turismo industrial foi a palavra de ordem.
Saiu-se com o consenso de que é preciso respeitar o património e o legado da antiga fábrica do álcool, agora fábrica de sonhos. É preciso aliar memória e economia. Promover o potencial económico do espaço, para que ele possa ser sustentável, pô-lo ao serviço da população.
Ainda assim, dos sonhos sobram dúvidas… Quem ficará com o encargo de os tornar realidade? A quem caberá mantê-los? Quanto dinheiro há para isso e de onde é que ele vem?
Este é um projeto bicéfalo, com um polo na Lagoa, outro em Ponta Delgada. São dois espaços independentes, mas devem complementar-se. Por isso, a 22 de março abre-se mais um lugar de debate, e talvez de esclarecimentos, desta vez na fábrica do açúcar, em Ponta Delgada.
A análise dos contributos deverá ser entregue ao Governo até ao final do ano.