
Fundada a 31 de agosto de 1986, a filarmónica Nossa Senhora das Victórias, da freguesia de Santa Bárbara, concelho da Ribeira Grande, celebra neste ano o 40.º aniversário. O início das comemorações teve lugar na noite de sábado passado, na igreja de Santa Bárbara, com a realização de um concerto solene.
Largas dezenas de pessoas marcaram presença no evento que “concretizou um sonho” de um dos fundadores, Leonardo Cymbron, como referiu o filho e atual presidente da Direção, também ele Leonardo Cymbron. Na ocasião, o responsável pela filarmónica “agradeceu a abertura do padre Tiago Tedéu para a realização do concerto num espaço há muito ansiado”.
O concerto ficou marcado por uma profunda comoção, não apenas por a filarmónica se poder apresentar num palco desejado pelo falecido fundador mas, também, por servir de homenagem a todos os músicos falecidos, em particular o mais recente antigo músico falecido, José Cristiano Barbosa de Medeiros.
A filarmónica Nossa Senhora das Victórias conta com cerca de meia centena de executantes, a maioria deles jovens de tenra idade que nutrem a paixão pela música, orientados sob a regência do maestro Carlos Alberto Cymbron, também ele filho do fundador Leonardo Cymbron.

O Grupo Folclórico das Camélias celebrou oficialmente o seu 50.º aniversário com um jantar comemorativo no Restaurante Vale das Furnas, num momento que reforçou o papel da instituição como o grupo folclórico mais antigo em atividade no concelho da Povoação. Segundo a nota de imprensa enviada à nossa redação, o evento serviu não só para honrar o passado, mas também para projetar o futuro da coletividade, contando com a presença de diversas individualidades, entre as quais Rute Melo, vereadora da Câmara Municipal da Povoação, e o executivo da Junta de Freguesia das Furnas, liderado por Eduarda Pimenta. A celebração foi marcada por um forte espírito de união geracional, unindo representantes do tecido associativo local, desde os escuteiros e a Harmónica Furnense até ao Clube de Motards e instituições paroquiais, todos reunidos para prestar tributo a uma das mais emblemáticas embaixadoras da cultura popular açoriana.
Fundado a 27 de fevereiro de 1976 por Maria Eugénia Moniz Oliveira e Maria Cecília Frazão, a partir do grupo teatral “Jovens Rebeldes”, o percurso das Camélias foi recordado pela atual presidente, Dina Moniz. Durante a sua intervenção, a dirigente enalteceu o papel fundamental das fundadoras e das ex-presidentes, Helena Borges e Margarida Ferreira, dirigindo ainda um apelo direto às camadas mais jovens para que assegurem a continuidade deste legado. “As intervenções de Rute Melo e de Eduarda Pimenta destacaram a importância cultural e identitária do Grupo Folclórico das Camélias para a comunidade”, sublinha a organização, referindo o momento simbólico em que o bolo de aniversário foi cortado pelas três gerações de presidentes da direção.
Composto atualmente por 37 elementos, com idades compreendidas entre os 7 e os 68 anos, o grupo prepara-se agora para um ano de intensa atividade. No âmbito das comemorações das cinco décadas de existência, está já agendada uma deslocação a Portugal Continental entre os dias 3 e 8 de junho, para um intercâmbio com o Rancho Folclórico de Penamacor, no distrito de Castelo Branco. O ponto alto das festividades junto da população local e dos emigrantes terá lugar em julho, com um programa de três dias (17, 18 e 19) que incluirá o tradicional churrasco “Frango à Galo”, um grande concerto musical e a realização do VI Festival de Folclore, onde serão homenageados antigos e atuais componentes que, ao longo de 50 anos, levaram o nome das Furnas a palcos nos Estados Unidos, Canadá, Espanha e por todo o arquipélago.


A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca do Campo celebra, no próximo domingo, dia 8 de março, o seu 38.∘ aniversário. A data será assinalada com um conjunto de iniciativas, organizadas em parceria com a Câmara Municipal, que visam prestar homenagem ao trabalho e dedicação dos soldados da paz ao serviço da comunidade.
O programa tem início agendado para as 9h30, com a celebração de uma Missa Solene na igreja de São Pedro, presidida pelo padre André Resendes. Segue-se, pelas 10h30, um momento de reconhecimento e respeito no cemitério, em memória de todos aqueles que fizeram parte da história da corporação e que já partiram.
As cerimónias prosseguem às 11h00 no quartel dos Bombeiros Voluntários, onde decorrerá uma sessão solene. O ato contará com a presença da presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, Graça Ventura Melo, sendo recebida com a habitual formatura de receção.
Um dos momentos centrais da manhã será a assinatura de um protocolo entre a autarquia e a Associação Humanitária. Além das intervenções institucionais dos presidentes de ambas as entidades, o evento ficará marcado pela bênção de uma nova viatura e a respetiva entrega oficial aos bombeiros.
Aproveitando a coincidência de datas, a Câmara Municipal promoverá ainda uma homenagem relativa ao Dia Internacional da Mulher durante a cerimónia. As celebrações terminam com um momento de convívio e o tradicional corte do bolo de aniversário.
Segundo a autarquia vilafranquense, esta iniciativa pretende reconhecer publicamente o espírito de missão, coragem e dedicação dos homens e mulheres que diariamente protegem a população.

DL: A Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa celebra 25 anos e manifestou a intenção de criar uma creche aberta 24 horas. Como é que surge esta ideia?
Surge por várias solicitações, nomeadamente as dos nossos próprios colaboradores. Já temos um grupo de 12 enfermeiros que colocaram essa questão. Mas, para além disso, também há outras pessoas de fora da instituição que trabalham por turnos e têm essa necessidade, pois não têm familiares com quem deixar os filhos. Trata-se de dar uma resposta que vai ao encontro de cada uma dessas pessoas. Como já demos o nosso primeiro passo, adquirimos o terreno — uma moradia unifamiliar num espaço bem centralizado, com boas acessibilidades e as melhores condições. Sonhámos com esse espaço e estamos a projetá-lo. Estamos todos empenhados para que se dê resposta a esse pedido que vem dos nossos cidadãos.
DL: E legalmente é possível?
É possível. Segundo o que já falei com o diretor regional, logo que se entenda que é necessário e útil, acho que as coisas podem avançar.
DL: O que é que falta?
Neste momento estamos a trabalhar no projeto e já tive várias reuniões. A capacidade é para 48 crianças. Já estamos a trabalhar na tipologia, a adaptar o edifício existente. Estou esperançado que, no ano de 2027, já existam condições para avançar com este equipamento. Também é preciso ver que temos um grande projeto em mãos, o CACI, que se vai inaugurar dentro de dois ou três meses. Compreendo que se tenha de fazer um agendamento de trabalho, porque não é fácil. Importa primeiro acabar o projeto de arquitetura e só depois arrancar com mais este grande investimento. O Instituto de Segurança Social já confirmou que há duzentas e tal crianças à espera de vaga, por isso, o primeiro passo está dado. O funcionamento durante 24 horas será depois reivindicado para que a creche seja diferenciada.
DL: E quanto ao Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI), o que é que falta?
Neste momento, faltam alguns acabamentos finais. Temos os equipamentos todos já em contentores para entrar. O único problema é o acesso: estamos a pavimentar as vias circundantes. Penso que, dentro de um mês e meio, já estará pronto para ser inaugurado.
DL: Com quantas valências é que a Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa vai ficar?
Ficará com nove valências, das quais quatro funcionam 24 horas por dia. Temos 96 colaboradores atualmente, vamos passar para uma média de 140 e atenderemos, por dia, uma média de 273 utentes. Estamos agora nas avaliações curriculares para contratar mais 42 pessoas. Isto inclui desde a infância à juventude e aos mais idosos. Daremos um salto grande no sentido de ir ao encontro das necessidades da nossa população.
DL: Recentemente, o Governo da República falhou com os pagamentos às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). De que forma isso afetou a instituição na Lagoa?
Tivemos alguns problemas, por exemplo, com o subsídio de Natal. Tivemos de recorrer à banca. A situação não foi fácil porque não temos grandes recursos nem rendimentos extra. Somos a única Santa Casa na ilha de São Miguel que não tem farmácia. Por isso, vivemos dos nossos protocolos e acordos com o Governo. Em qualquer intervenção, as coisas têm de ser bem estudadas. Os protocolos têm de ser ajustados e não se pode brincar, porque estamos aqui voluntariamente e não deveríamos estar preocupados se, ao chegar ao fim do mês, não temos financiamento. Faço este alerta às autoridades governamentais: têm de ter respeito e critérios definidos previamente para sabermos com o que podemos contar. Para a gestão da tesouraria, é muito complicado. O modelo de financiamento tem de ser bem estudado por um grupo de trabalho para que não existam desconfianças.
DL: Ainda há verbas a receber?
Sim, ainda temos algumas verbas a receber. O que digo é que as coisas têm de acontecer. As pessoas têm de olhar para o facto de estarmos aqui, dia a dia, a trabalhar desinteressadamente. Acho que deve haver maior atenção quanto ao financiamento.
DL: A continuidade do programa “Novos Idosos” era uma reivindicação sua. É positivo o facto de o projeto ter continuado?
Para quem vive na sua casa com qualidade, não há riqueza melhor. Estou satisfeito com o seu prolongamento até ao final de 2026. Agora, estou esperançado que isto ganhe um outro modelo para amadurecer. O projeto agora funciona como piloto, mas acho que têm de trabalhar durante este ano para criar um modelo já assente na realidade da nossa região.
DL: A instituição que ajudou a fundar celebrou 25 anos. Que balanço faz?
Um balanço bastante positivo e brilhante. Como é a mais jovem da região, teve um trajeto que nunca parou e temos projetos para o futuro. Além da creche, temos os Cuidados Continuados. Já adquirimos o terreno e estamos a trabalhar no projeto para mais 20 camas, o que criará mais emprego. Será a norte do nosso lar, que vai crescer. Terá uma particularidade única porque vamos rentabilizar: será a mesma cozinha, a mesma lavandaria e os mesmos serviços de apoio. Economicamente, será singular. É um balanço que me deixa muito orgulhoso. Todas as mesas administrativas que por aqui passaram trabalharam com espírito empreendedor. E a maior riqueza são os nossos colaboradores, pois as pessoas é que são a linha da frente. Isto é uma família e se não funcionar como tal, as coisas não andam.
DL: Quer deixar uma mensagem à comunidade?
A mensagem que quero deixar é que vamos continuar a trabalhar. O nosso compromisso está renovado nestes 25 anos. Quero incentivar as mesas administrativas que estão comigo para que deem seguimento a este trabalho. A nossa instituição é a maior do concelho e a que tem mais projetos sociais em carteira. Por isso, vamos todos dar as mãos. A comunidade está connosco e penso que todos reconhecem que estamos aqui para servir com espírito de entrega e compromisso.

O Teatro Micaelense apresentou, esta quinta-feira, 15 de janeiro, o programa das comemorações do seu 75.º Aniversário, que decorrem ao longo de 2026.
O momento principal destas comemorações é a apresentação, nos dias 31 de março e 1 de abril, de um espetáculo inédito, concebido e interpretado por artistas e criativos açorianos. Com direção artística de Isabel Albergaria Sousa e Maria João Gouveia, este espetáculo, cruza a música, a dança e o cinema, e é uma celebração do passado e do futuro da instituição.
No âmbito do Serviço Educativo, e numa parceria com o Estúdio 13, será apresentado, numa sessão para famílias, a 22 de março, e em várias sessões para escolas, ao longo do ano, um espetáculo-oficina, “Ponto de Encontro”, cocriado por Sara Lopes e João de Brito.
Até ao final do ano, será ainda publicado um livro evocativo dos 75 anos do Teatro Micaelense, coordenado por Isabel Albergaria Sousa, e apresentado “Teatro Micaelense – Um Ano Na Vida”, um registo audiovisual, por Fernando Resendes, com banda sonora de Ana Paula Andrade.
Já patente está a mostra fotográfica “À Luz Deste Tempo, O Tempo de Outras Luzes”, organizada pelo fotógrafo Fernando Resendes, que revisita fragmentos significativos da memória do Teatro Micaelense. A mostra, que está disponível até ao dia 12 de abril, pode ser visitada no foyer do Teatro Micaelense, de terça-feira a sábado, das 14h00 às 17h30, e 30 minutos antes do início dos espetáculos (para portadores de bilhete).
Projetado pelo arquiteto Raul Rodrigues de Lima, por iniciativa de Francisco Luís Tavares, diretor-delegado da Companhia de Navegação Carregadores Açorianos, e com o apoio da sociedade micaelense da altura, o Teatro Micaelense foi inaugurado a 31 de março de 1951. Serviu a ilha de São Miguel, durante cerca de quatro décadas, com uma programação regular. A partir de meados da década de 1980, a quebra de receitas que afetou os cineteatros um pouco por todo o mundo, a par da degradação do edifício, conduziram à inatividade e posterior encerramento.
Reabilitado pelo Governo Regional dos Açores, o Teatro Micaelense voltaria a reabrir ao público a 5 de setembro de 2004, reprojetado pelo arquiteto Manuel Salgado.
Os bilhetes para os espetáculos estarão à venda, a partir de dia 20 de janeiro, na bilheteira do Teatro Micaelense e em bol.pt.

O jornal A Crença, sediado em Vila Franca do Campo, irá celebrar o seu 110.º aniversário com um concerto e tertúlia no próximo dia 13 de dezembro. O evento terá lugar na Igreja Paroquial de São Pedro, em Vila Franca do Campo.
A celebração tem início às 19h00 com uma eucaristia em honra de Santa Luzia, no seu dia litúrgico.
Às 20h00, está previsto um concerto instrumental com a participação de elementos do Conservatório Regional de Ponta Delgada.
Seguir-se-á, às 20h20, uma tertúlia que contará com a intervenção de oradores convidados: o jornalista Osvaldo Cabral, o professor e investigador José Teixeira Dias, a doutoranda em jornalismo Maria Leonor Bicudo e Clife Botelho, diretor do Diário da Lagoa e colaborador d’A Crença. A moderação da conversa estará a cargo do padre José Borges, diretor do jornal vilafranquense.
O programa encerra às 21h00 com um convívio aberto a todos os presentes. O evento tem entrada livre.
Fundado em 1915 pelos padres Manuel Ernesto Ferreira e João de Melo Bulhões em Vila Franca do Campo, o jornal A Crença é atualmente um periódico mensal de inspiração católica.

O município do Nordeste promoveu um evento cultural de comemoração dos cinquenta anos de carreira literária do escritor João de Melo e de lançamento de uma obra editada pela autarquia e da autoria de Mafalda Vicente. Sob o título “As paisagens não existem sozinhas”, inspirado numa frase do livro “Açores: o segredo das ilhas”, do escritor João de Melo, foram dois dias dedicados à literatura, ao território e à paisagem.
Para a celebração das bodas de ouro da carreira literária do escritor João de Melo, natural do Nordeste, freguesia da Achadinha, vários convidados partilharam as suas experiências de trabalho baseadas na obra do autor, havendo ainda uma apresentação focada nos livros que compõem a vasta carreira literária do escritor.
Teresa Viveiros foi uma das convidadas com a apresentação do seu projeto “A mala pedagógica: João de Melo, de menino a escritor”, inspirado na história de vida de João de Melo, assim como Bárbara Mesquita, que foi ao Nordeste exprimir como as palavras de João de Melo a tocaram e ajudaram a desenvolver a sua tese de doutoramento sobre as paisagens da vinha da ilha de Santa Maria.
Zeca Medeiros, que em 2002 adaptou para televisão o romance “Gente Feliz Com Lágrimas”, retratando o drama de uma família açoriana marcada pela emigração e pelas feridas do passado, e de Urbano Bettencourt, amigo de longa data de João de Melo, com uma apresentação sobre os cinquenta anos de carreira literária do escritor João de Melo, também marcaram presença.
O evento cultural prosseguiu no sábado, com a apresentação do livro editado pela Câmara do Nordeste e da autoria de Mafalda Vicente, “Cronologias do Nordeste, Abordagem histórica e cronológica à evolução territorial do concelho”.
O vice-presidente da Câmara do Nordeste, Marco Mourão, destacou o valor da obra de Mafalda Vicente para a bibliografia do concelho do Nordeste e salientou o empenho e o brio que a autora, arquiteta na autarquia há vários anos, depositou neste livro e no trabalho que executa no município.
O escritor João de Melo, autor do prefácio, fez a apresentação da obra, e vários outros convidados integraram um debate, nesta mesma sessão, sobre “Paisagem, território e identidade: obstáculos e desafios da história local”.
Fizeram parte do painel, Nuno Costa, presidente da secção regional da Ordem dos Arquitetos, João Pedro Regalado, professor da Geografia na EBS do Nordeste, o escritor João de Melo, Mafalda Vicente, arquiteta na Câmara do Nordeste, Bárbara Mesquita, investigadora em Geografia Humana, e Rui monteiro, arquiteto paisagista.

A Associação de Emigrantes Açorianos (AEA) celebrou os seus 15 anos com uma gala comemorativa no concelho da Ribeira Grande, no passado dia 8 de novembro de 2025.
No seu discurso, durante a cerimónia, a presidente da AEA, Andrea Moniz-DeSouza disse que “onde houver um açoriano, há um pedaço dos Açores, e nós nos orgulhamos de manter esses laços vivos”.
“Acreditamos profundamente que a Associação de Emigrantes Açorianos representa um braço essencial do trabalho do Governo junto das nossas comunidades na diáspora. Somos aqueles que estão no terreno, que conhecem e viveram a experiência da emigração, que escutam e entendem diretamente as necessidades, desafios e sonhos dos nossos emigrantes” sublinha a responsável.
Andrea Moniz-DeSouza destaca que “ao longo destes 15 anos, a nossa Associação tem sido muito mais do que um nome, uma sede ou um conjunto de estatutos. Tem sido um abraço que atravessa oceanos.
Tem sido uma voz que lembra aos nossos emigrantes que nunca deixaram de pertencer”.
A responsável agradeceu os apoios e parcerias que a associação tem com as mais diferentes instituições, nomeadamente com o Governo regional dos Açores e com a câmara municiapal da Ribeira Grande.
O presidente da câmara municipal da Ribeira Grande, Jaime Vieira, sublinhou que “15 anos de uma associação são motivo de orgulho, o mais importante nas associações é mantê-las em aberto e esta associação tem vindo ao longo dos anos significando aquilo que é a sua verdadeira essência porque como todos nós sabemos os emigrantes são sempre a outra face da mesma moeda. A moeda Açores tem aqueles que estão concentrados nesta área pequena geograficamente, no meio do Atlântico, e tem muita gente espalhada pelos vários cantos do mundo”.
“Andrea, tudo irei fazer para que tu tenhas o melhor presente que eu te possa dar, que é recuperar a antiga sede da associação dos emigrantes que eu sei que é um sonho teu”, prometeu o autarca.
No seu discurso, o diretor regional das comunidades, José Andrade, sublinhou “que faz todo o sentido termos uma associação como esta nos Açores porque somos e sempre fomos uma terra de emigrantes”. O governanente destacou ainda que “os Açores só ficam completos com a sua décima ilha por isso tinha que existir uma associação de emigrantes açorianos”.

Pensar, questionar e falar sobre o jornalismo local foi um dos motes do “II Encontro Dos Açores para o Mundo” que pretendeu assinalar o 11º aniversário da edição impressa do Diário da Lagoa (DL). O evento realizou-se no OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores no passado dia 4 de outubro e contou com a presença de mais de três dezenas de pessoas. Como convidados, Catarina Rodrigues, professora e investigadora de Ciências da Comunicação na Universidade dos Açores, Eduardo Marques, professor e investigador na área de Serviço Social na Universidade dos Açores, Roberto Medeiros, cronista do DL e Clife Botelho, diretor do DL, numa conversa moderada pelo jornalista e escritor Ígor Lopes.
“Este jornal é serviço público e como serviço público está a trabalhar para o bem comum, para a educação, para uma cidadania informada, está a trabalhar para aumentar a literacia. Quanto é que custa ter uma população desinformada, uma população que não vota, que não participa, uma população com baixos níveis de literacia?”, questionou Eduardo Marques. O docente entende que “deveria haver um outro olhar por parte dos políticos e das políticas públicas sobre esta necessidade deste jornalismo de base cidadã que está aqui para promover o bem comum, para educar, para ajudar as pessoas a terem uma leitura do mundo”.

O diretor do DL, Clife Botelho, para além de concordar que “é preciso mais apoios do Governo regional” para os órgãos de comunicação social da região, diz que “há uma proximidade muito grande que as pessoas só encontram em jornais deste tipo. A comunidade dá vida a estes jornais”.
Já a docente e investigadora Catarina Rodrigues alertou para o perigo dos desertos de notícias: “os meus colegas, através de um estudo, constataram que metade dos concelhos do país estavam em vias de ser considerados desertos de notícias. Ou seja, é um número muito significativo, preocupante, não tendo nenhum meio de comunicação que os represente, nomeadamente em termos de escrutínio, com informação relevante, proximidade com as comunidades. Esse espaço que fica deserto acaba por ser ocupado por outras formas de comunicação nas redes sociais, que não obedecem de todo as normas éticas e deontológicas do jornalismo que são fundamentais do ponto de vista da profissão e da aproximação à comunidade e no âmbito de uma cidadania ativa”.

O cronista mais antigo do DL, Roberto Medeiros, contou que quando começou a escrever “para o Diário da Lagoa, a minha primeira rubrica era sobre a Voz do Passado, em que contava a História. Ninguém pode prever o futuro sem estudar o passado. Depois de ler todos os 13 jornais que a Lagoa já teve [o DL é o décimo quarto], comecei a trazer para as páginas do Diário da Lagoa aquilo que tinha lido que tinha sido importante”.
Esta sessão comemorativa dos 11 anos do DL ficou ainda marcada pela homenagem ao fundador do jornal, Norberto Luís, que por razões pessoais e familiares não pôde estar presente, bem como à tipografia Esperança, que foi o primeiro local onde foi impresso o DL. Roberto Medeiros também foi homenageado com a compilação de todas as suas crónicas em formato A3, entregues ao autor.
A sessão também serviu para inaugurar a exposição do DL com as principais capas do jornal dos últimos 11 anos, uma exposição que será itinerante por várias instituições do concelho e depois rumará à diáspora açoriana, nos Estados Unidos da América.