
No próximo sábado, 13 de dezembro, será inaugurado no Convento de Santo António, na freguesia de Santa Cruz, na Lagoa, um conjunto de três novas exposições de artes visuais, com início marcado para as 17h30, anunciou a Câmara Municipal. O evento será seguido por uma homenagem ao bonecreiro Emanuel Maré, pela sua contribuição na criação do Presépio Tradicional da Lagoa.
Segundo nota de imprensa enviada às redações pela autarquia lagoense, as exposições apresentam diferentes linguagens artísticas. A mostra “Esperar,” de Kol de Carvalho, assinala a primeira exposição fotográfica no concelho deste arquiteto e fotógrafo, residente na Lagoa desde 1999, que possui obras de referência na paisagem urbana local e um percurso na área desde 1968. Já a exposição “Cerâmicas: Uma Retrospetiva,” de Isabel Silva Melo, evidencia o percurso da artista licenciada em Artes Plásticas que utiliza a cerâmica como sua principal forma de expressão, revelando variadas temáticas ao longo da sua carreira. Por fim, “RAÍZES,” de Paula Araújo, que se dedica à criação de peças artesanais, apresenta trabalhos que se focam na temática da família, sendo a artista conhecida pelo projeto «Marias».
Após a inauguração das mostras, será prestada a homenagem a Emanuel Maré com a projeção de um vídeo dedicado ao seu papel fundamental na criação do Presépio Tradicional da Lagoa, peça que está patente ao público no Convento de Santo António desde dezembro de 2022. O presépio destaca-se pelas suas 1.125 figuras de barro, todas concebidas e moldadas à mão, que representam as vivências populares açorianas e as caraterísticas da paisagem micaelense. A obra abrange costumes, tradições, manifestações religiosas, a apanha de chá, a atividade piscatória e as caldeiras das Furnas. O trabalho de Maré justifica o título de “Lagoa Cidade Presépio” e homenageia os bonecreiros locais.
As exposições e o Presépio Tradicional de Emanuel Maré poderão ser visitados até ao dia 4 de janeiro. Os horários são: das 09h30 às 13h00 e das 14h00 às 17h30 nos dias úteis, e das 16h00 às 21h00 nos fins de semana e feriados. Nos dias 24, 25 e 31 de dezembro de 2025 e dia 1 de janeiro de 2026, o Convento de Santo António estará encerrado. Após 5 de janeiro, as exposições continuam a poder ser visitadas nos dias de semana nos horários da manhã e tarde.

O músico vem do município de Ourém e o seu percurso musical inicia numa banda filarmónica, já aos oito anos. “Foi o meu primeiro contacto com a música”, diz Tiago, que começou a tocar oboé e bateria desde criança, passando também pelo conservatório, onde tocou piano.
A sua admiração pelo oboé inicia na banda filarmónica, “fiquei fascinado com o som”, explica, acrescentando que, nessa altura, ainda não era uma decisão tomada, a de seguir esse caminho. O artista começou por “explorar” e chegou a fazer parte “das típicas bandas de escola” durante a adolescência, onde tocava bateria, não deixando o oboé de lado.
Os seus estudos foram feitos no conservatório e, a dada altura, Tiago ponderou ser veterinário. É durante essa época que vem para os Açores realizar um ano sabático. “Fi-lo na Terceira, em Angra do Heroísmo, porque lá tinha veterinária”, explica ao DL.
Após um tempo, o artista percebe que seguir música era efetivamente o seu caminho, e realiza “provas” para as “Escolas Superiores de Música, de Lisboa e do Porto”. Acaba por escolher ingressar na Academia Nacional Superior de Orquestra, “na Metropolitana, em Lisboa”, onde tocava “oboé clássico”.

Após terminar os estudos, Tiago revela ter ainda incertezas sobre o futuro. Aos 24 anos começa por trabalhar numa “escola de artes ligada ao Festival de Músicas do Mundo”. Confessa que foi por esta altura que se começou a organizar em volta do oboé. Durante quatro anos lá ficou, e também montou com amigos um grupo onde tocavam instrumentos “ditos populares e eruditos”. Chegaram a fazer concertos e a tocar “no Festival de Músicas do Mundo”. Os próximos quatro anos da sua vida seriam passados no Brasil.
Tiago viaja para São Paulo, “a princípio”, à procura “do que fazer com a sua vida”. O artista tem aí a oportunidade de interagir com músicos do Circuito de Improvisação Livre de São Paulo, de gravar CDs instrumentais com outros artistas e teve ainda um trabalho de coordenação artístico-pedagógica para o maior projeto sociocultural do Brasil, o “Guri”. O não querer “viver numa cidade grande” foi um dos principais motivos que o fizeram regressar a Portugal.

Após o Brasil, é no Faial que escolhe passar os próximos tempos, de onde partia, “todos os sábados”, de barco, até às Lajes do Pico para dar aulas de oboé. Cria ainda o grupo de improvisação B.I.F (Bando de Improvisação do Faial), para a “criação de música em tempo real, com linguagem gestual” e lança uma pequena obra intitulada de “Cryptoneveda”. Tiago passou também por São Miguel, onde tocou na Sinfonietta de Ponta Delgada, durante uma semana.
É em São Jorge que vive atualmente, há três anos, e acredita que seja onde vá ficar. Neste momento, dá aulas a “algumas filarmónicas” e trabalha na elaboração do projeto que pretende levar a outras ilhas: a “Caravana dos Sons”, que consiste no transporte da sua música, a vários sítios, na sua carrinha. “A questão é que o município não precisa de montar a estrutura. Eu levo-a toda comigo”, explica.
Foi em abril que Tiago regressou a São Miguel e levou ao Mini Tremor, na Lagoa, o seu projeto “Oboé com Asas”. Tiago diz influenciar-se pelo ambiente onde toca e, mais do que isso, pelas expressões das pessoas que o ouvem.
Move-se pela liberdade que lhe traz a música e, num futuro próximo, deseja poder “tocar mais”, levando a sua arte a mais horizontes.