
Na próxima quinta-feira, dia 7, às 10h00, o Ilhéu de Vila Franca do Campo vai receber uma equipa de investigadores da área da biologia, arqueologia, história, museologia e património natural, numa visita que servirá de arranque para um projeto que visa a “valorização e interpretação do património cultural e natural deste espaço”, segundo comunicado. Na origem desta iniciativa está o arqueólogo Diogo Teixeira Dias, cuja tese de doutoramento se centra na musealização do ilhéu enquanto paisagem cultural.
Diogo Teixeira Dias, de 35 anos, é natural de Coimbra, mas vive nos Açores desde os 25 anos. Neste momento é doutorando em Património Cultural e Museologia na Universidade de Coimbra e quer criar condições para ser construído um centro interpretativo para o Ilhéu de Vila Franca do Campo, à semelhança do que existe no Faial, com o Vulcão dos Capelinhos, e nas Furnas.
Note-se que o Ilhéu de Vila Franca do Campo está encerrado para banhos devido a resultados negativos na qualidade da água. “A situação atual de interdição catalisou este processo, mas também veio reforçar a pertinência de apresentar uma alternativa da fruição do ilhéu além da balnear”, explica Diogo Teixeira Dias ao Diário da Lagoa, ao mesmo tempo que destaca: “O ilhéu tem um conjunto de bens de interesse histórico, arqueológico, cultural e etnográfico.”
Além disso, o arqueólogo acredita que muita gente tem a ideia de que o ilhéu é uma “paisagem intocada” quando, na verdade, “é profundamente humanizada”, uma vez que a vegetação que hoje existe naquele espaço foi “praticamente toda lá plantada”, exemplifica, o que “enriquece as histórias que podemos contar sobre ele e não o desvaloriza”.
O projeto, para o qual já foram realizadas visitas de observação, conta com o apoio da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo. Nesta visita técnica prevê-se que marquem também presença representantes de instituições académicas, incluindo da Universidade de Coimbra e da Universidade dos Açores, e culturais regionais e nacionais.

Daniela Silveira cresceu na freguesia da Conceição, em Angra do Heroísmo, filha de mãe natural de Santa Bárbara e de pai da Praia da Vitória, passou grande parte da sua juventude num ambiente citadino.
“A família do meu pai é muito diferente da da minha mãe”, conta. A forte ligação da sua família paterna à Base das Lajes fez Daniela crescer com uma forte influência americana. “A minha avó era empregada doméstica dos americanos e a minha tia era babysitter dos seus filhos. Quando eu ia a casa da minha avó, era tudo americano, desde os alimentos aos eletrodomésticos”, diz. O contacto com o jazz, que viria a ser o tema do seu primeiro projeto, começou, precisamente, nos bailes que frequentava na Base das Lajes.
Inicialmente,
Inicialmente, Daniela Silveira começou por se formar “na área de Direito”, frequentando uma licenciatura de quatro anos no Porto, mas enveredou pela área de gestão de empresas. Começa profissionalmente na área da cultura em 2012, dando asas àquele que viria a ser o seu primeiro projeto, o “+Jazz”, que, mais tarde, se torna num festival internacional. Rapidamente, Daniela percebeu que queria fazer da cultura a sua vida profissional.
O +Jazz nasce com o objetivo de dar palco aos músicos locais esquecidos dos festivais internacionais de jazz realizados na ilha Terceira. “Eu queria criar um palco onde estes artistas pudessem apresentar os seus trabalhos”, explica. Uma das suas grandes intenções era também a de levar este estilo musical aos “bares e restauração local”. Daniela refere que, inicialmente, os apoios ao +Jazz foram “residuais”, mas ainda assim suficientes para manter o projeto de pé. O festival ganha “outra visibilidade” quando se muda para Angra do Heroísmo, levando o capitão Pedro Horta a sugerir o “revivalismo” dos bailes de jazz da Base das Lajes, como os que Daniela frequentava em criança.
Com o surgimento do +Jazz, os “projetos locais relacionados” a esta área passaram a ser promovidos pelo festival que, ao longo do tempo, foi transportado a “outras ilhas”. Com uma duração de dez anos, o +Jazz encontra-se atualmente “adormecido”.
Durante os dez anos do +Jazz, Daniela envolvia-se, paralelamente, em outras atividades. Foi colaboradora de diversas entidades ligadas à cultura. Passou pelo Cine Clube da Ilha Terceira, pelo Museu de Angra do Heroísmo e fez parte da direção do Instituto Açoriano da Cultura, mas desenvolvia, ao mesmo tempo, os seus “próprios projetos”. Sentia que não se “revia no perfil de funcionária pública”, preferindo a liberdade de “diversificar”, trabalhar “com equipas e projetos diversos” e fazer o seu “próprio horário”.
Em 2019 nasce a associação “Get Art”, por iniciativa de Daniela Silveira, com o objetivo de agregar e promover festivais musicais, como o festival “Lava” que surge, também em 2019, na ilha do Pico. “A Get Art é o amadurecimento de sete anos de trabalho, quando eu já começava a perceber a dinâmica de gerir uma associação cultural”, afirma Daniela.
Daniela reconhece que o mais difícil de ter uma associação é “mantê-la” a funcionar. Sem funcionários fixos, a Get Art funciona com profissionais em “regime de prestação de serviços e a gestora cultural confessa que, “durante muito tempo”, se sentia sobrecarregada por estar “em todas as frentes”. Hoje, o trabalho é dividido por uma “pequena comunidade”, fundamental para o desempenho da associação. Ao tornar-se mãe em 2019, surgiu a necessidade de adaptar o seu horário de trabalho, contudo com a maternidade surgiu também a exploração de novas perspetivas profissionais.
Um dos projetos mais queridos a Daniela Silveira é o “Atitude”. Criado em conjunto com colegas, o Atitude começa por ser desenhado para uma candidatura para a fundação “Calouste Gulbenkian” no âmbito do programa “Parties & Art for Change”, envolvendo “a arte direcionada a um público com deficiência física cognitiva”, diz. O projeto, apesar de finalista, não recebeu o financiamento, mas foi levado pela Get Art a nível regional. Aprovado pela Direção Regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social, o Atitude arranca com “duas residências artísticas” na ilha Terceira, em colaboração com a Associação Cristã da Mocidade (ACM) e com o Centro de Apoio à Deficiência (CAD).
Ganhando maior proporção, o projeto expandiu-se para São Miguel, com o apoio da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), bem como para a ilha do Pico. Com a elevada procura e a dificuldade em atender a toda esta, surge o Guia de Boas Práticas de Inclusão Através da Arte, com toda a “metodologia necessária para a organização de um projeto de inclusão social”. “Eu desenho um projeto, mas depois disso, ele deixa de ser só meu. A ideia só se vai desenvolver com outras pessoas”, acrescenta Daniela.
Daniela Silveira finaliza a entrevista ao nosso jornal com a partilha de um dos projetos no qual tem vindo a trabalhar há alguns anos, mas de que nunca desistiu. Preocupada com o “desaparecimento de algumas estruturas”, a gestora cultural começa a desenvolver um mapeamento sobre os “Coretos dos Açores” em 2019, que só viu aprovada a sua candidatura em 2024. O objetivo final é salvaguardar este património cultural, através da recolha de informação com uma “forte componente científica”, diz.
A sua resiliência, otimismo e a vontade de se enquadrar em novas e diversas experiências, acompanham Daniela na sua vida profissional que é, há mais de dez anos, marcada pela dedicação à cultura.

A Câmara Municipal da Madalena, através da Biblioteca Auditório da Madalena, e a Junta de Freguesia de Candelária, na ilha do Pico, receberam o contador de histórias autor e contador de histórias, Terry Costa, para comemorar o Dia Internacional do Livro Infantil, segundo nota de imprensa da MiratecArts.
Na manhã do dia 2 de abril, terça-feira, na Biblioteca Auditório da Madalena, participaram nas atividades as crianças da Ludoteca e do ATL Toledos.
Além de livros ilustrados e contos da coleção de grande porte da editora Néveda Ent., as crianças participaram num jogo de leitura, em cinco línguas, com o livro “Néveda nos Açores”, que está publicado em português, inglês, francês, espanhol e italiano, de acordo com o comunicado. Segundo o contador de histórias, “não só foram as crianças participativas como leram e ouviram uma das suas histórias favoritas em várias línguas.”
O dinamizador cultural Terry Costa considera que “este programa é muito enriquecedor para o desenvolvimento dos mais novos na nossa sociedade. Cada vez mais temos que incentivar este tipo de atividade no nosso meio, não só porque somos uma ilha multicultural, mas também em preparação para conquistar o mundo além arquipélago.”