
A exposição dos 11 anos do lançamento da edição impressa do Diário da Lagoa (DL) que esteve patente no mês de outubro no Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA), na cidade da Lagoa, foi visitada por 425 pessoas, segundo dados recolhidos pelo OVGA.
A seleção de capas e páginas soltas do DL dos últimos 11 anos está agora na Escola Secundária de Lagoa desde o primeiro dia de novembro e podem ser visitadas pelos alunos e comunidade educativa escolar durante o horário de funcionamento da escola.
A exposição vai também rumar aos Estados Unidos da América através do cronista mais antigo com presença regular no DL, Roberto Medeiros, que irá expor a seleção de primeiras páginas dos jornais dos últimos 11 anos no Portugalia MarketPlace, em Fall River, e também na Biblioteca da Casa da Saudade, em New Bedford, Massachussets.
Nessa mesma mostra serão ainda integradas igualmente todas as crónicas que Roberto Medeiros escreveu até à data, perfazendo um total de 83 páginas.

Pensar, questionar e falar sobre o jornalismo local foi um dos motes do “II Encontro Dos Açores para o Mundo” que pretendeu assinalar o 11º aniversário da edição impressa do Diário da Lagoa (DL). O evento realizou-se no OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores no passado dia 4 de outubro e contou com a presença de mais de três dezenas de pessoas. Como convidados, Catarina Rodrigues, professora e investigadora de Ciências da Comunicação na Universidade dos Açores, Eduardo Marques, professor e investigador na área de Serviço Social na Universidade dos Açores, Roberto Medeiros, cronista do DL e Clife Botelho, diretor do DL, numa conversa moderada pelo jornalista e escritor Ígor Lopes.
“Este jornal é serviço público e como serviço público está a trabalhar para o bem comum, para a educação, para uma cidadania informada, está a trabalhar para aumentar a literacia. Quanto é que custa ter uma população desinformada, uma população que não vota, que não participa, uma população com baixos níveis de literacia?”, questionou Eduardo Marques. O docente entende que “deveria haver um outro olhar por parte dos políticos e das políticas públicas sobre esta necessidade deste jornalismo de base cidadã que está aqui para promover o bem comum, para educar, para ajudar as pessoas a terem uma leitura do mundo”.

O diretor do DL, Clife Botelho, para além de concordar que “é preciso mais apoios do Governo regional” para os órgãos de comunicação social da região, diz que “há uma proximidade muito grande que as pessoas só encontram em jornais deste tipo. A comunidade dá vida a estes jornais”.
Já a docente e investigadora Catarina Rodrigues alertou para o perigo dos desertos de notícias: “os meus colegas, através de um estudo, constataram que metade dos concelhos do país estavam em vias de ser considerados desertos de notícias. Ou seja, é um número muito significativo, preocupante, não tendo nenhum meio de comunicação que os represente, nomeadamente em termos de escrutínio, com informação relevante, proximidade com as comunidades. Esse espaço que fica deserto acaba por ser ocupado por outras formas de comunicação nas redes sociais, que não obedecem de todo as normas éticas e deontológicas do jornalismo que são fundamentais do ponto de vista da profissão e da aproximação à comunidade e no âmbito de uma cidadania ativa”.

O cronista mais antigo do DL, Roberto Medeiros, contou que quando começou a escrever “para o Diário da Lagoa, a minha primeira rubrica era sobre a Voz do Passado, em que contava a História. Ninguém pode prever o futuro sem estudar o passado. Depois de ler todos os 13 jornais que a Lagoa já teve [o DL é o décimo quarto], comecei a trazer para as páginas do Diário da Lagoa aquilo que tinha lido que tinha sido importante”.
Esta sessão comemorativa dos 11 anos do DL ficou ainda marcada pela homenagem ao fundador do jornal, Norberto Luís, que por razões pessoais e familiares não pôde estar presente, bem como à tipografia Esperança, que foi o primeiro local onde foi impresso o DL. Roberto Medeiros também foi homenageado com a compilação de todas as suas crónicas em formato A3, entregues ao autor.
A sessão também serviu para inaugurar a exposição do DL com as principais capas do jornal dos últimos 11 anos, uma exposição que será itinerante por várias instituições do concelho e depois rumará à diáspora açoriana, nos Estados Unidos da América.

O OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, no lugar da Atalhada, na cidade da Lagoa, vai acolher a segunda edição do “Encontro dos Açores para o Mundo”, a 4 de outubro, que este ano marca a celebração dos 11 anos do lançamento da edição impressa do Diário da Lagoa.
No primeiro sábado de outubro, das 16h30 às 17h30, no edifício do OVGA, na Avenida Vulcanológica, n.º 5, serão debatidos temas como Jornalismo e Liberdade de Imprensa, Sustentabilidade e Ambiente, bem como o papel do jornal local na promoção da leitura. O fundador do Diário da Lagoa, Norberto Silveira Luís, cerca de seis anos depois de ter regressado a São Jorge, vai voltar a São Miguel para participar na iniciativa.
Nuno Pereira, em representação do OVGA, fará o discurso de abertura para depois o jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes iniciar a moderação da sessão.
A sessão conta com os oradores: Norberto Silveira Luís, fundador do Diário da Lagoa, Catarina Rodrigues, professora na área de Ciências da Comunicação na Universidade dos Açores e investigadora da Universidade da Beira Interior, Eduardo Marques, professor na área de Serviço Social e investigador na Universidade dos Açores, e Clife Botelho, diretor do Diário da Lagoa.
Depois, das 17h30 às 18h00, o cronista Roberto Medeiros irá apresentar a exposição que ficará patente no OVGA, enquanto será servido chá, biscoitos e bolo num momento de conversa e descontração. A mostra será itinerante por instituições do concelho. A entrada é livre e aberta a todos.