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Bolieiro desafia Montenegro para “revisão ampla e profunda” da Lei das Finanças Regionais

© HUGO MOREIRA

O presidente do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, desafiou ontem, 27 de outubro, o líder nacional do partido e primeiro-ministro, Luís Montenegro, para que se promova uma “revisão ampla e profunda” da Lei das Finanças Regionais, segundo nota de imprensa enviada pelo PSD/Açores.

O líder social-democrata açoriano discursava na sessão de encerramento do 26.º Congresso Regional do PSD/Açores, no Pavilhão do Mar, em Ponta Delgada. “A revisão da Lei das Finanças das Regiões Autónomas é um processo complexo”, que “não deve ser lento e empatado”, advertiu José Manuel Bolieiro, desafiando Montenegro a “assumir este assunto como prioritário e urgente”.

José Manuel Bolieiro alertou para a necessidade de “adequar o financiamento das Autonomias às necessidades de desenvolvimento dos territórios e dos povos em causa”, para que “o Estado assuma as responsabilidades que tem para com todos os cidadãos do país, designadamente e especialmente em matérias de serviços de educação e de saúde”, pode ler-se, na nota.

Nesse sentido, o líder social-democrata açoriano considerou que o processo deve arrancar já no Orçamento do Estado para 2025, “com diálogo e a satisfação justa das necessidades de financiamento das Regiões Autónomas”, frisou.

José Manuel Bolieiro manifestou, por outro lado, a sua satisfação com o cumprimento do Governo da República no que toca ao “pagamento de 45 milhões de euros em dívida, desde 2021, relativos à comparticipação da despesa com a recuperação da calamidade provocada pelo furacão Lorenzo”.

De acordo com o mesmo comunicado, por seu turno, o presidente do PSD nacional e primeiro-ministro, Luís Montenegro, comprometeu-se com “uma nova Lei das Finanças Regionais justa e previsível” para com as regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

O líder social-democrata açoriano e presidente do Governo da Coligação (PSD/CDS/PPM) solicitou, por sua vez, “ao Governo de Portugal melhor compreensão do valor do mar e da gestão conjunta e partilhada da sua dimensão, com os Açores e a Madeira”.

Entretanto, lamentou a declaração de inconstitucionalidade “de algumas normas introduzidas no início do ano de 2021 na chamada ‘Lei do Mar’, que revelam a interpretação restritiva e centralista de alguns juízes do Tribunal Constitucional”. “É oportuno reafirmar que temos um entendimento diverso da decisão explanada pelo Tribunal Constitucional no seu Acórdão relativo à Lei de Bases do Mar”, salvaguardou Bolieiro, citado na mesma nota.

Para José Manuel Bolieiro, “as Regiões Autónomas devem ser observadas, compreendidas e respeitadas não só como regiões de necessidades, mas sobretudo como regiões de oportunidades para o país”, lembrando ainda que “Portugal é um Estado com uma das maiores zonas económicas exclusivas do mundo”, para o qual “os Açores contribuem de forma determinante para essa dimensão marítima e atlântica do País”.

O líder social-democrata açoriana destacou também que “o vasto espaço marítimo das nove ilhas, correspondente a uma área total de quase um milhão de quilómetros quadrados, detém uma multiplicidade de recursos naturais e é percecionado como um vetor estratégico, importante no desenvolvimento socioeconómico dos Açores e, assim, de Portugal”.

José Manuel Bolieiro acentuou ainda que “Portugal na Europa vale mais com os Açores. A Europa no mundo vale mais com os Açores”.

Para tal, e para que “o País consiga vingar com os seus interesses marítimos”, impõe-se sobretudo “vontade política, liderança, influência internacional, conhecimento científico, capacidade tecnológica, e capacidade de gestão, monitorização e fiscalização”.

Por fim, José Manuel Bolieiro solicitou apoio a Luís Montenegro para “a futura instalação da sede europeia do Observatório Europeu do Mar Profundo, a ser localizado nos Açores, no Faial”.

O presidente do PSD nacional e primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, presente também na sessão de encerramento do 26.º Congresso Regional do PSD/Açores, aproveitou a ocasião para anunciar a redução de 10 por cento (%) das tarifas aéreas para residentes e estudantes entre os Açores e continente e em 33% entre as regiões autónomas.

Ou seja, um residente que paga hoje um preço máximo de 134 euros, vai passar a despender 119 euros para se deslocar, em viagem de ida e volta, ao continente português e vice-versa. O estudante que desembolsa 99 euros vai passar para 89 euros. As ligações com a Madeira ficam a 79 euros. “Vamos simplificar os procedimentos, vamos pagar mais rápido”, garantiu.