
É engenheiro Civil de formação, tendo exercido funções no setor privado e no público até outubro de 2014, ano em que assumiu funções de diretor regional da Solidariedade Social e, depois, em 2016, de diretor regional das Obras Públicas e Comunicações. Em 2021, foi eleito pela lista liderada pela socialista Cristina Calisto, com o objetivo de “desenvolver um projeto autárquico para uma década”. Após três anos como vice-presidente, assumiu a presidência da autarquia lagoense, no passado dia 1 de janeiro, e agora diz que o faz “com muito orgulho e sentido de responsabilidade”.
DL: Como nasceu o seu interesse pela política?
A política sempre fez parte da minha vida, por influência dos meus pais, despertando em mim o interesse pelo exercício de funções que permitem ter a capacidade de influenciar positivamente a vida das pessoas. A minha primeira experiência foi como deputado na Assembleia Municipal de Lagoa, há mais de 12 anos. Agora, como presidente da câmara municipal de Lagoa, tenho a oportunidade de fazer ainda mais pelo meu concelho e por todos os lagoenses.
DL: Quais são as prioridades do executivo camarário até às próximas autárquicas?
Os primeiros três anos do atual mandato foram importantes no cumprimento de alguns objetivos e compromissos, nomeadamente, a inauguração do Auditório Ferreira da Silva, na Vila de Água de Pau; a requalificação da estrada de Portugal e das Comunidades e da Fonte Velha, na freguesia do Cabouco; a construção da nova via junto ao Convento de Santo António, a inauguração do Pavilhão Professor Jorge Amaral, a requalificação da zona sul da baía de Sta. Cruz; a inauguração do GAM do Rosário, a requalificação da Rua 25 de Abril, a criação de mais de 150 novos lugares de estacionamento no concelho, entre outros compromissos cumpridos. No entanto, foram também três anos de planeamento e preparação do futuro, sendo que pretendemos até às próximas autárquicas proceder à requalificação da Praça Dona Amélia Faria e Maia, da zona da Matinha no Tecnopaque, do bar e receção do complexo municipal de piscinas da Lagoa, a instalação de parques infantis e equipamentos de desporto no concelho, dar início à requalificação da zona norte da Baía de Santa Cruz, instalar o novo relvado no Campo Municipal Mestre José Costa Leste, na Vila de Água de Pau, bem como a criação de mais 150 novos lugares de estacionamento, entre outros projetos e intervenções socioculturais, desportivas e de âmbito habitacional no concelho.
DL: Após as autárquicas, assumindo que será candidato, o que considera que falta resolver nas cinco freguesias do concelho?
Desde logo, dar seguimento aos projetos candidatados ao PO2030, nomeadamente a Requalificação e Reforço da Frente Marítima da Cidade de Lagoa, a construção de uma nova ETAR, a construção da nova adutora e sistema de abastecimento de água e a requalificação da Escola Marquês Jácome Correia. Por outro lado, concluir todos os investimentos relacionados com habitação social, previstos no PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] para agregados com graves carências habitacionais e económicas. Apesar deste ser um projeto de continuidade, tenho agora a oportunidade de trabalhar no sentido de consolidar a Lagoa como um concelho coeso e de futuro, com infraestruturas, serviços, habitação, educação, saúde, cultura e desenvolvimento económico, que permitem os Lagoenses viverem com mais qualidade, sem que para tal tenham de sair do seu concelho e das suas freguesias.
A descentralização de serviços e atividades, o reforço e melhoria da mobilidade, criação de novos espaços públicos, reforço das respostas sociais para crianças e idosos e a construção de habitação acessível a agregados jovens que trabalham, são algumas das prioridades, que foram planeadas e projetadas durante o atual mandato e que estão em condições de serem concretizadas durante os próximos anos.
DL: O Tecnoparque continua a crescer. E depois de todos os lotes serem preenchidos para onde e como se pode desenvolver a cidade naquela zona?
O Tecnoparque provou ser um projeto visionário e cujo sucesso é inegável. Neste momento, todos os lotes encontram-se comprometidos, quer os habitacionais quer os empresariais, pelo que em breve serão concretizados no atual Tecnopaque novos projetos relacionados com a saúde, inovação e tecnologia, com qualidade e dimensão considerável, assim como novas zonas comerciais. Por essa razão, a câmara municipal de Lagoa já deu início aos procedimentos para a sua ampliação para uma área adjacente com mais de 70 mil metros quadrados, que irá permitir o desenvolvimento da cidade, nomeadamente através de disponibilização de habitação acessível a agregados jovens.
DL: O incêndio no Sul Villas, em Santa Cruz, demonstra a necessidade de uma cidade como a Lagoa em ter bombeiros. Porquê a opção de um posto avançado em vez de bombeiros sediados na Lagoa?
Julgamos que uma Secção Destacada, como há por exemplo nos Ginetes, é uma solução equilibrada, exequível e, nesse momento, a mais adequada aos recursos existentes para servir os interesses da Lagoa. A nossa localização geográfica, equidistante entre Ponta Delgada, Ribeira Grande e Vila Franca do Campo, permite-nos tirar proveito das três corporações existentes nesses concelhos, aliás como aconteceu no recente incêndio no Sul Villas. Isto não significa que não seja pertinente e útil, para todo o concelho de Lagoa e para as freguesias adjacentes, a criação de uma Secção de Bombeiros na cidade de Lagoa, equipada com meios de primeira intervenção e socorro, capaz de auxiliar rapidamente e de forma mais eficiente a nossa população. No entanto, não descartamos um cenário alternativo, que poderá passar pela criação de uma associação com origem e sede no concelho, caso tal se justifique ou se torne necessário e viável.
DL: O que está a ser feito para que a Lagoa tenha o posto avançado de bombeiros e o porquê da demora?
A Câmara Municipal de Lagoa tem vindo a manifestar, por diversas vias, junto de todas as entidades com responsabilidades nesta matéria, nomeadamente junto do Governo regional dos Açores e da própria Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada e Lagoa, a necessidade de uma Secção Destacada de bombeiros na cidade de Lagoa. Para esse fim, adquirimos e já disponibilizámos equipamentos, viaturas, uma área significativa de terreno e instalações, de forma que esta pretensão possa ser concretizada. Estamos, assim, convictos de que, em breve, será possível dar passos consequentes em relação a este objetivo, até porque somos uma das câmaras que, per capita, mais apoia os Bombeiros.
DL: Este mês o nosso jornal celebra 11 anos. Numa altura em que o jornalismo atravessa uma crise de modelo de negócio, considera que é importante para o concelho o papel que desempenha o Diário da Lagoa?
Numa altura em que as informações tendenciosas e falsas são cada vez mais frequentes nos meios de comunicação, um jornal idóneo é, sem dúvida, algo que faz falta. Na minha opinião, o Diário da Lagoa tem conseguido manter um nível de qualidade informativa que o credibiliza, sendo, sem dúvida, um meio privilegiado para divulgar as atividades camarárias de interesse municipal. Assim, desejo que venham, pelo menos, mais 11 anos de Diário da Lagoa e que continuem a ver na câmara municipal um parceiro para o vosso desenvolvimento.
DL: Quer deixar uma mensagem aos lagoenses?
Quero aproveitar esta oportunidade para transmitir uma mensagem de conforto e confiança no futuro a todos os lagoenses. É minha intenção e compromisso, juntamente com os meus colegas do executivo e os colaboradores da autarquia, fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que a Lagoa seja um concelho de futuro, onde todos, desde os mais jovens aos mais idosos, tenham as melhores condições para viver e sintam orgulho em pertencer à Lagoa.