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Hospitais dos Açores entram na era da cirurgia robótica com investimento de 2,3 milhões de euros do PRR

O Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira acolheu a primeira intervenção cirúrgica ortopédica com recurso a tecnologia robótica na região, num passo histórico para a modernização do Serviço Regional de Saúde que chegará também ao Hospital Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada

© MIGUEL MACHADO

O Serviço Regional de Saúde deu um passo histórico na modernização tecnológica e na diferenciação dos cuidados prestados aos utentes açorianos. O Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) acolheu a primeira intervenção cirúrgica com recurso a um robô ortopédico na Região Autónoma dos Açores, assinalando o arranque oficial desta valência médica nas ilhas. De acordo com a nota de imprensa enviada pelo executivo regional, o momento foi presenciado pelo presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, que sublinhou o impacto desta inovação. “Estamos a inaugurar a possibilidade da robótica cirúrgica. Esta era uma necessidade e estamos hoje a celebrar este momento”, afirmou o governante, aproveitando a ocasião para deixar um reconhecimento público à administração hospitalar e aos profissionais do HSEIT pelo empenho em reforçar a capacidade de resposta aos doentes. “Este hospital tem instalações magníficas e profissionais briosos. O objetivo é aumentar a sua diferenciação, as suas capacidades e também torná-lo mais atrativo para mais profissionais”, acrescentou.

A introdução desta tecnologia de ponta resulta de um investimento estratégico global que ascende a 2,35 milhões de euros (acrescidos de IVA), financiado através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), na componente destinada à modernização e requalificação da saúde. Este pacote financeiro permitiu a aquisição de dois sistemas de cirurgia robótica ortopédica: o equipamento agora estreado na Ilha Terceira, orçado em 1,25 milhões de euros, e um segundo sistema, no valor de 1,1 milhões de euros, destinado ao Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, aproximando esta inovação também dos utentes de São Miguel. A cirurgia robótica destaca-se por permitir uma maior precisão nos procedimentos, um planeamento cirúrgico refinado, menor invasividade e uma recuperação pós-operatória visivelmente mais rápida e eficaz. O executivo antecipa elevados ganhos em saúde, traduzidos na redução do tempo de internamento, na diminuição das sessões de fisioterapia necessárias e na quebra de custos sociais indiretos, como o absentismo laboral, estando já previstos estudos específicos para avaliar o impacto clínico e operacional desta tecnologia.

O ato inaugural no bloco operatório contou ainda com a presença da secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, do presidente do Conselho de Administração do HSEIT, Paulo Diz, da diretora clínica, Rute Couto, da diretora do Bloco Operatório, Lisandra Martins, e da responsável pelo Bloco Operatório, Sandra Pavão. Após acompanharem o procedimento cirúrgico, a comitiva governamental e os responsáveis hospitalares prosseguiram com uma visita de trabalho à Unidade de Cuidados Intermédios Cardíacos (UCIC) e avaliaram o andamento das obras de instalação do novo angiógrafo, infraestruturas que complementam o forte investimento em equipamentos no hospital terceirense, que já soma 15 milhões de euros acumulados entre os anos de 2021 e 2026.

Núncio Apostólico leva mensagem de esperança aos doentes do Hospital do Divino Espírito Santo

D. Andrés Carrascosa Coso presidiu à celebração eucarística e à procissão pelas alas de internamento do HDES, sublinhando a importância do humanismo cristão no cuidado aos mais frágeis durante as festividades do Senhor Santo Cristo dos Milagres

© HDES

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, recebeu este sábado, 9 de maio, uma visita de elevada importância institucional e espiritual no âmbito das celebrações em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Segundo notícia veiculada pela agência Igreja Açores, a Eucaristia realizada na capela do terceiro piso foi presidida pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, representante do Papa, que visita os Açores pela primeira vez após ter sido nomeado em dezembro passado.

O momento, que marca a passagem das maiores festividades religiosas da região pela unidade de saúde, não se limitou ao altar, estendendo-se numa procissão pelas alas de internamento e pela Ala Poente. O objetivo central desta iniciativa, organizada pela Capelania do Hospital com o apoio de voluntários, foi levar o conforto, a bênção e a imagem do “Ecce Homo” diretamente aos utentes e aos profissionais do Serviço Regional de Saúde que asseguram a missão de cuidar mesmo em dias de festa.

Durante a celebração, o prelado destacou a profunda ligação entre o humanismo e a prestação de cuidados de saúde, reforçando que instituições públicas e religiosas “estão ao serviço das mesmas pessoas”. D. Andrés Carrascosa Coso, que recordou os seus 41 anos de missão e o contacto prévio com a devoção açoriana no Canadá, enfatizou o papel da fé como luz em contextos de fragilidade e incerteza. “A fé em Deus não elimina a dor nem a doença, mas ilumina-as”, afirmou o Núncio Apostólico, sublinhando que o maior milagre reside na compaixão e na certeza de que ninguém está sozinho no sofrimento.

“O objetivo é levar o conforto, a esperança e a bênção diretamente aos nossos utentes e aos profissionais do Serviço Regional de Saúde que, mesmo em dias de festa, mantêm a sua missão de cuidar”, reiterou, consolidando a tradição de proximidade que define a identidade do hospital de Ponta Delgada neste feriado regional.

HDES elimina infeções graves nos Cuidados Intensivos e poupa mais de 439 mil euros

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) alcançou resultados históricos na segurança do doente entre 2022 e 2025, conseguindo erradicar as bacteriemias por cateter na UCI e evitar a perda de 24 vidas através do projeto STOP Infeção 2.0

Sónia Carreiro (à esq.) – Enfª da Unidade Local do PPCIRA ; Ana Cristina Pimentel (ao centro) – Diretora dos Serviços Farmacêuticos do HDES; Verónica Amaral (à dtª) – Enfª coordenadora da Unidade Local do PPCIRA © HDES

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, deu um passo decisivo na vanguarda da segurança hospitalar ao apresentar, no passado dia 13 de abril, o balanço final do projeto STOP Infeção 2.0. Segundo uma nota de imprensa enviada pela instituição hospitalar às redações, a unidade de saúde açoriana conseguiu eliminar totalmente as bacteriemias por cateter na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) entre 2022 e 2025. Este esforço de melhoria contínua não só elevou os padrões clínicos para níveis superiores à média nacional, como permitiu evitar 141 casos de infeção no triénio, traduzindo-se numa poupança direta de 439 mil euros para os cofres públicos da região.

O sucesso da iniciativa, que se enquadra no Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA), assenta na aplicação da metodologia “Planear-Fazer-Estudar-Agir”. O desempenho mais notável foi registado na UCI, onde a taxa de incidência de bacteriemia associada a cateter venoso central caiu de 2,72% em 2022 para uns absolutos 0,00% nos últimos dois anos. No mesmo período, as infeções urinárias associadas a cateter baixaram 66,5% e as pneumonias associadas à intubação reduziram cerca de 45%. Mais do que estatísticas, estes números representam um impacto humano profundo, com a estimativa de 24 mortes evitadas graças à adoção de protocolos rigorosos, como o uso sistemático de checklists e a padronização de procedimentos clínicos.

Para além de salvar vidas, a eficiência do projeto STOP Infeção 2.0 refletiu-se na gestão de recursos, libertando 1.464 dias de internamento que seriam consumidos por complicações hospitalares. Este resultado é particularmente significativo dado que foi alcançado num período de grandes desafios organizacionais e escassez de recursos humanos, culminando no reconhecimento público dos resultados na Alfândega do Porto. A nota de imprensa do HDES sublinha ainda que a adesão total dos profissionais de saúde aos novos protocolos foi o fator determinante para consolidar esta cultura de segurança, reafirmando o compromisso da maior unidade de saúde dos Açores com a excelência dos cuidados prestados aos utentes.

“A ciência não tem de anular a fé nem a fé tem de anular a ciência”

Em entrevista ao Diário da Lagoa, o enfermeiro e romeiro Hélio Ponte reflete sobre como a espiritualidade e a evidência clínica se complementam no cuidado ao próximo, num testemunho onde a farda do hospital e o xaile da romaria se unem pelo mesmo propósito: a vida

Hélio Ponte nasceu em Vila Franca do Campo onde viveu até 2004, atualmente reside na Ribeira Grande © ACÁCIO MATEUS

Hélio Ponte nasceu em Vila Franca do Campo no ano de 1976, onde viveu até 2004, mas sem nunca perder a ligação à terra de origem. Atualmente vive na Ribeira Grande com a esposa e o filho. Toda a família e ascendentes são de Vila Franca do Campo.

Viveu uma infância normal, sem luxos, no berço de uma família humilde. Enquanto criança, passou muito tempo com os amigos, em particular no cais do Tagarete, mantendo sempre uma estreita ligação à igreja, inicialmente como acólito.

Filho de pai pescador e uma de família ligada ao mar, viu o pai mudar de vida quando passou a motorista marítimo, mas sem perder o ‘chão’ de água. A mãe, doméstica, tratava das lides da casa.

É o filho mais velho de três – irmão de Raquel e José Mário – e o seu percurso académico começou na então Escola Primária de Vila Franca do Campo (atualmente EB1/JI Prof. António dos Santos Botelho), Escola Preparatória de Vila Franca do Campo (agora designada de EB/S Armando Cortês-Rodrigues), Escola Secundária Antero de Quental e, mais tarde, Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada (atualmente Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores).

Nesta entrevista, fala da fé, da romaria, do ser romeiro, do ser enfermeiro e de como a ciência e a fé se podem complementar na salvação de pessoas.

© ACÁCIO MATEUS

DL: Quando decidiu ser enfermeiro?
O meu ensino secundário, por vários fatores, não foi totalmente linear. Alguns sobressaltos, dúvidas talvez típicas da idade. Nunca fui um “aluno de excelência”, mas tinha consciência que sempre dei o meu melhor. Em 1997 fiz exames nacionais e iniciei o curso de enfermagem nesse mesmo ano, ainda como curso de bacharelato terminando em 2000, mas tivemos oportunidade de fazer de imediato o ano complementar de formação em enfermagem que terminou em 2001 dando-nos a equivalência a licenciatura. Nesta altura já enfermeiros formados há vários anos já estavam a regressar aos bancos da universidade para obterem a mesma equivalência. Foi uma mais-valia ter-nos sido dada essa oportunidade.

DL: Foi algo que já queria ou foi uma oportunidade de carreira/estabilidade?
Um misto de ambas. Talvez tenha descoberto essa apetência bem tarde ou, se calhar, até foi no momento certo, será sempre uma incógnita, mas não me arrependo de nada e tenho a certeza que faço-o com rigor e dedicação. Não gosto de falar do termo “vocação”, acho demasiado forte e não acho que se adeque por completo a esta profissão. É, acima de tudo, necessário o saber, saber estar e saber ser. Na altura era uma profissão com muita saída e colocação garantida. Também foi uma oportunidade de estabilidade de carreira e rapidamente (em menos de um ano) entrei para os quadros do HDES.

DL: Sempre trabalhou na mesma área ou tem vindo a mudar de área?
Desde que comecei a exercer atividade profissional foi sempre nesta área e na mesma instituição, o HDES.

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DL: Ser romeiro foi uma decisão repentina ou já tinha outros familiares romeiros na família que o foram “puxando” para a romaria?
A pergunta foi muito bem colocada: desde quando és romeiro e não desde quando vais de romeiro. São duas perspetivas completamente diferentes porque a romaria é uma vivência para a vida e não só aqueles oito dias. Acaba por ser uma conduta e não um mero rito anual de penitência. Até podemos questionar o porquê deste penitenciar nos dias de hoje, mas não é uma procura de sacrifício desmedido porque, acima de tudo, quer-se misericórdia e não sacrifícios. Acaba também por ser um “peso” e responsabilidade porque somos logo apontados ao mínimo deslize no dia a dia. Não participamos numa romaria por sermos “santos e exemplo” (nunca haveria romarias assim), vamos na mesma por termos um propósito e um chamamento. Obviamente que há, infelizmente, quem se desvie do que é fazer e estar numa romaria.

Nunca tive familiares próximos que fossem romeiros na altura em que comecei. Fiz a minha primeira romaria em 2006 e desde então nunca mais deixei a mesma. Só me arrependo de não ter começado mais cedo. No entanto, tal não foi possível por múltiplos fatores, especialmente os estudos. Vila Franca do Campo só retomou as romarias no ano de 2000 depois de um grande interregno desde 1979 e, em boa hora, voltaram nas pessoas dos irmãos Carlos Saêta, José Pimentel e Hermínio Sousa, ficando depois entregue ao nosso atual mestre, irmão Carlos Vieira, e melhor entregue não poderia ficar.

Sempre gostei de ver os ranchos de romeiros, sempre tive a minha ligação à igreja e aos seus movimentos, como acólito, escuteiro e no Grupo de Jovens Vicentinos, mas nunca surgira oportunidade de o concretizar. Depois de ler o livro “Diário de uma Romaria”, de 2005, do irmão mestre Carlos Vieira, foi o incentivo que faltava. Não me sentia necessariamente afastado da igreja nessa altura, mas faltava algo e a romaria foi o que faltava.

Lembro-me perfeitamente da minha primeira romaria. A minha primeira pernoita de sempre na Fajã de Cima foi mesmo um testar das forças e de força de vontade, não pela família que nos recebeu que foi de um carinho formidável, mas por outros fatores desde água fria e eu, por respeito e ainda acanhado e novato, tive vergonha de dizer, desde barulho de vizinhos…dormi pouco ou mesmo nada. Na madrugada seguinte, no Alto da Mãe de Deus, em Ponta Delgada, só me apetecia vomitar. Não estava fisicamente bem e questionei mesmo o que eu fazia ali. Foi o primeiro e único momento desde que sou romeiro que essa “tentação” de sair da romaria me passou pela cabeça. Não estava mesmo bem. Mas os irmãos mais experientes foram sempre me incentivando. A refeição na paragem na Casa de Saúde de Nossa Senhora da Conceição foi o volte-face. Desde então que não consigo imaginar um ano sem ter essa semana de isolamento e introspeção. Sei bem ao que me vou sujeitar, ao desconforto, à dor, a poucas horas de sono, a dias que podem ser mesmo violentos. Sim, dependendo de várias circunstâncias, uma romaria pode mesmo ser violenta física e psicologicamente. Os três anos de interregno devido à pandemia não foram fáceis de lidar.

DL: Sendo um homem da medicina, onde por vezes se operam verdadeiros milagres que salvam pessoas, até onde vai a medicina e onde começa a fé/devoção das pessoas?
Numa das reuniões de preparação da romaria falamos precisamente disso, do equilíbrio entre a fé e a ciência. Faz-se a comparação com as duas asas de uma ave. A mesma só voa em segurança se as duas asas estiverem bem. Uma asa é a razão (a ciência) e a outra é a fé (Deus). É perfeitamente possível esse equilíbrio desde que vejamos esse equilíbrio na base da complementaridade e não do conflito. São duas formas complementares de se buscar a verdade. O próprio Einstein via a ciência e a racionalidade do universo como evidência no limite de algo superior, de uma inteligência criadora. Várias pessoas ligadas à igreja foram também cientistas como Georges Lemaître, sacerdote, que desenvolveu a teoria do Big Bang, do átomo primordial. A ciência explica como aconteceu e a fé o porquê de acontecer. A ciência não tem de anular a fé, nem vice-versa. Na nossa civilização ocidental, se é que é permitido usar esta expressão sem que me atirem sete pedras, a criação de universidades cristãs são o exemplo de como a fé cristã pode fomentar o conhecimento e desenvolvimento científico. A meditação também é vista como ciência da mente.

Entendo que consegui uma formação catequética e católica lúcida no sentido de entender que há espaço para a fé e a ciência conviverem e complementarem-se uma à outra. Efetivamente, já fui questionado nesse sentido, não necessariamente apenas relacionado com a profissão que exerço, mas porque há uma correlação muitas vezes errada com o grau de ensino e a crença numa religião, credo ou fé. Uma não invalida a outra, mas é certo que me baseio no dia-a-dia na evidência científica no exercício da minha profissão.

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DL: Já teve algum paciente que pensou que poderia não sobreviver e, sem que nada aparente o pudesse justificar, recuperou-se?
Sim, várias vezes. Cada pessoa tem mecanismos fisiológicos ou condicionantes provocados por doença que originam diferentes formas de adaptação à alteração do seu estado normal de saúde como situações de traumatismo grave, por exemplo, em especial das células nervosas. Neste preciso momento em que partilhamos estas ideias acredito que está a acontecer uma situação destas num caso extremamente delicado e instável.

Mas voltando ao tal equilíbrio necessário entre a fé e a ciência, a primeira também pode influenciar decisões relacionadas com o prolongamento de medidas de suporte artificial de vida ou até mesmo interrupção da mesma em casos extremos. Há sempre a questão de tratamentos ou prolongamento dos mesmo que se transformam em autêntica distanásia. A dignidade até no morrer está acima de tudo, e um morrer sem dor acima de tudo. É lícito usarmos a fé para manter medidas desproporcionadas ao doente que até podem atentar à dignidade humana? É o tal equilíbrio que é necessário.

© ACÁCIO MATEUS

DL: A fé salva pessoas?
Sendo católico não posso excluir isso, mas como disse anteriormente, no dia-a-dia, baseio-me na evidência científica no exercício da minha profissão. A fé, numa vertente catequética também é falada nas nossas reuniões de preparação. É o acreditar sem ver. É um dom gratuito da graça de Deus e não o resultado de obras humanas, a tal dicotomia entre a ciência como evidência e a “falta” da evidência que é a fé, o acreditar sem ver. Mas a fé também pode ser intelectual, não tem necessariamente de estar ligada a uma crença ou religião, mas também a uma filosofia de vida, por exemplo. A mesma promove a ligação a algo maior que não se vê, o tal acreditar sem ver. Pode trazer paz e conforto em momentos difíceis, de forma alguma está descartado que a fé não desempenhe o seu papel na recuperação de uma doença, nem que seja no conforto e esperança.

Este é um facto real. Um Cavaleiro da Ordem de Santiago de Compostela, residente em Ponta Delgada, em 2013 confiou fervorosamente a oração ao nosso rancho por um bisneto que tinha nascido com várias complicações. Os médicos tinham muitas reservas sobre a sobrevivência do mesmo. Na romaria de 2014 esta intenção foi rezada fervorosamente, assim como todas as outras, e a verdade é que o menino é hoje uma criança saudável. O seu bisavô testemunhou esta vivência à Ordem. A mesma atribuiu a Medalha de Ouro da Ordem ao Rancho de Vila Franca do Campo. Terá sido só a medicina? A oração e a fé? Ambas juntas? Dá que pensar estas e muitas outras situações. Como já foi dito numa romaria “busca-se também aqui o que a Ciência não resolve!”

Outra situação que também dá que pensar. Na igreja da Senhora do Rosário na Povoação há uma imagem invocada como Senhora do Ó ou Senhora do Parto. Invocada para que a futura mãe tenha uma “hora pequenina” (parto sem dificuldade) ou por quem não consegue engravidar. Duas situações ocorreram em que após anos a tentar engravidar, mesmo com o auxílio de medicação tal não aconteceu e após o pedido de oração do nosso rancho à mesma imagem no ano seguinte estava-se a agradecer a concretização do pedido de oração. Inclusivamente este ano uma das mães levou a sua menina à igreja acompanhando-nos na oração.

HDES distingue 400 dadores de sangue em dia de homenagem

Hospital do Divino Espírito Santo retomou as grandes cerimónias de reconhecimento, assinalando o Dia Nacional do Dador de Sangue com a entrega de medalhas e diplomas a centenas de açorianos que garantem a sobrevivência do sistema de saúde regional

© DL

Cerca de 400 dadores de sangue foram homenageados esta sexta-feira, 27 de março, numa cerimónia solene decorrida no auditório do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada. O evento, que serviu para assinalar o Dia Nacional do Dador de Sangue, marcou o regresso das distinções públicas com esta dimensão, algo que não ocorria desde 2019. Foram entregues diplomas e medalhas de honra como forma de agradecimento pelo altruísmo de centenas de cidadãos que, através das suas dádivas regulares, asseguram o suporte vital de doentes em toda a região.

O presidente do conselho de administração do HDES, Carlos Pinto Lopes, sublinhou durante a sua intervenção que o ato de doar sangue transcende o mero procedimento clínico, configurando-se como um pilar da responsabilidade cívica. “Dar sangue não é apenas um gesto de solidariedade. É um acto de responsabilidade ética profunda. É alguém que, sem conhecer quem vai ser beneficiado, escolhe fazer parte da sua história, muitas vezes até da sua sobrevivência”, afirmou o administrador, reforçando que para a instituição o sangue é um recurso de valor humano incalculável, assente na gratuidade e na confiança, e que “não é, nem pode ser uma mercadoria”.

A vertente pedagógica e a continuidade geracional da solidariedade também estiveram em destaque através de Fátima Oliveira, diretora do Serviço de Hematologia. A responsável defendeu a construção de uma cultura de entreajuda que deve ser semeada desde a infância. Este mote foi ilustrado com a presença de crianças do Colégio de São Francisco Xavier, que apresentaram uma música original sobre o tema. Como símbolo desta “semente” de esperança, foram distribuídos envelopes com sementes de girassol, preparados por alunos de várias escolas da região, reforçando a ideia de que cada doação permite que uma nova oportunidade de vida floresça.

O encerramento da sessão contou com a presença do presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, que elevou o papel dos dadores ao de figuras inspiradoras para a sociedade civil num contexto global incerto. “É preciso dar humanismo à humanidade. Os dadores têm coragem e humanismo. Devemos ter olhos para quem nos inspira”, defendeu o governante. Bolieiro aproveitou a ocasião para elogiar o trabalho da Associação de Dadores de Sangue de São Miguel e a evolução do HDES, reconhecendo que, apesar dos desafios na gestão pública, o compromisso ético dos açorianos coloca a região num lugar de destaque no que toca ao sentido humanitário.

Ao longo de 2026, estas distinções continuarão a ser entregues nos três hospitais dos Açores, celebrando um estatuto de cidadania que, como recordou a administração do hospital, nenhuma estratégia política ou tecnologia consegue substituir.

Governo regional e Conselho de Ilha alinham futuro do Hospital do Divino Espírito Santo

Executivo propõe reorganização profunda no atual perímetro do hospital, aproveitando as estruturas modulares para garantir a continuidade dos cuidados de saúde em São Miguel

© MIGUEL MACHADO

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, reuniu-se esta segunda-feira, 9 de fevereiro, no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, com a Mesa do Conselho de Ilha de São Miguel para discutir o plano de recuperação e modernização do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES). O encontro, que contou com a presença da secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, serviu para apresentar as linhas mestras de uma solução que passa pela reorganização do atual perímetro hospitalar, em vez de uma construção de raiz noutro local.

Segundo a nota de imprensa enviada pela Presidência do Governo, o líder do executivo sublinhou que a estratégia passa por “tirar partido da capacidade já instalada”, integrando a atual estrutura modular, implementada após o incêndio de maio de 2024, numa resposta hospitalar mais robusta. José Manuel Bolieiro defendeu uma intervenção concentrada e profunda, afirmando que “o objetivo é garantir que São Miguel disponha de uma resposta hospitalar moderna, funcional e preparada para o futuro, aprendendo também com a experiência recente”.

De acordo com os trabalhos técnicos em curso, o futuro hospital terá um reforço expressivo na componente ambulatória, seguindo os modelos assistenciais mais atuais. Os planos funcionais preveem igualmente o alargamento de áreas críticas como a cirurgia, o internamento, a urgência e os cuidados intensivos. O governante sublinhou que a estrutura modular continuará a ter um papel relevante durante as fases de intervenção, funcionando como suporte à atividade assistencial, pois “é fundamental assegurar estabilidade no serviço prestado à população enquanto se constrói uma solução duradoura”.

Por sua vez, o presidente do Conselho de Ilha de São Miguel, Jorge Rita, considerou que o processo deve ser conduzido com prudência. O representante defendeu uma abordagem faseada e financeiramente sustentável, sublinhando a importância de reforçar, em paralelo, a rede de cuidados de saúde primários na ilha. O projeto final para o HDES será oportunamente apreciado em Conselho do Governo, não existindo ainda um calendário fechado para a sua apresentação pública.

Câmara da Lagoa anula projeto de Centro Renal após promotor pedir seis anos para iniciar atividade

Autarquia lagoense deu como sem efeito o projeto do Centro de Cuidados Renais, declarando a caducidade do processo após o promotor ter solicitado seis anos para iniciar a atividade e ter deixado de responder

© CM LAGOA

O projeto para a instalação do Centro de Cuidados Renais no Tecnoparque da Lagoa, na ilha de São Miguel, foi formalmente dado como sem efeito pela autarquia lagoense. A decisão da Câmara Municipal surge após meses de silêncio por parte da empresa promotora, a Medifarma – José Horácio Rego Sousa, Lda., que havia solicitado um alargamento substancial dos prazos para o início da operação da unidade.

El Diário da Lagoa apurou que a candidatura da Medifarma ao programa municipal “Lagoa Investe” foi aprovada em dezembro de 2024, prevendo a ocupação do Lote 29 do parque tecnológico. No entanto, o processo entrou num impasse quando o promotor solicitou que a entrada em funcionamento fosse adiada. Segundo confirmou a autarquia, “o promotor apresentou o pedido de alargamento do prazo para início das obras de construção, até aos 3 anos a contar da data de assinatura do contrato e que o período para entrada em operação da unidade fosse alargado para os 6 anos”.

A Câmara Municipal de Lagoa recusou a pretensão em maio de 2025, invocando a salvaguarda do interesse público. Perante a ausência de resposta da empresa nos meses seguintes, a autarquia decidiu encerrar o processo, sendo que em “11 de novembro de 2025, [a Câmara] informou ao promotor que toma a ausência de resposta como perda de interesse por parte daquela Empresa, dando assim sem efeito a candidatura”, lê-se na resposta oficial enviada ao nosso jornal.

As suspeitas em torno deste investimento foram levantadas originalmente pelo Bloco de Esquerda (BE). O deputado António Lima denunciou que o projeto privado é promovido pelo irmão da presidente do Conselho de Administração do Hospital Divino Espírito Santo (HDES), Paula Macedo. Para os bloquistas, a intenção de externalizar o serviço de hemodiálise do hospital público coincidia com o avanço deste centro privado e com a retirada das verbas para obras na unidade pública do Plano de Investimentos para 2026.

No parlamento açoriano, a maioria composta por PSD, CDS-PP e Chega rejeitou os requerimentos do BE para audições urgentes, o que o partido classificou como uma tentativa de “esconder as razões” da decisão. Questionada oficialmente sobre o projeto e as razões para o pedido de adiamento da obra, a empresa Medifarma não enviou qualquer resposta até ao momento. Por outro lado, a Direção Regional da Saúde tem reiterado que não existe uma decisão final sobre a privatização do setor, apesar de os registos municipais confirmarem a existência de um plano empresarial estruturado para a instalação da referida clínica.

Com o cancelamento do projeto do Centro de Cuidados Renais e a ausência de garantias de investimento na unidade pública do HDES, o modelo de prestação de cuidados aos doentes renais em São Miguel permanece sem uma definição clara por parte das autoridades regionais.

Aplicação mySaúde Açores com novas funcionalidades e acesso a tempos de espera

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A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, anunciou na passada sexta-feira, 31 de outubro, novas funcionalidades já disponíveis para todos os açorianos registados no mySaúde Açores.

Na cerimónia que assinalou a integração do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, na plataforma, e que deu assim por concluindo o processo de integração de todas as unidades de saúde e hospitais do arquipélago, a governante sublinhou que, agora, os utentes do Serviço Regional de Saúde (SRS) podem, através da aplicação, visualizar os tempos de espera nas urgências.

Em causa estão os utentes com a triagem de Manchester, obtendo-se a informação de quantas
pessoas se encontram em espera e em que categoria, tudo atualizado em tempo real. Outra novidade é a possibilidade de aceder às referenciações para consultas e cirurgias, disponibilizando a respetiva data de inscrição. Passam ainda a estar disponíveis inquéritos de satisfação sobre os cuidados prestados, possibilitando um acompanhamento mais próximo das necessidades dos utentes e a melhoria contínua dos serviços.

Mónica Seidi agradeceu o trabalho e a dedicação dos profissionais envolvidos, lembrando o esforço empreendido em carregar toda a informação, algo particularmente complexo, dada a dimensão e o elevado número de utentes do HDES. Encontra-se ainda em curso o carregamento do histórico de episódios clínicos desde 1 de janeiro de 2024.

O mySaúde Açores é cofinanciado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e conta com a Siemens Healthineers como parceiro tecnológico. O projeto alcançou a meta de registos antes do prazo estipulado, contando já com mais de 30 mil açorianos registados na aplicação.

Mónica Seidi reafirma a confiança num projeto que, sublinha, posiciona o arquipélago dos Açores como visionário no uso das novas tecnologias para a melhoria da prestação de cuidados de saúde num território marcado pela dispersão geográfica, colocando os utentes no centro do sistema de saúde.

Lagoa promove recolha de sangue na Semana do Coração

© CM LAGOA

No âmbito da Semana do Coração, o cineteatro lagoense Francisco d´ Amaral Almeida acolhe uma sessão de colheita de sangue amanhã, 30 de setembro, entre as 9h00 e as 12h30. Trata-se de uma parceria entre o Serviço de Hematologia do Hospital do Divino Espírito Santo e a Câmara Municipal de Lagoa (CML). 

Em nota de imprensa, a CML escreve que “sangue é um bem essencial, escasso e insubstituível, que em diversas situações de urgência pode significar a diferença entre a vida e a morte. Dar sangue é um gesto simples, solidário e de enorme impacto, que a todos diz respeito, e só com a contribuição de cada um é possível salvar vidas e garantir que muitas pessoas continuam a viver”.

A CML apela, assim, à participação de toda a comunidade nesta iniciativa, sublinhando que cada dádiva é uma oportunidade de salvar vidas e um contributo para uma sociedade mais solidária. Podem ser dadores todos aqueles que tenham entre 18 e 60 anos, que pesem mais de 50 quilos e que mantenham hábitos de vida saudáveis. Os interessados podem realizar uma pré-inscrição, através do link disponível nas redes sociais e portal da autarquia.

A Semana do Coração é assinalada, anualmente, como um momento de sensibilização para a importância da prevenção das doenças cardiovasculares, através da adoção de hábitos de vida saudáveis, da prática regular de exercício físico, de uma alimentação equilibrada e do acompanhamento médico adequado. Ao mesmo tempo, constitui uma oportunidade para promover iniciativas solidárias, como a dádiva de sangue, que reforçam a importância da saúde, da prevenção e da entreajuda comunitária.

Quadro do Senhor Santo Cristo angaria cinco mil euros para a Liga dos Amigos do Hospital de Ponta Delgada  

Peça foi feita por artesã da Candelária com mais de 68 mil pontos de cruz

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A Liga dos Amigos do Hospital de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, deu a conhecer esta quinta-feira, 5 de junho, a vencedora do sorteio de um quadro do Senhor Santo Cristo dos Milagres, bordado a ponto de cruz, pela mão da artesã Conceição Silveira. A sorteada foi Catarina Cordeiro, natural da freguesia dos Arrifes, no concelho de Ponta Delgada. 

A venda de bilhetes do sorteio do quadro angariou cinco mil euros que reverte a favor das atividades promovidas pela Liga dos Amigos do Hospital.

O presidente do conselho fiscal da instituição de solidariedade, Luís Silva Melo, ofereceu a impressão dos bilhetes que foram sorteados entre dezembro de 2024 e as festas do Senhor Santo Cristo deste ano, na maior ilha do arquipélago açoriano.

Em declarações aos jornalistas, a vencedora disse estar “muito feliz” enquanto revelou que: “chorei ao telefone” quando lhe comunicaram que tinha sido a feliz contemplada.

Catarina Cordeiro conta que numa ida ao hospital deparou-se com o quadro e desejou ficar com ele e, por isso, contribuiu com a compra de cinco bilhetes.

A artesã Conceição Silveira, também presente na entrega do quadro, salientou que “é preciso paciência e persistência” para bordar em ponto de cruz, mas que já fez “centenas de quadros”. Este em específico necessitou de 68.127 mil pontos para ser finalizado e resultou de uma promessa que a artesã, natural da freguesia da Candelária, havia feito, na qual se comprometeu em oferecer o mesmo ao Hospital do Divino Espírito Santo.

O Diário da Lagoa falou igualmente com a presidente de direção da Liga dos Amigos do Hospital de Ponta Delgada, Marta Pereira, que se mostrou “extremamente satisfeita”, porém deixou ainda o apelo para que quem sinta vocação, adira à Liga dos Amigos porque necessitam de mais voluntários “que se sintam felizes em ajudar quem mais precisa”.