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Ribeira Grande estuda criação de apiário comunitário para reforçar biodiversidade

O Município da Ribeira Grande e a Casermel unem esforços para proteger as abelhas e promover o mel local como pilar da sustentabilidade ambiental e da saúde alimentar no concelho

© CM RIBEIRA GRANDE

A Câmara Municipal da Ribeira Grande prepara-se para reforçar as políticas de proteção ambiental através de uma nova parceria estratégica com a Casermel – Cooperativa de Apicultores e Sericicultores de São Miguel, CRL. Num recente encontro de trabalho entre o executivo municipal e a direção da cooperativa, foram lançadas as bases para uma colaboração que visa não só a preservação das abelhas, mas também a valorização do mel enquanto produto de excelência da região. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia, o presidente Jaime Vieira destacou o papel vital destes polinizadores no equilíbrio dos ecossistemas locais, sublinhando que “as abelhas são fundamentais para a polinização, um processo indispensável à reprodução de inúmeras espécies vegetais, incluindo culturas agrícolas essenciais à nossa alimentação”.

Face a este diagnóstico, o Município assumiu o compromisso de identificar áreas específicas no concelho com condições ideais para a polinização, prevendo-se ainda a plantação de espécies florais em espaços públicos para potenciar a biodiversidade. Esta estratégia estende-se à gestão dos espaços verdes municipais, que passará a ser feita com um foco acrescido na sustentabilidade e no suporte à vida apícola. Uma das medidas mais inovadoras em análise é a criação de um apiário comunitário, pensado para ser um centro de aprendizagem e literacia ambiental, onde a comunidade poderá compreender melhor o ciclo de vida das abelhas e a importância dos produtos derivados da colmeia.

Para além da vertente ecológica, a iniciativa pretende dar um impulso económico aos produtores locais, incentivando o consumo de mel como um alimento de elevado valor nutricional e medicinal. Jaime Vieira reforçou a necessidade de integrar este produto numa dieta equilibrada, garantindo que o município apoiará a divulgação de quem trabalha no setor. O autarca concluiu a reunião com um olhar sobre o futuro, afirmando que o apoio a estas causas é um imperativo geracional, pois “proteger as abelhas é garantir o futuro dos nossos ecossistemas e das gerações vindouras”.

HDES distingue 400 dadores de sangue em dia de homenagem

Hospital do Divino Espírito Santo retomou as grandes cerimónias de reconhecimento, assinalando o Dia Nacional do Dador de Sangue com a entrega de medalhas e diplomas a centenas de açorianos que garantem a sobrevivência do sistema de saúde regional

© DL

Cerca de 400 dadores de sangue foram homenageados esta sexta-feira, 27 de março, numa cerimónia solene decorrida no auditório do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada. O evento, que serviu para assinalar o Dia Nacional do Dador de Sangue, marcou o regresso das distinções públicas com esta dimensão, algo que não ocorria desde 2019. Foram entregues diplomas e medalhas de honra como forma de agradecimento pelo altruísmo de centenas de cidadãos que, através das suas dádivas regulares, asseguram o suporte vital de doentes em toda a região.

O presidente do conselho de administração do HDES, Carlos Pinto Lopes, sublinhou durante a sua intervenção que o ato de doar sangue transcende o mero procedimento clínico, configurando-se como um pilar da responsabilidade cívica. “Dar sangue não é apenas um gesto de solidariedade. É um acto de responsabilidade ética profunda. É alguém que, sem conhecer quem vai ser beneficiado, escolhe fazer parte da sua história, muitas vezes até da sua sobrevivência”, afirmou o administrador, reforçando que para a instituição o sangue é um recurso de valor humano incalculável, assente na gratuidade e na confiança, e que “não é, nem pode ser uma mercadoria”.

A vertente pedagógica e a continuidade geracional da solidariedade também estiveram em destaque através de Fátima Oliveira, diretora do Serviço de Hematologia. A responsável defendeu a construção de uma cultura de entreajuda que deve ser semeada desde a infância. Este mote foi ilustrado com a presença de crianças do Colégio de São Francisco Xavier, que apresentaram uma música original sobre o tema. Como símbolo desta “semente” de esperança, foram distribuídos envelopes com sementes de girassol, preparados por alunos de várias escolas da região, reforçando a ideia de que cada doação permite que uma nova oportunidade de vida floresça.

O encerramento da sessão contou com a presença do presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, que elevou o papel dos dadores ao de figuras inspiradoras para a sociedade civil num contexto global incerto. “É preciso dar humanismo à humanidade. Os dadores têm coragem e humanismo. Devemos ter olhos para quem nos inspira”, defendeu o governante. Bolieiro aproveitou a ocasião para elogiar o trabalho da Associação de Dadores de Sangue de São Miguel e a evolução do HDES, reconhecendo que, apesar dos desafios na gestão pública, o compromisso ético dos açorianos coloca a região num lugar de destaque no que toca ao sentido humanitário.

Ao longo de 2026, estas distinções continuarão a ser entregues nos três hospitais dos Açores, celebrando um estatuto de cidadania que, como recordou a administração do hospital, nenhuma estratégia política ou tecnologia consegue substituir.