
A direção do Orfeão Nossa Senhora do Rosário (ONSR) recebeu o Diário da Lagoa (DL) e contou-nos sobre a sua história, os desafios que enfrentam enquanto grupo e sobre a sua participação em diversas atividades, que “não são só litúrgicas”, existindo, também, uma “outra parte mais profana”. É um dos seus principais objetivos “a diversificação de géneros musicais”.
É por iniciativa do padre João Leite, em colaboração com o seu primo José Leite que surge, em 1999, o ONSR, “proveniente do coro que já existia”. Hoje, conta com Ana Paula Cordeiro como presidente de direção, Cármen Subica como maestrina, entre outros membros e colaboradores que contribuem para o seu funcionamento.
Atualmente integra “entre 25 e 30 membros”. “Há alturas em que temos mais pessoas e outras em que temos menos”, diz a diretora. O grupo divide-se “em quatro naipes”, cantando sempre “a quatro vozes”. Composto maioritariamente por mulheres, estas enquadram-se nos “sopranos e contraltos”, enquanto aos “senhores” cabe “os tenores e os baixos”.
“O encontro de gerações” que o grupo traz, visto ser composto por idades “compreendidas entre os 15 e os 80 anos”, é algo que destaca a diretora. “A questão do grupo é que não vimos para aqui só para cantar, existe a criação de laços de amizade e de uma família”, diz. “É o gostar de estar aqui, vir ao nosso encontro e passarmos estes serões juntos que também é importante”, completa a secretária Helena Costa.
É “com muito trabalho e persistência” que se consegue manter o orfeão de pé durante tantos anos, mas, o maior desafio vem da “dificuldade em manter um compromisso” por parte do grupo. Durante 25 anos, conseguir reter pessoas suficientes, “principalmente homens”, parece ter sido sempre difícil. “Há muitos ensaios em que o grupo é mais reduzido, mas quando vêm aqueles que não estiveram nos primeiros ensaios, temos de começar de novo”, explica ao DL a tesoureira Inês Borges.
A dedicação da maestrina Cármen Subica em ensinar música ao coro foi sempre fundamental “pelo facto de” o grupo em si “não saber música”. “Nós não sabemos uma pauta de música, o que nós fazemos é repetir a nossa maestrina”, confessam, acrescentando que aqui o gosto de todos os membros pela música é muito importante para que consigam aprender sempre mais.
Os concertos realizados pelo orfeão constam de convites vindos de diferentes organizações, mas também englobam aqueles que o grupo toma “a iniciativa de promover”. A direção afirma que, de entre os projetos em que já participaram, a Ópera “La Traviata”, que exigiu do grupo não só a execução musical, mas também uma “encenação”; o espetáculo “Os Clássicos da Broadway” e o concerto que os levou a Portugal Continental, em 2018, no Mosteiro da Batalha, certamente serão sempre relembrados com especial orgulho.
Futuramente, desejam, novamente, levar o seu trabalho “para lá de São Miguel”, aumentando a notoriedade do grupo. Pretendem continuar a auxiliar a igreja e, neste momento, preparam o espetáculo de Natal deste ano, para o qual foram convidados e que se realizará a 21 de dezembro.