
DL: Que expetativas tem o Clube Asas de São Miguel (CASM) para esta trigésima edição do Festival de Parapente dos Açores?
São várias. Como são 30 anos, obviamente temos a expetativa que seja uma edição especial e que seja possivel registar essas décadas de uma maneira positiva. Em primeiro lugar, que seja possivel fazer com que os participantes voem o maior número possivel de dias, o que é sempre uma incógnita. Estamos sempre dependentes da meteorologia. A partir do momento em que é possivel voar, é logo um fator que nos deixa felizes. Quando isso não é possivel, arranjamos programas alternativos, mas o objetivo é voar e que voem todos em segurança, que se divirtam e que o façam com tranquilidade e não haja acidentes. Num desporto que envolve risco é mais importante que as pessoas o façam em segurança, até porque não é um evento competitivo.
Estamos aqui para providenciar o melhor acolhimento possivel. Damos esse acompanhamento, tanto aos pilotos, como aos acompanhantes, que têm sempre um programa turístico.
DL: Quantos participantes vão voar este ano?
Conseguimos cumprir com o objetivo do número de inscrições. Temos novamente cerca de 100 pilotos e estamos contentes. Vamos esperar até ao dia 31 para ver se corre tudo bem. A maioria dos participantes são estrangeiros. Em termos internacionais é um evento único. Há muito poucos que tenham estas características de serem realizados num local como o que temos aqui, que seja bom para voar e que também tenha interesse turístico para quem não pratica parapente. Fazermos o evento em agosto faz com que as pessoas tragam as suas famílias e muitos deles vêm e ficam mais tempo.
Diria que um terço corresponde a participantes nacionais, e a outra parte é do estrangeiro, maioritariamente da Europa, de países que têm uma tradição maior de parapente: França, Alemanha, Espanha, Suíça. Depois temos Itália, Eslovénia, Republica Checa.
Também tem a ver com a forma como o evento é promovido. Tendo em conta a nossa dimensão, temos escolhido não expandir muito a promoção do festival, porque não queremos ter de recusar metade das inscrições. Vamos continuar a trabalhar para continuar a trazer pessoas do mundo inteiro. A partilha de experiências é um dos nossos objetivos.
DL: Para além dos voos, no programa constam ainda outras atividades, como palestras com Jean-baptiste Chandelier, Tristan Shu e a participação especial do Canarias AcroTeam.
Já são repetentes. Fizeram parte do festival em anos muito importantes e foi por isso que os convidamos para darem palestras e fazerem imagens, também, de divulgação do evento e da ilha.
As palestras são abertas ao público. O programa é sempre flexível em função da meteorologia. A palestra de Jean-baptiste Chandelier tem lugar no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, no dia 28, às 21h30. O piloto vai falar sobre temas do parapente e de como tem dinamizado a sua profissão de designer de parapente com os vídeos que faz.
Vamos abrir uma exposição de Tristan Shu, piloto e fotógrafo, com 10 fotografias que tirou cá noutras edições. Vão estar em exposição na incubadora de empresas da Ribeira Grande, a partir do dia 29. Tristan Shu vai dar uma palestra a explicar a história dessas imagens e as técnicas que utiliza.
Para além disso, vamos também ter os dois pilotos do Canárias AcroTeam, que, se as condições do tempo o permitirem, vão fazer demonstrações de acrobacias, manobras mais radicais, durante o festival.
No sábado, 31 de agosto, temos previstas demonstrações de ParaTrial (parapente no solo), uma modalidade que o CASM está a desenvolver, orientada para as crianças. Estamos a avançar com este projeto.
Este ano não vamos ter os bilugares para a comunidade, porque vimos que não temos pilotos suficientes para a procura. Por esse motivo, decidimos fazer um evento à parte, para que a comunidade possa experimentar e fazer os batismos de voo, como já fizemos no passado.

DL: Que locais de voo destaca?
Temos 14 locais oficiais. Os principais são as Sete Cidades, Lagoa do Fogo (Pico da Barrosa, para sul e para norte) e o Salto do Cavalo. São esses lugares aos quais gostamos sempre de levar as pessoas, pela sua beleza. Normalmente os participantes gostam muito de voar nessas zonas. Há mais locais, espalhados por toda a ilha, desde a Pedreira, no Nordeste, a Maia, o centro de Ponta Delgada. Para alguns locais, apesar de oficiais, dificilmente vamos durante o festival. Normalmente escolhemos locais mais altos, com mais espaço. Normalmente só no próprio dia acabamos por decidir para onde vamos, conforme a meteorologia.
DL: Como se encontra a prática de parapente nos Açores? O interesse está a aumentar?
Gradualmente e devagar, tem vindo a aumentar. Sou responsável pela escola do CASM. Nos Açores, só há dois instrutores, eu e José António Câmara. Tentamos fazer um curso por ano. São turmas pequenas, até oito pilotos. A intenção é que a aposta nos mais jovens ajude nessa dinâmica. A partir deste ano vamos poder federar os mais jovens, a partir dos 11 ou 12 anos, em ParaTrial. Esperamos que o número aumente. É o primeiro passo na entrada para a modalidade. Vão ter acesso a uma parte do parapente, praticando no solo e fazer competições adequadas a eles. A partir dos 16, podem dar continuidade a esse trabalho, fazendo o curso de piloto.
É difícil aumentar este número rapidamente, pelas características da modalidade, que não ajudam a um crescimento muito rápido, nomeadamente o custo do material. É o equivalente a comprar uma bicicleta de competição e exige um compromisso financeiro. Também exige disponibilidade.
DL: Os Açores têm muito potencial nessa modalidade?
Temos fatores muito interessantes para o parapente. O facto de sermos ilhas relativamente pequenas e com estas características ortográficas, fazem com que seja possível desfrutar do parapente em vários tipos de voo, nas praias, falésias, montanhas. Isso permite alguma flexibilidade naquilo que o parapente tem para oferecer.
Há desafios. A meteorologia não é muito consistente. Há dias em que não é mesmo possível praticar. No parapente nos Açores, se uma pessoa passa cá poucos dias, pode não chegar a voar, porque não teve sorte com o tempo, mas se voar, muito provavelmente vai fazer um voo especial. Os Açores têm potencial.
O evento não seria possível sem a parceria da Direção Regional do Turismo e da autarquia da Ribeira Grande. É um evento que tem uma logística bastante complexa, mas que, no nosso entender, extravasa para a região o interesse dos pilotos de parapente. Consideramos o festival e o parapente veículos de promoção global, porque atraem também pessoas que não são praticantes. No parapente, temos a capacidade de, através das imagens, mostrar locais que de outra forma não estariam acessíveis a toda a gente. Acreditamos nessa interligação entre a natureza e o nosso desporto, e a divulgação da nossa terra.

O céu de São Miguel vai colorir-se com os parapentes de 100 pilotos, de cerca de 10 países, na 30.ª edição do Festival de Parapente dos Açores, que se realiza de 26 a 31 de agosto.
Neste evento não competitivo, organizado pelo Clube Asas de São Miguel (CASM), os participantes vão voar por vários pontos da ilha, desde as Sete Cidades, Lagoa do Fogo, Pico da Barrosa (norte e sul), Salto do Cavalo, entre um total de 14 locais de voo oficiais.
Para Hugo Sousa, vice-presidente do CASM, a expetativa é de que esta seja uma edição especial, para assinalar as três décadas do evento.
Com mais de metade dos participantes a vir de países estrangeiros, são os europeus que mais vão marcar presença no festival, nomeadamente Alemanha, França, Espanha e Suíça, países com forte tradição na modalidade, explica a organização.
Estão previstas palestras, abertas ao público, com o praticante Jean-baptiste Chandelier, no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, no dia 28, às 21h30, e com o fotógrafo Tristan Shu, na incubadora de empresas da Ribeira Grande, a 29 de agosto, às 21h30, que vai ter também patente uma exposição de fotografias captadas em anos anteriores.
Esta edição vai contar ainda com a participação especial de dois pilotos do Canarias AcroTeam, que durante os dias do evento vão realizar acrobacias radicais.
Já a atividade de ParaTrial (parapente no solo), no dia 31, a partir das 10h00, vai permitir às crianças experimentar, em terra, um pouco da modalidade.
O programa é flexível e sujeito a alterações, em função das condições meteorológicas e dos locais de voo.
Para a organização, o festival e o parapente constituem veículos de promoção turística dos Açores, através das imagens que divulgam das paisagens açorianas, atraindo também não praticantes.
O Clube Asas de São Miguel, sediado na Ribeira Grande, conta com cerca de 70 associados. É uma associação desportiva que visa a promoção do voo livre na modalidade de parapente, e que se pauta pelo desenvolvimento e divulgação essencialmente de quatro vertentes: promoção da modalidade junto da sociedade; organização do Festival de Parapente dos Açores; formação de novos pilotos e competição nacional, lê-se, no sitio online do clube.
Em conquistas no Campeonato Nacional, o CASM, na categoria de clubes, foi vice-campeão em 2016 e campeão em 2017, 2021, 2022, 2023 e 2024. Individualmente, tem nas suas fileiras cinco campeões nacionais: Gil Navalho – tricampeão (2001, 2003 e 2007); Nuno Gomes (2009); Nuno Virgílio – pentacampeão (2013, 2015, 2019, 2023 e 2024); Paulo Silva (2017) e José Rebelo – bicampeão (2021 e 2022).