
Venicio da Costa Ponte
Vice coordenador da Iniciativa Liberal Açores
A política açoriana padece de um vício crónico: sempre que o Executivo se vê confrontado com a sua própria inoperância, refugia-se na cosmética parlamentar. A recente aprovação de um Grupo de Trabalho para analisar o dispositivo de segurança na Região é o exemplo acabado deste “Estado que se estuda a si próprio” para adiar o que é óbvio.
Enquanto liberais, não podemos aceitar este desaproveitamento de recursos e de tempo. É, no mínimo, paradoxal que o partido que sustenta a pasta da Segurança no Governo recorra ao Parlamento para obter diagnósticos que o seu próprio Executivo tem a obrigação — e as ferramentas — de produzir. O Parlamento não é, nem deve ser, o gabinete de estudos de um Governo paralisado.
A pergunta que se impõe é de mera eficácia administrativa: onde está o Gabinete Coordenador de Segurança (GCS)? Por que razão este órgão, criado precisamente para planear e articular a estratégia regional, foi olimpicamente ignorado neste processo? A resposta é amarga: a segurança pública nos Açores está refém de uma gestão por acumulação, onde a dispersão de pastas e assessorias de quem tutela o setor dilui o foco no que é essencial.
A segurança de pessoas e bens é uma função clássica e basilar do Estado. Não pode ser tratada como uma competência secundária ou um acessório de gabinete para as horas vagas. Quando a estrutura que deveria ser o “cérebro” da estratégia regional é relegada para um plano meramente formal, a segurança fica acéfala. O resultado está à vista: um dispositivo policial desfasado e profissionais no limite das suas capacidades, enquanto o poder político se perde em rituais burocráticos.
Ouvimos no Parlamento que este grupo de trabalho servirá para “sustentar futuras decisões”. Ora, num setor onde a urgência é a norma, pedir 150 dias para elaborar um relatório é um luxo que os açorianos não podem pagar. Trata-se de uma manobra de diversão que apenas serve para diluir responsabilidades: no labirinto das comissões, a responsabilidade é sempre do próximo relatório e nunca de quem governa.
A solução para a segurança nos Açores não passa por mais burocracia legislativa ou diagnósticos redundantes. Passa, sim, por profissionalizar o que já existe. Passa por dotar o GCS de uma liderança exclusiva, técnica e operante, capaz de exercer a pressão política necessária junto da República e de coordenar os meios no terreno com agilidade.
O que os açorianos esperam de quem governa não é um atestado de espera de cinco meses. É execução. Menos observação, mais ação. A segurança pública exige foco total, não apenas mais um papel para a gaveta das boas intenções.

André Silveira
O pêndulo por definição está preso ao mesmo lugar. Vivemos tempos em que a coragem e a visão se tornaram bens escassos na política, e os políticos pêndulo são o símbolo mais flagrante desta realidade. Estes são os líderes que oscilam entre posicionamentos tão ambíguos quanto calculistas, sempre a tentar agradar a todos, mas sem nunca servir verdadeiramente os interesses dos cidadãos. São aqueles que, quando confrontados com escolhas difíceis, optam pela rota mais segura para o seu futuro político, mesmo que isso signifique sacrificar o progresso e o bem-estar coletivo. Temos assistido a uma crescente falta de coragem política nos órgãos de decisão nos Açores. A autonomia, conquistada com tanto esforço, foi pensada como um instrumento para garantir que os açorianos tivessem controlo sobre o seu destino.
A pendularidade política manifesta-se de forma mais evidente na incapacidade de implementar reformas estruturais. Seja na saúde, no combate à pobreza, nos transportes, na administração pública ou no desenvolvimento económico, os políticos pêndulo preferem adiar os problemas. Optam por paliativos que apenas adiam as crises e evitam desgastes eleitorais, sem nunca atacar a raiz dos problemas. Esta falta de ambição torna-se ainda mais gritante numa região pobre e ultraperiférica como são os Açores, onde as necessidades são claras e os desafios são urgentes.
Para o político pêndulo a prioridade não é o bem-estar dos açorianos, mas sim a manutenção de mandatos e a perpetuação de carreiras políticas. Estes políticos pêndulo estão sempre centrados nas sondagens, ajustando o discurso ao sabor da opinião pública e evitando qualquer tipo de confrontação que possa comprometer a sua popularidade. É uma política do menor denominador comum, em que o curto prazo governa e o longo prazo é esquecido, e onde qualquer rasgo de visão ou coragem é prontamente silenciado.
Enquanto isso, o custo deste imobilismo é pago pelos açorianos. É pago com as SATA’s, hospitais modulares, circulares e outros elefantes brancos que trazem pouco ou nenhum desenvolvimento, ou pior, são âncoras pesadas ao pescoço do futuro da região e das próximas gerações. Os açorianos merecem melhor. Merecem líderes que coloquem o bem-estar e o progresso da região acima dos cálculos eleitorais.
São necessárias escolhas corajosas para quebrar ciclos de estagnação. Isso significa enfrentar interesses instalados, afrontar setores privilegiados e arriscar a impopularidade no curto prazo para garantir um futuro melhor. Infelizmente, a coragem é uma qualidade ausente nos políticos pêndulo. Estes preferem equilibrar-se no fio da popularidade, evitando qualquer movimento que ameace o seu equilíbrio precário. Mas a coragem é precisamente o que distingue estadistas de meros gestores de mandatos.
Os Açores precisam de reformas profundas, desde uma economia menos dependente do setor público e mais orientada para a iniciativa privada, até à redução do peso da burocracia e à reforma do pesado aparelho do estado. Estas são transformações que exigem líderes com visão, determinação e capacidade para enfrentar críticas e resistências.
Os Açores merecem políticos que se comprometam com um verdadeiro projeto de desenvolvimento, em vez de se deixarem arrastar pelas correntes do imediatismo. Os açorianos precisam de lideranças que inspirem confiança, que se guiem por princípios e que estejam dispostas a assumir riscos em nome de um futuro melhor. Porque, no final das contas, é isso que distingue os líderes dos políticos pêndulo: a capacidade de colocar os interesses do povo acima dos próprios interesses e dos seus partidos.
É urgente que os açorianos exijam mais. Que cobrem coragem, visão e compromisso aos seus representantes. Enquanto continuarmos a aceitar o pêndulo como norma, estaremos condenados a oscilar entre a estagnação e o retrocesso. Os Açores merecem avançar, e avançar exige lideranças que não temam a queda, mas que ambicionem o céu. Os Açores merecem mais e melhor.