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Açores mantêm elevada adesão ao catolicismo, com Vila Franca do Campo em destaque nacional

Estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos e da Universidade Católica Portuguesa revela que 96,3% da população de Vila Franca do Campo se identifica como católica, no âmbito de uma tendência de diminuição do catolicismo e aumento da diversidade religiosa no arquipélago

© NOTÍCIAS QUE CONTAM

Os Açores continuam a registar uma das maiores proporções de população católica em Portugal, apesar de acompanharem a tendência de diminuição do peso do catolicismo e de crescimento da diversidade religiosa e de pessoas sem religião observada no país. A conclusão resulta de um estudo promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e coordenado pelo Centro de Investigação em Teologia e Estudos da Religião da Universidade Católica Portuguesa, elaborado com base nos dados facultativos sobre religião recolhidos nos Censos 2021.

No contexto regional e nacional, o concelho de Vila Franca do Campo sobressai ao registar 96,3% da população identificada como católica. Trata-se de um dos valores mais elevados do país e do município onde a identidade religiosa se manteve mais estável em relação aos dados de há uma década. No mesmo concelho, a diversidade religiosa representa 0,8% da população e os residentes sem religião fixam-se nos 2,9%.

A elevada percentagem de católicos é transversal a outros concelhos da ilha de São Miguel e da Região Autónoma dos Açores, nomeadamente no Nordeste (95,3%) e na Povoação (95,2%), que integram igualmente o grupo dos municípios mais católicos do país. Percentagens superiores à média nacional encontram-se também em Santa Cruz da Graciosa (94,9%), Ribeira Grande (94,3%), Lagoa (92,3%), Praia da Vitória (92,3%), Ponta Delgada (91,0%), Angra do Heroísmo (90,1%) e Lajes do Pico (89,2%).

Apesar da predominância católica, a quase totalidade dos concelhos açorianos registou uma diminuição percentual do catolicismo entre 2011 e 2021. Em termos absolutos, o número de católicos cresceu apenas na Madalena do Pico e em Ponta Delgada, integrando um grupo restrito de 44 concelhos do país onde se verificou um aumento do número absoluto de fiéis católicos.

Paralelamente, observou-se um crescimento das outras confissões religiosas na maioria dos municípios açorianos, com destaque para a expansão de confissões cristãs não católicas, designadamente evangélicas, bem como um aumento da percentagem de cidadãos sem pertença religiosa. Ainda assim, a média de pessoas sem religião nos concelhos açorianos figura entre as mais baixas a nível nacional, contrastando com a média do país, que se fixa nos 14%.

Segundo a análise dos investigadores do Centro de Investigação em Teologia e Estudos da Religião, a evolução da diversidade religiosa relaciona-se em parte com os fluxos migratórios, em particular com a chegada de populações oriundas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e do Brasil, um fenómeno visível nos concelhos açorianos com maior fixação de residentes estrangeiros.

No plano nacional, mais de sete milhões de pessoas com mais de 14 anos declaram-se católicas (80% do total), representando uma descida de três pontos percentuais face a 2011. Em contrapartida, 14% da população nacional afirma não ter religião e 6% identifica-se com outras confissões religiosas.

Santa Maria acolhe 80 jovens na décima Peregrinação Diocesana de Acólitos

A ilha mais oriental dos Açores transforma-se, entre os dias 6 e 10 de julho, no epicentro da fé e da comunhão juvenil, reunindo participantes de três ilhas sob o lema “Acólitos com Graça”

Acolhimento dos participantes na VIII Peregrinação Diocesana de Acólitos © IGREJA AÇORES/EM

A ilha de Santa Maria, nos Açores, prepara-se para receber, entre os próximos dias 6 e 10 de julho, 80 jovens acólitos vindos das ilhas do Faial, de São Miguel e da própria ilha anfitriã. O grupo vai reunir-se na décima Peregrinação Diocesana de Acólitos, uma iniciativa que promete aliar momentos de formação, oração, convívio e descoberta daquela que é a primeira ilha do arquipélago açoriano.

De acordo com a notícia publicada no sítio Igreja Açores, esta jornada de cinco dias pretende, acima de tudo, reforçar o espírito de serviço à Igreja. O encontro visa ainda estreitar os laços de amizade entre os jovens que desempenham este ministério litúrgico nas suas respetivas comunidades paroquiais.

A logística deste grande encontro comunitário terá como base central o Quartel dos Bombeiros Voluntários de Vila do Porto. Este espaço estratégico acolherá todas as refeições, os momentos de convívio e as diversas atividades dinâmicas programadas para a semana.

Embora a chegada dos primeiros grupos de fora da ilha comece a registar-se logo no dia 6 de julho, o programa oficial arranca na terça-feira, dia 7. Este primeiro dia será inteiramente dedicado ao acolhimento formal dos participantes, com almoço e jantar comunitários, terminando a noite com uma sessão de boas-vindas e confraternização.

Para o dia 8 de julho, a organização preparou um roteiro especial pelos locais mais emblemáticos de Santa Maria. Os jovens vão realizar uma oração na Ermida de Nossa Senhora de Fátima, seguida de um almoço convívio no Parque Florestal das Fontinhas e de um momento de lazer na icónica Baía dos Anjos. A noite fechará com uma vigília na Igreja de Santo Antão.

A dimensão formativa e o ponto alto das celebrações religiosas estão reservados para o dia 9 de julho. A manhã começará com uma sessão intensiva promovida pela Comissão Diocesana de Acólitos, focada na partilha de experiências e no aprofundamento das funções litúrgicas.

Durante a tarde do mesmo dia, os peregrinos concentrar-se-ão no Jardim Municipal de Vila do Porto. Dali partirá uma procissão solene em direção à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, onde será celebrada a Eucaristia Central. O encerramento definitivo do evento e o regresso progressivo dos participantes às suas ilhas de origem acontecem a 10 de julho.

Segundo a agência Igreja Açores, a iniciativa recorda que o serviço ao altar é também um caminho de crescimento humano e espiritual, vivido com alegria e dedicação. Na Igreja Católica, o acólito tem a missão de acompanhar e servir discretamente nas celebrações.

Recorde-se que estes ministros se dividem entre acólitos instituídos (um ministério laical para adultos) e não instituídos (geralmente crianças). Em Portugal, o patrono oficial destes jovens é São Francisco Marto, um dos três pastorinhos videntes de Fátima.

Império de São Pedro celebra o Espírito Santo em Água de Pau

© CML

O Largo do Santiago, na vila de Água de Pau, no concelho da Lagoa, vai receber, entre os dias 3 a 5 de julho, o império de São Pedro – festa em honra do Divino Espírito Santo. Esta efeméride encerra, no concelho da Lagoa, as comemorações em honra do Divino Espírito Santo.

O programa festivo combina religiosidade, cultura, convívio, união comunitária e muita animação musical, reafirmando a sua importância na preservação das tradições e dos valores da solidariedade e da partilha.

As festividades têm início na sexta-feira, 3 de julho, com a distribuição de cerca de setecentas pensões aos portadores do cartão Lagoa + Saúde, seguida da abertura do quarto do Divino Espírito Santo, com a presença da banda filarmónica Fraternidade Rural. A noite contará com atuações do Grupo Vozes do Monte Santo e dos Imperadores.

No sábado, 4 de julho, o destaque vai para o convívio comunitário com porco no espeto, acompanhado pela animação do grupo de acordeões de Pedro Estrela. O programa inclui também atuações do grupo Folias da Nossa Terra, a apresentação de marchas populares da Casa do Povo de Água de Pau e da Ribeira Chã, que será antecedido de um desfile protagonizado pelos grupos de escoteiros n.º 97 de Água Pau, o agrupamento de escuteiros n.º 1233 da Ribeira Chã e o agrupamento de escuteiros n.º 798 do Cabouco, encerrando a noite com o espetáculo de Nuno Martins e as suas bailarinas.

O domingo, 5 de julho, será marcado pelos momentos mais solenes, com a missa com coroação do império de São Pedro, na igreja de Nossa Senhora dos Anjos, seguida de procissão. Durante a tarde, haverá distribuição de sopas do Espírito Santo, massa sovada e arroz-doce, acompanhada pela animação da despensa Os Companheiros, de Rabo de Peixe. O programa prossegue com atuação de grupos de foliões, concerto da banda Acoustics e termina com o tradicional sorteio de domingas.

Ouvidoria da Ribeira Grande une paróquias na celebração secular do Corpo de Deus

Iniciativa da Confraria do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela decorre entre 1 e 7 de junho. Programa integra tríduo preparatório, conferência e a solene procissão pelas ruas da cidade, reforçando a devoção eucarística e os laços comunitários

© ACÁCIO MATEUS

A Ouvidoria da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, vai celebrar, entre os dias 1 e 7 de junho, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. A iniciativa é promovida pela Confraria do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela, que convida todas as paróquias do concelho a unirem-se nesta importante manifestação de fé.

Segundo a notícia publicada pelo sítio Igreja Açores, o programa arranca com um tríduo preparatório nos dias 1, 2 e 3 de junho, pregado pelo diácono Fábio Silveira. No primeiro dia, a celebração começa às 19h00 e inclui a conferência “A comunidade dos Crentes, a Igreja”, proferida pelo padre Nelson Pereira. Nos dois dias seguintes, o tríduo terá lugar às 20h00.

As celebrações continuam na sexta-feira, dia 6 de junho, com a Eucaristia às 18h30, seguida de um momento de Adoração ao Santíssimo Sacramento. O ponto alto está reservado para sábado, dia 7 de junho, com uma nova celebração eucarística que culminará com a solene procissão pelas ruas da cidade.

A organização está a cargo da Confraria do Santíssimo Sacramento da Matriz, fundada a 26 de novembro de 1669. De acordo com os seus estatutos, a instituição mantém a missão de preservar esta tradição secular, profundamente enraizada na identidade e na vivência religiosa da comunidade local.

Esta solenidade remonta ao século XIII, instituída pelo Papa Urbano IV em 1264. Celebrada 60 dias após a Páscoa, a festa realça a centralidade da Eucaristia. Na exortação Sacramentum Caritatis, o Papa Bento XVI recorda que este mistério “é a doação que Jesus Cristo faz de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus”.

Em todo o arquipélago dos Açores, a data assume um forte significado comunitário. O documento partilhado destaca o exemplo vizinho da Ouvidoria da Povoação, onde o dia é vivido como feriado concelhio. Agora, a Ouvidoria da Ribeira Grande apela à participação de todos os fiéis para renovar a fé e fortalecer os laços entre as paróquias.

Vila Franca do Campo celebra 25 anos de fé com o lançamento de “Irmandade Divino Espírito Santo da Mãe de Deus”

A obra de Carlos Vieira, apresentada pelo Bispo de Angra na Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, regista um quarto de século de serviço comunitário e solidariedade, sublinhando a identidade religiosa que une as gentes de Vila Franca do Campo e dos Açores

© IGREJA AÇORES/CR

O auditório da Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, em Vila Franca do Campo, foi este sábado o cenário da apresentação do livro “Irmandade Divino Espírito Santo da Mãe de Deus… 25 anos a servir”. A obra da autoria de Carlos Vieira assinala os 25 anos de dedicação e serviço comunitário desta instituição, num evento que reuniu membros da irmandade, fiéis e diversas personalidades locais. A apresentação ficou a cargo de D. Armando Esteves Domingues, Bispo de Angra, que descreveu o livro como “um filho que, ao ser apresentado, ganha vida nova”, enaltecendo a linguagem acessível, a riqueza histórica e a dimensão de reflexão teológica da publicação. O autor propõe uma abordagem simultaneamente simples e profunda ao mistério do Divino, procurando, segundo a mesma nota, “explicar de forma clara aquilo que muitas vezes se sente, mas nem sempre se compreende”, através do recurso a testemunhos de antigos mordomos, familiares e membros da comunidade.

A narrativa percorre a história da irmandade, fundada oficialmente a 16 de abril de 2001 por João José Arruda, tendo contado posteriormente com o impulso de Elias Raposo Sardinha, responsável pela conclusão da sede inaugurada em 2004. Contudo, as raízes deste império são seculares, remontando a cerca de trezentos anos e mantendo uma ligação histórica à Casa da Mãe de Deus e à família Botelho de Gusmão, o que o torna um dos mais antigos do arquipélago. Ao longo das décadas, a instituição tem mantido o compromisso de traduzir a fé em ações concretas de solidariedade. Exemplo disso é o facto de, apenas em 2025, terem sido distribuídas cerca de 900 pensões, um sinal claro do auxílio prestado aos mais necessitados da região.

© IGREJA AÇORES/CR

Durante a sessão, D. Armando Esteves Domingues sublinhou que “o Espírito Santo não tem rosto nem corpo: experimenta-se, não se vê. É Deus vivo em nós, é o amor”, definindo a obra de Carlos Vieira como um “manual” acessível sobre esta dimensão espiritual. O livro evoca ainda a figura central de Santa Isabel de Portugal e o milagre associado à construção da igreja, guiando o leitor por tradições como a procissão de coroação e destacando o papel da mulher como símbolo de união na vivência desta devoção. Também presente na cerimónia, a presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, Graça Ventura, considerou a obra “uma homenagem à fé de um povo”, elogiando o percurso do autor como um exemplo de devoção e humildade. No encerramento, ficou o apelo à continuidade desta tradição que define a identidade açoriana, reforçando o ideal de fraternidade e partilha num mundo cada vez mais marcado pela indiferença.

Vila Franca do Campo recebe primeira visita pastoral de D. Armando Esteves Domingues a São Miguel

O prelado de Angra percorre as paróquias da ouvidoria entre 18 e 26 de abril, num roteiro de proximidade que privilegia o diálogo com as instituições, a escuta ativa dos fiéis e o debate sobre os desafios do clero e a escassez de vocações

© DIÁRIO DA LAGOA

A ilha de São Miguel prepara-se para acolher, a partir de amanhã, 18 de abril, a primeira visita pastoral de D. Armando Esteves Domingues desde o início do seu episcopado. O périplo arranca na ouvidoria de Vila Franca do Campo e prolonga-se até ao dia 26 de abril, marcando um momento que a Igreja local classifica como histórico. Sob o lema “Bendito o que vem em nome do Senhor”, a iniciativa pretende ser, acima de tudo, um espaço de comunhão e renovação espiritual para a comunidade cristã vilafranquense. Segundo nota de imprensa enviada pela Ouvidoria de Vila Franca do Campo, a agenda do bispo de Angra será intensa e descentralizada, com passagens previstas pelas paróquias de Água d’Alto, São Pedro, Ponta Garça e Matriz, incluindo contactos diretos com escolas, associações, movimentos de leigos e visitas a doentes.

O padre José Borges, ouvidor local, destaca a importância deste encontro que rompe com o protocolo institucional para se focar nas pessoas. “Não é apenas uma formalidade do calendário; é, acima de tudo, um encontro de família”, sublinha o sacerdote, descrevendo D. Armando Esteves Domingues como “um pastor com cheiro a ovelhas”, cuja presença reforça o sentimento de que a comunidade não caminha isolada. Para o responsável, a visita é uma oportunidade para o prelado conhecer de perto a realidade de uma ouvidoria que já trabalha há vários anos numa dinâmica de cooperação entre paróquias, facilitando a implementação das orientações diocesanas e o caminho sinodal proposto pelo Papa Francisco.

Contudo, a visita pastoral será também um momento de reflexão sobre as fragilidades que afetam a prática religiosa na região. Entre os temas que a ouvidoria pretende levar ao diálogo com o bispo figuram a diminuição da participação ativa dos fiéis e a premente escassez de vocações sacerdotais. O padre José Borges alerta ainda para a crescente sobrecarga do clero, notando que “hoje, um padre assume várias paróquias, com as mesmas exigências de sempre”, o que obriga a um olhar mais atento sobre a saúde e o bem-estar dos sacerdotes. Apesar destes desafios, a estrutura pastoral de Vila Franca do Campo mantém o otimismo, sustentando que a fé da população permanece viva, ainda que confrontada com as exigências de uma vida quotidiana mais complexa.

A preparação deste evento mobilizou conselhos pastorais e equipas de formação, culminando numa assembleia eclesial que reforçou o papel dos leigos na Igreja. O programa inclui momentos de particular simbolismo, como encontros com jovens e escuteiros, a celebração de crismas e a denominada “Festa da Fé”. O encerramento oficial da visita pastoral terá lugar no dia 26 de abril, na Igreja Matriz de Vila Franca do Campo, com uma celebração eucarística que deverá reunir representantes de todas as comunidades da ouvidoria. Conforme sintetiza o padre José Borges, o objetivo final desta passagem de D. Armando Esteves Domingues pela localidade é claro: “Queremos construir juntos um caminho de fraternidade e futuro”.

Ouvidoria de Vila Franca do Campo prepara visita pastoral do Bispo de Angra

D. Armando Esteves Domingues percorre o concelho entre 19 e 26 de abril num encontro que mobiliza paróquias e instituições locais

© ACÁCIO MATEUS

A ouvidoria de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, recebe entre os dias 19 e 26 de abril, a visita pastoral do bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues. A iniciativa, que envolve paróquias, movimentos e instituições locais, é encarada pela comunidade vilafranquense como um momento de renovação espiritual e de reforço da comunhão eclesial. Segundo notícia da agência Igreja Açores, a preparação tem decorrido ao longo dos últimos meses através de encontros com os conselhos pastorais e económicos, com o objetivo de envolver todos os agentes neste processo de receção ao prelado.

Para o ouvidor, padre José Borges, esta visita transcende a formalidade do calendário episcopal. “Não se trata apenas de um ato administrativo ou de uma formalidade do calendário episcopal. Acima de tudo, é um encontro de família”, afirma o sacerdote, sublinhando que o propósito é permitir uma proximidade real entre o Bispo e os fiéis. A vinda do prelado acontece num contexto de caminho sinodal, onde D. Armando Esteves Domingues é reconhecido pela sua “grande capacidade de proximidade e uma escuta muito atenta”, características que o padre José Borges considera fundamentais para a missão da Igreja junto das populações.

Um dos eixos centrais desta visita é o aprofundamento do sacramento do batismo, inserido na caminhada para os 500 anos da Diocese de Angra. O ouvidor recorda que “é no batismo que começa o ser cristão”, esperando que esta passagem do Bispo ajude a reavivar essa identidade em cada fiel. Carlos Vieira, coordenador do Conselho Pastoral da ouvidoria, reforça que o programa incluirá visitas às instituições e forças vivas de cada freguesia, procurando também analisar desafios como a participação nas celebrações. Em paralelo, destaca o dinamismo de espaços como o Santuário de Nossa Senhora da Paz, que se tem afirmado como um centro de espiritualidade e acolhimento para peregrinos na região.

Vila Franca do Campo prepara visita pastoral com assembleia eclesial

Encontro promovido pela equipa sinodal diocesana reuniu leigos e clero para refletir sobre o papel da comunidade e os desafios da sinodalidade

© IGREJA AÇORES/CR

A ouvidoria de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, acolheu no centro paroquial da matriz, a primeira assembleia eclesial destinada a preparar a visita pastoral do bispo de Angra, agendada para o período de 19 a 26 de abril. O encontro foi realizado em parceria com a equipa sinodal diocesana e reuniu representantes de paróquias, movimentos e serviços locais. O objetivo central passou por sensibilizar a comunidade para este momento de “graça”, como descreveu o ouvidor de Vila Franca, padre José Borges, sublinhando a importância de reavivar o compromisso cristão a partir do batismo.

Durante a sessão, o padre José Borges destacou que o percurso da Igreja deve ser feito com a participação ativa de todos, sem exceções. “Todos são importantes: os que estão dentro, os que estão mais afastados, os que chegam e os que estão envolvidos nos sacramentos”, afirmou o sacerdote, defendendo um maior protagonismo dos leigos que vivem a sua fé no quotidiano, desde as famílias às fábricas. Para o ouvidor, a continuidade e a vitalidade das paróquias dependem de pessoas que “não apenas mostram que foram batizadas, mas que vivem o seu batismo” nos mais diversos contextos sociais da ilha.

© IGREJA AÇORES/CR

O encontro dividiu-se entre a reflexão teórica sobre documentos do sínodo e um momento prático de “conversação no espírito”, onde se debateram os obstáculos à participação comunitária. De acordo com a equipa sinodal, embora existam estruturas de colaboração, ainda persiste um compromisso reduzido por parte dos leigos em algumas áreas. O coordenador da equipa, padre José Júlio Rocha, reforçou a visão de uma Igreja menos clerical e mais próxima das pessoas, onde o sacerdote atua como um pastor que caminha junto ao povo. “O que queremos é promover uma igreja aberta ao espírito, que caminha junta na sua diversidade”, concluiu o responsável, sintetizando o espírito de renovação que se pretende para a diocese.

“Sejam fermento e transformem as vossas comunidades”, apela o padre Fernando Teixeira na romaria que juntou várias gerações

Iniciativa da Comunidade de Nossa Senhora de Fátima reuniu cerca de 500 peregrinos de várias paróquias, num caminho marcado por dinâmicas de introspeção e pela forte presença de jovens

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Ainda antes do nascer do sol, quando a madrugada guarda o silêncio que amplia o som de cada passo, a Romaria da Comunidade de Nossa Senhora de Fátima, em Ponta Delgada, começou a contornar as estradas. Entre quase meio milhar de peregrinos, cruzam-se histórias que ajudam a perceber o sentido profundo de um caminho que, este ano, fez paragem no miradouro do Pisão, perto da Ribeira Chã, concelho da Lagoa, num lembrete de que a romaria nunca acaba, pois somos peregrinos a vida inteira.

Patrícia Varão e a filha Maria João, de 11 anos, são presenças assíduas. A filha segue na frente, como uma das “meninas da Cruz”. A mãe, mais atrás, confessa com orgulho: “Desde que me lembro, venho sempre nesta romaria”. Embora pertençam à paróquia de Nossa Senhora do Rosário, na Lagoa, sentem-se em casa. Para Patrícia, a romaria é “um retiro, um parar dos afazeres para ter um tempo só para nós, com Deus… um tempo de introspeção e reflexão”.

Na correria dos dias, onde tudo parece urgente, a romaria por contraste oferece silêncio, oração e disponibilidade interior. É nesse espaço que muitos dizem reencontrar Deus.

Ao longo do percurso, os participantes foram convidados a viver dinâmicas espirituais. Este ano, cada romeiro recebeu uma pedra acompanhada de um poema na primeira paragem de descanso. “As pedras estão no caminho. Guardemo-las todas porque podemos construir um castelo”, explicou uma das dinamizadoras no Centro Pastoral Pio XII. O grupo de cerca de 500 peregrinos — composto na sua maioria por mulheres, mas também por homens e muitos jovens — acolheu a metáfora: cada pedra representa os desafios e momentos de crescimento. “Que cada pedra seja a descoberta de um dom; que sejamos capazes de perceber onde nos encaixamos, pois grãos de areia constroem uma linda praia”, acrescentou.

Imagem viva da Igreja em movimento

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Para o pároco Fernando Teixeira, esta romaria é uma imagem viva da Igreja em movimento. Embora já não caminhe fisicamente, faz-se presente pelo espírito. “Aproveitem a caminhada, fortaleçam-se e, no regresso às vossas comunidades, sejam fermento. Ajudem a transformar a vossa paróquia, sejam amigos”, desafiou o sacerdote, num “caderno de encargos” para uma jornada que culminou com a Eucaristia ao pôr do sol.

O padre Norberto Brum, dinamizador destas romarias quaresmais, sublinhou que a caminhada ganha um significado particular no percurso pastoral da diocese: “Procuramos renovar esta graça batismal e reafirmar o dom de sermos filhos de Deus e termos um Deus que caminha connosco”.

A iniciativa rompe também com o modelo tradicional de romarias exclusivamente masculinas ou femininas. “É uma romaria diferente por ter homens e mulheres; é uma forma de sentirmos esta Igreja como comunidade e povo que se renova dia a dia”, esclareceu o sacerdote.

O simbolismo do vaso novo

Entre as novidades deste ano esteve a dinâmica do vaso partido. Durante a celebração do perdão, um vaso foi quebrado para representar a fragilidade da vida humana, e cada participante depositou ali as suas intenções. No final, os fragmentos foram simbolicamente integrados num vaso novo. “É a nossa vida, muitas vezes fragmentada, que se transforma. É essa mudança que Deus opera em nós”, descreveu o padre Norberto.

Antes da partida, também o bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, deixou uma mensagem centrada na persistência: “Quanto mais caminhamos, mais longe vamos… é triste o cristão que para. Quanto mais caminhardes, mais O encontrareis”.

Novas vozes na estrada

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Para a Irmã Hirondina Mendes, da Congregação de São José de Cluny, a experiência foi uma revelação. “É um momento de interiorizar a fé e partilhar os nossos sofrimentos com os de Cristo e da humanidade. Há uma sede de Deus nesta humanidade e é interessante ver tanta gente a procurar essa fonte verdadeira”, afirmou, impressionada com a emoção partilhada pelo grupo.

Bárbara Ramos, natural de Trás-os-Montes e estudante de Medicina, viveu a romaria pela primeira vez. “É desafiante e sinto uma grande irmandade. Esta diferença geracional é uma novidade para mim”, contou a jovem, que vive atualmente um processo de redescoberta espiritual e de aproximação à Igreja.

Batizados na Esperança

© IGREJA AÇORES/CR

Organizada pela Comunidade de Nossa Senhora de Fátima, esta sexta edição da romaria comunitária, sob o tema “Batizados na Esperança”, integra-se no caminho rumo aos 500 anos da Diocese de Angra.
Mais do que os números ou os quilómetros, os peregrinos demonstram que o que fica desta jornada é o que acontece no interior de cada um. Entre pedras simbólicas, silêncio e partilhas, cada passo recordou uma verdade fundamental: por vezes, é preciso caminhar devagar para reencontrar o essencial.

Padre Norberto Brum apresenta novo livro com forte ligação à comunidade

Obra, que reúne anos de reflexões publicadas na imprensa regional, conta com ilustrações das crianças da Casa do Gaiato e foi lançada na Igreja de Nossa Senhora de Fátima

© CLIFE BOTELHO

A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Ponta Delgada, acolheu a apresentação do livro “Palavras da Palavra”, da autoria do padre Norberto Brum, no passado domingo, 25 de janeiro. A obra nasce da compilação de vários anos de editoriais publicados na rubrica “Afectos” do Diário dos Açores, num projeto que agora ganha uma nova vida em formato de livro com cerca de 500 páginas. Para fechar o ciclo litúrgico, o sacerdote, natural de Vila Franca do Campo, preparou textos inéditos, assegurando que todos os domingos e festas tivessem o seu devido espaço de reflexão.

A obra distingue-se pela sua forte ligação à comunidade, contando com ilustrações das crianças da Casa do Gaiato de São Miguel, instituição que o autor preside. Durante o lançamento, o padre Norberto Brum fez questão de clarificar o propósito da publicação, afirmando que se tratam de “reflexões simples sobre a Palavra de Deus, não são estudos teológicos”. Segundo o pároco, o objetivo principal passa por “tocar a realidade do nosso tempo, ajudar-nos a mergulhar na Palavra e oferecer, em cada domingo, um ponto de reflexão e de referência”.

Embora o conteúdo tenha tido origem num suplemento dedicado à juventude, o autor sublinha que o livro é transversal a todas as gerações. A intenção, como reforçou o sacerdote, é “desmistificar e simplificar a Palavra, tornando-a próxima e acessível a todos: jovens, adultos, pessoas com mais ou menos formação”. O lançamento foi deliberadamente agendado para o Domingo da Palavra de Deus, uma vez que, para Norberto Brum, “o mais importante não é dar visibilidade ao livro, mas à própria Palavra de Deus”, servindo estas páginas como um caminho para conduzir os leitores ao Evangelho.

O evento, que encerrou com um ambiente de festa, oração e música, coincidiu ainda com o fim de semana dedicado à unidade dos cristãos. O pároco da igreja mais jovem de Ponta Delgada concluiu a sessão lembrando que o protagonismo da obra pertence à mensagem e não ao escritor: “O objetivo não sou eu, nem o autor, mas aquilo que se escreve e aquilo para onde a Palavra nos leva”.