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Empresários levam preocupações à Câmara da Ribeira Grande

© CCIPD

A direção da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada reuniu-se com empresários do concelho da Ribeira Grande, no Teatro Ribeiragrandense, tendo sido identificados um conjunto de constrangimentos que afetam diretamente a atividade empresarial e o desenvolvimento económico local.

Entre as principais preocupações destacam-se as fragilidades ao nível das infraestruturas e acessibilidades, nomeadamente o estado de degradação de algumas estradas, a falta de iluminação e a inexistência de soluções de mobilidade adequadas às necessidades dos trabalhadores e das empresas. Foi igualmente sublinhada a importância estratégica da criação de um porto de cargas em Rabo de Peixe, essencial para reforçar a competitividade da economia da ilha.

No domínio do urbanismo, os empresários alertaram para a excessiva morosidade dos processos de licenciamento, ainda pouco digitalizados, e para a falta de previsibilidade associada à revisão do PDM, fatores que têm condicionado o investimento privado.

Foram também identificados problemas nas áreas do ambiente e qualidade urbana, designadamente ao nível da limpeza, gestão de resíduos e situações de poluição em zonas balneares, bem como preocupações crescentes com a segurança, defendendo-se o reforço do policiamento e a implementação de sistemas de videovigilância.

Ao nível económico, foi evidenciada a necessidade de maior dinamização do concelho, valorização dos recursos turísticos e qualificação dos recursos humanos, com particular destaque para a criação de oferta formativa ajustada às necessidades da construção civil.

Na área da energia, foi salientado o potencial da geotermia no concelho da Ribeira Grande, defendendo-se uma maior valorização deste recurso, bem como a remoção de entraves ao uso de soluções energéticas alternativas e mais sustentáveis.

Na sequência desta reunião, a direção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada reuniu-se com o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, tendo apresentado as principais conclusões e preocupações dos empresários, num espírito de diálogo institucional e de procura de soluções conjuntas para os desafios identificados.

Ribeira Grande acolhe debate sobre o combate ao abandono escolar e o papel das famílias

O V Encontro da FAPA decorre entre 29 e 31 de maio, no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, com o objetivo de traçar medidas concretas para melhorar os indicadores educativos na região

V Encontro regional acontece no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande © DL

A Federação das Associações de Pais e Encarregados de Educação dos Açores (FAPA) promove, entre os dias 29 e 31 de maio de 2026, o seu V Encontro regional no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande. O evento surge num contexto em que os indicadores educativos locais revelam desafios estruturais, como a taxa de abandono escolar precoce que ainda atinge 21,1% dos jovens açorianos, apesar dos progressos registados no ensino básico e secundário em 2025. A iniciativa pretende transformar o movimento associativo parental num catalisador de mudança, fortalecendo a parceria entre escola, família e poder local para fomentar trajetórias de sucesso educativo.

A programação tem início na sexta-feira, dia 29, às 21h00, com a sessão aberta à comunidade “Educar pela Positiva: missão (im)possível?”, dinamizada por Nuno Pinto Martins, formador certificado e fundador da Academia Educar pela Positiva. No sábado, o foco recai sobre a comunidade educativa com uma sessão de abertura que contará com a presença do presidente da FAPA, Pedro Tavares, da vice-presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Délia Melo, e da secretária regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro. Ao longo do dia 30, serão realizados debates e grupos de trabalho em formato world café sobre temas como literacia digital, mediação parental e o fortalecimento do movimento associativo, contando com a participação do diretor regional da Educação, Rui Espínola.

De acordo com a nota de imprensa da organização, os trabalhos de sábado resultarão na compilação de um “Guia de Ativação Parental”, que reunirá medidas concretas a propor à comunidade educativa. O encerramento do encontro acontece no domingo, dia 31 de maio, com a realização da primeira Assembleia Geral presencial da história da FAPA, agendada para as 09h30, onde será formalmente aprovado o documento resultante dos debates dos dias anteriores. O evento conta com o apoio de diversas entidades, incluindo o Governo dos Açores e a Câmara Municipal da Ribeira Grande.

EB1/JI de Foros celebra 50 anos da Autonomia com arte e música original

A comunidade educativa da Ribeira Grande reuniu-se para assinalar o meio século de Autonomia regional, inaugurando um painel de azulejos e estreando uma canção composta especificamente para a efeméride

© LEANDRO P. DUARTE

A Escola Básica e Integrada (EB1/JI) de Foros, na Ribeira Grande, assinalou ontem os 50 anos da Autonomia dos Açores com uma cerimónia pública que uniu a comunidade escolar e entidades locais em torno da identidade açoriana. O evento serviu de palco para a apresentação de projetos artísticos desenvolvidos pelos alunos ao longo do ano letivo, reforçando o papel da educação na preservação da cultura regional. A iniciativa contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande, Jaime Vieira, do presidente da Junta de Freguesia da Conceição, Pedro Pavão, e do Reverendo Padre Nelson Vieira, além de docentes e familiares.

Durante a cerimónia, a coordenadora da escola, Minerva Oliveira, sublinhou a ligação intrínseca entre o desenvolvimento político da região e o ensino. “Celebrar a Autonomia é também celebrar a Educação”, afirmou a docente, reiterando que este marco histórico simboliza “a capacitação para o crescimento integral das nossas crianças como futuros defensores da região”. Como prova deste compromisso pedagógico, foi inaugurado um painel em azulejos, criado pelos estudantes, que retrata elementos icónicos do arquipélago.

Um dos momentos altos da celebração foi a estreia da canção “Açores, terra querida”, com letra e música da autoria do professor de Expressão Musical, Rui Correia. A obra foi acompanhada por um videoclipe realizado pelo próprio docente e editado por Éric Correia, que culminou numa atuação coletiva dos alunos. De acordo com a nota de imprensa enviada pela organização do evento, o encerramento da sessão foi marcado pelo descerramento solene do painel, simbolizando a união entre a escola e a comunidade na promoção dos valores açorianos.

PSP detém suspeito de tráfico de droga em jardim público no Pico da Pedra

Um homem de 33 anos foi detido pela brigada de investigação criminal da esquadra de Rabo de Peixe na posse de heroína e substâncias sintéticas, tendo ficado sujeito a apresentações periódicas às autoridades

© DL

Os agentes da brigada de investigação criminal da esquadra de Rabo de Peixe procederam, no final da semana passada, à detenção em flagrante de um indivíduo de 33 anos, suspeito da prática do crime de tráfico de droga. Segundo uma nota informativa do Comando Regional da Polícia de Segurança Pública (PSP) dos Açores, a operação ocorreu na sequência de uma investigação em curso, culminando na abordagem ao suspeito num jardim público situado na freguesia do Pico da Pedra, no concelho da Ribeira Grande.

No momento da detenção, o homem encontrava-se a desenvolver a atividade ilícita em pleno espaço público, tendo-lhe sido apreendidas 17 doses de heroína e oito doses de uma substância ainda indeterminada, embora as autoridades suspeitem tratar-se de droga sintética. Além do estupefaciente, os agentes confiscaram 107 euros em numerário e uma trotinete elétrica, com um valor estimado de 300 euros, que seria utilizada como apoio à prática do crime.

Após ter sido submetido a primeiro interrogatório judicial perante as instâncias competentes, foram aplicadas ao arguido as medidas de coação de termo de identidade e residência (TIR), a obrigação de apresentações periódicas perante as autoridades e a proibição expressa de frequentar locais referenciados pelo consumo e tráfico de estupefacientes.

Ribeira Grande estuda criação de apiário comunitário para reforçar biodiversidade

O Município da Ribeira Grande e a Casermel unem esforços para proteger as abelhas e promover o mel local como pilar da sustentabilidade ambiental e da saúde alimentar no concelho

© CM RIBEIRA GRANDE

A Câmara Municipal da Ribeira Grande prepara-se para reforçar as políticas de proteção ambiental através de uma nova parceria estratégica com a Casermel – Cooperativa de Apicultores e Sericicultores de São Miguel, CRL. Num recente encontro de trabalho entre o executivo municipal e a direção da cooperativa, foram lançadas as bases para uma colaboração que visa não só a preservação das abelhas, mas também a valorização do mel enquanto produto de excelência da região. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia, o presidente Jaime Vieira destacou o papel vital destes polinizadores no equilíbrio dos ecossistemas locais, sublinhando que “as abelhas são fundamentais para a polinização, um processo indispensável à reprodução de inúmeras espécies vegetais, incluindo culturas agrícolas essenciais à nossa alimentação”.

Face a este diagnóstico, o Município assumiu o compromisso de identificar áreas específicas no concelho com condições ideais para a polinização, prevendo-se ainda a plantação de espécies florais em espaços públicos para potenciar a biodiversidade. Esta estratégia estende-se à gestão dos espaços verdes municipais, que passará a ser feita com um foco acrescido na sustentabilidade e no suporte à vida apícola. Uma das medidas mais inovadoras em análise é a criação de um apiário comunitário, pensado para ser um centro de aprendizagem e literacia ambiental, onde a comunidade poderá compreender melhor o ciclo de vida das abelhas e a importância dos produtos derivados da colmeia.

Para além da vertente ecológica, a iniciativa pretende dar um impulso económico aos produtores locais, incentivando o consumo de mel como um alimento de elevado valor nutricional e medicinal. Jaime Vieira reforçou a necessidade de integrar este produto numa dieta equilibrada, garantindo que o município apoiará a divulgação de quem trabalha no setor. O autarca concluiu a reunião com um olhar sobre o futuro, afirmando que o apoio a estas causas é um imperativo geracional, pois “proteger as abelhas é garantir o futuro dos nossos ecossistemas e das gerações vindouras”.

“A ciência não tem de anular a fé nem a fé tem de anular a ciência”

Em entrevista ao Diário da Lagoa, o enfermeiro e romeiro Hélio Ponte reflete sobre como a espiritualidade e a evidência clínica se complementam no cuidado ao próximo, num testemunho onde a farda do hospital e o xaile da romaria se unem pelo mesmo propósito: a vida

Hélio Ponte nasceu em Vila Franca do Campo onde viveu até 2004, atualmente reside na Ribeira Grande © ACÁCIO MATEUS

Hélio Ponte nasceu em Vila Franca do Campo no ano de 1976, onde viveu até 2004, mas sem nunca perder a ligação à terra de origem. Atualmente vive na Ribeira Grande com a esposa e o filho. Toda a família e ascendentes são de Vila Franca do Campo.

Viveu uma infância normal, sem luxos, no berço de uma família humilde. Enquanto criança, passou muito tempo com os amigos, em particular no cais do Tagarete, mantendo sempre uma estreita ligação à igreja, inicialmente como acólito.

Filho de pai pescador e uma de família ligada ao mar, viu o pai mudar de vida quando passou a motorista marítimo, mas sem perder o ‘chão’ de água. A mãe, doméstica, tratava das lides da casa.

É o filho mais velho de três – irmão de Raquel e José Mário – e o seu percurso académico começou na então Escola Primária de Vila Franca do Campo (atualmente EB1/JI Prof. António dos Santos Botelho), Escola Preparatória de Vila Franca do Campo (agora designada de EB/S Armando Cortês-Rodrigues), Escola Secundária Antero de Quental e, mais tarde, Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada (atualmente Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores).

Nesta entrevista, fala da fé, da romaria, do ser romeiro, do ser enfermeiro e de como a ciência e a fé se podem complementar na salvação de pessoas.

© ACÁCIO MATEUS

DL: Quando decidiu ser enfermeiro?
O meu ensino secundário, por vários fatores, não foi totalmente linear. Alguns sobressaltos, dúvidas talvez típicas da idade. Nunca fui um “aluno de excelência”, mas tinha consciência que sempre dei o meu melhor. Em 1997 fiz exames nacionais e iniciei o curso de enfermagem nesse mesmo ano, ainda como curso de bacharelato terminando em 2000, mas tivemos oportunidade de fazer de imediato o ano complementar de formação em enfermagem que terminou em 2001 dando-nos a equivalência a licenciatura. Nesta altura já enfermeiros formados há vários anos já estavam a regressar aos bancos da universidade para obterem a mesma equivalência. Foi uma mais-valia ter-nos sido dada essa oportunidade.

DL: Foi algo que já queria ou foi uma oportunidade de carreira/estabilidade?
Um misto de ambas. Talvez tenha descoberto essa apetência bem tarde ou, se calhar, até foi no momento certo, será sempre uma incógnita, mas não me arrependo de nada e tenho a certeza que faço-o com rigor e dedicação. Não gosto de falar do termo “vocação”, acho demasiado forte e não acho que se adeque por completo a esta profissão. É, acima de tudo, necessário o saber, saber estar e saber ser. Na altura era uma profissão com muita saída e colocação garantida. Também foi uma oportunidade de estabilidade de carreira e rapidamente (em menos de um ano) entrei para os quadros do HDES.

DL: Sempre trabalhou na mesma área ou tem vindo a mudar de área?
Desde que comecei a exercer atividade profissional foi sempre nesta área e na mesma instituição, o HDES.

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DL: Ser romeiro foi uma decisão repentina ou já tinha outros familiares romeiros na família que o foram “puxando” para a romaria?
A pergunta foi muito bem colocada: desde quando és romeiro e não desde quando vais de romeiro. São duas perspetivas completamente diferentes porque a romaria é uma vivência para a vida e não só aqueles oito dias. Acaba por ser uma conduta e não um mero rito anual de penitência. Até podemos questionar o porquê deste penitenciar nos dias de hoje, mas não é uma procura de sacrifício desmedido porque, acima de tudo, quer-se misericórdia e não sacrifícios. Acaba também por ser um “peso” e responsabilidade porque somos logo apontados ao mínimo deslize no dia a dia. Não participamos numa romaria por sermos “santos e exemplo” (nunca haveria romarias assim), vamos na mesma por termos um propósito e um chamamento. Obviamente que há, infelizmente, quem se desvie do que é fazer e estar numa romaria.

Nunca tive familiares próximos que fossem romeiros na altura em que comecei. Fiz a minha primeira romaria em 2006 e desde então nunca mais deixei a mesma. Só me arrependo de não ter começado mais cedo. No entanto, tal não foi possível por múltiplos fatores, especialmente os estudos. Vila Franca do Campo só retomou as romarias no ano de 2000 depois de um grande interregno desde 1979 e, em boa hora, voltaram nas pessoas dos irmãos Carlos Saêta, José Pimentel e Hermínio Sousa, ficando depois entregue ao nosso atual mestre, irmão Carlos Vieira, e melhor entregue não poderia ficar.

Sempre gostei de ver os ranchos de romeiros, sempre tive a minha ligação à igreja e aos seus movimentos, como acólito, escuteiro e no Grupo de Jovens Vicentinos, mas nunca surgira oportunidade de o concretizar. Depois de ler o livro “Diário de uma Romaria”, de 2005, do irmão mestre Carlos Vieira, foi o incentivo que faltava. Não me sentia necessariamente afastado da igreja nessa altura, mas faltava algo e a romaria foi o que faltava.

Lembro-me perfeitamente da minha primeira romaria. A minha primeira pernoita de sempre na Fajã de Cima foi mesmo um testar das forças e de força de vontade, não pela família que nos recebeu que foi de um carinho formidável, mas por outros fatores desde água fria e eu, por respeito e ainda acanhado e novato, tive vergonha de dizer, desde barulho de vizinhos…dormi pouco ou mesmo nada. Na madrugada seguinte, no Alto da Mãe de Deus, em Ponta Delgada, só me apetecia vomitar. Não estava fisicamente bem e questionei mesmo o que eu fazia ali. Foi o primeiro e único momento desde que sou romeiro que essa “tentação” de sair da romaria me passou pela cabeça. Não estava mesmo bem. Mas os irmãos mais experientes foram sempre me incentivando. A refeição na paragem na Casa de Saúde de Nossa Senhora da Conceição foi o volte-face. Desde então que não consigo imaginar um ano sem ter essa semana de isolamento e introspeção. Sei bem ao que me vou sujeitar, ao desconforto, à dor, a poucas horas de sono, a dias que podem ser mesmo violentos. Sim, dependendo de várias circunstâncias, uma romaria pode mesmo ser violenta física e psicologicamente. Os três anos de interregno devido à pandemia não foram fáceis de lidar.

DL: Sendo um homem da medicina, onde por vezes se operam verdadeiros milagres que salvam pessoas, até onde vai a medicina e onde começa a fé/devoção das pessoas?
Numa das reuniões de preparação da romaria falamos precisamente disso, do equilíbrio entre a fé e a ciência. Faz-se a comparação com as duas asas de uma ave. A mesma só voa em segurança se as duas asas estiverem bem. Uma asa é a razão (a ciência) e a outra é a fé (Deus). É perfeitamente possível esse equilíbrio desde que vejamos esse equilíbrio na base da complementaridade e não do conflito. São duas formas complementares de se buscar a verdade. O próprio Einstein via a ciência e a racionalidade do universo como evidência no limite de algo superior, de uma inteligência criadora. Várias pessoas ligadas à igreja foram também cientistas como Georges Lemaître, sacerdote, que desenvolveu a teoria do Big Bang, do átomo primordial. A ciência explica como aconteceu e a fé o porquê de acontecer. A ciência não tem de anular a fé, nem vice-versa. Na nossa civilização ocidental, se é que é permitido usar esta expressão sem que me atirem sete pedras, a criação de universidades cristãs são o exemplo de como a fé cristã pode fomentar o conhecimento e desenvolvimento científico. A meditação também é vista como ciência da mente.

Entendo que consegui uma formação catequética e católica lúcida no sentido de entender que há espaço para a fé e a ciência conviverem e complementarem-se uma à outra. Efetivamente, já fui questionado nesse sentido, não necessariamente apenas relacionado com a profissão que exerço, mas porque há uma correlação muitas vezes errada com o grau de ensino e a crença numa religião, credo ou fé. Uma não invalida a outra, mas é certo que me baseio no dia-a-dia na evidência científica no exercício da minha profissão.

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DL: Já teve algum paciente que pensou que poderia não sobreviver e, sem que nada aparente o pudesse justificar, recuperou-se?
Sim, várias vezes. Cada pessoa tem mecanismos fisiológicos ou condicionantes provocados por doença que originam diferentes formas de adaptação à alteração do seu estado normal de saúde como situações de traumatismo grave, por exemplo, em especial das células nervosas. Neste preciso momento em que partilhamos estas ideias acredito que está a acontecer uma situação destas num caso extremamente delicado e instável.

Mas voltando ao tal equilíbrio necessário entre a fé e a ciência, a primeira também pode influenciar decisões relacionadas com o prolongamento de medidas de suporte artificial de vida ou até mesmo interrupção da mesma em casos extremos. Há sempre a questão de tratamentos ou prolongamento dos mesmo que se transformam em autêntica distanásia. A dignidade até no morrer está acima de tudo, e um morrer sem dor acima de tudo. É lícito usarmos a fé para manter medidas desproporcionadas ao doente que até podem atentar à dignidade humana? É o tal equilíbrio que é necessário.

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DL: A fé salva pessoas?
Sendo católico não posso excluir isso, mas como disse anteriormente, no dia-a-dia, baseio-me na evidência científica no exercício da minha profissão. A fé, numa vertente catequética também é falada nas nossas reuniões de preparação. É o acreditar sem ver. É um dom gratuito da graça de Deus e não o resultado de obras humanas, a tal dicotomia entre a ciência como evidência e a “falta” da evidência que é a fé, o acreditar sem ver. Mas a fé também pode ser intelectual, não tem necessariamente de estar ligada a uma crença ou religião, mas também a uma filosofia de vida, por exemplo. A mesma promove a ligação a algo maior que não se vê, o tal acreditar sem ver. Pode trazer paz e conforto em momentos difíceis, de forma alguma está descartado que a fé não desempenhe o seu papel na recuperação de uma doença, nem que seja no conforto e esperança.

Este é um facto real. Um Cavaleiro da Ordem de Santiago de Compostela, residente em Ponta Delgada, em 2013 confiou fervorosamente a oração ao nosso rancho por um bisneto que tinha nascido com várias complicações. Os médicos tinham muitas reservas sobre a sobrevivência do mesmo. Na romaria de 2014 esta intenção foi rezada fervorosamente, assim como todas as outras, e a verdade é que o menino é hoje uma criança saudável. O seu bisavô testemunhou esta vivência à Ordem. A mesma atribuiu a Medalha de Ouro da Ordem ao Rancho de Vila Franca do Campo. Terá sido só a medicina? A oração e a fé? Ambas juntas? Dá que pensar estas e muitas outras situações. Como já foi dito numa romaria “busca-se também aqui o que a Ciência não resolve!”

Outra situação que também dá que pensar. Na igreja da Senhora do Rosário na Povoação há uma imagem invocada como Senhora do Ó ou Senhora do Parto. Invocada para que a futura mãe tenha uma “hora pequenina” (parto sem dificuldade) ou por quem não consegue engravidar. Duas situações ocorreram em que após anos a tentar engravidar, mesmo com o auxílio de medicação tal não aconteceu e após o pedido de oração do nosso rancho à mesma imagem no ano seguinte estava-se a agradecer a concretização do pedido de oração. Inclusivamente este ano uma das mães levou a sua menina à igreja acompanhando-nos na oração.

Parque de Santana acolhe desfile final do maior curso de sempre de preparadores de animais

O 18.º Curso de Preparadores e Manejadores de Animais para Concursos encerra esta quinta-feira com provas práticas em pista, reunindo um número recorde de 80 participantes que asseguram o futuro da raça Holstein-Frísia em São Miguel

© AASM

O Parque de Exposições de São Miguel, em Santana, na Ribeira Grande, será o palco, esta quinta-feira, 2 de abril, da sessão de encerramento do 18.º Curso de Preparadores e Manejadores de Animais para Concursos. Entre as 11h00 e as 13h00, os formandos serão submetidos a provas de avaliação onde demonstrarão os conhecimentos adquiridos através de um desfile de animais em pista, culminando com a cerimónia de entrega de prémios. Segundo a nota enviada pela organização, a cargo da Cooperativa União Agrícola e da Associação Agrícola de São Miguel, a edição deste ano destaca-se pelo sucesso histórico de adesão, contando com 80 participantes — o número mais elevado de sempre registado nesta formação.

Dedicado à raça Holstein-Frísia, o curso decorre desde o passado dia 30 de março, abrangendo uma faixa etária alargada que vai dos quatro aos 45 anos. A iniciativa tem-se consolidado como uma referência regional na capacitação para concursos pecuários, oferecendo aos alunos, ao longo de quatro dias, uma aprendizagem completa que inclui desde a lavagem e tosquia até à alimentação e apresentação estética dos animais. Sob a orientação técnica de Pedro Campos Silva, formador com vasta experiência em certames nacionais e internacionais, os participantes têm a oportunidade de aprender com um dos nomes mais reconhecidos do setor.

A organização sublinha que a forte afluência de crianças e jovens é o principal motor desta aposta contínua. O curso tem atraído não só descendentes de famílias ligadas à lavoura, mas também participantes sem qualquer ligação prévia ao setor primário, funcionando como uma ponte de proximidade com o mundo agropecuário. O impacto da formação ultrapassa as fronteiras da ilha, contando este ano com um formando vindo de Portugal continental e com a participação ativa de alunos da Escola Profissional da Ribeira Grande, reforçando o espírito de convívio, a partilha de experiências e o respeito pelo bem-estar animal.

Ribeira Grande prepara-se para o Mundial 2026 com o projeto “Pintar Portugal”

Município confirma criação de ‘fan zones’ para acompanhar a Seleção Nacional num ambiente de festa, após encontro entre autarquias e a Federação Portuguesa de Futebol

© CM RIBEIRA GRANDE

A Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, vai ser um dos pontos centrais de apoio à Seleção Nacional durante o Campeonato do Mundo de 2026, ao aderir oficialmente ao projeto “Pintar Portugal”. Esta iniciativa, promovida pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), visa a criação de ‘fan zones’ em todo o território nacional, permitindo que os adeptos acompanhem a caminhada lusa no torneio que terá lugar no Canadá, México e EUA. O anúncio foi formalizado pelo presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Jaime Vieira, após a sua participação num encontro em Lisboa que reuniu autarcas de todo o país a convite da estrutura máxima do futebol português.

Segundo a nota enviada pela autarquia ao Diário da Lagoa, o município compromete-se a transmitir não só os jogos da equipa das Quinas, mas também as grandes finais da competição, que decorre entre 11 de junho e 19 de julho. Para Jaime Vieira, estas áreas de lazer representam muito mais do que a mera visualização de desporto, sendo “espaços de convívio e partilha, onde a população poderá acompanhar os jogos da Seleção Nacional em ambiente festivo, promovendo o espírito de união e identidade coletiva”. O autarca aproveitou o momento para reforçar a visão estratégica do executivo, sublinhando o papel do desporto como uma ferramenta essencial de inclusão social e bem-estar para os ribeiragrandenses.

A participação no projeto serviu também para que a voz da região fosse ouvida junto das instâncias nacionais. Durante a sua intervenção no evento, o presidente da câmara lançou um desafio direto à Federação Portuguesa de Futebol para que esta intensifique a sua presença nas Regiões Autónomas. Jaime Vieira deixou um convite formal para que os órgãos da FPF se desloquem à Ribeira Grande, reforçando a importância de descentralizar as iniciativas da federação e aproximar os organismos nacionais da realidade desportiva dos Açores.

Governo investe 866 mil euros em viaturas de comando tático para os bombeiros dos Açores

Presidente do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, presidiu à entrega de 19 veículos destinados a reforçar a capacidade operacional e a coordenação de socorro em todas as ilhas, num investimento suportado integralmente por fundos regionais

© MIGUEL MACHADO

O Governo regional dos Açores procedeu esta segunda-feira, 23 de março, à entrega de 19 veículos de Auto Comando Tático aos corpos de bombeiros do arquipélago e ao Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), num investimento público que ascende aos 866 mil euros.

A cerimónia, que teve lugar no pavilhão da Associação Agrícola de São Miguel, na Ribeira Grande, contou com a presença do líder do executivo, José Manuel Bolieiro, que, segundo nota enviada pela Presidência do Governo, sublinhou o impacto direto desta medida na segurança das populações. Das viaturas entregues, 17 destinam-se a cada uma das corporações da região, enquanto duas reforçam a estrutura do SRPCBA, garantindo uma uniformização de meios e padrões operacionais em todo o território.

Durante o ato oficial, que contou também com a participação do secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, e do presidente do SRPCBA, Rui Andrade, José Manuel Bolieiro destacou a autonomia financeira desta aquisição. “Estas viaturas, adquiridas com financiamento exclusivo da região, isto é, sem qualquer cofinanciamento comunitário, o que representa muito para a região, significam mais um passo firme na valorização dos nossos corpos de bombeiros, nas suas capacidades de resposta, comando e controlo das operações, bem como no seu potencial de organização”, enalteceu o governante. Os novos veículos estão equipados com material específico para a instalação de postos de comando inicial, permitindo uma resposta mais eficaz e organizada perante situações de emergência em cada concelho.

A atribuição destes meios baseou-se em critérios de exigência operacional, inserindo-se numa estratégia mais ampla de renovação de frotas iniciada em maio de 2025. O presidente do governo aproveitou a ocasião para recordar que o investimento total na capacitação da proteção civil e bombeiros já atingiu os oito milhões de euros, abrangendo a compra de 14 viaturas de combate a incêndios, 21 ambulâncias de socorro e 70 monitores desfibrilhadores. “Este investimento tem uma finalidade: servir as pessoas, e não apenas na reação e resposta à calamidade e ao sinistro, mas sobretudo pela capacidade preventiva e de resiliência”, afirmou Bolieiro, revelando ainda que estão previstas para breve novas entregas de viaturas pesadas às corporações da Horta e da Povoação.

No encerramento da sessão, que coincidiu com o Dia Mundial da Meteorologia, foi também enaltecida a cooperação com o IPMA e o reforço da rede de radares meteorológicos nas ilhas como peça fundamental para a antecipação de riscos e salvaguarda de vidas e bens.

XX Meia Maratona de São Miguel une Ponta Delgada e Ribeira Grande pelo desporto inclusivo

Prova liga as duas maiores cidades da ilha no próximo dia 22 de março e conta com cerca de 150 participantes para reforçar a sua vertente social como pilar estratégico do atletismo regional

© CM PONTA DELGADA

A ilha de São Miguel prepara-se para acolher, no próximo dia 22 de março, a XX Meia Maratona de São Miguel, um evento que volta a colocar o desporto adaptado e a inclusão social no centro das atenções. Segundo informação enviada pela autarquia de Ponta Delgada, a prova, que percorre uma distância de 21,1km, terá a sua partida agendada para as 10h00 no Campo de São Francisco, em Ponta Delgada, com a meta instalada junto aos Paços do Concelho da Ribeira Grande. O evento, organizado pelo Núcleo do Sporting Clube de Portugal da ilha de São Miguel em colaboração com a Associação de Atletismo de São Miguel, conta este ano com cerca de 150 inscritos, dos quais uma centena viaja propositadamente do continente português para participar nesta emblemática travessia entre o sul e o norte da ilha.

Durante a conferência de imprensa de apresentação do evento, Pedro Furtado, vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, sublinhou que “é um orgulho para a nossa autarquia apoiar a Meia Maratona de São Miguel, uma prova que se distingue pela diferença, promovendo o desporto como uma forma de inclusão”. O autarca destacou que a iniciativa vai ao encontro das diretrizes estratégicas do regulamento municipal de apoio ao desporto, focadas no desporto inclusivo e adaptado. “Sentimos a responsabilidade social de continuar a apoiá-la”, reforçou o responsável, aproveitando a ocasião para enaltecer o trabalho de Carlos Melo, diretor da prova, e do Núcleo leonino local pelo contributo persistente ao desenvolvimento do atletismo e do xadrez na região.

A colaboração entre os dois maiores municípios da ilha foi também um dos pontos destacados, com Pedro Furtado a deixar palavras de apreço ao novo executivo da Ribeira Grande pela disponibilidade em manter este investimento conjunto. Por sua vez, a vice-presidente da Câmara da Ribeira Grande, Délia Melo, afirmou que este “já é um evento de referência na ilha de São Miguel”, justificando o apoio público com o papel social e a causa do desporto adaptado que a prova defende. Duarte Alves, presidente do Núcleo do Sporting, fechou as intervenções agradecendo a ambas as autarquias, notando que, sem este suporte institucional, seria impossível realizar uma prova com mais de duas décadas de história e que continua a registar uma trajetória de crescimento e afirmação no calendário desportivo açoriano.