
“Neste novo mandato, queremos fortalecer ainda mais os laços entre os açorianos e os seus descendentes no Rio de Janeiro”. É com esta convicção que Leonardo Soares, presidente reeleito da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, pretende liderar mais dois anos de gestão à frente desta entidade açoriana, localizada no bairro da Tijuca, Zona Norte carioca, Brasil.
A cerimónia de apresentação da nova diretoria para o biénio 2025/2026 teve lugar no último dia 12 de janeiro, diante de um grande público na sede da instituição. À nossa reportagem, Leonardo garantiu que, “entre os projetos, estão a ampliação das atividades culturais, como gastronomia típica, a realização de eventos diversos que possam atingir todos os públicos de várias idades”.
Este responsável sublinha que, neste novo momento, “os desafios principais incluem atrair uma nova geração para participar ativamente na Casa, ampliar a nossa visibilidade perante a sociedade carioca e buscar recursos para financiar as atividades e projetos”, bem como “manter o diálogo com o governo dos Açores e outros órgãos internacionais”, o que considera “essencial para fortalecer as nossas iniciativas”.
“Pretendemos manter o compromisso com a promoção da cultura açoriana e o estreitamento das relações com os Açores. Contudo, queremos inovar na forma como nos comunicamos com o público, investindo em tecnologia e redes sociais para alcançar um público mais amplo e diversificado”, explicou Leonardo Soares, que afirmou que “a nova diretoria é composta por pessoas comprometidas com a valorização da cultura açoriana”.
“Temos uma equipe renovada, com destaque para jovens e veteranos que trazem experiência”, disse.

Atualmente, a Casa dos Açores é um ponto de encontro cultural e de preservação da identidade açoriana no Rio de Janeiro.
“Estamos num momento de revitalização e expansão, com grande potencial para crescer e inovar. A entidade está consolidada como referência na promoção das tradições açorianas, mas buscamos modernizar as nossas abordagens para atrair novos públicos”, frisou.
Ainda no ano passado, uma comitiva da Casa dos Açores carioca, liderada por Leonardo, esteve no arquipélago açoriano para dois importantes encontros: Conselho Mundial das Casas dos Açores e Encontro Açores-Brasil. Experiências que podem, agora, auxiliar na sua nova gestão.
“Os encontros foram cruciais para fortalecer as parcerias com as demais Casas dos Açores e abrir novos caminhos para colaborações futuras. A troca de experiências permitiu entender como podemos adaptar iniciativas de sucesso para a nossa realidade local”, defendeu.
Para 2025, há já um conjunto de ações pré-determinadas, como a celebração das festas religiosas (Divino Espírito Santo, Santo Cristo dos Milagres e Nossa Senhora dos Milagres), o Encontro Cultural Açoriano – com tema ainda a ser definido e diversos eventos de encontro social.
“Espero que seja um período de renovação e crescimento para a Casa. Quero consolidar o nosso papel como um pilar da comunidade açoriana no Rio e como um espaço de integração cultural que acolhe a todos”, finalizou Leonardo Soares, que caracteriza a comunidade açoriana no Rio atualmente como “diversa e resiliente, composta por pessoas que têm orgulho das suas raízes e se esforçam para manter vivas as tradições. Ao mesmo tempo, há um desejo crescente de integração e modernização, o que nos incentiva a pensar em formas inovadoras de promover essa herança”.

A Casa dos Açores do Rio de Janeiro, localizada no bairro da Tijuca, zona Norte desta cidade brasileira, celebrou, no passado dia 10 de novembro, os 70 anos de existência do Grupo Folclórico Padre Tomaz Borba. Para marcar esta data, a entidade realizou um almoço comemorativo que juntou um grande público, com direito a danças e cantares açorianos. A Banda Típicos da Beira Show e o cantor Carlos Rivera, diretamente de Portugal, animaram a festa. A apresentação do Grupo Folclórico Padre Tomaz Borba foi o ponto alto da festividade. Uma iniciática acompanhada de perto pela nossa reportagem.
Segundo os responsáveis pela entidade, foi uma “alegria imensa” celebrar os 70 anos do Grupo Folclórico Padre Tomáz Borba.
O evento ficou marcado pela presença de amigos, apoiadores e membros da comunidade açordescendente na cidade maravilhosa.
“Agradecemos de coração a todos que estiveram conosco para essa grande festa. A presença de associados, ex-membros, frequentadores e amigos fez desta uma tarde memorável, com casa lotada, música de qualidade e uma gastronomia de dar água na boca. Cada sorriso, cada dança, cada reencontro nos mostrou o quanto esse grupo é especial e cercado de amor. O nosso sincero obrigado a todos que fizeram parte desse momento tão importante na nossa história. Que venham muitos anos mais”, disseram estes mesmos responsáveis.
“Foi uma festa muito bonita. A Casa estava cheia. Valeu a pena todo o esforço que nós fizemos”, mencionou Leonardo Soares, presidente de entidade, que ressaltou a presença de antigos membros do grupo.
Fundado em 20 de novembro de 1954, o Grupo Folclórico Padre Tomáz Borba tem como objetivo “manter viva as tradições açorianas em terras cariocas”.
Segundo apurámos, o grupo recebeu este nome em homenagem ao grande compositor açoriano natural de Angra do Heroísmo, que, no Conservatório de Música de Lisboa, foi um “influente e importante personagem”.
Os seus membros são, maioritariamente, descendentes de açorianos, além de alguns descendentes de portugueses continentais, brasileiros natos e açorianos.
A trajetória é longa. O Grupo Folclórico já se apresentou em todas as casas regionais portuguesas da cidade do Rio de Janeiro, em diversas cidades do interior do estado fluminense, em associações culturais, igrejas, clubes diversos e vários festivais de folclore. Já realizou apresentações nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Espírito Santo. Em 2012, fez a sua mais importante digressão. Esteve nos Açores, onde atuaram na Ilha do Pico e na Ilha Terceira. Em 2015, outra aventura internacional. O rancho atuou no Uruguai.
De acordo com a Casa dos Açores do Rio, o repertório do Grupo Folclórico é constituído de “uma importante particularidade: o grupo possui uma marcha de entrada, cuja letra foi escrita pelo poeta Francisco do Canto e Castro e uma marcha de saída. Além das suas marchas, que exaltam o Arquipélago e a Casa dos Açores, a apresentação é formada por modas das ilhas de Santa Maria, São Miguel, Terceira, Pico e Flores. Na parte musical o Grupo ainda apresenta músicas da sua fundação, mantendo a tradição das músicas feitas a mais de 50 anos no Arquipélago dos Açores. Hoje, possui modas novas para representar melhor todas as ilhas do Arquipélago”.
A tocata do rancho é formada apenas por instrumentos de cordas, como violino, violão, viola de doze cordas, bandolim e a viola da terra (15 cordas).
A ideia é que o Grupo Folclórico Padre Tomáz Borba busque, “através da sua dança, do seu folclore, da sua tocata, dos seus trajes e da sua alegria marcante, ser um guardião da memória e uma expressão viva dos açorianos no Rio de Janeiro”.
A representatividade da Casa dos Açores do Rio extravasa fronteiras. Este ano, o presidente da Casa dos Açores carioca, Leonardo Soares, participou, entre 14 e 15 de outubro, no VII Encontro Açores-Brasil, realizado nas ilhas do Pico e do Faial. As sessões do Encontro aconteceram na Escola Secundária da Madalena, na Biblioteca Pública Municipal da Madalena, na Escola Secundária da Horta e na Biblioteca e Arquivo Público Regional da Horta.
O evento promoveu a troca de experiências e o fortalecimento das relações entre os Açores e o Brasil.
Dias antes, Leonardo Soares e a Primeira Dama Patrícia Soares participaram também na Assembleia Geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores que foi realizada entre os dias 11 e 13 de outubro na ilha de São Jorge. Nesta oportunidade, também esteve presente a jovem Stephanie Ventura, que representou a Casa dos Açores no grupo jovem enviado por cada Casa dos Açores para o encontro, uma oportunidade para debater o futuro do movimento associativo açoriano no mundo diante das autoridades do governo açoriano.