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Metade Deus, metade Homem

Júlio Tavares Oliveira
Formado em Português/Inglês

O Cristiano Ronaldo, para além dos deuses, é feito, tal e qual, de osso e o coração; para além dos saltos olímpicos no ar, é feito de carne e sangra como todos nós sangramos; e, aposto que, para além do mito e da lenda, tem, ele, artérias que esborram sangue às bombadas, veias que ensaguentam e lágrimas que choram.

Nasceu numa ilha rodeada pelo Mar. Mas nem só o mar lhe isolou o destino, como o fez. O Mar fê-lo, a ele, Homem, criação divina e celeste. O Mar, diria eu, na ausência forçada da família, desde muito jovem, e com a perda precoce do pai, fê-lo, pelo forjar da espuma das águas do Oceano Atlântico, o melhor do mundo na sua arte.

A geografia, donde o mar foi parte importante, repito, foi o denominador comum da rebelia do Ronaldo contra a sua própria sorte de nascença, diria eu; e tornou-se, ele mesmo, um justiceiro e um guerreiro, um reaccionário, um lutador de causas, vendo-se forçado a vingar num presente que, sendo incógnito, estava à espera, apenas, da sua hora mais certa.

Hoje, temo-lo a jogar pela Seleção Nacional de futebol, ainda, aos quarenta anos de idade. Várias vezes, o melhor do Mundo. Umas vezes, herói.  Outras, Lenda. Outras, gasto, egoísta e impertinente.

Foi da força do mar, e da geografia, que cercara a ilha, outrora a força da vida, que cercara a sua família, das brumas da pobreza herdada, que Ronaldo surgiu e surge amarrado às botas, à tentativa e ao sonho de menino. Fugir à escola, fugir à sorte, fugir à pobreza e à circunscrita geografia, pelo poder mágico de uma bola.

Surge como parte da precurssão portuguesa de darmos nomes a tudo e a todos como mitos e lendas e histórias contadas dos avós aos netos, a bisnetos, a trisnetos. E o Ronaldo, mais do que estatuto ou Aeroporto, voa por cima do cardápio da Morte, pelas suas próprias Asas; é um herói imortal que, do Mar, se fez e, na ausência, saudade e no sacríficio familiar e pessoal, se forjou a si mesmo – sozinho.

E porque quem supera a Morte, e chora no leito da Vida, ainda assim, só pode ser Homem e Deus ao mesmo tempo, Ronaldo é um Aquiles, ou Ulisses, dos nossos tempos. Um semideus.

Sendo tão português, é tão do Mundo como da Europa. É tão nosso como dos outros. As eventuais críticas que lhe possamos apontar não passarão de vãs tentativas de «assoprar» com força contra a força potente do vento. É tão natural que assim seja, porque o «rapaz» da Madeira trabalhou para ter o que tem, e deu tudo o que tem aos outros, como a si mesmo.

E nós, mais do que de críticos, e comentadores de bancada, precisamos de Heróis. Exemplos, mais vivos do que mortos, de Portugalidade. Exemplos, mais novos do que velhos, de que Portugal vale, ainda, a pena.

Emigrantes do Nordeste leiloam camisola de Cristiano Ronaldo

© CM NORDESTE

O presidente da Câmara Municipal do Nordeste, António Miguel Soares, marcou presença em mais um encontro de nordestenses emigrados no Canadá, mais propriamente em Ontário, evento organizado por uma comissão local empenhada em estreitar laços entre a comunidade nordestense.

Acompanhado pelo vice-presidente, Marco Mourão, o autarca enalteceu a presença de mais de três centenas de pessoas no convívio e sublinhou a importância de “eventos como este, quer para estreitar a amizade e o convívio entre a comunidade nordestense, quer para possibilitar o apoio a instituições locais”.

António Miguel Soares “agradeceu os esforços desenvolvidos pela comissão organizadora do Canadá para voltar a realizar o encontro” e elogiou a adesão das pessoas no apoio a instituições de solidariedade social do concelho através dos donativos efetuados.

Para além disso, foi realizado um leilão da camisola de Cristiano Ronaldo usada na final da Liga do Campeões, no estádio da Luz, em 2014, entre o Real Madrid e o Atlético de Madrid, oferecida por um anónimo e cuja receita reverteu para o apoio a crianças doentes na província de Ontário.

Da comissão organizadora fazem parte uma equipa de nordestenses, constituída por Otília Prazeres, natural da freguesia da Algarvia, Fátima Bento (Achadinha), Francisco Borges (São Pedro Nordestinho) e Norberto Medeiros e António Sousa (Lomba da Fazenda).