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Vamos falar sobre VIH/SIDA?

Maria João Pereira
Farmacêutica

De novembro azul a dezembro vermelho, a cor deste mês recorda-nos uma luta que transcende décadas: a consciencialização sobre o VIH/SIDA.

No dia 1 de dezembro comemora-se o Dia Mundial do Combate à SIDA, uma oportunidade para refletirmos sobre os avanços e desafios no combate à infeção pelo VIH.

Nos anos 80, quando a infeção pelo VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) foi descoberta, esta era considerada uma sentença de morte, devido ao desenvolvimento do Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, designado de SIDA. Hoje em dia, felizmente, essa realidade mudou devido aos avanços na ciência. Contudo, ainda há dois conceitos que geram confusão na sociedade: a diferença entre VIH e SIDA.

Ter uma infeção pelo VIH é diferente de ter SIDA. O VIH é um vírus com capacidade de atacar as células que defendem o nosso organismo contra infeções, deixando-o mais debilitado. A SIDA é o último estágio da infeção pelo VIH, em que as células capazes de nos defender de infeções deixam de conseguir proteger o nosso organismo e começamos a desenvolver novas infeções – as infeções oportunistas – infeções pouco comuns em indivíduos com o sistema imunitário saudável. Aquando do descobrimento do VIH, a deteção da infeção era muito tardia e daí que grande parte dos indivíduos infetados pelos VIH já tinham desenvolvido SIDA – é, em parte, que daí resulta a confusão entre os dois conceitos.

Atualmente, devido ao desenvolvimento em saúde e consequentemente ao desenvolvimento de terapêuticas dirigidas ao vírus, as pessoas infetadas com o VIH (designadas de seropositivas) têm uma vida perfeitamente normal e uma esperança média de vida semelhante à população no geral. Um indivíduo seropositivo que cumpra o regime terapêutico consegue diminuir a carga viral do vírus a níveis indetetáveis, o que significa que o vírus se torna intransmissível através de relações sexuais. A infeção pelo VIH passou de ser considerada uma doença terminal a uma doença crónica.

Apesar de todos os avanços em saúde e tecnologia, continua a haver novos casos diagnosticados diariamente.

Não, não é uma doença que só afeta “grupos de risco” mas sim comportamentos de risco. Nunca é demais alertar para as vias de transmissão, entre as quais, a relações sexuais sem o uso de preservativo, partilha de agulhas, transmissão de mãe para filho durante a gravidez, parto ou amamentação (quando não há acompanhamento médico), acidentes com materiais corto-perfurantes (no caso de profissionais de saúde, por exemplo). Por outro lado, o VIH não se transmite pelo toque, beijos, espirros, por partilha de talheres ou roupa de cama, partilha de quartos de banho ou piscinas, nem pelo contacto da pele intacta com fluidos corporais da pessoa seropositiva ou transfusões de sangue (atualmente, todo o sangue é testado antes de se realizar uma transfusão).

Ainda assim, o estigma persiste. Falar sobre o VIH/SIDA sem preconceitos é essencial para educar a população, desmistificar mitos e combater a discriminação. A informação é a nossa maior ferramenta de prevenção e apoio.

Neste dezembro vermelho deixo-vos um convite à reflexão: vamos transformar o medo e o preconceito em conhecimento e empatia. Juntos, podemos construir uma sociedade mais informada, inclusiva e solidária.