Log in

Vila Franca do Campo apresenta São João da Vila 2026 com Bárbara Tinoco, Piruka e mais de mil marchantes

O programa dos festejos do feriado municipal, que decorre de 5 a 28 de junho, foi revelado pela presidente da Câmara, Graça Melo, apostando no reforço do caráter popular, na descentralização da animação e em novos horários para as Noites da Juventude

© CM VILA FRANCA DO CAMPO

Vila Franca do Campo já está a preparar o seu maior cartão-de-visita cultural e identitário com a apresentação oficial do programa do São João da Vila 2026. Em conferência de imprensa realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a presidente da Câmara Municipal, Graça Melo, desvendou um cartaz vasto e diversificado que vai estender-se de 5 a 28 de junho, unindo música, cultura, desporto e as indispensáveis manifestações populares. Segundo a nota informativa enviada pela autarquia vilafranquense, o grande objetivo desta edição passa por reforçar vincadamente o caráter tradicional da festa, promovendo uma maior descentralização da animação e um forte investimento no embelezamento e decoração das principais artérias do centro histórico da vila.

As marchas populares assumem-se, uma vez mais, como o coração das festividades, estando já confirmada a participação de dezasseis marchas que vão levar mais de mil marchantes para a rua. O momento alto acontece na noite de 23 de junho, com o primeiro desfile a ligar a Rotunda dos Frades ao Largo Bento de Góis, onde se seguirá o tradicional arraial, animado por Romeu Bairos e pela Banda Larga Açores, prolongando-se até às 06h00. Na noite seguinte, a 24 de junho, o feriado municipal cumpre o segundo desfile com percurso idêntico, culminando num novo arraial no Largo Bento de Góis até às 02h30, desta feita com as atuações de Nuno Ventura e do coletivo Pimba ao Molhe.

No plano da animação musical e direcionado ao público mais jovem, os grandes destaques do cartaz vão para os concertos de Bárbara Tinoco e de Piruka, agendados para os dias 19 e 20 de junho, respetivamente, no Recinto das Festas. Esta área apresentará novidades estruturais e logísticas, com os concertos a iniciarem-se mais cedo, pelas 20h00, e a encerrarem às 02h00, de forma a salvaguardar o descanso dos moradores locais. O recinto será ainda reconfigurado para valorizar a gastronomia tradicional em detrimento do fast-food, dispondo de mesas em toda a envolvência e de um reforço na ornamentação festiva. O Largo Bento de Góis acolherá também outras propostas sonoras ao longo do mês, como Dionísio Garcia e Blues Rockers no dia 13, ou Beat Breakers e Stereo Mode a 18 de junho.

A componente desportiva arranca logo a 6 de junho com o VI Trail São João da Vila, que conta já com 470 atletas inscritos, seguindo-se o 36.º Torneio Internacional de Karaté (7 de junho), os torneios de Futebol Serrotes Cup e de Xadrez (ambos a 13 de junho), a atividade de cycling ao ar livre Summer Ride (13 de junho), o evento motorizado Vila Franca Arranques Meeting (16 de junho), as provas de Vela de São João e de Caiaque da Vila (21 de junho) e o Torneio Futsal Masters (26 a 28 de junho). Na Cultura, o Centro Cultural recebe a partir de 15 de junho a Exposição Fotográfica de Marchas Antigas e a mostra de Patchwork de Pamela Gregan, além da Oficina Sénior – Bandeiras de São João no dia 9. A nível comunitário, destaca-se o workshop de sardinhas decorativas que envolve seniores locais desde abril para enfeitar as ruas, a demonstração culinária de petiscos vegetarianos com Gualter Rainha na Biblioteca Municipal (17 de junho) e a entrega do Prémio Literário Armando Côrtes-Rodrigues, agendada para o dia 18 de junho no Salão Nobre.

Jovens de Vila Franca do Campo assumem o protagonismo na Assembleia Municipal

Iniciativa promovida pela Assembleia Municipal, em parceria com a autarquia, reuniu alunos de várias escolas do concelho para debater o futuro da comunidade e aproximar a juventude das instituições democráticas

© CM VILA FRANCA DO CAMPO

O Salão Nobre dos Paços do Concelho de Vila Franca do Campo acolheu, no passado dia 29 de abril, a Assembleia Municipal Jovem, uma iniciativa organizada pela Assembleia Municipal em cooperação com a Câmara Municipal. O evento marcou um passo significativo na estratégia de proximidade entre as camadas mais jovens e a vida política e cívica local, permitindo que os alunos conhecessem de perto o funcionamento dos órgãos autárquicos. A sessão contou com a participação direta do presidente da Assembleia Municipal, Flávio Pacheco, e da presidente da Câmara Municipal, Graça Melo, que, acompanhada pelo seu executivo e pelos presidentes das seis juntas de freguesia do concelho, respondeu às questões e inquietações levantadas pelos jovens participantes.

Segundo a nota enviada pela autarquia de Vila Franca do Campo, o projeto visou incentivar a participação ativa, o espírito crítico e o sentido de responsabilidade dos estudantes. Para além da componente pedagógica sobre o sistema democrático, a dinâmica promoveu o desenvolvimento de competências essenciais como a argumentação, a escuta ativa e o respeito pela pluralidade de opiniões, elementos fundamentais para a formação de cidadãos conscientes e para o fortalecimento do futuro da comunidade vilafranquense.

O encontro contou com uma representatividade abrangente das instituições de ensino locais, incluindo alunos do segundo e terceiro ciclos e secundário da EBS Armando Côrtes-Rodrigues, estudantes do primeiro e segundo anos da Escola Profissional de Vila Franca do Campo e turmas do segundo e terceiro ciclo da EBI de Ponta Garça. Dado o sucesso desta edição, a organização já confirmou que a juventude voltará a ter voz ativa nos meses de outubro ou novembro, data prevista para a realização da segunda Assembleia Municipal Jovem deste ano.

Vila Franca do Campo celebra 25 anos de fé com o lançamento de “Irmandade Divino Espírito Santo da Mãe de Deus”

A obra de Carlos Vieira, apresentada pelo Bispo de Angra na Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, regista um quarto de século de serviço comunitário e solidariedade, sublinhando a identidade religiosa que une as gentes de Vila Franca do Campo e dos Açores

© IGREJA AÇORES/CR

O auditório da Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, em Vila Franca do Campo, foi este sábado o cenário da apresentação do livro “Irmandade Divino Espírito Santo da Mãe de Deus… 25 anos a servir”. A obra da autoria de Carlos Vieira assinala os 25 anos de dedicação e serviço comunitário desta instituição, num evento que reuniu membros da irmandade, fiéis e diversas personalidades locais. A apresentação ficou a cargo de D. Armando Esteves Domingues, Bispo de Angra, que descreveu o livro como “um filho que, ao ser apresentado, ganha vida nova”, enaltecendo a linguagem acessível, a riqueza histórica e a dimensão de reflexão teológica da publicação. O autor propõe uma abordagem simultaneamente simples e profunda ao mistério do Divino, procurando, segundo a mesma nota, “explicar de forma clara aquilo que muitas vezes se sente, mas nem sempre se compreende”, através do recurso a testemunhos de antigos mordomos, familiares e membros da comunidade.

A narrativa percorre a história da irmandade, fundada oficialmente a 16 de abril de 2001 por João José Arruda, tendo contado posteriormente com o impulso de Elias Raposo Sardinha, responsável pela conclusão da sede inaugurada em 2004. Contudo, as raízes deste império são seculares, remontando a cerca de trezentos anos e mantendo uma ligação histórica à Casa da Mãe de Deus e à família Botelho de Gusmão, o que o torna um dos mais antigos do arquipélago. Ao longo das décadas, a instituição tem mantido o compromisso de traduzir a fé em ações concretas de solidariedade. Exemplo disso é o facto de, apenas em 2025, terem sido distribuídas cerca de 900 pensões, um sinal claro do auxílio prestado aos mais necessitados da região.

© IGREJA AÇORES/CR

Durante a sessão, D. Armando Esteves Domingues sublinhou que “o Espírito Santo não tem rosto nem corpo: experimenta-se, não se vê. É Deus vivo em nós, é o amor”, definindo a obra de Carlos Vieira como um “manual” acessível sobre esta dimensão espiritual. O livro evoca ainda a figura central de Santa Isabel de Portugal e o milagre associado à construção da igreja, guiando o leitor por tradições como a procissão de coroação e destacando o papel da mulher como símbolo de união na vivência desta devoção. Também presente na cerimónia, a presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, Graça Ventura, considerou a obra “uma homenagem à fé de um povo”, elogiando o percurso do autor como um exemplo de devoção e humildade. No encerramento, ficou o apelo à continuidade desta tradição que define a identidade açoriana, reforçando o ideal de fraternidade e partilha num mundo cada vez mais marcado pela indiferença.

Vila Franca do Campo recebe primeira visita pastoral de D. Armando Esteves Domingues a São Miguel

O prelado de Angra percorre as paróquias da ouvidoria entre 18 e 26 de abril, num roteiro de proximidade que privilegia o diálogo com as instituições, a escuta ativa dos fiéis e o debate sobre os desafios do clero e a escassez de vocações

© DIÁRIO DA LAGOA

A ilha de São Miguel prepara-se para acolher, a partir de amanhã, 18 de abril, a primeira visita pastoral de D. Armando Esteves Domingues desde o início do seu episcopado. O périplo arranca na ouvidoria de Vila Franca do Campo e prolonga-se até ao dia 26 de abril, marcando um momento que a Igreja local classifica como histórico. Sob o lema “Bendito o que vem em nome do Senhor”, a iniciativa pretende ser, acima de tudo, um espaço de comunhão e renovação espiritual para a comunidade cristã vilafranquense. Segundo nota de imprensa enviada pela Ouvidoria de Vila Franca do Campo, a agenda do bispo de Angra será intensa e descentralizada, com passagens previstas pelas paróquias de Água d’Alto, São Pedro, Ponta Garça e Matriz, incluindo contactos diretos com escolas, associações, movimentos de leigos e visitas a doentes.

O padre José Borges, ouvidor local, destaca a importância deste encontro que rompe com o protocolo institucional para se focar nas pessoas. “Não é apenas uma formalidade do calendário; é, acima de tudo, um encontro de família”, sublinha o sacerdote, descrevendo D. Armando Esteves Domingues como “um pastor com cheiro a ovelhas”, cuja presença reforça o sentimento de que a comunidade não caminha isolada. Para o responsável, a visita é uma oportunidade para o prelado conhecer de perto a realidade de uma ouvidoria que já trabalha há vários anos numa dinâmica de cooperação entre paróquias, facilitando a implementação das orientações diocesanas e o caminho sinodal proposto pelo Papa Francisco.

Contudo, a visita pastoral será também um momento de reflexão sobre as fragilidades que afetam a prática religiosa na região. Entre os temas que a ouvidoria pretende levar ao diálogo com o bispo figuram a diminuição da participação ativa dos fiéis e a premente escassez de vocações sacerdotais. O padre José Borges alerta ainda para a crescente sobrecarga do clero, notando que “hoje, um padre assume várias paróquias, com as mesmas exigências de sempre”, o que obriga a um olhar mais atento sobre a saúde e o bem-estar dos sacerdotes. Apesar destes desafios, a estrutura pastoral de Vila Franca do Campo mantém o otimismo, sustentando que a fé da população permanece viva, ainda que confrontada com as exigências de uma vida quotidiana mais complexa.

A preparação deste evento mobilizou conselhos pastorais e equipas de formação, culminando numa assembleia eclesial que reforçou o papel dos leigos na Igreja. O programa inclui momentos de particular simbolismo, como encontros com jovens e escuteiros, a celebração de crismas e a denominada “Festa da Fé”. O encerramento oficial da visita pastoral terá lugar no dia 26 de abril, na Igreja Matriz de Vila Franca do Campo, com uma celebração eucarística que deverá reunir representantes de todas as comunidades da ouvidoria. Conforme sintetiza o padre José Borges, o objetivo final desta passagem de D. Armando Esteves Domingues pela localidade é claro: “Queremos construir juntos um caminho de fraternidade e futuro”.

Campanha “Olha, Acolhe e Ama” sensibiliza para a proteção infantil em Vila Franca do Campo

Sob o mote “Olha, Acolhe e Ama”, o Município e a CPCJ local promovem uma campanha de sensibilização durante todo o mês de abril, com iniciativas que incluem a iluminação de edifícios públicos e atividades pedagógicas na Biblioteca Municipal

© CM VILA FRANCA DO CAMPO

O concelho de Vila Franca do Campo associa-se este mês à campanha internacional do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância. Segundo a autarquia vilafranquense, a iniciativa visa alertar a comunidade para a proteção de crianças e jovens, reforçando que o combate a esta problemática exige um esforço coletivo. Como símbolo visual desta causa, o edifício dos Paços do Concelho e o Centro Municipal de Formação e Animação Cultural estarão iluminados com a cor azul durante o decorrer de todo o mês de abril, uma cor que mundialmente identifica a luta contra o abuso infantil.

Ao longo do período em curso, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Vila Franca do Campo, em parceria direta com a Câmara Municipal, desenvolve um programa de atividades destinado a sensibilizar a população para a necessidade de cuidar e proteger as camadas mais jovens. A campanha deste ano adota o mote “Olha, Acolhe e Ama”, servindo como um apelo à consciencialização de todos os cidadãos para a vigilância e o afeto enquanto ferramentas de prevenção.

A vertente educativa da iniciativa conta com a participação da Biblioteca Municipal de Vila Franca do Campo. Em resposta ao desafio lançado pela CPCJ, este espaço cultural disponibiliza, durante o mês de abril, o livro “Cuida Bem de Mim!”, da autoria de Maria Inês de Almeida. A obra serve de base à mensagem da autarquia, que defende que a prevenção começa em atitudes quotidianas baseadas no respeito e na atenção, sublinhando que a segurança e a compreensão são fundamentais para o crescimento saudável das crianças.

“A ciência não tem de anular a fé nem a fé tem de anular a ciência”

Em entrevista ao Diário da Lagoa, o enfermeiro e romeiro Hélio Ponte reflete sobre como a espiritualidade e a evidência clínica se complementam no cuidado ao próximo, num testemunho onde a farda do hospital e o xaile da romaria se unem pelo mesmo propósito: a vida

Hélio Ponte nasceu em Vila Franca do Campo onde viveu até 2004, atualmente reside na Ribeira Grande © ACÁCIO MATEUS

Hélio Ponte nasceu em Vila Franca do Campo no ano de 1976, onde viveu até 2004, mas sem nunca perder a ligação à terra de origem. Atualmente vive na Ribeira Grande com a esposa e o filho. Toda a família e ascendentes são de Vila Franca do Campo.

Viveu uma infância normal, sem luxos, no berço de uma família humilde. Enquanto criança, passou muito tempo com os amigos, em particular no cais do Tagarete, mantendo sempre uma estreita ligação à igreja, inicialmente como acólito.

Filho de pai pescador e uma de família ligada ao mar, viu o pai mudar de vida quando passou a motorista marítimo, mas sem perder o ‘chão’ de água. A mãe, doméstica, tratava das lides da casa.

É o filho mais velho de três – irmão de Raquel e José Mário – e o seu percurso académico começou na então Escola Primária de Vila Franca do Campo (atualmente EB1/JI Prof. António dos Santos Botelho), Escola Preparatória de Vila Franca do Campo (agora designada de EB/S Armando Cortês-Rodrigues), Escola Secundária Antero de Quental e, mais tarde, Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada (atualmente Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores).

Nesta entrevista, fala da fé, da romaria, do ser romeiro, do ser enfermeiro e de como a ciência e a fé se podem complementar na salvação de pessoas.

© ACÁCIO MATEUS

DL: Quando decidiu ser enfermeiro?
O meu ensino secundário, por vários fatores, não foi totalmente linear. Alguns sobressaltos, dúvidas talvez típicas da idade. Nunca fui um “aluno de excelência”, mas tinha consciência que sempre dei o meu melhor. Em 1997 fiz exames nacionais e iniciei o curso de enfermagem nesse mesmo ano, ainda como curso de bacharelato terminando em 2000, mas tivemos oportunidade de fazer de imediato o ano complementar de formação em enfermagem que terminou em 2001 dando-nos a equivalência a licenciatura. Nesta altura já enfermeiros formados há vários anos já estavam a regressar aos bancos da universidade para obterem a mesma equivalência. Foi uma mais-valia ter-nos sido dada essa oportunidade.

DL: Foi algo que já queria ou foi uma oportunidade de carreira/estabilidade?
Um misto de ambas. Talvez tenha descoberto essa apetência bem tarde ou, se calhar, até foi no momento certo, será sempre uma incógnita, mas não me arrependo de nada e tenho a certeza que faço-o com rigor e dedicação. Não gosto de falar do termo “vocação”, acho demasiado forte e não acho que se adeque por completo a esta profissão. É, acima de tudo, necessário o saber, saber estar e saber ser. Na altura era uma profissão com muita saída e colocação garantida. Também foi uma oportunidade de estabilidade de carreira e rapidamente (em menos de um ano) entrei para os quadros do HDES.

DL: Sempre trabalhou na mesma área ou tem vindo a mudar de área?
Desde que comecei a exercer atividade profissional foi sempre nesta área e na mesma instituição, o HDES.

© ACÁCIO MATEUS

DL: Ser romeiro foi uma decisão repentina ou já tinha outros familiares romeiros na família que o foram “puxando” para a romaria?
A pergunta foi muito bem colocada: desde quando és romeiro e não desde quando vais de romeiro. São duas perspetivas completamente diferentes porque a romaria é uma vivência para a vida e não só aqueles oito dias. Acaba por ser uma conduta e não um mero rito anual de penitência. Até podemos questionar o porquê deste penitenciar nos dias de hoje, mas não é uma procura de sacrifício desmedido porque, acima de tudo, quer-se misericórdia e não sacrifícios. Acaba também por ser um “peso” e responsabilidade porque somos logo apontados ao mínimo deslize no dia a dia. Não participamos numa romaria por sermos “santos e exemplo” (nunca haveria romarias assim), vamos na mesma por termos um propósito e um chamamento. Obviamente que há, infelizmente, quem se desvie do que é fazer e estar numa romaria.

Nunca tive familiares próximos que fossem romeiros na altura em que comecei. Fiz a minha primeira romaria em 2006 e desde então nunca mais deixei a mesma. Só me arrependo de não ter começado mais cedo. No entanto, tal não foi possível por múltiplos fatores, especialmente os estudos. Vila Franca do Campo só retomou as romarias no ano de 2000 depois de um grande interregno desde 1979 e, em boa hora, voltaram nas pessoas dos irmãos Carlos Saêta, José Pimentel e Hermínio Sousa, ficando depois entregue ao nosso atual mestre, irmão Carlos Vieira, e melhor entregue não poderia ficar.

Sempre gostei de ver os ranchos de romeiros, sempre tive a minha ligação à igreja e aos seus movimentos, como acólito, escuteiro e no Grupo de Jovens Vicentinos, mas nunca surgira oportunidade de o concretizar. Depois de ler o livro “Diário de uma Romaria”, de 2005, do irmão mestre Carlos Vieira, foi o incentivo que faltava. Não me sentia necessariamente afastado da igreja nessa altura, mas faltava algo e a romaria foi o que faltava.

Lembro-me perfeitamente da minha primeira romaria. A minha primeira pernoita de sempre na Fajã de Cima foi mesmo um testar das forças e de força de vontade, não pela família que nos recebeu que foi de um carinho formidável, mas por outros fatores desde água fria e eu, por respeito e ainda acanhado e novato, tive vergonha de dizer, desde barulho de vizinhos…dormi pouco ou mesmo nada. Na madrugada seguinte, no Alto da Mãe de Deus, em Ponta Delgada, só me apetecia vomitar. Não estava fisicamente bem e questionei mesmo o que eu fazia ali. Foi o primeiro e único momento desde que sou romeiro que essa “tentação” de sair da romaria me passou pela cabeça. Não estava mesmo bem. Mas os irmãos mais experientes foram sempre me incentivando. A refeição na paragem na Casa de Saúde de Nossa Senhora da Conceição foi o volte-face. Desde então que não consigo imaginar um ano sem ter essa semana de isolamento e introspeção. Sei bem ao que me vou sujeitar, ao desconforto, à dor, a poucas horas de sono, a dias que podem ser mesmo violentos. Sim, dependendo de várias circunstâncias, uma romaria pode mesmo ser violenta física e psicologicamente. Os três anos de interregno devido à pandemia não foram fáceis de lidar.

DL: Sendo um homem da medicina, onde por vezes se operam verdadeiros milagres que salvam pessoas, até onde vai a medicina e onde começa a fé/devoção das pessoas?
Numa das reuniões de preparação da romaria falamos precisamente disso, do equilíbrio entre a fé e a ciência. Faz-se a comparação com as duas asas de uma ave. A mesma só voa em segurança se as duas asas estiverem bem. Uma asa é a razão (a ciência) e a outra é a fé (Deus). É perfeitamente possível esse equilíbrio desde que vejamos esse equilíbrio na base da complementaridade e não do conflito. São duas formas complementares de se buscar a verdade. O próprio Einstein via a ciência e a racionalidade do universo como evidência no limite de algo superior, de uma inteligência criadora. Várias pessoas ligadas à igreja foram também cientistas como Georges Lemaître, sacerdote, que desenvolveu a teoria do Big Bang, do átomo primordial. A ciência explica como aconteceu e a fé o porquê de acontecer. A ciência não tem de anular a fé, nem vice-versa. Na nossa civilização ocidental, se é que é permitido usar esta expressão sem que me atirem sete pedras, a criação de universidades cristãs são o exemplo de como a fé cristã pode fomentar o conhecimento e desenvolvimento científico. A meditação também é vista como ciência da mente.

Entendo que consegui uma formação catequética e católica lúcida no sentido de entender que há espaço para a fé e a ciência conviverem e complementarem-se uma à outra. Efetivamente, já fui questionado nesse sentido, não necessariamente apenas relacionado com a profissão que exerço, mas porque há uma correlação muitas vezes errada com o grau de ensino e a crença numa religião, credo ou fé. Uma não invalida a outra, mas é certo que me baseio no dia-a-dia na evidência científica no exercício da minha profissão.

© ACÁCIO MATEUS

DL: Já teve algum paciente que pensou que poderia não sobreviver e, sem que nada aparente o pudesse justificar, recuperou-se?
Sim, várias vezes. Cada pessoa tem mecanismos fisiológicos ou condicionantes provocados por doença que originam diferentes formas de adaptação à alteração do seu estado normal de saúde como situações de traumatismo grave, por exemplo, em especial das células nervosas. Neste preciso momento em que partilhamos estas ideias acredito que está a acontecer uma situação destas num caso extremamente delicado e instável.

Mas voltando ao tal equilíbrio necessário entre a fé e a ciência, a primeira também pode influenciar decisões relacionadas com o prolongamento de medidas de suporte artificial de vida ou até mesmo interrupção da mesma em casos extremos. Há sempre a questão de tratamentos ou prolongamento dos mesmo que se transformam em autêntica distanásia. A dignidade até no morrer está acima de tudo, e um morrer sem dor acima de tudo. É lícito usarmos a fé para manter medidas desproporcionadas ao doente que até podem atentar à dignidade humana? É o tal equilíbrio que é necessário.

© ACÁCIO MATEUS

DL: A fé salva pessoas?
Sendo católico não posso excluir isso, mas como disse anteriormente, no dia-a-dia, baseio-me na evidência científica no exercício da minha profissão. A fé, numa vertente catequética também é falada nas nossas reuniões de preparação. É o acreditar sem ver. É um dom gratuito da graça de Deus e não o resultado de obras humanas, a tal dicotomia entre a ciência como evidência e a “falta” da evidência que é a fé, o acreditar sem ver. Mas a fé também pode ser intelectual, não tem necessariamente de estar ligada a uma crença ou religião, mas também a uma filosofia de vida, por exemplo. A mesma promove a ligação a algo maior que não se vê, o tal acreditar sem ver. Pode trazer paz e conforto em momentos difíceis, de forma alguma está descartado que a fé não desempenhe o seu papel na recuperação de uma doença, nem que seja no conforto e esperança.

Este é um facto real. Um Cavaleiro da Ordem de Santiago de Compostela, residente em Ponta Delgada, em 2013 confiou fervorosamente a oração ao nosso rancho por um bisneto que tinha nascido com várias complicações. Os médicos tinham muitas reservas sobre a sobrevivência do mesmo. Na romaria de 2014 esta intenção foi rezada fervorosamente, assim como todas as outras, e a verdade é que o menino é hoje uma criança saudável. O seu bisavô testemunhou esta vivência à Ordem. A mesma atribuiu a Medalha de Ouro da Ordem ao Rancho de Vila Franca do Campo. Terá sido só a medicina? A oração e a fé? Ambas juntas? Dá que pensar estas e muitas outras situações. Como já foi dito numa romaria “busca-se também aqui o que a Ciência não resolve!”

Outra situação que também dá que pensar. Na igreja da Senhora do Rosário na Povoação há uma imagem invocada como Senhora do Ó ou Senhora do Parto. Invocada para que a futura mãe tenha uma “hora pequenina” (parto sem dificuldade) ou por quem não consegue engravidar. Duas situações ocorreram em que após anos a tentar engravidar, mesmo com o auxílio de medicação tal não aconteceu e após o pedido de oração do nosso rancho à mesma imagem no ano seguinte estava-se a agradecer a concretização do pedido de oração. Inclusivamente este ano uma das mães levou a sua menina à igreja acompanhando-nos na oração.

Ponta Delgada lança nova campanha de esterilização gratuita abrangendo municípios vizinhos

Iniciativa que decorre entre abril e outubro permite a esterilização de até quatro animais por agregado familiar, estendendo-se também aos residentes de Vila Franca do Campo e da Povoação

© DIREITOS RESERVADOS

A Câmara Municipal de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, anunciou a abertura de uma nova campanha gratuita de esterilização de animais de companhia, que terá lugar entre os meses de abril e outubro através do seu Centro de Recolha Oficial (CRO).

Segundo a nota de imprensa enviada pela autarquia, a medida não se limita apenas aos munícipes de Ponta Delgada, abrangendo igualmente as populações de Vila Franca do Campo e da Povoação, fruto de protocolos de colaboração estabelecidos entre estes municípios. Esta abrangência reforça o esforço conjunto no controlo das populações de animais de companhia e na promoção do bem-estar animal em diversas frentes da ilha de São Miguel.

A campanha é direcionada a cadelas, gatas e gatos, estipulando-se que cada agregado familiar possa beneficiar da esterilização de até quatro animais. Os interessados em usufruir deste serviço gratuito deverão proceder ao agendamento diretamente junto do Centro de Recolha Oficial de Ponta Delgada. Esta iniciativa resulta de uma parceria estratégica entre o Município de Ponta Delgada e a Direção Regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação, contando ainda com a coordenação das Juntas de Freguesia para garantir que a resposta chegue de forma eficaz e próxima a todos os cidadãos.

Para além do controlo reprodutivo, a autarquia recorda que se mantém em vigor, até ao final do ano, a campanha gratuita de identificação eletrónica. Ambas as medidas integram uma estratégia municipal mais vasta que visa a prevenção do abandono e a proteção da saúde pública. A eficácia deste modelo de intervenção é sustentada pelos dados do ano transato: em 2025, foram esterilizados 615 animais externos ao CRO (sendo 501 felinos e 114 canídeos) números que, segundo a autarquia, comprovam a forte adesão da população e a necessidade contínua de investir em políticas estruturantes para a causa animal na região.

Semana Cultural da EBI de Ponta Garça une tradição, ciência e desporto

Cerca de 200 alunos encerraram as festividades esta sexta-feira com uma romaria escolar até à igreja de Nossa Senhora da Piedade, marcando o culminar de um programa diversificado que envolveu toda a comunidade educativa

© EBI PONTA GARÇA

A Escola Básica Integrada (EBI) de Ponta Garça, no concelho de Vila Franca do Campo, viveu durante os últimos dias, uma intensa Semana Cultural que transformou a rotina dos seus alunos e professores. O encerramento oficial aconteceu esta sexta-feira, 27 de março, com uma simbólica romaria escolar.

Organizada pela Associação de Pais e Encarregados de Educação, a iniciativa levou cerca de 200 alunos, acompanhados por docentes e assistentes operacionais, numa caminhada de fé e tradição até à igreja de Nossa Senhora da Piedade, onde se celebrou uma eucaristia. Segundo a nota enviada pela direção da escola ao Diário da Lagoa, o evento terminou com um encontro familiar no Polivalente da Casa do Povo, reforçando os laços entre a escola e a freguesia através desta herança secular dos romeiros açorianos.

© EBI PONTA GARÇA

Ao longo de toda a semana, o estabelecimento de ensino foi palco de um vasto leque de atividades que cruzaram o saber tradicional com as novas tecnologias. No campo da literatura, os destaques foram para o “Chá com letras” — onde as avós de Ponta Garça partilharam histórias de tempos passados com os mais novos — e para a apresentação do livro “Aqui nasceu Ponta Garça”, de Renato Nunes. A escola soube também adaptar-se aos tempos modernos com o concurso Booktoker (via TikTok) e as Olimpíadas da Língua Portuguesa através da plataforma Kahoot. No plano ambiental e científico, os alunos hastearam a bandeira Eco-Escolas, participaram em observações de cetáceos com a Terra Azul e exploraram a robótica e a astronomia com o apoio do OASA e do Expolab.

© EBI PONTA GARÇA

O desporto e o futuro profissional dos jovens não foram esquecidos nesta edição. Os alunos puderam ainda visitar o Complexo Desportivo Pedro Pauleta, onde foram recebidos pelo próprio antigo internacional português, e participaram em sessões de manutenção física e dança.

A vertente do artesanato e da economia local também esteve presente com bancas de guloseimas de Páscoa, venda de plantas e trabalhos em tecido. A técnica tradicional da espadana foi um dos pontos altos da programação, com a realização de um atelier onde os alunos produziram flores a partir desta planta.

A Semana Cultural incluiu ainda a II Edição da Feira de Empregabilidade, Formação e Educação, que contou com uma mesa-redonda de antigos alunos e a participação de diversas escolas profissionais e forças de segurança (PSP e GNR), servindo de contacto direto entre a comunidade escolar de Ponta Garça e as opções de formação e carreira disponíveis na região.

Vila Franca do Campo acolhe prova de desportos motorizados no Parque Industrial

Autarquia anuncia que “Vila Franca Motores 2026” promete um domingo de emoções fortes com provas de Super Enduro, Trial TT e Autocross integradas no programa festivo da Páscoa

© CM VILA FRANCA DO CAMPO

O Parque Industrial de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, transforma-se, no próximo dia 29 de março, na capital do desporto motorizado da ilha com a realização da prova “Vila Franca Motores 2026”. Integrado no programa oficial de Páscoa da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, o evento promete atrair entusiastas e curiosos para um dia marcado pela perícia técnica e pelo espetáculo visual.

De acordo com a nota de imprensa enviada pela autarquia às redações, a iniciativa visa não só o entretenimento, mas também a dinamização económica do concelho e a valorização do espaço industrial através de uma “forma vibrante e envolvente de animação local”.

O programa desportivo arranca cedo, com a primeira prova de Super Enduro agendada para as 9h30, seguindo-se o desafio de Trial TT pelas 10h30. O meio-dia ficará reservado para as provas de Sprint, que colocarão à prova a velocidade de Motos, Quads e Automóveis. Já o período da tarde será dominado pela competição de Autocross, com início marcado para as 15h00, culminando o dia com a cerimónia de entrega de prémios às 16h30. A organização sublinha que este tipo de desporto se destaca pelas “intensas emoções de adrenalina que proporciona, tanto a participantes como a espectadores”, aliando a concentração dos pilotos ao entusiasmo do público.

Para além da vertente competitiva, segundo a autarquia vilafranquense, o “Vila Franca Motores 2026” pretende ser como um polo de atração de visitantes para o concelho durante o período pascal, promovendo o contacto direto com o universo motorizado num ambiente de convívio. A autarquia destaca ainda que o evento é uma peça fundamental na estratégia de diversificação da oferta de lazer, aproveitando as infraestruturas locais para gerar momentos de forte impacto social e desportivo. A entrada no recinto permite acompanhar de perto a evolução das máquinas e a destreza dos pilotos açorianos.

Vila Franca do Campo reúne com empresários para fortalecer economia local

Encontro estratégico visa reunir a autarquia com os empresários e representantes do tecido comercial de todo o concelho

© DIÁRIO DA LAGOA

A Câmara Municipal de Vila Franca do Campo agendou para o próximo dia 25 de março, pelas 18h00, no Auditório do Centro Cultural local, um encontro estratégico que vai reunir a autarquia com os empresários e representantes do tecido comercial de todo o concelho.

Esta iniciativa, que nasce de uma vontade expressa da presidente da câmara municipal, Graça Melo, surge num momento em que a proximidade entre o poder local e os agentes económicos se revela fundamental para a estabilidade do território. O principal propósito desta sessão é estabelecer um canal de comunicação direto e sem intermediários, permitindo que o executivo municipal ouça as preocupações reais de quem gere negócios na região, recolhendo contributos e sugestões que possam ser integrados na estratégia de desenvolvimento do município, ao mesmo tempo que se identificam com precisão as dificuldades mais prementes sentidas no atual contexto económico.

Mais do que uma mera reunião de auscultação, este evento pretende consolidar-se como um espaço de diálogo contínuo e de partilha de experiências, onde o município e o setor empresarial possam, em conjunto, desenhar soluções que promovam o fortalecimento da economia local e garantam um crescimento sustentável para Vila Franca do Campo. A autarquia faz questão de sublinhar o papel que as empresas desempenham na dinamização social e económica da região, reconhecendo publicamente a resiliência e a capacidade de adaptação que estes agentes têm demonstrado perante os desafios globais.

O investimento contínuo feito pelos empresários locais é visto pela câmara como um pilar essencial para a valorização do território, justificando-se assim a necessidade de uma parceria mais estreita e colaborativa.

A presidente da câmara municipal, Graça Melo, reforça esta visão de cooperação ao afirmar que o objetivo da autarquia é criar um ecossistema onde todos os que investem e geram postos de trabalho sintam que o município é um parceiro ativo, atento e verdadeiramente comprometido com a implementação de soluções concretas para os problemas do dia a dia.

Com esta iniciativa, Vila Franca do Campo reafirma a sua estratégia de apoio ao empreendedorismo e à fixação de empresas, apostando na transparência e no trabalho conjunto para enfrentar as volatilidades do mercado e potenciar as oportunidades de negócio que o concelho oferece. Este encontro marca assim um passo importante na definição de políticas públicas que não são apenas desenhadas nos gabinetes, mas que resultam do contacto direto com a realidade económica do terreno.