
No cais do Porto de Vila Franca do Campo já não há filas. Quem espera pelo barco que faz a ligação ao ilhéu, espera sentado. E nem teve de esperar quase nada para comprar bilhete. Quem é local paga seis euros, quem é turista, paga 15 euros. O valor aumentou para quem não é residente nos Açores. Mas isso não parece afugentar os turistas do ilhéu, já que a maior parte dos que estão à espera do barco são estrangeiros.
Passados poucos minutos, chega o Cruzeiro do Ilhéu. Vem cheio de pessoas que decidiram regressar do ilhéu por volta da hora de almoço, hora a que embarcamos. Moisés Bolarinho é o mestre da embarcação há seis anos. “Este ano nota-se menos gente, a gente acha diferença. Há menos turistas, e acho que o facto de não termos a Ryanair está a ter impacto”, considera Moisés Bolarinho. O mestre da única embarcação que liga a ilha ao ilhéu diz que o trabalho que tem “faz-se muito bem” e que só nos dias de mar mais difícil é que “custa mais, a gente trabalho mais devagarinho e com mais cuidado”.
A viagem para o ilhéu dura uns 10 minutos com mar bom. Depois de chegar, percebemos que o ilhéu tem dezenas de pessoas. Muitos estão a apanhar sol nas rochas, outros estão a explorar a pé o ilhéu e muitos estão na água que está em período de baixa-mar.
“Sempre que posso, venho porque é uma reserva natural, porque é um luxo, no fundo, e posso aproveitar aquilo que tenho e que a nossa natureza nos deu”, começa por dizer Tânia Silva, residente em São Miguel. Diz que adora “o mar, a calma, tudo é natural aqui”. Já a filha, Constança Silva, de 7 anos, diz que o ilhéu “tem bastante espaço para nadar, também tem uma boa vista, também podemos tentar ver, ir pelos caminhos da natureza e ver outros tipos de animais que não conhecemos, outros tipos de peixe, eu adoro animais”.
Ana Medeiros vem ao ilhéu “quase todos os anos porque é agradável tomar banho nesta piscina natural”. Ainda é do tempo em que não havia barco da carreira que ligava a ilha ao ilhéu. Então como cá vinha? “Tinha uma amiga que fazia anos em agosto. Então os pais dela falavam com um pescador para nos virem trazer cá de manhã, passávamos cá o dia, e depois ele vinha-nos buscar ao final da tarde. Aí sim isto não tinha quase ninguém, era ótimo”, conta. A filha, Pilar Damião diz que vem todos os anos ao ilhéu mas em junho ou setembro. Este ano é uma exceção: “venho nos meses em que tem menos gente aqui, gosto mais do sossego. Adoro a natureza, a água cristalina, a tranquilidade. O ilhéu faz parte das minhas memórias, desde sempre. Quando era mais nova vínhamos cá todas as semanas”, assegura.
Marcelino Cabral diz que atualmente costuma vir de dois em dois anos. Mas quando era mais novo “vinha de caiaque de madeira, todos os dias. Era mais natural. Agora é diferente. Está virado para o turismo. E quando se olha, quando se vê, o que é que se percebe? Que há mais turistas do que residentes”, considera. A esposa, Helena Santos, acha caro o preço do bilhete: “para uma família de quatro, pagámos 24 euros, sem comer nem beber, só para vir cá, pesa um bocadinho”, diz.
Os turistas pagam mais, mas nem por isso são menos. O Diário da Lagoa – Notícias que contam verificou que, na altura em que visitou o ilhéu, havia muitos mais turistas do que residentes. Madeleine Wallach vem de Ohio, nos Estados Unidos da América. É a primeira vez que está nos Açores. Veio das Flores e do Corvo para São Miguel. “Acho absolutamente lindo. Nadar na cratera de um vulcão é único”, diz a norte-americana, para quem a natureza dos Açores é “incrível”.
Leonel Schmidt diz que o ilhéu “é lindo, mas eu gostava de poder nadar nas cavernas para poder ver mais peixes”.
Jenny vem da Alemanha. Diz que “faltam os sapatos adequados para andar nestas pedras” e elogia a “beleza da natureza que é estonteante”.
Luísa Monfort vem de Valência, em Espanha: “está a ser estupendo, muito bonito mesmo, não há nada parecido com isto em Espanha, estou a adorar”.
O ilhéu de Vila Franca do Campo é reserva regional natural desde 1983. É um santuário para as aves marinhas, sobretudo para os cagarros. Durante o dia, tem permanentemente um vigilante da natureza a zelar pelo espaço.
O presidente do Clube Naval de Vila Franca do Campo, entidade gestora, assegura que o número de visitantes do ilhéu não sofreu quebras e está na ordem de anos anteriores. “Retomamos aquilo que nós tínhamos em 2024, quando o ilhéu estava aberto a banhos, muito idêntico. O único aspeto aqui que posso notar maior diferença é em relação ao aglomerado das pessoas que já não está a acontecer com muita frequência. Já não vemos aquelas longas filas, as idas estão mais dispersas. Em relação aos números e às idas ao ilhéu, têm sido exatamente os mesmos dos anos em que o ilhéu esteve aberto a banhos, ou seja, em média cerca de 300 pessoas por dia”.
Como vilafranquense, Paulo Correia olha para o ilhéu “de forma preocupada, porque o ilhéu está-se a degradar muito, muito rápido, está diferente. Pode-se dizer que se calhar está a envelhecer, como todos nós, mas está a envelhecer de uma forma muito rápida. E isto, de facto, preocupa-me porque para a nossa Vila é um elemento, é um ponto muito importante, que acho que até ao momento ainda não foi aproveitado na sua plenitude”.
Atualmente, o ilhéu pode receber no máximo 400 pessoas, mas apenas 200 pessoas podem estar no local em simultâneo.

O Governo regional dos Açores, através da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas (SRTMI), anunciou esta segunda-feira, 10 de março, que no troço de 2,7 Km entre os nós do Fischer e de Santa Cruz, concelho da Lagoa, está a ser posta em prática a colocação de duplo traço contínuo na via com pinos rebatíveis, sinalização vertical e sensores de velocidade.
O objetivo passa por proibir ultrapassagens e alertar os automobilistas para os perigos que constitui o excesso de velocidade, apontado pelas autoridades policiais como sendo um dos principais motivos para o aumento de acidentes de viação.
Segundo a nota de imprensa enviada às redações, a Direção Regional das Obras Públicas e a empresa concessionária estão a estudar todas as respostas possíveis para criar melhores condições de segurança rodoviárias nas vias rápidas.
As ações “desenvolvidas por ambas as partes têm sido sempre no sentido de melhorar a segurança rodoviária, tratar zonas perigosas ou desmotivar comportamentos que possam resultar em manobras perigosas”, refere o Governo regional.
As vias rápidas concessionadas à Euroscut na ilha de São Miguel abrangem cerca de 90 Km e, ao longo dos anos, têm vindo a ser realizadas inúmeras obras com vista a criar melhores condições de segurança para os automobilistas.
Entre as várias obras realizadas, a Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas destaca “a melhoria da rugosidade dos pavimentos em várias zonas que registavam concentração de acidentes; sinalização de zonas que não sendo de passadeira, assim são usadas; alerta para a necessidade de impedir ultrapassagens (zona perigosa sem distâncias de visibilidade para ultrapassar) que resultou na respetiva alteração da pintura horizontal; simulacros de emergência com eventos de camiões-cisterna (combustíveis)”.
O desenho de soluções tem como objetivo também “diminuir a formação de filas na via – seção corrente com elevado potencial para choques em cadeia (trânsito parado em corredores de 100km/h), ações de sensibilização para o perigo do excesso de velocidade no corredor SCUT”.
A Euroscut procedeu, entretanto, à montagem de um ensaio piloto para diminuir choques em cadeia (em curso na circular a Ponta Delgada até final de março), o qual usa painéis móveis em complemento dos fixos e alerta para a necessidade de atenção em tráfego lento. Estes painéis estiveram em funcionamento durante o período natalício e fim de ano e têm vindo a ser ligados aleatoriamente para não criar habituação e deixar de surtir efeito.
Atualmente, decorre também a Campanha Romeiros na Via, com uso dos painéis móveis de mensagem variável e das viaturas de vigilância.
Em curso está a intervenção na estrada regional de São Brás, com linha contínua e medidas que visam disciplinar a zona de paragens de autocarros. “Esta zona vai também ser intervencionada no estacionamento junto ao Café Alfredo”, conclui a SRTMI.

A encosta da Praia do Corpo Santo e Calhau das Dias, no concelho de Vila Franca do Campo, foi alvo de obras de requalificação num investimento total de 1,2 milhões de euros.
A inauguração aconteceu esta segunda-feira, 17 de junho, tendo o presidente do Município, Ricardo Rodrigues, procedido formalmente ao descerramento da placa que assinala a intervenção promovida pela Câmara Municipal de Vila Franca do Campo na referida zona balnear.
Segundo a autarquia vilafranquense, a requalificação “sofreu alguns contratempos ao longo da sua execução, devido à sua complexidade quer por ser uma zona sensível, em termos de património cultural ali presente, quer por questões de segurança de pessoas e bens, pois existiam concavidades de grandes dimensões que colocavam em risco a rua sobranceira, assim como as casas ali edificadas”.
A autarquia da Vila salienta, ainda, que “enquanto decorriam trabalhos menores, os balneários foram vandalizados, procedendo-se, posteriormente, à colocação de novas portas, agora mais reforçadas”.
Além das questões de segurança, reabilitação da rede viária, passeios envolventes, espaços verdes e da modernização de infraestruturas de apoio à praia, como balneários, a zona irá beneficiar, adicionalmente, de uma varanda e acesso ao forte.