{"id":10062,"date":"2014-11-02T19:16:03","date_gmt":"2014-11-02T19:16:03","guid":{"rendered":"http:\/\/noticiasquecontam.pt\/?p=10062"},"modified":"2025-09-27T21:45:30","modified_gmt":"2025-09-27T21:45:30","slug":"como-era-antigamente-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/es\/como-era-antigamente-6\/","title":{"rendered":"Como era antigamente? Ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e luz el\u00e9trica"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/noticiasquecontam.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sandra-Monteiro-DR.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103595\"\/><figcaption><strong>Sandra Monteiro<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Nos primeiros anos do s\u00e9culo XX, com a ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica pretendia-se garantir bem-estar e qualidade de vida \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, permitindo o desfrutar de um espa\u00e7o em per\u00edodo noturno, prevenindo a criminalidade, embelezando \u00e1reas e monumentos, valorizando pr\u00e9dios e paisagens, orientando percursos e permitindo o melhor aproveitamento de \u00e1reas de lazer. Por outro lado, favorecia o com\u00e9rcio, o turismo, a atividade cultural, bem como o desenvolvimento social e econ\u00f3mico da popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">A ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica era uma das compet\u00eancias da C\u00e2mara Municipal da Lagoa. Na ata da sess\u00e3o ordin\u00e1ria de 4 de mar\u00e7o de 1911, o Presidente informou que o contrato da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, celebrado em 1904 entre a C\u00e2mara e o concession\u00e1rio, abrangia um total de 150 l\u00e2mpadas para a Vila e \u00c1gua de Pau mas, quando se fez a sua distribui\u00e7\u00e3o, verificou-se que eram insuficientes ent\u00e3o, em sess\u00e3o de 15 outubro de 1904, deliberou aumentar o n\u00famero de l\u00e2mpadas e procedeu-se \u00e0 sua instala\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Em 1914, surgiu uma grande discuss\u00e3o numa reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria sobre a import\u00e2ncia da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica a luz el\u00e9trica. Referiu-se que a C\u00e2mara deveria dar o seu parecer se consideraria ou n\u00e3o de utilidade p\u00fablica as instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas existentes e, depois de discutido o assunto, foi decidido que era de grande proveito para o Concelho, pois a luz el\u00e9trica era o melhor dos sistemas de ilumina\u00e7\u00e3o, em vez da deficiente, perigosa e excessivamente inc\u00f3moda luz de petr\u00f3leo. A C\u00e2mara acrescentou que a empresa fornecedora podia e devia dispor, para o p\u00fablico, de luz mais barata estendendo assim, este melhoramento aos menos favorecidos, j\u00e1 que todos os mecanismos da empresa eram movidos a \u00e1gua, achando, por isso, que as tarifas m\u00e1ximas em vigor eram inaceit\u00e1veis. Avaliou-se o fornecimento e concluiu-se que as instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas, no concelho, satisfaziam as exig\u00eancias do fornecimento de energia, tanto para a ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, como para a particular. No entanto, destacaram-se os problemas pontuais como o mau tempo e os fortes vendavais frequentes na ilha, dando-se interrup\u00e7\u00f5es de corrente por os fios se tocarem ou por postes derrubados pela viol\u00eancia dos temporais. Contudo, como a empresa fazia todo o poss\u00edvel para evitar tais interrup\u00e7\u00f5es, estas eram cada vez mais raras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Nesta mesma reuni\u00e3o, observou-se os benef\u00edcios da eletricidade para a atividade industrial do concelho, apesar do queixume dos industriais sobre o pre\u00e7o excessivo desta energia. De igual modo, o com\u00e9rcio lucrara com o estabelecimento da luz el\u00e9trica, ficando ao abrigo do perigo de inc\u00eandios e de explos\u00f5es que oferecia o petr\u00f3leo e o g\u00e1s, como igualmente lucrou a higiene p\u00fablica pois o fumo repugnante do petr\u00f3leo e o cheiro nauseabundo do g\u00e1s era prejudicial \u00e0 sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Todavia, a eletricidade ainda gerava alguns descontentamentos. Um deles era a quest\u00e3o da seguran\u00e7a, pois as linhas n\u00e3o se encontravam devidamente resguardadas e faltando-lhes prote\u00e7\u00e3o, no crescimento de ruas e no atravessamento de quintais e casas. Outro problema, continuamente apresentado, era o pre\u00e7o da eletricidade. Ant\u00f3nio Cordeiro, gerente da Empresa de Eletricidade e G\u00e1s de Ponta Delgada, concession\u00e1rio do fornecimento da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica a luz el\u00e9trica do concelho, acordava, por vezes, o pre\u00e7o da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica que tinha de ser elevado de acordo com a lei. Tomando-se por base o pre\u00e7o mensal de 5$34 porque era fornecida a particulares, cada l\u00e2mpada el\u00e9trica de 16 velas, sendo de 170 o n\u00famero de l\u00e2mpadas el\u00e9tricas de 16 velas da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica do concelho, este tinha de pagar anualmente, \u00e0 dita empresa 5.574$96, a come\u00e7ar a 1 Janeiro 1928, isto \u00e9, 50% a menos do que era vendida a particulares. Em 1930, o mesmo gerente compareceu na C\u00e2mara da Lagoa e disse que, tendo terminado o prazo estabelecido para o fornecimento da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica do concelho a luz el\u00e9trica, propunha uma renova\u00e7\u00e3o do mesmo contrato por mais 15 anos, tornando-o extensivo ao fornecimento de energia aos particulares, para ilumina\u00e7\u00e3o, for\u00e7a motriz e aquecimento. Apresentou v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es, entre elas que o n\u00famero de l\u00e2mpadas a empregar na ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica fosse de 242 l\u00e2mpadas de 16 velas, 7 l\u00e2mpadas de 25 velas, 4 l\u00e2mpadas de 50 velas, 1 l\u00e2mpadas com 100 velas que seriam colocadas nos s\u00edtios que fossem fixados pela C\u00e2mara. No contrato estabelecido, competia \u00e0 Empresa a aquisi\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o de todos os aparelhos e o fornecimento do material para a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, bem assim como a montagem da rede de distribui\u00e7\u00e3o, ficando a cargo da C\u00e2mara apenas a substitui\u00e7\u00e3o das l\u00e2mpadas empregadas na ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, anilhas, suportes e abat-jours.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">A ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica chegou tamb\u00e9m ao interior dos edif\u00edcios, sendo feita a refer\u00eancia \u00e0s escolas de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica, atrav\u00e9s dos of\u00edcios enviados pelos professores, para que ficasse paga a despesa da ilumina\u00e7\u00e3o, dos cursos noturnos, t\u00e3o importantes para alfabetizar a popula\u00e7\u00e3o lagoense. A t\u00edtulo de exemplo, a professora oficial da escola do sexo feminino de \u00c1gua de Pau, D. Beatriz Augusta da Costa, pediu que lhe fosse dispensada a luz necess\u00e1ria para continuar a lecionar, at\u00e9 julho, seis alunos que propunha para exame do primeiro grau. Outro caso foi o da professora oficial da escola mista de Instru\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria da Ribeira Ch\u00e3, Francelina Ol\u00edmpia de Medeiros Paiva, que remeteu a conta da despesa com a ilumina\u00e7\u00e3o do curso noturno, a seu cargo, durante o ano letivo que havia findado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Em conclus\u00e3o, na imagem, um pouco mais recente do que os dados descritos, podem-se ver fios el\u00e9tricos e candeeiros na fachada da Igreja.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Nos primeiros anos do s\u00e9culo XX, com a ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica pretendia-se garantir bem-estar e qualidade de vida \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, permitindo o desfrutar de um espa\u00e7o em per\u00edodo noturno, prevenindo a criminalidade, embelezando \u00e1reas e monumentos, valorizando pr\u00e9dios e paisagens, orientando percursos e permitindo o melhor aproveitamento de \u00e1reas de lazer. 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