
A gripe é um problema de saúde pública, uma vez que se dissemina rapidamente ocasionando epidemias. É responsável pela diminuição da capacidade de trabalho e de estudo, ausências ao trabalho e à escola, o que tem impacto negativo a nível social e económico.
Trata-se de uma infeção respiratória aguda causada pelo vírus Influenza. Este vírus transmite-se através das partículas de saliva de uma pessoa infetada, expelidas através da tosse e dos espirros, pode também ser transmitido por contacto direto de partes do corpo com superfícies contaminadas, como por exemplo, através das mãos. O tempo decorrido entre o momento em que uma pessoa é infetada e o aparecimento dos primeiros sintomas, chamado período de incubação, é normalmente de 2 dias, podendo variar entre 1 e 5 dias. O período de contágio, período em que a pessoa infetada pode infetar outras, inicia-se 1 a 2 dias antes dos sintomas se manifestarem e vai até uma semana depois, em crianças este período pode ser mais alargado.
A severidade da infeção varia de acordo com a pessoa infetada, pessoas com idade avançada ou com doenças crónicas são mais vulneráveis, pelo que podem apresentar sintomas mais severos e maior índice de mortalidade.
O diagnóstico é feito com base no quadro clínico apresentado, nos adultos os sinais e sintomas têm início insidioso e manifestam-se por febre alta, mal-estar generalizado, dores de cabeça, dores musculares e articulares, tosse seca, por vezes congestão nasal e inflamação dos olhos.
Nas crianças os sintomas dependem da idade, nos bebés, a febre e prostração são os sintomas mais comuns. Os sintomas gastrintestinais (náuseas, vómitos, diarreia) e respiratórios (laringite, bronquiolite) são frequentes. A otite média pode ocorrer em crianças até 3 anos.
A prevenção é fundamental no controlo da gripe, neste sentido a vacinação é altamente recomendada, em particular em pessoas com risco aumentado em sofrer complicações consequentes à gripe. Deste grupo fazem parte idosos, pessoas institucionalizadas, pessoas com doenças crónicas (rins, coração, pulmões…), pessoas diabéticas em tratamento e grávidas.
Esta vacina reduz o risco de contrair a infeção e diminui a severidade dos sintomas em caso de infeção por gripe. O risco de complicações decorrentes desta infeção está também diminuído.
A vacina contra a gripe confere imunidade durante um ano, uma vez que os vírus sofrem frequentes mutações havendo necessidade de se produzir, anualmente, uma nova vacina contra a gripe. Em Portugal o período de vacinação contra a gripe ocorre entre outubro e dezembro, sensivelmente.
Para além da vacinação medidas preventivas como a lavagem frequente das mãos, evitar o contato com pessoas infetadas e manter estilos de vida saudáveis são eficazes na diminuição da probabilidade de contágio.
Se estiver com gripe cuide de si e dos outros evitando o contágio, fique em casa, descanse, alimente-se, beba líquidos como água e sumos de fruta, não se agasalhe em demasia, controle a febre com paracetamol, faça lavagens nasais com soro fisiológico, não tome antibióticos sem indicação médica, lave frequentemente as mãos, ao tossir ou espirrar proteja a boca com lenços ou utilize o antebraço, areje a casa, não partilhe garrafas, copos, pratos, talheres e alimentos, evite cumprimentar outras pessoas com abraços, beijos ou apertos de mão e evite mexer nos olhos, boca e nariz sem lavar previamente as mãos.
Sempre que tiver dúvidas ou necessitar de informação sobre a gripe dirija-se ao seu Centro de Saúde e lembre-se:
Quanto mais prevenção, mais proteção.
Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa
(Artigo publicado na edição impressa de outubro de 2017
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