
O concelho da Lagoa está selecionado no concurso “7 Novas Maravilhas de Portugal”, iniciativa que, em 2026, irá eleger as novas sete maravilhas de Portugal. A Câmara Municipal da Lagoa apresentou candidaturas em algumas categorias distintas, tendo sido selecionados o convento de Santo António, na categoria religião, o convento da Caloura, na categoria história, e a igreja de São José da Ribeira Chã, na categoria século XX.
A fase regional do concurso encontra-se a decorrer até ao dia 22 de agosto, sendo a votação realizada através de chamada telefónica, com um custo associado.
Na categoria século XX, a igreja de São José da Ribeira Chã destaca-se como um dos mais relevantes exemplos da arquitetura religiosa moderna açoriana. Construída entre 1962 e 1967, segundo projeto do arquiteto Eduardo Read Teixeira, distingue-se pela sua linguagem arquitetónica modernista, pela utilização do basalto, pela valorização da luz natural e pela organização do espaço em torno do altar.
O seu interior alberga um notável conjunto artístico em mosaico, concebido por Tomaz Borba Vieira especificamente para este templo, substituindo os tradicionais retábulos em talha e conferindo-lhe uma identidade artística singular. A construção desta igreja, impulsionada pelo pároco João Caetano Flores durante o período do concílio Vaticano II, constituiu igualmente um importante marco na evolução da freguesia da Ribeira Chã, sendo fruto do forte envolvimento da comunidade local.
Na categoria religião, o convento de Santo António representa um dos mais importantes testemunhos do património franciscano nos Açores. Reconstruído em 1749, após a erupção vulcânica que destruiu o edifício primitivo, acolheu até 1833 os frades da Ordem dos Frades Menores. Após a extinção das ordens religiosas, o imóvel conheceu diferentes utilizações ao longo dos séculos XIX e XX e assume atualmente funções culturais de grande relevância, acolhendo a biblioteca municipal Tomaz Borba Vieira, o arquivo histórico da Lagoa e o núcleo museológico do presépio, sendo o edifício e sua igreja visitáveis.
Por sua vez, o convento da Caloura, candidato na categoria história, constitui um dos mais emblemáticos conjuntos patrimoniais da ilha de São Miguel. Implantado numa encosta de excecional beleza natural, integra convento, ermida e recoleta, construídos entre os séculos XVI e XVIII, num local onde existiu anteriormente uma ermida dedicada à Virgem Maria. Para além da sua função como retiro religioso, desempenhou também um importante papel defensivo perante ataques inimigos.
Este conjunto patrimonial está profundamente ligado à primeira comunidade monástica feminina da ilha de São Miguel e ao culto do Senhor Santo Cristo dos Milagres, cuja imagem, segundo consta, permaneceu na Caloura até à saída das últimas religiosas, dando origem àquela que é hoje uma das maiores manifestações religiosas do país.
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