
Cerca de sessenta jovens alunos do Conservatório Regional de Ponta Delgada – alguns deles com menos de 12 anos – estão a participar no estágio da orquestra de sopros sob orientação da maestrina Renata Oliveira que regressa aos Açores depois de ter trabalhado, em 2023, com a Quadrivium.
O estágio teve início na passada terça-feira e prolonga-se até à próxima sexta-feira, com concerto de final de estágio agendado para as 20h00 na Aula Magna da Universidade dos Açores.
Não sendo a primeira vez que trabalha com músicos dos Açores, é a primeira vez que Renata Oliveira, natural de Estarreja, trabalha com a orquestra de sopros do Conservatório Regional de Ponta Delgada. E o balanço não poderia ser mais satisfatório, decorridos que estão dois dias de trabalho.
“A evolução é francamente positiva. Fiquei surpreendida também com o facto de se notar que existe já uma escola de som. Percebe-se que a orquestra está bem trabalhada em contexto de conservatório e tem bastante potencial, o que permitiu dar um salto qualitativo do primeiro para o segundo dia com trabalho de detalhe em metade do reportório”, explicou Renata Oliveira.
Perante uma orquestra composta por dezenas de alunos em idade escolar, a maestrina ficou agradada com a qualidade dos mesmos, ao ponto de reconhecer que, logo no primeiro dia de trabalho, não foi necessário ‘partir pedra’. “Não foi necessário ‘partir pedra’ porque eles já tinham lido as obras nas aulas de orquestra de sopros. Assim, pôde partir logo para a parte mais musical, de equilíbrio de som e do colorido musical. Nem sempre é possível em estágios com alunos mais jovens, com estes foi possível partir para uma questão musical mais profunda”, disse.
Assim, a expetativa para sexta-feira é elevada e o público poderá ser surpreendido com a qualidade dos executantes. “Podemos esperar um concerto com uma qualidade muito interessante. O reportório deixa-me feliz, principalmente as obras de raízes portuguesas do compositor Francisco Ribeiro que, penso, ainda não foram tocadas em São Miguel. Temos boa música, temos bons músicos, esperamos um bom concerto”, finalizou.

A rede de instituições da diáspora açoriana conta, a partir desta semana, com um novo e estratégico ponto de apoio em território nacional. O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, enalteceu esta terça-feira, 21 de abril, em Ponta Delgada, a assinatura do termo de cooperação que formaliza a criação da Delegação Oficial da Casa dos Açores de Minas Gerais (CAMG) em Portugal continental. Segundo uma nota de imprensa enviada às redações, o documento foi subscrito pelo presidente da referida Casa, Claudio Luciano Valença Motta, e pelos representantes da entidade parceira NEW-New Economy World, Alexandre Brodheim e Pedro Gouveia, estabelecendo as bases para promover as atividades da instituição mineira junto da comunidade residente no continente.
Para o governante, este passo é um reflexo claro da vitalidade das nossas comunidades, classificando a Casa de Minas Gerais como uma entidade “recente, mas com um grande grau de criatividade, de competência e com um dinamismo extraordinário”. Paulo Estêvão sublinhou a importância estratégica de estreitar relações com Minas Gerais, lembrando tratar-se de um estado com mais do dobro da população portuguesa. “É vital ter um conjunto de relações de caráter cultural e institucional cada vez mais intensas”, defendeu o secretário regional, traçando um paralelo com o trabalho histórico já desenvolvido com outras Casas dos Açores no Brasil.
Esta iniciativa surge num contexto de afirmação da identidade açoriana à escala global, onde o Executivo açoriano apoia atualmente uma rede de 20 Casas dos Açores espalhadas pelo mundo, desde o Uruguai ao Canadá, com forte presença no Pacífico. “Os açorianos não se resumem aos 244 mil habitantes destas nove ilhas, pelo contrário, somos uma grande região cultural com mais de quatro milhões de açorianos e descendentes”, afirmou Paulo Estêvão, reforçando que estes vínculos intercontinentais superam hoje o tradicional “turismo de saudade”, atraindo projetos conjuntos que beneficiam diretamente a Região Autónoma.
A oficialização desta delegação ocorreu durante a visita oficial que uma comitiva da Casa dos Açores de Minas Gerais realiza ao arquipélago até à próxima sexta-feira. Com passagens previstas por São Miguel e pelo Faial, o programa inclui reuniões com autoridades autárquicas e membros do Governo, além de momentos culturais de relevo. Entre as iniciativas destacam-se a apresentação do livro “Somos Açores – Um arquipélago vivo pela ação das Casas dos Açores”, do jornalista Ígor Lopes, e a encenação da peça “Quando o Mar Galgou a Terra”, pela atriz brasileira Eleonora Marino Duarte, consolidando a união entre a raiz insular e a expansão mineira.

José Estêvão de Melo
Engenheiro Informático
Há cerca de seis meses escrevi neste mesmo espaço sobre as várias formas como a Inteligência Artificial pode ser atacada e usada como vetor de ataque, em particular através de prompt injection, adversarial attacks e data poisoning. Na altura, o exemplo mais inquietante que consegui imaginar era um email malicioso conseguir enganar um assistente de IA a enviar a palavra-passe de um utilizador para fora. Hoje, esse cenário parece-me quase inocente, e o motivo tem nome: Mythos.
A 7 de Abril deste ano, a Anthropic, empresa norte-americana criadora do Claude, anunciou um novo modelo, o Claude Mythos. O anúncio, contudo, não foi feito como qualquer outro lançamento de IA a que nos habituámos nos últimos anos. A Anthropic decidiu não disponibilizar o modelo ao público em geral, justificando essa decisão com o argumento de que o Mythos é simplesmente demasiado perigoso para ser libertado. Em vez disso, criou uma iniciativa chamada Project Glasswing, um consórcio fechado de cerca de uma dúzia de grandes empresas, entre as quais a Microsoft, a Apple, a Google, a Amazon Web Services, a Cisco, a CrowdStrike, o JPMorgan Chase, a NVIDIA e a Linux Foundation, ao qual foram posteriormente convidadas mais cerca de quarenta organizações. O objetivo declarado é dar a estes parceiros tempo para corrigirem vulnerabilidades nos seus sistemas antes que capacidades semelhantes cheguem às mãos de atacantes.
E que capacidades são essas? Em pouco mais de um mês de testes internos, o Mythos identificou autonomamente milhares de vulnerabilidades de severidade alta ou crítica, das quais mais de 99% ainda não estavam corrigidas no momento do anúncio. Encontrou falhas em todos os principais sistemas operativos, incluindo Windows, macOS, Linux, FreeBSD e OpenBSD, e em todos os principais browsers de Internet, incluindo Chrome, Firefox, Safari e Edge. Entre os exemplos divulgados pela Anthropic está um bug com 27 anos no OpenBSD, um sistema operativo conhecido precisamente por ser dos mais seguros do mundo, uma falha de 16 anos no FFmpeg, e uma vulnerabilidade no FreeBSD (catalogada como CVE-2026-4747) que permite a qualquer pessoa na Internet, sem qualquer autenticação, obter controlo total sobre um servidor. Esta última foi descoberta e explorada de forma totalmente autónoma pelo modelo, sem qualquer intervenção humana, em algumas horas de trabalho.
Mais inquietante ainda é que estas capacidades não foram intencionalmente treinadas. Segundo a própria Anthropic, surgiram como consequência natural das melhorias gerais em programação, raciocínio e autonomia do modelo, e os mesmos avanços que tornam o Mythos eficaz a corrigir vulnerabilidades tornam-no igualmente eficaz a explorá-las. A acrescentar, num episódio que merecia um capítulo só para ele, o modelo terá conseguido escapar do ambiente isolado (sandbox) em que estava a ser testado, ligar-se à Internet e publicar online, sem que ninguém lhe tivesse pedido, os detalhes do que tinha feito.
No artigo anterior, citei o Tio Ben para falar do binómio entre poder e responsabilidade. Hoje, a discussão é outra. Engenheiros sem formação em cibersegurança, segundo descrição da própria Anthropic, podiam pedir ao Mythos para encontrar vulnerabilidades durante a noite e, na manhã seguinte, encontrar à sua espera um exploit funcional. O que tradicionalmente exigia equipas altamente especializadas, semanas ou meses de trabalho e custos elevados, passa a estar ao alcance de qualquer pessoa com acesso ao modelo. Investigadores independentes, como a empresa AISLE, demonstraram entretanto que algumas destas vulnerabilidades podem ser detetadas por modelos abertos, muito mais pequenos e baratos, com cerca de 11 cêntimos por milhão de tokens, o que reforça a ideia de que esta capacidade dificilmente ficará confinada a um único modelo ou a uma única empresa.
E é aqui que esta história deixa de ser apenas técnica e passa a ser também geopolítica. A Anthropic pode ter optado, e bem, por reter o Mythos. Mas, como já notou um dos participantes do consórcio, a China terá uma versão equivalente em cinco ou seis meses, e existirá uma alternativa em código aberto dentro de um ou dois anos. A janela de proteção que o Project Glasswing oferece é, portanto, muito curta. E nessa janela, quem está em condições de a aproveitar? Sem surpresa nenhuma, e em linha com o que escrevi recentemente sobre a dependência tecnológica europeia, todas as empresas do consórcio são norte-americanas. O modelo é norte-americano. A infraestrutura cloud onde corre é norte-americana. As empresas que estão a corrigir as vulnerabilidades dos sistemas que sustentam grande parte da Internet, dos bancos aos hospitais, são norte-americanas. A Europa, mais uma vez, não está na sala.
A questão já não é se a Europa precisa de soberania digital. A questão é quanto tempo ainda vai demorar a perceber que essa soberania, sem capacidade própria em IA de fronteira e sem uma estratégia séria de cibersegurança ofensiva e defensiva à altura desta nova realidade, é uma palavra vazia. Os assistentes de IA de que falei no artigo anterior continuam vulneráveis a prompt injection. Os sistemas que os suportam, esses, passaram agora a ser vulneráveis a algo bastante mais sofisticado: outras IAs, capazes de encontrar nas suas entranhas falhas que sobreviveram décadas à revisão humana. O futuro da cibersegurança vai ser, inevitavelmente, uma corrida entre IAs ofensivas e IAs defensivas. Resta saber de que lado da corrida vamos estar.

José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores
A notícia de que São Miguel já representa 60,8% do PIB dos Açores não me espanta. O que me espanta é a rapidez com que alguns transformam o crescimento de uma ilha num problema político, quase como se produzir mais riqueza fosse um pecado a expiar.
Entre 2021 e 2023, São Miguel passou de 59% para 60,8% do PIB regional, com o seu produto a subir de 2.581,6 milhões para 3.271 milhões de euros. No mesmo período, o PIB total da Região passou de 4.374,6 milhões para 5.374 milhões.
Isto tem uma leitura séria: São Miguel cresceu e os Açores cresceram. O que não aceito é que se queira fazer de São Miguel a culpada do seu próprio esforço.
Eu repudio o bairrismo. Sempre repudiei. Não embarco nessa política rasteira de meter ilhas umas contra as outras, como se o problema dos Açores fosse São Miguel ter empresas, iniciativa, capacidade económica e gente que trabalha. São Miguel não pode ser castigada por crescer. Era o cúmulo da estupidez política: punir quem puxa, só para disfarçar a incapacidade de fazer os outros crescer também. Isso não é justiça. Isso é nivelar por baixo. E nivelar por baixo nunca salvou nenhuma terra.
Mas convém não fugir ao essencial. Defender São Miguel não é fechar os olhos aos desequilíbrios da Região. São coisas diferentes. Uma coisa é dizer, com frontalidade, que São Miguel não tem de pedir desculpa pelo seu dinamismo. Outra é exigir ao poder político que governe os Açores como um arquipélago de nove ilhas e não como um mapa onde basta gerir a maior e ir entretendo as outras com discursos de circunstância.
Tenho defendido exatamente isso: a verdadeira coesão territorial não se faz em guerrilhas de ilha para ilha, faz-se olhando para a totalidade do arquipélago, povo a povo, freguesia a freguesia. E tenho também insistido que a coesão económica, social e territorial não pode continuar a ser apenas uma frase bonita para constar em intervenções oficiais; tem de se traduzir em investimento estratégico, acessibilidades, oportunidades e equilíbrio real. O CHEGA Açores tem ligado essa coesão à necessidade de melhorar acessibilidades em todas as ilhas, com um pacote que estimou em 26,3 milhões de euros.
É aqui que muita gente se engana, ou finge enganar-se. Os números não mostram que São Miguel esteja a “tirar” riqueza às outras ilhas. Mostram, sim, que São Miguel cresceu mais. A Terceira, por exemplo, desceu em peso relativo de 21,46% para 20,31%, mas subiu em valor absoluto de 938,7 milhões para 1.091,3 milhões de euros. O Faial passou de 276,2 milhões para 323 milhões, apesar de ter perdido algum peso percentual. Portanto, a questão séria não é travar São Miguel. A questão séria é perceber porque falham as políticas que deviam estar a criar condições para que outras ilhas acompanhassem esse crescimento com mais força.
E é aqui que eu não alivio o Governo Regional. Porque o mais fácil é deixar correr, olhar para São Miguel a crescer e vender isso como se fosse prova automática de sucesso regional. Não é. Uma Região não está equilibrada só porque a sua maior ilha está forte. Uma Região está equilibrada quando a sua força principal serve de motor ao conjunto, e quando o poder político usa essa força para corrigir fragilidades, não para aprofundar dependências.
O que eu recuso é este truque barato: sempre que se fala de coesão, aparecem logo os especialistas do ressentimento a insinuar que São Miguel tem demais. Não. O problema não é São Miguel ter demais. O problema é haver ilhas que continuam a ter de menos. E isso não se resolve tirando músculo a quem o tem. Resolve-se criando músculo onde ele falta. A política séria faz crescer. A política medíocre redistribui desculpas.
São Miguel tem peso. Muito bem. Então use-se esse peso com responsabilidade regional. Não para a enfraquecer, não para a penalizar, não para a transformar em bode expiatório de décadas de falhanços estratégicos. Use-se esse peso para alavancar os Açores como um todo. Porque uma São Miguel forte numa Região fraca é um sucesso pela metade. E um arquipélago onde se castiga quem cresce é um arquipélago que desiste de si próprio.
A minha posição é simples e não tem truque nenhum: não aceito o discurso anti-São Miguel e não aceito o comodismo de quem usa São Miguel para esconder o desequilíbrio regional. Quero São Miguel a crescer mais, sem complexos e sem pedir licença. Mas quero também Terceira, Faial, Pico, São Jorge, Graciosa, Santa Maria, Flores e Corvo com condições reais para crescerem com ambição. Isso é que é coesão. Isso é que é governar. O resto é conversa para dividir os Açores e desculpar quem nunca os soube unir.
No fim do dia, o ponto é este: crescer não é crime. Crime político é querer que São Miguel pague a fatura do seu próprio sucesso, em vez de obrigar quem governa a fazer o que devia ter feito há muito — criar condições para que o progresso de uma ilha ajude a levantar todas as outras.

A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, enviou uma carta à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, alertando para a gravidade da conjuntura internacional marcada por elevada instabilidade dos mercados energéticos, fortes tensões geopolíticas e crescentes limitações na disponibilidade e no preço dos combustíveis.
Perante este cenário, que o Governo dos Açores considera particularmente preocupante, Berta Cabral exige que o Governo da República tenha em conta, de forma clara e consequente, as especificidades das regiões autónomas, em especial dos Açores, cuja condição arquipelágica e ultraperiférica acentua de forma significativa a vulnerabilidade a ruturas no abastecimento energético.
“Os Açores dependem exclusivamente do transporte marítimo para o fornecimento de combustíveis, ficando especialmente expostos a interrupções nas cadeias logísticas internacionais. Esta realidade estrutural impõe soluções diferenciadas, planeamento próprio e uma salvaguarda reforçada nos mecanismos nacionais de prevenção e resposta a crises energéticas”, sublinha a governante.
Berta Cabral destaca ainda que a mobilidade dos cidadãos açorianos, assim como a ligação da região ao exterior e interilhas, depende de forma determinante do transporte aéreo, quer para passageiros, quer para bens essenciais, evacuações médicas, operações de emergência e funcionamento de serviços públicos fundamentais.
“O abastecimento regular de combustível de aviação (jet fuel) é, por isso, absolutamente crítico para a coesão territorial, para a continuidade do serviço público de transporte aéreo e para a segurança das populações. Qualquer falha neste domínio teria consequências imediatas e extremamente gravosas para a região”, alerta.
A secretária regional evidencia, igualmente, que o fornecimento de energia elétrica nos Açores continua a depender, de forma significativa, de centrais termoelétricas alimentadas por combustíveis fósseis, apesar do esforço continuado de transição energética e do aumento da incorporação de fontes renováveis.
Berta Cabral sublinha que, num cenário de rutura no abastecimento de combustíveis, os efeitos combinados sobre o transporte marítimo e aéreo, a produção de eletricidade e a logística regional seriam imediatos e severos, comprometendo a mobilidade interilhas e com o continente, o acesso a cuidados de saúde diferenciados, a segurança energética e o normal funcionamento da economia açoriana.
Neste contexto, a secretária regional considera imprescindível que os planos nacionais de contingência energética integrem expressamente as regiões autónomas, defendendo, por isso, como absolutamente necessário, “garantir níveis adequados e seguros de stocks operacionais de combustíveis na região e definir mecanismos claros, céleres e previamente operacionalizados para a mobilização de reservas estratégicas nacionais para os Açores e reforçar a coordenação institucional e a partilha de informação entre a ENSE, o Governo da República e o Governo Regional”.

Um homem de 48 anos foi detido, em flagrante delito, pela suspeita da prática do crime de posse ilegal de arma de fogo, no concelho da Madalena, ilha do Pico. A detenção ocorreu na sequência de várias diligências investigatórias, que tiveram lugar após relato de ameaças com arma de fogo.
Os polícias procederam à apreensão de uma arma de fogo, da classe D (espingarda), e de 77 cartuchos de calibre 12.

Alexandra Manes
Aos Açores compete ter a noção mínima e não aplaudir aqueles que põem o mundo em chamas só porque depois aparecem com um balde. Assim deve ser, em qualquer contexto, mas neste momento particular da nossa tímida história, talvez seja importante falar às claras, citando a coragem dos nossos vizinhos ibéricos.
Neste caso, é sobre a emboscada à SATA, o assunto da Ryanair e do Subsídio que agora é Mecanismo, que escrevo. Após anos de péssima gestão e de empurrões sucessivos, em nome de problemáticas constitucionais e integridades territoriais, voltamos, mais ou menos, à estaca zero, com o acréscimo de termos perdido mais umas quantas valências associadas à nossa acessibilidade. O Governo Regional é, em primeira instância, o grande culpado, e os partidos que o sustentam não possuem qualquer legitimidade para se fustigar, por terem tentado interromper a enchente a meio da inundação que criaram.
Na verdade, e contrariamente à realidade da Madeira, o caso açoriano, ao abrigo da extrema bem direita que o sustenta, foi preparado propositadamente, para que se possam manobrar negociações entre o setor privado, o semipúblico e o grande buraco que lhes interessa que cresça. Para a governança neoliberal da Secretaria das Finanças, que anda de mãos bem dadas à Senhora Secretária da Mobilidade “Só Para Alguns”, a realidade que almejam criar é cada vez mais evidente.
Está é cada vez mais selvagem. Mas os neoliberais continuam a achar que o conseguem domar, até porque normalmente quando se afastam dos cargos há uma posição a abrir na direção das empresas e fundações de amizade do peito.
A realidade é esta: a SATA é um problema alimentado pelas forças mais conservadoras da sociedade civil açoriana, que se entrelaça partidariamente.
A SATA é um problema porque querem que seja, da mesma maneira que o Subsídio de Mobilidade só levantou comichão quando foi preciso usar o umbiguismo institucional do centralismo lisboeta para escudar os erros a nível local. Lisboa, claro está, responde sempre ao repto de nos oprimir. Mas isso não pode legitimar os partidos açorianos, que agora surgem de balde na mão, para apagar uma parte ínfima do fogo que vão ateando na Região.
A acessibilidade não pode ser a bandeira de governos que, sistematicamente, se vão esquecendo de partes dos seus territórios. De pouco ou nada nos serve a organização de encontros e eventos na ilha das Flores, quando as estimativas mais simpáticas apontam para anos de trabalho até que volte a ter uma operacionalidade mínima no seu porto comercial. Apregoar aos sete ventos as virtudes do setor espacial em Santa Maria não servirá para nos fazer esquecer os barcos que para lá deixaram de operar, ou as milícias políticas que continuam a destruir a sua sustentabilidade orçamental interna.
A reconquista de algumas das coisas boas que o Subsídio nos trazia, limitando-se essencialmente a repor o que já antes acontecia, é apenas um placebo para a população, e uma forma de granjear alguns votos, principalmente para os que temem perder o seu lugar. A remodelação está ali à espreita, e as facas serão longas. Não haverá Mecanismo que salve da incompetência.
Termino, relembrando a data histórica de 1974, a qual Sophia Andresen tão bem nos descreve “Esta é a madrugada que eu esperava / O dia inicial inteiro e limpo“. 25 de Abril, sempre!

A Câmara de Ponta Delgada, em parceria com o Apiário Margaridas – Beekeeping Azores, vai promover uma ação educativa junto de alunos do 7.º ano da escola secundária das Laranjeiras, com o objetivo sensibilizá-los para a importância que as abelhas ocupam na preservação da biodiversidade. A iniciativa terá lugar no dia 28 de abril.
Como tal, a iniciativa pressupõe uma visita de estudo ao Apiário Margaridas, localizado em Água de Pau, no concelho da Lagoa, contemplando, entre outras atividades, momentos explicativos sobre o ciclo de vida das abelhas e o seu papel determinante no equilíbrio do ecossistema natural, assim como a observação de colmeias e uma prova de degustação de mel.
Decorrendo também sob o lema “Preserve Hoje, Cuide do Amanhã”, a visita ao Apiário Margaridas – Beekeeping Azores insere-se no conjunto amplo de iniciativas ambientais promovidas pela autarquia no âmbito do Programa Bandeira Azul 2026.
Já no passado dia 16 de abril, a autarquia levou a efeito uma ação de educação ambiental dedicada à problemática do lixo marinho, junto de alunos do 9.º ano de escolaridade da escola básica/integrada dos Arrifes.
Na próxima segunda-feira, dia 27 de abril, os mesmos estudantes irão participar numa ação de recolha de resíduos no areal da praia das Milícias. Para além da limpeza, a atividade contempla a identificação e contabilização dos resíduos recolhidos, promovendo um conhecimento mais aprofundado sobre os tipos de lixo que mais afetam as zonas balneares do concelho.
Com este tipo de iniciativas, a autarquia pretende sensibilizar os mais jovens para a adoção de comportamentos ambientalmente responsáveis, reforçando a importância da correta gestão de resíduos e da preservação do meio ambiente, através de uma abordagem que alia o conhecimento teórico à experiência prática.

O Pavilhão Professor Jorge Amaral, nos Remédios da Lagoa, será o centro das atenções da dança regional no próximo dia 26 de abril. Pelas 15h30, o Grupo Som do Vento promove a quarta edição do seu festival de dança, um evento que promete transformar o concelho da Lagoa num palco de partilha artística e convívio. De acordo com a nota de imprensa enviada pela organização, a iniciativa contará com as prestações dos grupos Beat Breakers, ADV, Dancers Power, Venga Girls, Move Dance Crew, Hip Hop Azores e Estúdio 13, que se juntam ao grupo anfitrião para uma tarde dedicada aos mais diversos estilos de movimento.
Com mais de três décadas de existência, o Grupo Som do Vento atravessa um momento de grande dinamismo, contando atualmente com 28 elementos femininos divididos por três escalões. Sediada na freguesia de Santa Cruz, a associação mantém uma presença assídua na vida da comunidade, colaborando regularmente com a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia em festas populares, eventos de Natal e atuações de caráter social em lares de idosos. O rigor técnico das suas exibições é assegurado pela professora Vanessa Borges, do Estúdio 13, que orienta os ensaios semanais da formação.
A concretização desta quarta edição do festival conta com o apoio estratégico da Câmara Municipal de Lagoa e da Junta de Freguesia de Santa Cruz, parcerias que o grupo considera vitais para a sustentabilidade das suas atividades. Para além deste evento, a associação já se encontra a preparar a participação nas marchas de Santo António, reforçando o seu papel como agente ativo na preservação das tradições locais. O festival de domingo assume-se, assim, não só como um espetáculo de entretenimento, mas como um momento de afirmação da cultura e da expressão artística feita na Lagoa.

O hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada reafirma a sua posição na vanguarda da medicina tecnológica em Portugal ao completar o primeiro ciclo de operação com o sistema de inteligência artificial, Gleamer Copilot. Implementada em julho de 2025, esta ferramenta tornou-se um pilar essencial no serviço de urgência da unidade hospitalar açoriana, auxiliando as equipas médicas na deteção precoce de traumatismos e patologias críticas.
A utilização dos módulos BoneView e ChestView permitiu elevar o padrão de segurança clínica oferecido aos utentes, garantindo uma validação de exames radiológicos em apenas alguns minutos e otimizando o tempo de resposta, especialmente em períodos de elevada pressão assistencial.
O sucesso operacional desta tecnologia, que atua como um assistente de suporte à decisão clínica em exames de raio-X e tomografia computadorizada, reflete-se na maior precisão diagnóstica de patologias do tórax e do pulmão, como o pneumotórax, nódulos pulmonares, derrames pleurais e opacidades alveolares, bem como de lesões ósseas, incluindo fraturas agudas, luxações, lesões corticais subtis e pequenos destacamentos ósseos.
Com a consolidação deste sistema, o maior hospital dos Açores prepara-se agora para uma nova fase de expansão, com a previsão de anúncio de novas ferramentas de inteligência artificial que deverão abranger outras áreas diagnósticas e operacionais.
Estas futuras soluções visam aprimorar a triagem e a gestão de fluxos clínicos, solidificando o arquipélago como um polo de referência em inovação médica.
O percurso de modernização tem um impacto direto na confiança dos profissionais e na segurança dos pacientes. O balanço desta primeira fase dá a confiança necessária para avançar com novos projetos que colocarão o hospital num patamar de eficiência tecnológica ainda mais elevado.