
Os deputados dos Açores à Assembleia Constituinte vão estar no centro de uma sessão evocativa que assinala os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, a realizar nesta sexta-feira, 10 de abril, pelas 18h00, no Coro Alto do Palácio da Conceição, em Ponta Delgada.
A iniciativa reúne quatro protagonistas diretos do processo constituinte, Américo Natalino Viveiros, Jaime Gama, João Bosco Mota Amaral e Rúben Raposo, que vão partilhar testemunhos sobre o trabalho desenvolvido há cinco décadas na elaboração da Lei Fundamental, com particular destaque para o contributo açoriano para a consagração da autonomia regional.
Moderada por José Lopes de Araújo, a sessão proporcionará uma reflexão sobre o contexto político da época, os desafios enfrentados durante os trabalhos da 8.ª comissão da Assembleia Constituinte e as posições assumidas pelos representantes dos Açores num momento decisivo para o reconhecimento constitucional da autonomia dos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
O evento contará com a presença do presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Luís Garcia, e do presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, reunindo ainda diversas entidades políticas, académicas e representantes da sociedade civil da região.
A sessão assume-se como um momento de evocação do papel desempenhado pelos deputados eleitos em 1975 pelos distritos de Angra do Heroísmo, Horta e Ponta Delgada na construção do regime democrático, destacando o seu contributo para um dos marcos mais relevantes da história constitucional portuguesa.

O Conselho Económico e Social dos Açores (CESA), através da Comissão Especializada Permanente de Educação e Formação, apresentou a iniciativa “Qualificações 2036”, uma proposta estratégica de ação pública articulada, destinada a promover a qualificação e a inclusão educativa e profissional de jovens açorianos em situação de maior vulnerabilidade.
Com um horizonte temporal alargado (2027-2036), a iniciativa propõe uma abordagem estrutural e de longo prazo aos fenómenos do insucesso escolar, do abandono escolar precoce e da exclusão do mercado de trabalho, com particular atenção aos jovens que não estudam, não trabalham nem se encontram em formação (NEET), aos jovens inativos, aos desencorajados e aos que necessitam de orientação para a construção de um projeto de vida e profissional.
Partindo de indicadores preocupantes — como uma taxa de abandono escolar precoce de 21,1% (2025) nos Açores, significativamente acima da média nacional e europeia, e a existência de cerca de 7800 jovens NEET na região — a iniciativa “Qualificações 2036” defende a necessidade de sistematizar a deteção precoce do insucesso e do abandono escolar e de garantir um acompanhamento individualizado, contínuo e integrado de cada jovem.
A proposta estrutura-se em vinte e uma medidas, que incluem, entre outras, a deteção sistemática dos jovens fora da educação, formação ou emprego, o mapeamento e balanço de competências, o reforço da orientação profissional, a ampliação da oferta formativa alinhada com as necessidades do mercado de trabalho, a criação de mecanismos de apoio financeiro à qualificação, a valorização de profissões em tensão, o envolvimento dos parceiros sociais e a constituição de equipas pluridisciplinares de acompanhamento.
O CESA sublinha que a qualificação é uma questão que exige a mobilização do Estado, das escolas, das empresas, dos sindicatos e da sociedade civil organizada, promovendo uma cultura de participação cívica e de corresponsabilização na definição e implementação das políticas públicas.
A iniciativa estabelece metas ambiciosas a alcançar até 2036, nomeadamente a redução da taxa de abandono escolar precoce para cerca de 6%, a diminuição da taxa de jovens NEET para valores semelhantes, uma taxa de desemprego regional inferior à média nacional e um reforço do PIB per capita regional, contribuindo para um desenvolvimento económico e social mais inclusivo e sustentável nos Açores.

A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, destacou os resultados do relatório do primeiro trimestre de 2026 do serviço de apoio ao doente deslocado em Lisboa, sublinhando o papel determinante deste serviço no apoio aos utentes dos Açores.
Entre 1 de janeiro e 31 de março de 2026, o serviço acompanhou um total de 253 processos, dos quais 87% resultaram de novos encaminhamentos efetuados pelos hospitais da região, evidenciando a crescente procura e a relevância deste serviço como resposta de primeira linha no apoio aos doentes deslocados.
Destaca-se ainda o reforço do alojamento protocolado, que passou a disponibilizar oito quartos, distribuídos por três apartamentos, aos quais se acrescenta um apartamento com um quarto adaptado para acolher doentes com mobilidade reduzida, equipado com cama articulada, cadeira amovível para banho e rampa de acesso à casa de banho.
O apartamento com quarto adaptado destina-se, prioritariamente, a utentes com limitações funcionais significativas, nomeadamente ao nível da mobilidade e autonomia, bem como a situações clínicas que exijam condições específicas de acessibilidade e segurança, sendo a sua atribuição efetuada com base em critérios clínicos, funcionais e sociais devidamente avaliados.
De acordo com Mónica Seidi, estes dados “demonstram o compromisso do Governo dos Açores em garantir uma resposta integrada, humanizada e eficaz aos doentes deslocados, assegurando não apenas o acesso aos cuidados de saúde, mas também o apoio social, emocional e logístico necessário durante todo o processo”.

A Câmara Municipal da Lagoa, através da biblioteca municipal Tomaz Borba Vieira, promove o espetáculo “Ópera para bebés – Os Xúbis”, no próximo dia 11 de abril, pelas 10h30, no auditório Ferreira da Silva, na vila de Água de Pau. Integrada nas comemorações do feriado municipal, esta iniciativa marca o arranque da programação com um momento especialmente dedicado à infância.
Trata-se de uma criação da Associação Setúbal Voz, que convida os mais pequenos a mergulharem no universo da música e da expressão artística, através de uma abordagem sensorial, lúdica e interativa.
A música e a literatura desempenham um papel essencial no desenvolvimento cultural, emocional e intelectual das crianças. Com esta iniciativa, pretende-se proporcionar uma experiência enriquecedora que estimule a curiosidade e a criatividade, transformando os mais novos em participantes ativos, enquanto se incentivam hábitos culturais desde cedo.
O evento destina-se a crianças dos 0 aos 6 anos, sendo permitida a participação de até dois acompanhantes por criança. As inscrições são limitadas e devem ser confirmadas até ao dia 10 de abril. Para residentes no concelho, até às 12h00, e para não residentes, até às 17h00.
As inscrições podem ser efetuadas através do e-mail biblioteca@lagoa-acores.pt, pelo telefone 296 912 510 ou via QR Code disponível nas redes sociais da autarquia. De referir que será dada prioridade aos residentes no concelho.

O Sindicato Livre dos Pescadores – Açores, fez um apelo ao governo regional para que “sejam reforçados os apoios aos combustíveis tendo em conta os aumentos verificados”, bem como que “sejam estabelecidos preços de referência para as principais espécies de pescado capturado na região”, pode ler-se no comunicado enviado ao Diário da Lagoa.
Estas medidas, no entender do Sindicato Livre dos Pescadores – Açores, visam combater o “constante agravamento do preço dos combustíveis que afeta extraordinariamente os rendimentos de todos os profissionais da pesca”.
Pretendem ainda mitigar o aumento “histórico” do preço de um cabaz alimentar. “Atendendo a que, igualmente, verificam-se aumentos incomportáveis nos preços dos produtos que compõem o cabaz alimentar que atingiu o máximo histórico de 254,99€ no início do corrente mês”.
Mais acrescenta o comunicado que o governo deve intervir porque “os rendimentos dos pescadores dependem do preço de primeira venda do pescado e que estes não têm acompanhado a inflação”.

Há quatro anos, uma neta atravessou o Atlântico guiada por uma fotografia amarelada e uma mágoa antiga. Elizabeth Borges Pedro, a neta mais nova, procurava o rasto do avô, Elias Maria Borges, um soldado da Grande Guerra cujo legado físico — as suas medalhas — tinha sido roubado por mãos gananciosas.
Elias Borges teve quatro filhos: Manuel Maria Borges, Norberto Maria Borges, Ema Borges Branquinho e Cizália Borges. Todos, infelizmente, já faleceram. Na altura em que a neta nos contactou, o Diário da Lagoa abriu as suas páginas a esta busca e à possibilidade de publicar o veredicto caso Elizabeth Pedro descobrisse a história. Hoje, nesta edição, em parte dedicada à Liberdade, a resposta chega com a força de um dever cumprido.
Elizabeth não precisou de encontrar o ladrão para fazer justiça ao avô. Através de uma investigação meticulosa, descobriu que Elias não foi apenas um nome numa lista de embarque; foi, na verdade, um protagonista na defesa da Europa. Entre 1916 e 1918, o soldado de Água de Pau operou obuses de artilharia pesada em França, integrando o esforço aliado para travar o avanço alemão rumo ao Canal da Mancha.
A história de Elias é feita de contrastes profundos. É a história do soldado que foi hospitalizado no dia da sangrenta Batalha de Cambrai, a 25 de novembro de 1917, mas que sobreviveu para regressar à frente de combate. É a história do homem que aprendeu a língua de Molière nas trincheiras e que, ao retornar à paz da sua ilha, ainda cantarolava a marcha militar Mademoiselle d’Armentières, trazendo o eco do mundo para as ruas da sua vila.
“O meu avô operava a artilharia de obuses. Ele lutou na Batalha de Lys, a 9 de abril de 1918, repelindo a ofensiva alemã nos campos da Flandres. Embora os alemães tivessem avançado anteriormente, os Aliados conseguiram contê-los”, conta Elizabeth.
O avô de Elizabeth recebeu uma condecoração honrosa por ter sido artilheiro português durante a Primeira Guerra Mundial: a Medalha Militar da Cruz de Guerra, instituída em 1916. Esta foi-lhe concedida devido à relevante participação do Corpo de Artilharia Pesada Português ao lado das forças britânicas, particularmente durante a Batalha de Lys.
O roubo da Cruz de Guerra, a medalha que deveria ter sido entregue a Norberto Maria Borges, pai de Elizabeth, permanece na sombra sobre quem a levou. “O ladrão continuará anónimo”, escreve a neta com a serenidade de quem sabe que o julgamento do tempo é implacável. Mas o que importa agora é que o rosto de Elias (agora restaurado na fotografia que acompanha este artigo) já não é uma imagem desfocada.
Elias Maria Borges terá sido o único soldado de Água de Pau a regressar a casa. Trouxe consigo cicatrizes invisíveis e uma alegria que a guerra não apagou. Elizabeth, a neta mais nova que nunca o conheceu, descreve-o agora como um homem “bondoso, generoso e alegre”.
Para Elizabeth, “é incrível como o meu avô sobreviveu a uma guerra tão sangrenta e a duas batalhas com tantas perdas. Hoje, os seus descendentes estão espalhados pelas terras de alguns dos seus companheiros de batalha e aliados: no Canadá, nos Estados Unidos e nas Bermudas.”
A neta relata que um primo lhe contou que, “todos os anos, o meu avô colocava uma tangerina na árvore de Natal para representar cada neto”. Elizabeth, contudo, nunca teve a honra de o conhecer, pois ele faleceu no Canadá apenas um ano após o seu nascimento. Tinha 84 anos.
“Não sei se a minha tangerina chegou a crescer naquela árvore, mas este artigo representará a minha tangerina”, confessa a neta.
A missão está cumprida. Elizabeth veio em busca de uma medalha e encontrou a alma do avô. A condecoração pode estar numa gaveta alheia, mas a honra do artilheiro de Água de Pau voltou finalmente a casa, guardada na memória, por quem se recusou a esquecer.

A Marinha Portuguesa, através do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada (MRCC Delgada), coordenou nesta terça-feira, 7 de abril, o resgate de um tripulante de 42 anos e nacionalidade cabo-verdiana, que se encontrava em dificuldades após ter sofrido uma queda a bordo do navio mercante em que navegava, a cerca de 203 milhas náuticas (aproximadamente 327 quilómetros) a sudeste da ilha Terceira, nos Açores.
O alerta foi recebido perto das 08h40 (hora local), a informar que o tripulante apresentava uma possível fratura no braço direito e na perna esquerda, necessitando de cuidados médicos urgentes.
Em articulação com o Centro de Orientação de Doentes Urgentes – Mar (CODU-MAR), e em conjunto com o Centro de Busca e Salvamento Aéreo das Lajes (RCC Lajes), foi ativado para o local um helicóptero EH-101 da Força Aérea Portuguesa, para efetuar o resgate.
A vítima foi resgatada e transportada pelo helicóptero para a ilha Terceira, onde aterrou pelas 14h20 (hora local), tendo sido posteriormente transferida para uma unidade hospitalar por uma ambulância do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA).

A Câmara Municipal de Ponta Delgada aprovou, em reunião ordinária e por unanimidade, um voto de congratulação à atleta Natacha Candé, do Clube Desportivo e Cultural Juventude Ilha Verde, pela revalidação do título ibérico de pentatlo, no escalão de sub-20.
O título de campeã ibérica de pentatlo foi conquistado no Torneio Ibérico de Provas Combinadas, realizado em Zaragoza, Espanha, onde a atleta representou a seleção nacional e alcançou uma extraordinária pontuação total de 4257 pontos, superando as suas próprias marcas.
Importa recordar que, já no corrente ano, Natacha Candé havia conquistado o título de campeã nacional de pentatlo nos campeonatos nacionais de provas combinadas, ao somar 4197 pontos, numa competição em que estabeleceu, em simultâneo, os recordes nacionais dos escalões de sub-20 e sub-23.
Tal como se lê no voto de congratulação aprovado, “a progressão desportiva da atleta, marcada pela constante melhoria dos seus resultados – incluindo a superação da anterior marca pessoal de 4094 pontos no Torneio Ibérico de 2025 – constitui um exemplo de rigor, disciplina e compromisso com a excelência, projetando o nome de Ponta Delgada e dos Açores além-fronteiras”.
Recorde-se que Natacha Candé foi distinguida na Gala do Desporto de Ponta Delgada com o título de “Atleta Feminina do Ano”, reconhecimento que sublinha o mérito do seu percurso e o seu papel enquanto referência para a juventude.

O concelho de Vila Franca do Campo associa-se este mês à campanha internacional do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância. Segundo a autarquia vilafranquense, a iniciativa visa alertar a comunidade para a proteção de crianças e jovens, reforçando que o combate a esta problemática exige um esforço coletivo. Como símbolo visual desta causa, o edifício dos Paços do Concelho e o Centro Municipal de Formação e Animação Cultural estarão iluminados com a cor azul durante o decorrer de todo o mês de abril, uma cor que mundialmente identifica a luta contra o abuso infantil.
Ao longo do período em curso, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Vila Franca do Campo, em parceria direta com a Câmara Municipal, desenvolve um programa de atividades destinado a sensibilizar a população para a necessidade de cuidar e proteger as camadas mais jovens. A campanha deste ano adota o mote “Olha, Acolhe e Ama”, servindo como um apelo à consciencialização de todos os cidadãos para a vigilância e o afeto enquanto ferramentas de prevenção.
A vertente educativa da iniciativa conta com a participação da Biblioteca Municipal de Vila Franca do Campo. Em resposta ao desafio lançado pela CPCJ, este espaço cultural disponibiliza, durante o mês de abril, o livro “Cuida Bem de Mim!”, da autoria de Maria Inês de Almeida. A obra serve de base à mensagem da autarquia, que defende que a prevenção começa em atitudes quotidianas baseadas no respeito e na atenção, sublinhando que a segurança e a compreensão são fundamentais para o crescimento saudável das crianças.

O auditório dos Paços do Concelho acolheu esta segunda-feira, 6 de abril, uma sessão do Conselho Municipal de Saúde da Lagoa, órgão que reuniu representantes de diversas instituições e entidades do setor para analisar a situação atual da saúde no concelho. De acordo com a nota de imprensa enviada pelo município, a reunião, conduzida pela vereadora com o pelouro da Saúde e Ação Social, Graça Costa, teve como objetivo central a partilha de contributos e a identificação de preocupações sociais e de saúde junto da comunidade local, visando a articulação de respostas entre os diversos parceiros.
No decorrer dos trabalhos, a vereadora Graça Costa apresentou um balanço das iniciativas municipais, estruturando a intervenção sob o mote “ontem, hoje e amanhã”. Foram destacados projetos como a Semana da Saúde, a atividade do Centro de Intervenção Social – TEAR e programas de apoio direto à população, nomeadamente o Cartão Lagoa + Saúde. O município aproveitou a ocasião para detalhar também as ações de prevenção da violência no namoro na adolescência, em vigor desde 2023, e as iniciativas de promoção do envelhecimento ativo, onde se inclui o projeto de estimulação cognitiva “A Avó Veio Trabalhar”.
No âmbito da promoção de estilos de vida saudáveis, a autarquia reportou o investimento na criação de zonas pedonais e a descentralização de aulas de grupo através do programa “Saúde em Movimento”, além do apoio prestado a coletividades desportivas. Foi igualmente sublinhada a participação da Lagoa na Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis, que pressupõe o compromisso de adoção de políticas locais de saúde e a elaboração de um plano de desenvolvimento específico para esta área.
Relativamente às metas futuras, a vereadora Graça Costa explicou que a autarquia pretende focar o próximo plano de desenvolvimento na prevenção primária. “A Câmara Municipal pretende, com o plano de desenvolvimento em saúde, dar ênfase ao envelhecimento ativo e à promoção da saúde mental como medida principal de prevenção primária de várias problemáticas como comportamentos antissociais, disruptivos, toxicodependência”, afirmou a responsável.