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Ígor Lopes leva segunda edição de “Somos Açores” às ilhas do Corvo e das Flores, com passagem por Ponta Delgada

Lançamento do novo livro, no âmbito do IV Fórum das Migrações, celebra o papel das Casas dos Açores no Brasil e pretende incluir as ilhas do Corvo e das Flores no cenário literário luso-brasileiro e açordescendente

© ACÁCIO MATEUS

Entre os dias 7 e 14 de abril, o jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes vai estar presente no arquipélago açoriano para apresentar a sua mais recente obra. Trata-se da segunda edição, revista e ampliada, de: “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, que será lançado em três cenários distintos: Corvo, Flores e Ponta Delgada. Escrito no formato livro-reportagem, o livro oferece uma visão única sobre como as ilhas dos Açores são retratadas e mantidas vivas além-mar, com especial destaque para o papel das Casas dos Açores em vários Estados do Brasil, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Maranhão, Bahia, São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina. A novidade desta edição é a inclusão das informações, após entrevistas, da Casa dos Açores de Minas Gerais, recentemente criada.

Este projeto literário foi apoiado pelo Governo Regional dos Açores, através da Direção Regional das Comunidades, e editado pela Amazon.

“Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, segunda edição, revista e ampliada, conta com José Andrade, diretor Regional das Comunidades, e Adélio Amaro, escritor e responsável pela BibliRuralis, como prefacistas. Também José Manuel Bolieiro, presidente do governo regional dos Açores, participa com uma mensagem aos açordescendentes. Daniel Evangelho Gonçalves, historiador, assina o posfácio, por sua vez, a jornalista Paula Machado, da RDP Internacional, é autora de um texto sobre o escritor luso-brasileiro.

Ao longo de 138 páginas estão entrevistas aos presidentes das Casas dos Açores no Brasil, num período entre 2022 e 2026, com o intuito de revelar os contornos que levaram à criação dessas entidades açorianas no maior país da América do Sul. É também examinado o importante trabalho dessas instituições que, há décadas, preservam e promovem a cultura açoriana no Brasil, fortalecendo os laços históricos e culturais entre o arquipélago e a nação irmã de Portugal. Ao ler este livro, mergulhamos na rica história dessas casas, explorando as suas ações e contribuições para fortalecer os laços culturais entre os açorianos e os seus descendentes em solo brasileiro.

“A ideia é que seja um livro vivo, dinâmico, que ganhe novas páginas sempre que o movimento associativo açoriano no Brasil se desenvolve e crie raízes. Por outro lado, mantemos uma memória da criação de cada entidade, com os seus contornos, desafios e ações”, explicou Ígor Lopes

Agenda no arquipélago

A apresentação de “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, segundo edição revista e ampliada, estará integrada no âmbito do IV Fórum das Migrações 2026, organizado pelo Governo Açoriano.

Por desejo do autor, esta nova edição será apresentada nas ilhas do Corvo e das Flores, ambas pertencentes ao Grupo Ocidental do arquipélago, caracterizando-se pelo seu isolamento, beleza natural, paisagens vulcânicas exuberantes e uma forte ligação ao oceano. Enquanto o Corvo é a menor e mais isolada, marcada pela simplicidade, as Flores destacam-se pela abundância de água e vegetação.

“Por essas razões, decidi levar a visão dos brasileiros e açordescendentes às duas ilhas. Estou feliz por poder, primeiro, conhecer essas duas comunidades e, depois, levar cultura e um pouco de luso-brasilidade, com sabor a Açores, aos corvinos e florenses”, sublinhou Ígor Lopes.

A agenda está organizada da seguinte maneira:

08/04 – Corvo – Salão Nobre da Câmara Municipal do Corvo – 18h30 – Apresentação: Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades – Governo dos Açores;

09/04 – Flores – Salão Nobre da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores – 18h30 – Apresentação: Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades – Governo dos Açores;

13/04 – Ponta Delgada – Livraria Letras Lavadas – 18h – Apresentação: Dra. Andrea Moniz DeSouza – Presidente da Associação dos Emigrantes Açorianos (AEA).

A primeira edição deste livro passou por diversas ilhas açorianas e pelo Brasil. Esta nova edição teve um pré-lançamento junto da comunidade açoriana e açordescendente no Uruguai e na Argentina, nos últimos dias.

dar voz à resiliência da cultura açoriana”

Segundo o autor, “ao escrever “Somos Açores”, senti-me com uma grande responsabilidade de dar voz à resiliência da cultura açoriana longe do seu território de origem”.

“As Casas dos Açores no Brasil são guardiãs de uma identidade coletiva que sobrevive ao tempo e à distância. Espero que este livro inspire um novo olhar sobre a importância dessa preservação cultural. “Somos Açores” faz o caminho inverso de “Açores em Cores”. Este último, lançado em diversas cidades, procurou mostrar o arquipélago para o mundo, com foco também nos lusodescendentes. Agora, “Somos Açores” cruza o oceano saindo do Brasil para desembarcar nos Açores com boas novas. Sim, a açorianidade está viva em outras muitas paragens”, afirmou Ígor Lopes.

Workshop de tecelagem preserva legado da Casa do Trabalho do Nordeste

© CM NORDESTE

O município do Nordeste promoveu mais uma edição do workshop de tecelagem na Casa do Trabalho do Nordeste, formação que voltou a contar com um apreciável número de inscritos e que obrigou a organização a ajustar o número de vagas à procura verificada.

Realizado em parceria com a Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, o workshop teve por objetivo reforçar o interesse das pessoas, sobretudo as das gerações mais novas, pelo ofício artesanal da tecelagem, garantindo assim a perpetuação desta tradição. Visou também dar eco ao trabalho de qualidade que é desenvolvido na Casa de Trabalho do Nordeste.

A vereadora Sara Sousa marcou presença no encerramento da formação, recordando, na ocasião, que este legado foi passado com sucesso à atual principal artesã da Casa do Trabalho, Fátima Leite, que sucedeu a Zélia Tavares e a Filomena Abrantes.

As formandas apreciaram o workshop e demonstraram vontade de participar em edições futuras, deixando o repto para que, se possível, sejam mais repartidas.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, Vítor Lima, também esteve presente na entrega dos diplomas e demonstrou a sua vontade em dar continuidade a projetos que promovam e preservem o legado da Casa de Trabalho.

De referir que o workshop de tecelagem resulta do compromisso da Câmara do Nordeste na Carta Europeia de Turismo Sustentável das Terras do Priolo de preservar o património imaterial do seu território.

Pescador de 52 anos encontrado sem vida na Lomba do Carvalho

O corpo da vítima foi resgatado esta manhã numa operação complexa que envolveu a equipa de grande ângulo dos Bombeiros de Ponta Delgada e a Polícia Marítima, após um alerta dado na noite de domingo

© AMN

Um homem de 52 anos, que se encontrava a praticar pesca lúdica, foi encontrado sem vida na noite deste domingo, 5 de abril, numa arriba na zona da Lomba do Carvalho, no concelho de Ponta Delgada. Segundo as informações disponibilizadas pela Autoridade Marítima Nacional, o alerta foi recebido por volta das 23h00, via Polícia de Segurança Pública, desencadeando de imediato a mobilização de meios do Comando Local da Polícia Marítima e dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada para o local.

As operações de recuperação revelaram-se particularmente exigentes devido ao terreno acidentado e às condições meteorológicas adversas registadas durante a madrugada. Por se tratar de uma zona de difícil acesso e perigosidade elevada, a remoção do corpo foi adiada para o período após o nascer do sol, contando com a necessária autorização do Ministério Público. Durante toda a noite, os elementos da Polícia Marítima mantiveram uma vigília no local para assegurar a preservação da área até que fosse possível proceder ao resgate em segurança.

Já na manhã desta segunda-feira, 6 de abril, e após a validação da Delegada de Saúde, a equipa de grande ângulo dos bombeiros conseguiu retirar o corpo da zona rochosa. A vítima foi posteriormente transportada para o Gabinete Médico-Legal de Ponta Delgada, onde foi formalizado o auto de verificação do óbito. Embora as causas exatas do incidente ainda estejam por apurar, as autoridades confirmaram que o Gabinete de Psicologia da Polícia Marítima foi prontamente ativado e encontra-se a prestar o apoio necessário aos familiares do pescador. O caso está agora sob a responsabilidade do Comando Local da Polícia Marítima de Ponta Delgada, que tomou conta da ocorrência.

A Floresta que Cura: a jornada de renascimento de doentes belgas na natureza dos Açores

Cerca de duas dezenas de pacientes de um hospital belga escolheram os Açores para um projeto pioneiro que utiliza a natureza para promover a cura

Programa de terapias da natureza está a transformar a forma como pacientes encaram o seu processo de recuperação © CLIFE BOTELHO

No coração do Atlântico, onde o verde das criptomérias toca o cinzento das rochas vulcânicas, um grupo de cidadãos belgas percorre trilhos que são, simultaneamente, caminhos físicos e rotas de introspecção. O que os traz aos Açores não é o turismo convencional de contemplação, mas sim um projeto científico e terapêutico pioneiro que une a Universidade dos Açores ao hospital belga AZ Monica. Sob o conceito de Forest Mind (Floresta Consciente), este programa de terapias da natureza está a transformar a forma como pacientes com lesões cerebrais, burnout e traumas graves encaram o seu processo de recuperação.

O mentor desta iniciativa, o professor Eduardo Marques, da Universidade dos Açores descreve a semana como muito mais do que um intercâmbio académico. “Nós temos um momento de conexão humana, de interculturalidade”, afirma. “Temos aqui um grupo de doentes que vieram de um hospital belga aos Açores para um programa de reconexão com a natureza e terapias para encontrarem caminhos e estratégias para aumentar o seu bem-estar psicológico”.

A Ciência por trás da “Forest Mind”

Para os participantes, os exercícios serviram como espelhos das suas próprias vidas © CLIFE BOTELHO

A escolha dos Açores não foi um acaso geográfico, mas uma decisão clínica. Greet Dierckx, neuropsicóloga belga que trabalha com doentes com lesões cerebrais, explica a importância de tirar os pacientes do ambiente hospitalar. “É muito importante para eles aprenderem ferramentas para manter o cérebro o mais saudável e forte possível. A terapia baseada na natureza é um método muito forte para manter o corpo e o cérebro saudáveis”, refere a especialista.

Greet sublinha ainda que o mau tempo que assolou o arquipélago durante a semana acabou por ser uma ferramenta terapêutica inesperada: “A vida é desafiante. E esta semana foi muito desafiante em relação ao tempo. Mas aprendemos muito. Quando se faz em grupo, é ainda mais forte porque trocamos experiências e conhecimentos”, afirma.

Para os participantes, os exercícios serviram como espelhos das suas próprias vidas. Ann Willems, que se juntou ao projeto inspirada por uma amiga, utilizou elementos naturais para desenhar a sua “linha da vida”. Para ela, a natureza trouxe uma clareza necessária: “Isto representa-me. São lembretes para mim própria de que, na vida, temos de vir primeiro. Tens de estar saudável, forte e aterrada. Se estiveres segura, tudo o resto interage e a vida torna-se uma harmonia”, considera.

Essa mesma busca por harmonia é partilhada por Nadia Makrache, uma empresária que enfrentou dois episódios de burnout. Para Nadia, a surpresa foi a eficácia das dinâmicas: “tornou-nos criativos, tornou-nos calmos. Estávamos conscientes. Foi bom conectar com os locais e outras pessoas novas, sinto-me leve por partilhar”.”

Superar o trauma e a lesão

A eficácia da terapia mede-se pelo que os pacientes levam na bagagem de volta para a Bélgica © CLIFE BOTELHO

Para aqueles que lidam com sequelas físicas e neurológicas graves, a floresta ofereceu uma nova perspetiva sobre as suas capacidades. Romelia Schwarzkechel viajou como guia de uma amiga que sofreu um acidente de carro com danos cerebrais, mas acabou por se envolver profundamente no processo. “É uma jornada, claro. Tivemos a natureza bela e todo o tipo de novos exercícios como usar binóculos para testemunhar a natureza de uma forma diferente e ver como o cérebro responde ao olhar fisicamente de uma maneira distinta”, explica.

Helene Van Der Linden sofreu uma hemorragia cerebral há um ano e meio. Admite que inicialmente hesitou em participar por não querer estar num “grupo de doentes”. Contudo, a experiência mudou a sua visão: “como podem ver, não somos realmente um grupo de doentes. São apenas pessoas a encontrar uma nova forma de viver depois do que aconteceu.” Helene confessa preferir as atividades físicas: “a surpresa da natureza aqui é algo que gosto muito. Sinto que não temos apenas as quatro estações num dia, mas todos os tipos de natureza do mundo num só lugar. Parece a Escócia depois parece o Havai”, diz, referindo-se aos Açores. 

A eficácia da terapia mede-se pelo que os pacientes levam na bagagem de volta para a Bélgica. Peter Plusquin, que sofre de sintomas como “nevoeiro cerebral” e falta de concentração, encontrou nos Açores uma forma de ressignificar a sua condição. “A natureza desta ilha ajuda-nos a relacionarmo-nos connosco próprios. É como uma selva, mas uma selva fresca”, descreve. Peter leva consigo âncoras mentais dos exercícios realizados: “encontrei quatro ou cinco recursos que posso usar para me sentir melhor, são elementos-chave que nunca esquecerei. Ainda tenho os mesmos sintomas, mas acho que tenho mais formas de me relacionar com eles”. 

Um novo paradigma para os Açores

Pacientes do hospital AZ Monica de Antuérpia viajaram até aos Açores © CLIFE BOTELHO

O professor Eduardo Marques acredita que este é apenas o início de um caminho que pode transformar a região num destino de Turismo de Saúde e Bem-Estar. “Podemos utilizar a natureza, um recurso que temos espalhado por todas as ilhas, como um ativo importante em providenciar novas estratégias ao nível da saúde”, defende.

Mais do que isso, o projeto redefine o papel do assistente social moderno: “o assistente social pode assumir também uma função de terapeuta. Eu dispo-me do meu papel enquanto professor e assumo enquanto assistente social terapeuta, conduzindo sessões indutoras de renascimento individual”. 

Embora o caminho seja novo e possa gerar desconfiança, Eduardo Marques é categórico: “os resultados provam que esta experiência está a ser extremamente positiva e gratificante”. Nos Açores, entre a névoa e o verde absoluto, provou-se que a natureza não é apenas um cenário, mas poderá ser uma parte essencial da cura humana.

Entre o Conforto e o Desconhecido

Ricardo Pinto de Castro e César
Sociólogo – ISCTE-IUL

Perante a tensão sociológica do crescimento humano, o conforto constitui uma condição indispensável à existência humana, na medida em que nenhum indivíduo consegue sustentar, por longos períodos, o seu equilíbrio físico e psíquico sob pressões contínuas e sem horizonte de alívio. Neste sentido, o conforto não é apenas um luxo, mas um requisito estrutural para a manutenção da saúde e da estabilidade social.

Contudo, quando o sujeito orienta toda a sua ação para a preservação e maximização desse conforto, corre o risco de se afastar da dimensão dinâmica da vida social. A existência humana não se esgota na procura de segurança; ela constrói-se também na exposição ao imprevisto, na relação com o desconhecido e na capacidade de enfrentar contextos que desafiam rotinas estabelecidas.

Do ponto de vista sociológico, a tensão entre conforto e desconforto revela um equilíbrio delicado. Por um lado, o conforto assegura a reprodução da vida quotidiana e das estruturas sociais; por outro, é frequentemente no desconforto que emergem processos de transformação, aprendizagem e amadurecimento. A travessia por territórios incertos — sejam eles simbólicos, emocionais ou materiais — constitui um elemento central na formação do indivíduo enquanto agente social.

Todavia, não existem critérios universais que permitam definir com precisão o limiar entre o conforto saudável e o conforto que se torna limitador. De igual modo, é difícil identificar o momento em que a chamada “zona de conforto” deixa de ser um espaço de proteção legítima para se transformar num mecanismo de evasão face aos desafios inerentes à vida em sociedade.

Assim, torna-se necessário reconhecer o valor de uma certa dose de desconforto como condição para a superação da inércia e para a abertura ao novo. É nessa disposição para o risco controlado que o indivíduo amplia o seu horizonte de possibilidades e participa mais plenamente na construção da sua trajetória.

Ainda assim, importa sublinhar que a simples procura deliberada de situações desconfortáveis — como o esforço físico extremo ou práticas de autoexigência — não garante, por si só, uma preparação efetiva para os desafios da vida. O crescimento humano não resulta apenas da intensidade da experiência, mas da forma como esta é integrada, interpretada e situada no contexto mais amplo das relações sociais.

Um total de 48 jovens do Nordeste com formação musical nas férias da Páscoa

Quase meia centena de músicos das três filarmónicas do concelho participaram num workshop intensivo durante as férias da Páscoa, culminando num concerto de aplausos efusivos no Centro Municipal de Atividades Culturais

© CM NORDESTE

Um grupo de 48 jovens músicos, oriundos das diversas sociedades filarmónicas do concelho do Nordeste, na ilha de São Miguel, aproveitou a recente interrupção letiva da Páscoa para aprimorar competências técnicas e artísticas. A iniciativa, promovida pela Câmara Municipal do Nordeste e ministrada pela Banda Militar dos Açores, decorreu ao longo de quatro dias intensos de formação, entre 30 de março e 2 de abril. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia nordestense, o projeto visa não só o aperfeiçoamento musical, mas também o incentivo à continuidade do associativismo cultural no concelho.

O encerramento oficial teve lugar no passado dia 2 de abril, com uma apresentação pública no Centro Municipal de Atividades Culturais que registou uma forte adesão da comunidade, entre familiares, maestros e dirigentes associativos. Sob a direção artística do capitão chefe de Banda Hélio Soares, o conjunto apresentou um reportório composto por quatro peças, demonstrando o resultado do trabalho desenvolvido em regime de tempo inteiro, das 9h00 às 16h30. As sessões de trabalho foram distribuídas estrategicamente entre as instalações da Escola Básica e Secundária do Nordeste, a sede da Filarmónica Eco Edificante e o Centro Municipal, permitindo o trabalho específico por diferentes naipes de instrumentos.

A logística do evento ficou integralmente a cargo do Município do Nordeste, como forma de retribuição pela formação gratuita ministrada pelos 12 elementos da Banda Militar. No final da apresentação, o chefe da Banda Militar dos Açores, Hélio Soares, fez questão de sublinhar a importância estratégica do apoio camarário às filarmónicas, referindo que projetos desta natureza, aliados ao apoio financeiro anual, “proporcionam aos jovens músicos a vontade de elevar o conhecimento musical e de contribuir para as respetivas filarmónicas”. O responsável aproveitou ainda o momento para lançar um apelo à comunidade, convidando crianças, jovens e adultos, independentemente da idade, a integrarem estas instituições e a darem o seu contributo para a cultura local.

Marcaram presença o comandante da Unidade de Apoio da Zona Militar dos Açores, o vice-presidente do Município do Nordeste com o pelouro da Cultura, além de elementos da vereação.

Moradores das Socas exigem intervenção perante cenário de degradação e insegurança

Através de uma nota enviada à redação do Diário da Lagoa, moradores denunciam o abandono da zona, apontando falhas graves na salubridade, iluminação pública e fiscalização municipal

Zona das Socas situa-se na freguesia de Nossa Senhora do Rosário e faz fronteira com concelho de Ponta Delgada
© DIREITOS RESERVADOS

Os moradores da zona Socas, no concelho da Lagoa, decidiram quebrar o silêncio e tornar pública uma situação de degradação que, segundo os residentes, se tem agravado perante a ausência de respostas eficazes por parte do executivo municipal. Numa nota enviada ao Diário da Lagoa, os moradores denunciam um cenário marcado pela deposição ilegal de entulhos e resíduos domésticos, o abandono de cadáveres de animais em decomposição e a proliferação de silvas em terrenos que não recebem manutenção. Este quadro de insalubridade tem levado a um aumento preocupante da presença de ratos e outros vetores, colocando em causa a saúde pública de quem ali reside. Além das questões ambientais, a segurança é outro dos pilares da contestação, com a vizinhança a apontar a falta de iluminação pública em zonas habitacionais e de circulação como um fator crítico que urge resolver.

Os signatários do documento sublinham que, embora a recente validação do Plano Diretor Municipal (PDM) em 2025 tenha classificado grande parte da zona como área ecológica, essa proteção ambiental não deve ser utilizada como justificativa para o desinvestimento nas condições básicas de vida. No texto enviado, os residentes defendem que “a proteção ecológica deve caminhar lado a lado com a proteção das pessoas”, reforçando que o que pedem não é excecional, mas sim as “condições mínimas de dignidade e segurança que qualquer cidadão tem direito a esperar do seu município”. Os moradores manifestam ainda um sentimento de frustração perante o que descrevem como uma falta de resposta às sucessivas comunicações feitas anteriormente ao executivo, exigindo agora a implementação de um plano de intervenção urgente que inclua limpeza, desratização e o reforço da fiscalização ambiental para dissuadir comportamentos incivilizados.

Moradores apontam o aumento preocupante da presença de ratos na zona © DIREITOS RESERVADOS

Caso levado à Reunião de Câmara

A gravidade da situação já tinha sido exposta diretamente aos órgãos autárquicos antes da formalização do abaixo-assinado. De acordo com a ata da reunião ordinária da Câmara Municipal da Lagoa realizada a 26 de fevereiro de 2026, uma munícipe, moradora nas Socas, interveio no período aberto ao público para alertar sobre a insegurança na zona. Na ocasião, a moradora lamentou que as preocupações da vizinhança — que incluíam situações associadas ao consumo e tráfico de droga — não tivessem tido o devido seguimento no Conselho Municipal de Segurança. A moradora sublinhou que, por se tratar de uma área mais afastada do centro da cidade, a zona das Socas tem carecido de atenção nos últimos anos, revelando que os próprios moradores têm o hábito de contactar a PSP para registar a localidade como “zona problemática”.

Em resposta, o presidente da Câmara, Frederico Furtado Sousa, reconheceu a “característica particular” das Socas por ser uma zona de fronteira entre os concelhos da Lagoa e Ponta Delgada. O autarca assumiu na altura o compromisso de que a situação seria abordada na reunião do Conselho Municipal de Segurança agendada para março, com o objetivo de dar conhecimento das conclusões aos residentes.

O grupo de moradores solicita também que a Câmara Municipal proceda à notificação dos proprietários de terrenos privados ao abandono e que estabeleça um canal de diálogo estruturado com a comunidade para garantir o acompanhamento contínuo destas problemáticas. Apesar do tom crítico e da exigência de que o município cumpra o seu papel na defesa do interesse público, os moradores das Socas reafirmam a sua total disponibilidade para colaborar com as autoridades locais na procura de soluções e garantem que o abaixo-assinado, que reúne as assinaturas das famílias afetadas, será entregue nos Paços do Concelho nos próximos dias.

Le Diário da Lagoa já contactou a Câmara Municipal, enviando um conjunto de questões sobre as medidas previstas para esta zona, e aguarda uma resposta por parte da autarquia.

Mergulhadores da Marinha inativam engenho explosivo na ilha Graciosa

A operação de alta prontidão decorreu no passado sábado em Porto Afonso, mobilizando o Destacamento de Mergulhadores Sapadores e o navio NRP Figueira da Foz para garantir a segurança da população

© MARINHA PORTUGUESA

A tranquilidade da zona de Porto Afonso, na ilha Graciosa, foi interrompida no passado sábado, 4 de abril, por uma operação de inativação de engenhos explosivos levada a cabo pela Marinha Portuguesa. Segundo uma nota informativa enviada às redações pela Marinha, a equipa de prontidão do Destacamento de Mergulhadores Sapadores n.º1 (DMS1) foi mobilizada, no passado dia 4 de abril, para neutralizar um engenho detetado naquela localidade açoriana. O objeto em questão foi identificado como uma mina de exercício, tendo a sua neutralização ocorrido com sucesso e em total segurança às 16h50, sem que se tenham registado quaisquer incidentes ou danos.

A complexidade logística da operação exigiu uma articulação estreita entre várias forças, contando com o apoio da Delegação Marítima da Graciosa. Para viabilizar a intervenção, o navio da Marinha NRP Figueira da Foz assegurou a projeção dos militares especializados e de todo o equipamento necessário a partir da ilha Terceira até à Graciosa. Este tipo de intervenções sublinha a prontidão das forças navais no arquipélago para lidar com ameaças que possam colocar em risco a segurança pública e a navegação nas águas dos Açores.

Na sequência deste episódio, a Marinha aproveitou para reforçar um alerta crucial à população. Perante a deteção de engenhos explosivos ou qualquer artefacto suspeito na costa ou no mar, as autoridades reiteram que é fundamental não manusear nem tentar remover os objetos. O procedimento correto passa por contactar de imediato as autoridades locais e manter uma distância de segurança rigorosa, permitindo que as equipas especializadas de mergulhadores sapadores possam atuar de forma controlada e garantir a proteção de todos.

Distribuídos 660 cabazes de Páscoa pelos beneficiários do Cartão Lagoa + Saúde

Iniciativa abrangeu todas as freguesias do concelho e privilegiou a aquisição de produtos no comércio local

© DIÁRIO DA LAGOA

À semelhança do que tem sucedido em anos anteriores, a Câmara Municipal da Lagoa procedeu à entrega de 660 cabazes de Páscoa destinados aos munícipes abrangidos pelo Cartão Lagoa + Saúde. De acordo com a nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, a medida chegou a todas as freguesias do concelho.

A iniciativa focou-se na população mais vulnerável e na valorização do tecido económico da região. Este apoio indireto à economia local reflete-se na composição dos cabazes, cujos produtos alimentares foram adquiridos diretamente nos estabelecimentos comerciais do concelho.

O presidente da Câmara, Frederico Sousa, sublinha o simbolismo da ação, afirmando que “a Páscoa é um momento especial de partilha e proximidade, e quisemos, mais uma vez, estar presentes na vida dos nossos munícipes, em particular dos mais idosos”.

O autarca realça ainda o cariz humano desta política social, notando que “este é um gesto simples, mas feito com muito carinho, que procura levar algum conforto e mostrar que não estão sozinhos. É também uma forma de agradecer tudo aquilo que deram ao nosso concelho ao longo da vida”.

Esta medida está integrada num programa de apoio mais abrangente, suportado pelo Cartão Lagoa + Saúde. Em vigor desde 2017, este mecanismo destina-se a residentes com idade igual ou superior a 65 anos ou cidadãos a partir dos 45 anos com um grau de incapacidade superior a 60%.

Para além da distribuição de cabazes nas épocas festivas da Páscoa e do Natal, o cartão assegura benefícios contínuos. Entre estes destacam-se o apoio mensal de 15 euros para medicamentos, descontos nas tarifas de água e saneamento, e a realização de pequenas obras de manutenção habitacional.

Segundo a Câmara Municipal, o Cartão Lagoa + Saúde constitui uma ferramenta central na estratégia municipal de promoção do bem-estar e da qualidade de vida da população mais fragilizada do concelho.

“Não existe Deus da guerra”: bispo de Angra recorda lição de Jesus na Semana Santa

D. Armando Esteves Domingues retoma ideia central do papa Francisco de que qualquer violência desenvolvida em nome de Deus é uma traição porque Ele “entra sempre no coração dos inocentes”

© IGREJA AÇORES/CR

O bispo de Angra afirmou, na alocução que fez na Celebração da Paixão do Senhor, na Sé de Angra, que qualquer instrumentalização de Deus para justificar a guerra ou a violência é um “ultraje” e uma “traição blasfema”, recuperando uma ideia repetida pelo Papa Francisco.

Na celebração, também conhecida como Hora Santa por marcar a hora da morte de Jesus, D. Armando Esteves Domingues afirmou que a verdadeira “grandeza e autoridade” residem em servir e proteger a vida, e não em dominar ou destruir.

Na cruz, Cristo entra “na solidão dos inocentes e transforma o desespero em oração”, afirmou destacando que este é “o critério ético maior daqueles a quem se confia a autoridade e o poder nas decisões que têm a ver com todos”.

A instrumentalização de Deus para justificar a guerra, a violência ou a imposição “é uma negação radical e definitiva da sua lição”.

“Não existe Deus da guerra e qualquer violência em nome Dele é um ultraje contra Deus, é uma traição blasfema a Deus”, enfatizou numa alocução muito centrada na necessidade da paz.

“Rezemos pela paz e por quem decide. Façamo-lo unidos ao clamor dos povos feridos, dos jovens enviados para matar e morrer, das mães e pais que enterram filhos, das crianças mortas e feridas”, pediu o bispo de Angra.

O prelado recordou  que “mesmo entre ruínas e lágrimas, há sinais de Ressurreição: gestos de proteção, corredores humanitários, voluntários, padres, médicos, famílias que acolhem, comunidades que partilham, pessoas que arriscam a paz, homens e mulheres que escolhem salvar em vez de destruir”.

Sublinhou, por isso,  que a hora da crucificação de Jesus é também a hora central da história da humanidade e da nossa própria história.

“É a hora em que, sofrendo livremente na cruz uma morte cruel, Jesus nos diz duas coisas: em primeiro lugar, diz-nos quem é Deus, o Pai, disposto a seguir o filho até ali, até ao alto da cruz, para demonstrar que Ele é todo e só amor e perdão; em segundo lugar, diz que o segredo da justiça, da paz e da fraternidade é dar a vida”, explicou.

“A cruz de Jesus não nos autoriza a colocar Deus no banco dos réus e a perguntar diante do sofrimento: ‘Onde está Deus?’. Ela convida-nos antes a perguntar: onde estamos nós diante do sofrimento, nosso e dos inocentes, e o que fazemos para não acrescentar mais sofrimento e mais morte à morte?” acrescentou, terminando com um apelo à oração pela paz.

No contexto do Ano Jubilar Franciscano, pelos 800 anos da morte de São Francisco, D. Armando Esteves Domingues recordou a oração do santo, pedindo que cada um se torne instrumento de paz, levando amor onde há ódio, perdão onde há ofensa, esperança onde há desespero e luz onde há trevas.

Na sexta feira a coleta da celebração reverteu a favor da Terra Santa. Num contexto de guerra persistente no Médio Oriente, o Dicastério para as Igrejas Orientais renovou o apelo anual à ajuda, convidando à oração intensa pela paz, especialmente após incidentes que ameaçaram a celebração pascal na região.

“As armas continuam a disparar, as pessoas continuam a morrer”, recordou o cardeal Claudio Gugerotti, destacando o sofrimento silencioso das populações locais e o impacto na presença cristã, ameaçada pela instabilidade e pelo radicalismo religioso.

Os fundos recolhidos destinam-se a apoiar projetos em Israel, Palestina, Jordânia, Síria, Líbano e Egito, incluindo distribuição de alimentos, medicamentos, manutenção de escolas, bolsas de estudo e habitação social.