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Mobilidade dos Açorianos sob ameaça

Carlos Silva
Deputado pelo PS na ALRAA

Para o progresso que assistimos no transporte aéreo, nas últimas décadas, muito contribuíram, numa primeira fase, a SATA Air Açores e depois a SATA Internacional, criando rotas, melhorando a qualidade do serviço prestado, aumentando frequências e assegurando ligações que outros operadores abandonaram.

É por isso que a mobilidade dos Açorianos está inevitavelmente ligada à SATA, sem prejuízo da liberalização parcial do espaço aéreo da Região Autónoma dos Açores, a partir de 2015.

Contudo, temos assistido nos últimos meses ao agravamento de riscos e ameaças à mobilidade dos Açorianos e ao desenvolvimento da nossa Região.

Se é verdade que os problemas financeiros da SATA Internacional não começaram em outubro de 2020, é igualmente verdade e factual que os prejuízos registados pela empresa entre janeiro de 2021 e junho de 2023, já ascendem a 116 milhões de euros, excluindo o efeito extraordinário dos famosos impostos diferidos.

Isso significa que a média anual dos prejuízos da SATA Internacional registados durante a atual governação de direita é superior em quase 50% face ao registado na governação socialista, o que contraria por completo a tese de que “estão a salvar a SATA”.

Mas os riscos e ameaças já se alastraram à SATA Air Açores, que desde 2021 acumula prejuízos históricos de 27 milhões de euros.

Ou seja, apesar do aumento dos passageiros transportados, os prejuízos do Grupo SATA, nos últimos dois anos e meio, já ascendem a 143 milhões de euros, excluindo os efeitos dos impostos diferidos.

E no meio de toda esta tempestade, o Governo pretende desfazer-se da SATA Internacional, o nosso garante da mobilidade externa, abdicando de mais de 400 milhões de investimento realizado na companhia, sem qualquer garantia de mobilidade e futuro!

Se até agora os Açorianos podiam contar com a SATA Internacional para assegurar ligações ao exterior, sobretudo em períodos mais conturbados e de necessidade de captar fluxos turísticos, com a sua privatização quase total, deixamos de ter este poderoso instrumento ao nosso dispor, ficando totalmente à mercê do mercado.

É neste cenário de grande incerteza que surge mais uma ameaça à mobilidade dos Açorianos, o encerramento da base da Ryanair em Ponta Delgada e um corte de 70% da sua operação nos Açores, sobretudo no inverno IATA e sobretudo em São Miguel.

Estamos a falar de um corte de 156 mil lugares nas ligações entre os Açores e o Continente, o que constitui um grave retrocesso na mobilidade dos Açorianos e um duro golpe para a economia regional e para o combate à sazonalidade.

E o mais grave é que tudo isto estava a ser negociado com o Governo de Bolieiro-Lima-Estevão, há meses, que andaram a esconder informação e a ludibriar os Açorianos, para no final os Açorianos pagarem 4,2 milhões de euros à Ryanair por apenas 30% da operação anterior.

O que fica evidente no meio de todo este processo é a incompetência e arrogância do Governo Regional e do seu Presidente, José Manuel Boleiro, que não soube defender o interesse regional e ainda teve a desfaçatez de dizer que “o seu governo fez o melhor que sabia e conseguia e está satisfeito com os resultados obtidos”.

Perante tais afirmações só nos resta concluir o seguinte: o Governo de Bolieiro está esgotado, é profundamente incompetente e o melhor que consegue fazer, representa um retrocesso no desenvolvimento da Região e um retrocesso na mobilidade dos Açorianos.

Com a privatização quase total da SATA Internacional e da TAP, com o brutal corte da operação regular da Ryanair e com um Governo Regional incompetente, a mobilidade dos Açorianos está, claramente, sob ameaça.

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