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Portugal, a UE e a NATO

Paulo-Casaca-Europa-Dia-Mundial- (4)

Nada como testemunhar in loco o que quer dizer a “ausência da UE e da NATO” para tirar conclusões sobre o significado daquilo que a meus olhos se transformou no principal problema político com que Portugal está agora confrontado: qual a posição que os nossos representantes parlamentares devem adotar sobre a questão da UE e da NATO.

Vindo de uma missão de observação eleitoral no sudeste da Ucrânia, zona fronteiriça com a área de guerra não declarada, pude testemunhar como é espantosamente fácil desfazer um país, provocar o caos económico, sabotar processos eleitorais, matar milhares de pessoas, provocar um milhão de refugiados, tudo por causa da possível negociação desse país com o Ocidente, ou seja, a relação da Ucrânia com a UE e a NATO.

Contrariamente ao que quem está de fora possa pensar, não se trata aqui de problemas de consciência ideológica, de convicção, de língua ou de nacionalidade. Com efeito todos os refugiados com quem falei, como aliás os meus anfitriões, são russos de língua, de cultura, cristãos ortodoxos russos, e mesmo de “etnia” se essa palavra faz aqui algum sentido, mas nem por isso deixam de ser vítimas de uma guerra brutal feita em nome dessa mesma Rússia, apenas por serem também ucranianos.

Com total ausência de escrúpulos, boa máquina de guerra, serviços secretos e dinheiro que chegue para comprar políticos, jornalistas e conquistar posições chave no aparelho económico e de Estado, contando com a pobreza material e moral de um país, chega-se onde é inimaginável que se possa chegar.

Tudo isto a propósito de uma declaração de condenação da participação de Portugal em exercícios militares da NATO feita pelo PCP. Aqui, pessoalmente, penso que os portugueses só têm de agradecer a clareza e a oportunidade da posição que ajudará todos a refletir sem ambiguidades sobre o seu significado.

Aquilo que mais me preocupa, no entanto, e que parece ter escapado à maioria dos observadores, foi a ameaça quase simultânea – feita de forma vaga na substância – atribuída ao líder da coligação PaF de que caso fosse atirado para a oposição, não daria o seu apoio a nada vindo do Governo.

E aqui, relembro o tema que trouxe a público no “Diário dos Açores” de dia 25 de Outubro: o que me preocupa não é o cripto-comunismo da Esquerda, é a amoralidade do Centrão que controla Portugal. Como o wikileaks nos permitiu saber, Portugal só não fez um supercontrato de fornecimento de gás liquefeito através de Sines com o Irão porque o nosso “Uncle Sam” utilizou a artilharia pesada diplomática para lhe pôr cobro.

De resto, quem quiser perceber a lógica geopolítica das negociações sobre os submarinos – tão faladas mas tão deturpadas – pode consultar os relatórios da Ferrostal (disponíveis na net) onde se explica que elas têm a ver com a exploração de gás na Venezuela, e pode ficar também a saber (porque disponho de meios que mo permitem afirmar) que, para além da Venezuela, os contratos foram executados com o Irão.

É por isso que penso ser fundamental clarificar aqui e agora duas coisas:
– O que diz o acordo de negociação à Esquerda sobre a UE e a NATO?
– Como votarão na Assembleia da República os partidos da coligação PaF em matéria que diga respeito à presença empenhada de Portugal na UE e na NATO?

Fico a aguardar as respostas.

Bruxelas, 2015-10-27
(Paulo Casaca)

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