Log in

Síndromes Geriátricas

Maria João Pereira
Farmacêutica

A esperança média de vida tem vindo a aumentar mundialmente e, em Portugal, já ultrapassa os 80 anos. Graças aos avanços na medicina e à melhoria das condições de vida, hoje em dia é possível ter uma vida mais longa e, muitas vezes, com qualidade.

Com o envelhecimento populacional, torna-se essencial compreender as síndromes geriátricas, para que possamos entender melhor os idosos e a vida sob a sua perspetiva.

As síndromes geriátricas são condições clínicas complexas que não se enquadram em nenhum quadro de doença específico, mas que afetam significativamente a funcionalidade e a qualidade de vida do idoso.

Em primeiro lugar, é importante entender que um idoso saudável é, sobretudo, um idoso autónomo e independente. A autonomia diz respeito à capacidade de tomar decisões por si, estando diretamente ligada ao humor e à cognição. Já a independência refere-se à capacidade de realizar as suas atividades diárias sem ajuda de outras pessoas, o que depende da mobilidade e da capacidade comunicativa.

As 7 principais síndromes geriátricas, ou também conhecidas como as 7 I’s:

  • Insuficiência cognitiva: afeta a memória, a atenção, a linguagem e o raciocínio. A esta síndrome estão associadas a depressão, o delirium, a demência e o agravamento de doenças mentais prévias;
  • Insuficiência familiar: acontece quando o idoso não tem apoio familiar ou social (amigos, grupos de apoio, por exemplo), seja por que motivo for. Pode levar ao isolamento, à depressão, à maior probabilidade de quedas, à perda de autonomia e à progressão de doenças já existentes por falta de cuidadores;
  • Instabilidade postural: está relacionada com alterações no equilíbrio da marcha, com aumento do número de quedas e consequente perda de independência;
  • Iatrogenia: relaciona-se com os problemas de saúde causados por intervenções médicas, tais como os efeitos adversos a medicamentos, prescrição de exames invasivos e hospitalizações desnecessárias. A polifarmácia (uso de muitos medicamentos em simultâneo) é um fator de risco importante e evitável;
  • Insuficiência da comunicação: dificuldades na audição, fala ou compreensão podem não só dificultar a comunicação social do idoso, como também comprometer o diagnóstico e o tratamento de doenças;
  • Incontinência urinária: a perda involuntária de urina é comum e, muitas vezes, tratável. A vergonha e o isolamento social leva a que o assunto não seja abordado e acaba por ser sub-tratado;
  • Imobilidade: refere-se à perda ou limitação da capacidade de movimento, podendo resultar em doenças físicas, dor, medo de quedas e até falta de estímulo. A imobilidade contribui para o declínio funcional e perda de independência do idoso.

As síndromes geriátricas são comuns, mas isso não significa que devam ser desvalorizadas e ignoradas. Pelo contrário, é essencial preveni-las para garantir a qualidade de vida do idoso.

Atuar na prevenção através de cuidados adequados e atenção aos quadros clínicos pode evitar complicações na saúde. Entre as medidas protetoras destacam-se o acompanhamento geriátrico multidisciplinar, uso racional de medicamentos, promoção da capacidade mental e social, estímulo da mobilidade, alimentação adequada, adaptação do ambiente ao idoso, educação e apoio à família e cuidadores.

Medidas simples e protetoras podem fazer toda a diferença no aparecimento e agravamento das síndromes geriátricas. Vamos apoiar os nossos idosos, para que possam envelhecer com mais saúde, dignidade e bem-estar.

Laisser un commentaire

Votre adresse e-mail ne sera pas publiée. Les champs obligatoires sont indiqués avec *

CAPTCHA ImageChanger d'image