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Lagoa ensina arte de entrelaçar fibras vegetais aos alunos de Água de Pau

Câmara da Lagoa apresentou o projeto “Entrelaçar Fibras Vegetais” na Escola Básica Integrada de Água de Pau, numa iniciativa que visa transmitir saberes ancestrais às novas gerações e garantir a sobrevivência do artesanato local

© CM LAGOA

A Câmara da Lagoa está a levar as tradições artesanais do concelho para dentro das salas de aula através do projeto “Entrelaçar Fibras Vegetais”. A iniciativa foi apresentada recentemente aos alunos da Escola Básica Integrada (EBI) de Água de Pau, integrando uma estratégia municipal que procura sensibilizar os mais jovens para a valorização de artes em risco de desaparecimento. Segundo a nota de imprensa enviada pela autarquia ao Diário da Lagoa, o projeto foca-se na sustentabilidade e na perpetuação de técnicas profundamente enraizadas na identidade cultural açoriana, num esforço para contrariar a diminuição progressiva do número de artesãos no concelho.

Durante a sessão de apresentação, a comunidade escolar teve o primeiro contacto com o enquadramento histórico de matérias-primas como o vime, a espadana e a folha de milho. O projeto não será apenas teórico; integrado na disciplina de Educação Tecnológica, prevê atividades práticas ao longo de todo o ano letivo, onde cada turma explorará a manipulação destas fibras para a criação de peças originais. A vereadora da Educação e Cultura, Albertina Oliveira, marcou presença no arranque dos trabalhos e reforçou o peso institucional deste investimento na formação identitária dos estudantes. “Este projeto representa um investimento claro na preservação da nossa identidade cultural, permitindo que os mais jovens conheçam, experimentem e valorizem uma arte que faz parte da história do nosso concelho”, afirmou a autarca.

A responsável sublinhou ainda a necessidade de criar pontes entre o ensino e o património, defendendo ser “fundamental aproximar a escola das tradições locais, criando oportunidades para que os alunos desenvolvam competências práticas, ao mesmo tempo que ganham consciência do valor do património que os rodeia”. Para além de estimular a criatividade e o surgimento de novos artesãos, o projeto pretende culminar com uma exposição pública dos trabalhos realizados pelos alunos, celebrando o resultado final da aprendizagem e o envolvimento da comunidade educativa na salvaguarda das tradições da Lagoa.

Água de Pau inaugura Centro de Marcha e Corrida para promover hábitos de vida saudáveis

A nova valência, que resulta de uma parceria entre o CDEAP e a autarquia, oferece treinos acompanhados bi-semanais com o objetivo de combater o sedentarismo e reforçar a coesão comunitária na vila

© CM LAGOA

A Vila de Água de Pau deu, este sábado, 2 de maio, um passo significativo na promoção do bem-estar físico com a inauguração oficial do seu Centro de Marcha e Corrida. O projeto, promovido pelo Clube Desportivo Escolar de Água de Pau (CDEAP) em estreita colaboração com a Câmara da Lagoa, surge integrado no Programa Nacional de Marcha e Corrida. A cerimónia de abertura contou com a presença do presidente da autarquia da Lagoa, Frederico Sousa, que destacou o papel fundamental destas infraestruturas no quotidiano dos lagoenses. Segundo os dados facultados pela autarquia em nota de imprensa, esta iniciativa visa dinamizar a comunidade local em torno de práticas desportivas salutares, contribuindo diretamente para uma melhoria na qualidade de vida dos munícipes através da caminhada e da corrida.

Durante a inauguração, Frederico Sousa reiterou a importância estratégica de descentralizar o acesso ao desporto, afirmando que estas iniciativas são cruciais no “aproximar da prática desportiva das comunidades, como forma de combate ao sedentarismo, através de uma abordagem acessível, orientada e sustentável”. O autarca reforçou que o apoio do município ao CDEAP neste projeto reflete o compromisso da edilidade com a saúde pública e com a criação de respostas de proximidade que incentivem a participação ativa dos cidadãos, independentemente da sua condição física inicial.

Para os interessados em aderir à modalidade, o Centro de Marcha e Corrida de Água de Pau já tem o seu plano de atividades definido. Os treinos decorrerão todas as terças e quintas-feiras, com ponto de encontro marcado para as 18h30 junto à sede da Junta de Freguesia de Água de Pau. As sessões contemplam percursos de dificuldade ajustada e, acima de tudo, garantem o acompanhamento técnico especializado, permitindo que tanto iniciantes como praticantes mais experientes possam usufruir da atividade com segurança.

Governo regional liberta 69 mil euros para apoiar recuperação em Água de Pau

O deputado social-democrata Rúben Cabral enalteceu a rapidez do executivo na aprovação de compensações financeiras destinadas a famílias e entidades afetadas pelo mau tempo de outubro passado

© PSD AÇORES

O deputado do PSD/Açores, Rúben Cabral, destacou hoje a ação do Governo Regional no apoio direto à população da Vila de Água de Pau, após o Executivo ter aprovado as compensações financeiras destinadas a mitigar os prejuízos causados pelo mau tempo que assolou a localidade a 25 de outubro de 2025.

De acordo com uma nota de imprensa enviada pelo parlamentar, a decisão foi oficialmente selada através de uma resolução publicada no Jornal Oficial. O documento assegura um apoio financeiro na ordem dos 69 mil euros, verba que será canalizada para cobrir os danos identificados por famílias, entidades e infraestruturas públicas que foram afetadas por aquele fenómeno meteorológico extremo.

Rúben Cabral considera a medida “justa e necessária”, sublinhando que esta verba representa “uma resposta eficaz e responsável do Governo dos Açores, garantindo que os meios públicos chegam de forma eficaz a quem mais precisa”. Para o deputado, a celeridade do processo é fundamental para que a comunidade local possa retomar a sua rotina com a maior brevidade possível.

O parlamentar social-democrata destaca ainda que este apoio constitui um contributo decisivo para o processo de recuperação na Vila de Água de Pau. Segundo refere, o investimento do Executivo reforça a capacidade de resposta às necessidades urgentes que emergiram imediatamente após a intempérie, permitindo a reparação de bens essenciais e estruturas comunitárias.

A concluir, Rúben Cabral realçou que esta medida demonstra o compromisso do Governo liderado por José Manuel Bolieiro com a proteção das populações. Para o deputado do PSD/Açores, a prioridade do Executivo tem sido garantir a segurança e a reposição da normalidade nas zonas fustigadas por catástrofes naturais, mantendo uma política de proximidade com os cidadãos da Lagoa.

Lagoa assinala mês do livro com instalação dedicada a Fernando Aires na Caloura

A iniciativa «A ver o mar. O sol na linha do horizonte», instalada na zona da Galera, em Água de Pau, utiliza um excerto do escritor açoriano para estabelecer uma ligação direta entre a obra literária e a paisagem local

© CM LAGOA

A Câmara da Lagoa deu início à programação do mês de abril com a colocação de uma instalação literária na zona da Galera, na Caloura, em Água de Pau. A estrutura evoca um excerto da obra de Fernando Aires (1928-2010), autor que utilizou recorrentemente este cenário nas suas prosas diarísticas. Segundo a nota de imprensa enviada pelo município, o projeto pretende colocar o texto em diálogo com o território, permitindo ao observador confrontar a escrita do autor com o espaço físico que a inspirou.

Le design da peça é da autoria de Pedro Martins, que concebeu a instalação como uma moldura sobre o horizonte. Segundo o autor do projeto, a peça funciona como um ponto de observação que convida a uma reinterpretação do espaço, utilizando cores que procuram harmonizar-se com os elementos naturais envolventes, como o mar e a luz solar. A vereadora com o pelouro da Educação e Cultura, Albertina Oliveira, afirmou que a iniciativa procura a valorização conjunta do património natural e cultural, destacando a ligação histórica do escritor àquela zona do concelho da Lagoa.

O projeto teve origem numa proposta de Onésimo Teotónio de Almeida e a sua concretização será complementada, em data posterior, com uma sessão de caráter pedagógico. Este encontro contará com a participação do proponente e de Maria João Ruivo, filha de Fernando Aires, com o objetivo de abordar o enquadramento biográfico e literário do escritor. A instalação integra-se na estratégia municipal de promoção da leitura e de sinalização de figuras relevantes do panorama cultural açoriano através da geografia do concelho.

Lagoa promove Semana da Saúde com foco na atividade física e prevenção

De 6 a 11 de abril, o concelho recebe um programa diversificado que inclui rastreios gratuitos, torneios desportivos e sessões de esclarecimento

© CM LAGOA

O bem-estar dos munícipes no concelho da Lagoa, ilha de São Miguel, volta a estar no centro da agenda política com a organização da Semana da Saúde. A iniciativa da câmara da Lagoa, que decorre entre os dias 6 e 11 de abril de 2026, aposta numa estratégia de proximidade para sensibilizar a população para a importância do exercício físico e da prevenção da doença.

Segundo Graça Costa, vereadora com o pelouro da Ação Social e da Saúde, o evento pretende “incentivar a adesão a rastreios preventivos e reforçar a literacia em saúde, contribuindo para uma comunidade mais informada, ativa e consciente”. Para viabilizar um programa abrangente, a autarquia estabeleceu parcerias com diversas entidades.

O arranque oficial acontece a 6 de abril com a reunião do Conselho Municipal de Saúde. Nesse mesmo dia, o Largo de Nossa Senhora do Rosário transforma-se num centro de saúde ao ar livre, acolhendo diversos rastreios gratuitos entre as 13h00 e as 18h00. A componente desportiva ganha fôlego ao longo da semana com caminhadas organizadas pelos Centros de Marcha e Corrida da Lagoa e de Água de Pau (7 e 9 de abril), além de um Open Day com aulas de Step, natação e hidroginástica no dia 8 de abril.

O encerramento da semana, a 11 de abril, reserva um dia inteiro dedicado ao desporto em formato open day. Entre as 09h00 e as 18h00, os interessados poderão experimentar modalidades como padel, atividades náuticas e sessões de pickleball.

Governo regional aprova requalificação da Escola Antero de Quental e apoios para Água de Pau

O Conselho do Governo deu luz verde a um investimento de sete milhões de euros na infraestrutura escolar e validou treze candidaturas para perdas e danos resultantes do mau tempo na Lagoa

© DIÁRIO DA LAGOA

O Governo regional dos Açores anunciou esta segunda-feira, 30 de março, um pacote de medidas de relevo para a coesão social e o investimento público na região. Entre as decisões mais significativas tomadas no Conselho do Governo de 30 de março, destaca-se a aprovação da empreitada de conceção-construção para a ampliação e requalificação da Escola Secundária Antero de Quental, em Ponta Delgada. O projeto tem um preço base de sete milhões de euros e um prazo de execução fixado em 540 dias, sendo o concurso lançado com publicidade no Jornal Oficial da União Europeia.

Com particular incidência no concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, o executivo aprovou a resolução que autoriza os apoios financeiros destinados a cobrir perdas e danos patrimoniais na Vila de Água de Pau. Estes apoios surgem ao abrigo do regime de emergência climática, na sequência de fenómenos meteorológicos extremos que afetaram a vila pauense. No total, foram aprovadas treze candidaturas, somando um montante global de 69.027,71 euros, visando dar resposta a situações de caráter “anormal e imprevisível” provocadas pela intempérie.

Na área social, o Governo aprovou o I Plano Regional para a Inclusão da Pessoa em Situação de Sem Abrigo (PRIPSSA 2026-2030), reforçando a estratégia de proteção dos cidadãos mais vulneráveis para os próximos quatro anos. Foi também autorizada a celebração de um contrato-programa com o IROA no valor de 4,04 milhões de euros para a execução do plano regional de 2026, bem como alterações ao PRR-Açores destinadas à reestruturação e transição digital de empresas do setor agrícola.

O Conselho decidiu ainda avançar com a construção da estação de tratamento de águas residuais do novo Matadouro de São Jorge, orçada em 705 mil euros, e com a abertura de concursos para a instalação de máquinas de venda automática em diversos centros ambientais e de interpretação nas ilhas do Pico, Graciosa, Terceira e São Miguel. Por último, foi aprovado um reforço financeiro à SATA Air Açores referente à operação do Cartão Interjovem de 2025.

Duas centenas de atletas superam o VI “Desafio Vertical 0/947”

Evento organizado pelo Morcegos Trail Clube reuniu cerca de duas centenas de atletas em trilhos que ligam o mar à montanha, cruzando as freguesias de Água de Pau, Ribeira Chã e Santa Cruz

© MORCEGOS TRAIL

Cerca de duas centenas de atletas participaram este sábado, 28 de março, na VI edição do “Desafio Vertical 0/947”, um evento de trail running que percorreu os trilhos e caminhos do concelho da Lagoa. Organizada pelo Morcegos Trail Clube, com o apoio da Câmara Municipal da Lagoa e da Junta de Freguesia de Água de Pau, a prova consolidou a sua posição no calendário desportivo regional e nacional, atravessando pontos estratégicos das freguesias de Água de Pau, Ribeira Chã e Santa Cruz. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, a competição distinguiu-se uma vez mais pelo seu formato de partida em contrarrelógio, uma particularidade pouco comum na modalidade, onde os atletas iniciam o percurso individualmente em horários distintos.

A cerimónia de entrega de prémios contou com a presença do presidente da Câmara da Lagoa, Frederico Sousa, e da presidente da Junta de Freguesia de Água de Pau, Vanessa Silva. Na ocasião, Frederico Sousa sublinhou que “esta é uma prova diferenciadora que se enquadra na dinâmica pretendida para o desporto municipal, representando o expoente máximo das potencialidades do desenvolvimento desportivo do concelho e alicerçando-se no seu lema do desporto «do mar à montanha»”. O autarca agradeceu e valorizou ainda a colaboração do Morcegos Trail Clube na dinamização deste que é o município destino desportivo do ano a nível nacional.

O desafio técnico dividiu-se em várias distâncias, adaptadas a diferentes níveis de preparação. A prova rainha, o DV Trail, contou com um percurso de 37,9 km, unindo a Ponta da Galera, na Caloura, ao Pico da Barrosa, com meta no Polidesportivo de Água de Pau. Já o DV Sprint cobriu uma distância de 25,6 km. O evento incluiu ainda o DV Mini Trail, uma caminhada de 9,4 km com partida na Casa da Água Trail Point, nos Remédios, e uma vertente dedicada aos mais novos, o DV Kids, num trajeto de 1,5 km. Atualmente, o Desafio Vertical integra o calendário da International Trail Running Association, atribui pontos para o Ultra Trail Mont Blanc Index e pontua para os circuitos nacionais da Associação de Trail Running de Portugal e para o Campeonato de Trail de Ilha de São Miguel.

A palavra levanta ou derruba, emociona ou fere, mas da boca duma criança tem magia

A vida girava em torno daquela porta aberta para a rua, naquela vila que não tem comparação: Água de Pau

Irmãos, Roberto Duarte e Lina Manuela © ARQUIVO ROBERTO MEDEIROS

A infância tem um tempo próprio, feito de rituais simples, de cheiros a açúcar acabado de pesar e de passos miúdos a ecoar em escadas de madeira. É desse tempo que guardo a memória da minha irmãzinha Lina — a nossa Lina Manuela — levada cedo demais, aos 38 anos, há já 26. Mas há infâncias que não morrem. Ficam suspensas, intactas, como se ainda descessem as escadas aos saltinhos.

Tínhamos um cãozinho chamado Tim, nome roubado às aventuras de Enid Blyton, cujos livros eu lia e colecionava com devoção. Depois passava-os ao Duarte e à Lina, mais pequenos, para que também viajassem por aqueles mundos de mistério e coragem. Assim crescíamos: entre páginas folheadas com cuidado e latidos felizes no quintal.

As nossas brincadeiras começavam — e quase sempre acabavam — na mercearia do nosso pai, a lendária “A Cova da Onça”. Ali aprendemos a ser gente. Eu fazia de caixeiro de balcão; o Duarte enchia saquinhos de meio quilo e de quilo de açúcar com uma concentração de homem feito; e a Lina era a cliente, entrando e saindo com a seriedade divertida de quem representa um papel importante.

Antes de irmos para a rua — fosse para os quintais dos amigos, fosse para o nosso — passávamos sempre pela mercearia para tomar a bênção ao nosso pai. Era um gesto antigo, aprendido desde que começámos a falar, desde que percebemos que éramos gente deste mundo. De manhã e à noite. Todos os dias. Sem falhar.

Pai Manuel Egídio de Medeiros na frente da A Cova da Onça © ARQUIVO ROBERTO MEDEIROS

A vida girava em torno daquela porta aberta para a rua, naquela vila que não tem comparação: Água de Pau. Ali conheci o mundo rural, o povo e as suas histórias, as vozes que se cruzavam ao balcão, as mãos calejadas do trabalho, os silêncios cheios de significado e de resignação antiga. É dessa seiva viva que nascem os meus livros, Antes Que A Memória Se Apague – Crónicas de Água de Pau, volumes I e II, e o III que verá a luz neste ano de 2026. Porque há terras onde, se as pessoas não querem — ou não sabem — contar a sua história, a própria terra a conta por elas. Basta caminhar pelas suas ruas e as perguntas e as respostas caem em catadupa. Em cada rua há um fontanário que ora une duas artérias, ora as divide ao meio; em cada porta há um artesão ou uma tecedeira, um mestre de alguma — ou de toda — a obra: da carpintaria, da pedra, da pintura; um antigo caiador de cal branca nas fachadas, um sapateiro de sola gasta, um moleiro de farinha no ar, um padeiro de madrugada acesa. 

 Os dois livros publicados de Roberto Medeiros © ARQUIVO ROBERTO MEDEIROS

E as alcunhas — essas metáforas vivas da identidade popular, esses vocábulos que são património oral — Urbano Escorrega, Zé Vira-o-Bolo, Mané Arranca-Tocas, Zé-Bela-Areia, Serafim Gaiafo, António Pim-de-Leite, Laracha, Virgínio Arrepiado, Guilherme Cadela, Zé Borges Carranca, Zé Elias Pinguinha, Zé dos Pulinhos… nomes que são já narrativas inteiras, pequenas crónicas ditas de boca em boca, onde a palavra levanta reputações ou as derruba, emociona corações ou fere suscetibilidades. Porque numa terra assim, a palavra é património: pesa, constrói, eterniza. E, ainda assim, há uma diferença essencial quando essa palavra nasce da inocência.

Serafim Garcia, o Gaiafo © ARQUIVO ROBERTO MEDEIROS

Foi ali, num desses dias iguais a tantos outros, que a magia da palavra se revelou. A Lina teria sete ou oito anos. Desce as escadas aos saltinhos, agarrada ao corrimão de madeira que ligava a casa à “Cova da Onça”. Vai direita ao nosso pai para lhe pedir a bênção. Ele conversava com um antigo amigo do Liceu de Ponta Delgada. Aproxima-se, beija-lhe a mão e a face — como mandava o ritual — e, depois de observar atentamente o senhor que o acompanhava, dispara com a frontalidade luminosa da infância:

– O senhor tem um nariz tão comprido, não tem?
O meu pai ficou visivelmente incomodado. O amigo, porém, manteve a serenidade:
– Não… isso então é que não tenho!
A Lina, intrigada, insiste:
– Ah, não tem?
– Não, querida. Estás a confundir tudo. Eu não tenho o nariz comprido. O que eu tenho é a cara recuada!
– Ãhn!!

E ficou por ali. Não percebeu, mas também não se demorou. Virou costas e foi a correr para o quintal, onde o Tim a esperava para mais uma aventura.

E é aqui que o título ganha corpo e verdade. A palavra pode ferir quando nasce do orgulho, pode derrubar quando nasce da malícia, pode emocionar quando nasce do amor — mas, na boca de uma criança, ela não pesa, não calcula, não mede consequências. Ela é pura. É espelho. É verdade sem intenção de magoar.

A Lina não quis ferir. Apenas viu e disse. E nessa simplicidade reside a magia. A inocência não conhece diplomacias; conhece apenas o mundo tal como o enxerga.

Hoje, ao recordar a sua partida em março de 2000, e a do nosso pai em março de 1982, percebo que as palavras permanecem. São elas que levantam a memória, que impedem que o tempo derrube o que fomos.

E enquanto houver palavra — e memória — a Lina continuará a descer as escadas aos saltinhos, agarrada ao corrimão, pronta a dizer ao mundo, sem filtros e sem medo, aquilo que vê.

Porque, sim:
A palavra levanta ou derruba, emociona ou fere — mas da boca duma criança, tem magia.

Autarquia lagoense apresenta plano de eventos culturais para o ano de 2026

Documento, que reúne cerca de 50 iniciativas, foca-se na descentralização pelas freguesias, na manutenção de festividades tradicionais e na introdução de um novo evento dedicado ao setor agrícola no Cabouco

© CM LAGOA

A Câmara Municipal da Lagoa oficializou, no edifício dos Paços do Concelho, a Agenda Cultural para 2026. A apresentação foi conduzida pelo presidente da autarquia lagoense, Frederico Sousa, acompanhado pela vereadora Albertina Oliveira, detalhando um plano composto por meia centena de eventos que abrangem áreas como o cinema, música, teatro, literatura e património histórico. Segundo a nota de imprensa enviada pelo Município às redações, o documento agrega os principais eventos realizados de forma regular no concelho.

Sobre a estratégia para este ano, Frederico Sousa afirmou que a agenda “mantém-se consistente, contando com a parceria e o apoio de diversas instituições e associações lagoenses”. O autarca salientou ainda que o objetivo passa por reforçar a “valorização das tradições, da identidade local e do património”, adaptando a oferta às preferências do público, especialmente no que concerne aos eventos festivos que já integram o calendário local.

No que respeita aos equipamentos culturais, o plano prevê a continuidade da exibição regular de cinema no Cineteatro Lagoense Francisco D’Amaral Almeida e a dinamização do Auditório Ferreira da Silva, em Água de Pau. Para este último espaço, estão previstos oito eventos principais, incluindo concertos de Rita Rocha, a 1 de maio, e o espetáculo “Namasté”, com Inês Aires Pereira, a 31 de outubro, além de iniciativas de caráter gratuito em parceria com associações locais e a Sinfonietta de Ponta Delgada.

O calendário de verão inclui a 10.ª edição da Festa Branca do Convento, a 22 de agosto, e a Festa de Santo António, entre 9 e 14 de junho, que retoma o modelo de arraial aberto ao público com as tradicionais marchas e atuações de artistas como Toy e Augusto Canário. O Festival Lagoa Bom Porto e as festas em honra do Divino Espírito Santo, em Água de Pau, mantêm-se na programação. Uma das novidades inseridas para 2026 é o Cabouco AgroFest, agendado para os dias 4, 5 e 6 de setembro, dedicado à promoção do mundo rural e dos produtos locais na freguesia do Cabouco.

A vertente literária e de preservação da memória encerra as prioridades da agenda, com destaque para o lançamento da obra “Memória da Cultura Desportiva da Lagoa”, de Marcelo Borges, e a apresentação da edição completa da “Etnologia dos Açores”, de Francisco Carreiro da Costa, no dia 26 de junho.

Rita Rocha atua na Vila de Água de Pau no Auditório Ferreira da Silva

Jovem promessa do panorama nacional sobe ao palco no dia 1 de maio. Bilhetes ficam disponíveis na próxima segunda-feira

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O Auditório Ferreira da Silva, na Vila de Água de Pau, prepara-se para receber uma das vozes mais promissoras da nova geração da música portuguesa. No próximo dia 1 de maio, pelas 21h30, Rita Rocha, de 19 anos, sobe ao palco num espetáculo que integra a programação cultural da Câmara Municipal da Lagoa. Segundo nota enviada pela autarquia lagoense, a carreira da artista conheceu uma ascensão meteórica, com raízes na partilha de interpretações nas redes sociais e uma passagem memorável pelo programa televisivo “The Voice Kids Portugal”, onde a sua qualidade vocal e presença em palco captaram a atenção da indústria musical.

Desde então, a cantora e compositora tem acumulado sucessos e milhões de visualizações em plataformas digitais com temas como “Mais ou menos isto”, “Outros Planos” e “Amigos com Benefícios”. O sucesso de público e crítica levou-a já a palcos de grande relevo, como o festival MEO Marés Vivas e o Festival F, consolidando o seu percurso junto de várias gerações. De acordo com a câmara municipal, o concerto em Água de Pau pauta-se pela proximidade, procurando criar um ambiente de partilha entre a artista e a audiência através de um repertório que cruza a pop atual com baladas emotivas.

Para os interessados em assistir a este evento cultural, os bilhetes estarão à venda a partir da próxima segunda-feira, dia 16 de março. As entradas podem ser adquiridas presencialmente na sede da Junta de Freguesia de Água de Pau ou, de forma digital, através da plataforma Ticketline.