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Presidente do Atalhada FC diz que “falta sentir que jogamos em casa”

O clube com sede na cidade da Lagoa celebrou 23 anos de história em 31 de outubro passado e a presidente do clube, Sónia Câmara, fala em entrevista ao Diário da Lagoa sobre os desafios de liderar uma instituição que milita na III Divisão Nacional, mas que ainda luta pela dignidade de uma “casa” própria

Sónia Câmara termina o seu primeiro mandato no próximo mês de fevereiro © DL

Entre o orgulho de levar o nome da Lagoa aos palcos nacionais e o desgaste de um investimento pessoal “monumental”, Sónia revela que o futsal continua a ser o “parente pobre” e confessa que só o amor pelas crianças a mantém num cargo onde o cansaço e a paixão caminham lado a lado.
Antes da gestão atual, José Câmara sucedeu a Altino Pereira na presidência, reabrindo o clube após o seu encerramento. Manteve-se no cargo por três anos até passar o testemunho à esposa, Sónia Câmara, que termina o seu primeiro mandato no próximo mês de fevereiro, completando também um triénio.
Segundo a presidente, José Câmara nutre um “amor incondicional pelo clube”, preferindo tratar de toda a logística, enquanto Sónia assume o papel de porta-voz. O casal trabalha, assim, lado a lado em prol da instituição.

DL: Que balanço faz do mandato que está prestes a terminar?
Um balanço positivo, sobretudo ao nível da identidade. Acho que criamos uma identidade própria, mas falta, de facto, melhorar o recinto desportivo. É certo que temos disponível o Pavilhão no lugar dos Remédios, que cumpre muito bem a sua função, porém o meu sonho — e aquilo que me foi prometido pelo senhor presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro — era a construção de uma cobertura no recinto atual.
Entretanto, já falei sobre isso com o atual presidente da Câmara da Lagoa, Frederico Sousa, e ele concorda que isto possa acontecer, desde que seja o Governo regional a avançar, contando depois com o apoio da autarquia local. Por isso, estou muito esperançosa, porque acredito em ambos. Este é o meu sonho.

DL: Porquê esse sonho?
O Atalhada FC teria assim uma identidade mais vincada e ficaria mais próximo dos seus atletas, entre os quais as muitas crianças que jogam no clube. Era isso que eu queria, ou seja, sentir que jogamos em casa, em vez de sermos transportados para outros recintos. É um sonho que tenho e que acho tão fácil de concretizar. No entanto, parece-me que, por isto ou por aquilo, tem-se adiado. Sem cobertura, ficamos muito limitados porque há cada vez mais equipas. Nós merecemos aquele espaço. O Atalhada já tem uma história de 23 anos e é, neste momento, o clube de futsal com o nível mais alto na Lagoa, pois está na III Divisão Nacional.

DL: Há uma cultura no Atalhada FC de investir nas camadas jovens?
Parece que são meus filhos. E tive a felicidade de abrir mais um escalão. Eles vão crescendo e eu tenho de os ir acompanhando, pensando sempre no futuro. É assim que tem de ser, isto é, de baixo para cima. Porque o topo é o status, mas é na base que se constroi tudo.

DL: Qual é a maior dificuldade que o clube tem enfrentado?
A financeira. São dificuldades monumentais. Temos de pagar arbitragens, seguranças, viagens, dormidas, alimentação e treinadores. Quanto aos jogadores seniores, é quase um tabu mas a verdade é que, se não se pagar, não temos atletas para jogar.
Por outro lado, tenho a felicidade de ter os “pequeninos” que têm o tal amor ao clube.
Depois, o combustível também é caríssimo. Temos duas carrinhas que são do clube, mas estão avariadas e não temos dinheiro para as arranjar. Como tenho uma empresa de transportes, acabo por as ceder ao clube. É um investimento pessoal. A Câmara Municipal também ajuda ao nível do transporte, mas é cada vez mais difícil porque a autarquia não consegue chegar a todas as entidades. E eu nem peço transporte para os seniores, apenas para os infantis e iniciados.

DL: Onde se vai buscar tempo e motivação?
É o tal “amor à camisola”, que hoje em dia existe cada vez menos. O meu tempo não é remunerado, nem o do José. São muitas horas e já sentimos o desgaste. Gostava muito de apelar ao bom senso dos empresários e da própria Câmara Municipal. Eles apoiam-nos, mas nunca é o suficiente, porque falta sempre qualquer coisa. No que toca às crianças, tentamos proporcionar-lhes sempre uma viagem. Os pais fazem o que podem e, às vezes, o que não podem. São projetos bonitos. No ano passado fomos à ilha da Madeira e a Câmara e os empresários apoiaram-nos. Trabalhámos imenso, fizemos tudo o que era possível e conseguimos levá-los lá. Este ano, o projeto é ainda mais ambicioso, mas ver a felicidade das crianças e perceber que fica na memória delas, não tem preço.

DL: Considera que, por exemplo, em relação ao futebol, o futsal é discriminado?
O futsal é o “parente pobre”. As entidades olham muito mais para o futebol como sendo o desporto que deve ser mais apoiado, por ser o mais visível e o que dá mais projeção. Mas enganam-se, pois o futsal está a crescer cada vez mais. Na Lagoa, há uma cultura de futsal muito forte, principalmente nos bairros sociais, e isso é muito interessante. O Atalhada está na III Divisão e seria importante continuar lá, porque dá visibilidade aos Açores. E vamos à Taça de Portugal também. Já é o segundo ano consecutivo e isso traz muito prestígio à nossa cidade e região.

DL: Pensa continuar como presidente?
Vai depender dos apoios. Numa equipa há sempre aqueles que trabalham mais do que os outros e temos de perceber que precisamos de ajuda. Têm-me ajudado muito, mas o cansaço é grande, portanto, é uma incógnita. Custa-me muito, muito mesmo. Continuo aqui principalmente pelas crianças, pois são elas que me fazem cá estar. Se não fosse por elas, já teria deixado o cargo. O que me interessa é vê-las felizes e fazer do clube uma verdadeira escola.

Futsal feminino renasce no Atalhada Futebol Clube

O Atalhada FC volta a contar com uma equipa sénior feminina de futsal após mais de uma década de ausência. O clube viu esse projeto ser interrompido por falta de apoios. Com a determinação das atletas e direção, o regresso é uma realidade que promete fazer a diferença na comunidade desportiva da Lagoa

Equipa feminina do Atalhada FC renasceu com a mesma paixão que a viu nascer há mais de 20 anos © MARIANA ROVOREDO/DL

Fundado em 2002 por Altino Pereira, o Atalhada Futebol Clube, localizado no concelho da Lagoa, surgiu com equipa feminina. No entanto, por volta de 2013, o clube teve de terminar a equipa feminina sénior, por falta de recursos e apoio para a manter. O Atalhada FC manteve-se com os escalões de formação e a equipa sénior masculina. No entanto, na época 2024/25, e com muita procura, foi possível reativar a equipa feminina, que conta neste momento com 12 jogadoras, dos 20 aos 29 anos.

A presidente do Atalhada FC, Sónia Câmara, explica a iniciativa e destaca a importância da retoma deste grupo. “Voltamos a abrir a equipa feminina porque sentíamos essa falta aqui na Lagoa. O Atalhada FC foi pioneiro no futsal feminino e a sua ausência deixava uma lacuna. Quando surgiu a oportunidade e algumas jogadoras me abordaram, achei que seria interessante. Propusemos o projeto à Câmara Municipal, que nos apoiou de imediato. Para eles, também era essencial dar espaço ao futsal feminino”, diz.

Sónia Câmara reforça a necessidade de mais investimento na modalidade: “ainda existe discriminação e menos apoios para o futsal feminino. Há raparigas que gostariam de jogar, mas acabam por desistir devido ao preconceito. Se houvesse mais equipas a modalidade evoluiria muito mais”.

O sonho da presidente é claro: “gostava de ver mais adeptos a apoiar a equipa e um pavilhão cheio num jogo de futsal feminino, vamos crescer devagar, mas com firmeza.”

A visão da treinadora com um longo percurso no Atalhada FC

Natércia Pereira, treinadora da equipa e filha do fundador do clube, Altino Pereira, carrega no coração o amor pelo Atalhada FC. Com um percurso de mais de 30 anos no futsal, primeiro como jogadora e agora como treinadora, acredita no potencial da nova equipa. “Joguei dos 14 aos 38 anos sempre no Atalhada. Depois jogava e treinava as camadas jovens do Atalhada”, diz ao Diário da Lagoa (DL).

Apesar de a equipa ser recente, Natércia tem uma visão positiva: “elas têm muita capacidade. Estamos no bom caminho, mesmo sendo a equipa feminina mais recente de São Miguel”.

Sobre as dificuldades do futsal feminino, a treinadora lamenta: “a diferença para o masculino ainda se sente. Os apoios são poucos, e a mentalidade de que as mulheres não sabem jogar ainda persiste. É difícil conseguir patrocinadores para o feminino”.

“O Atalhada FC nasceu com a equipa feminina. O meu pai fundou o clube em 2002, inicialmente só com futsal feminino. Mas, por volta de 2013, tiveram de encerrar a equipa devido à falta de apoio e à aposta no escalão masculino que estava na terceira divisão e com expectativa de subir”, recorda a treinadora.

A motivação das jogadoras

Maria Amaral, capitã da equipa, iniciou a sua jornada no futsal em 2021, incentivada por amigas. Hoje, vê a modalidade como uma paixão e um desanuviar do dia a dia.

“O maior desafio no desporto feminino continua a ser o número reduzido de atletas e de equipas em competição. Enfrentamos sempre os mesmos adversários o que torna os campeonatos menos interessantes”, conta ao DL.

Ainda assim, a capitã valoriza a união do grupo: “o espírito de amizade e sacrifício é algo único nesta equipa. Mesmo quando os resultados não são os esperados, na semana de trabalho seguinte estão sempre lá todas dispostas a melhorar”.

Para a jogadora, o objetivo da equipa é claro: “queremos evoluir, não só como atletas, mas também como pessoas e tentar que mais raparigas adiram a este desporto que nos é tão querido”.

Com a dedicação da direção, da equipa técnica e das jogadoras, o Atalhada FC renasce com a mesma paixão que o viu nascer há mais de 20 anos. O futuro promete ser de luta, mas também de conquistas.

Atalhada perde em casa para os Remédios em jogo da Taça de Honra

© CM LAGOA

A equipa sénior do Atalhada Futebol Clube perdeu por 4-5 contra os Remédios Sport Clube, equipa do concelho de Ponta Delgada, a 26 de outubro, em jogo da terceira jornada, Série A, da Taça de Honra Luís Alberto Silva Bernardo. A partida foi disputada no Pavilhão Professor Jorge de Amaral, casa da equipa lagoense.

Num jogo agressivo do início ao fim, os Remédios SC iniciaram o marcador com penáltis de João Carvalho, aos dois e aos seis minutos.

A equipa da casa conseguiu recuperar e igualar o marcador, com golos de Diogo Barroso, aos 15 e aos 18 minutos. Mas a vantagem caiu por terra, quando Leandro Rocha marcou aos 19 minutos através de um livre.

Na segunda parte, a equipa lagoense viu novamente a luz ao fundo do túnel, com golos de João Aragão, aos 26, e de Flávio Carreiro, aos 27.

Nos últimos 10 minutos da partida, com 4-3 para o Atalhada FC, o jogo tornou a virar, ditando a vitória para os Remédios SC, com golos de Paulo Morais, aos 34 minutos, e de João Carvalho, aos 38, ficando o marcador nos 4-5.

Ao longo do jogo, a arbitragem foi criticada pelos adeptos da equipa da casa, nomeadamente na sinalização de faltas, que alegadamente favorecia o Remédios SC no entendimento do Atalhada.

Para Sónia Câmara, presidente do Atalhada FC, em declarações ao nosso jornal, “o jogo foi muito bem disputado, com duas belíssimas equipas”.

Sobre a arbitragem, que gerou contestação pela equipa da casa, a presidente aponta que “infelizmente, o jogo foi marcado por uma arbitragem que nitidamente estava num ‘dia não’ e claramente fomos muito prejudicados”.

Atalhada FC inicia Taça de Portugal com vitória

© CORTESIA ATALHADA FC

O Atalhada FC venceu o Mação FC, por 4-3, no passado sábado, 19 de outubro, em jogo da primeira eliminatória da Taça de Portugal de futsal.

A prova foi disputada no Pavilhão professor Jorge Amaral, no lugar dos Remédios, freguesia de Santa Cruz, Lagoa, São Miguel.

A equipa lagoense, em casa e ao som da claque, começou em força logo na primeira parte do confronto, com um golo de Marco Afonso, aos seis minutos. Momentos depois, também aos seis, a Atalhada não conseguiu evitar um golo de Duarte Catarino.

A igualdade não durou muito para o Mação, pois aos oito minutos Fábio Carreiro marcou o segundo golo na baliza de José Esteves.

Aos 20 minutos, dois golos de Diogo Barroso e José Andrade seriam os últimos a entrar na baliza do Mação. O jogo estava a 4-1, com os lagoenses em vantagem, até que ao minuto 24, Duarte Catarino marca novamente, reduzindo a vantagem da equipa da casa.

Aos 34 minutos, o mesmo jogador do Mação aterroriza novamente a baliza de Marco Tavares, finalizando o marcador a 4-3, reduzindo novamente a vantagem do Atalhada e criando tensão até ao final do confronto.

Para Sónia Câmara, presidente do Atalhada FC, em declarações ao Diário da Lagoa (DL), neste primeiro jogo da Taça, “estivemos muito bem e merecemos inteiramente a passagem à próxima eliminatória. Estamos muito felizes, sentimos um grande orgulho por nós e pela cidade de Lagoa”, sente.

Sobre os próximos confrontos, Sónia Câmara conta que “as expectativas são levar a nossa Atalhada o mais longe possível. O objetivo será sempre tentar vencer”, acrescentando também que “estamos confiantes, porque queremos muito fazer história!”.

A presidente do clube deixa ainda um agradecimento aos adeptos e “aos lagoenses em geral” pelo apoio à equipa.

Na segunda eliminatória para a Taça de Portugal de futsal, o Atalhada FC vai defrontar o União e Progresso da Venda Nova, no próximo dia 9 de novembro, em território continental.

Atalhada FC campeão de São Miguel e focado em subir de divisão

© D.R.

O Atalhada Futebol Clube derrotou o UAC Sports por 10-0, e sagrou-se campeão de futsal, no Campeonato de São Miguel, em seniores, com 42 pontos.

O título representa uma conquista para o clube lagoense, e uma esperança de subir novamente à terceira divisão. Na época transata, o Atalhada FC não conseguiu evitar a descida de divisão, mas agora quer apostar na subida.

O treinador Rui Rodrigues, em declarações ao Diário da Lagoa, diz que esta foi uma época “um pouco desgastante, mas desde o início tentamos lutar para ser campeões e conseguimos.”

Sobre o penúltimo jogo do campeonato, contra a Achada (7-1), o treinador explica que a prova foi muito importante, “porque conseguimos deixar um adversário para trás. Depois faltávamos só este último jogo, que ganhamos.”

Rui Rodrigues conta que o objetivo do clube era vencer este campeonato, “para depois conseguirmos colocar o clube na terceira divisão, que é este o objetivo que nos falta” e revela que “para conseguirmos aceder à terceira divisão ainda vamos ter de disputar um jogo, com o campeão de Santa Maria. Se vencermos esse jogo, conseguimos o apuramento para a terceira divisão, que é o nosso principal foco daqui para a frente”.