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Escrever direito por linhas tortas

João Vieira Paim

Dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. Nada parece mais torto que o que vai na cabeça de Trump — ou é o que dizem —, mas nada é mais direito que afundar barcos cheios de cocaína e de assassinos traficantes de droga; nada é mais direito que agarrar num ditador sanguinário e afastá-lo das suas vítimas para sempre; nada é mais direito que os prisioneiros (centenas ou milhares deles) do tal ditador da pseudo-esquerda nazi — alguns deles portugueses, abandonados há anos — serem libertados por medo da assim chamada sucessora do ditador sanguinário.

O resto se verá, e poderá não ser tão positivo como até agora, ou poderá ser só money, oil, etc. Mas as narrativas sobre as razões reais da intervenção na Venezuela talvez devessem ser analisadas pelo comentador a quem chamavam “What if?”, em português: “E se?”.

E se a intervenção tivesse sido sugerida, com força de ter de ser, pelo Pentágono e pela CIA, depois de muita recolha de informação que provava a existência na Venezuela de três ameaças reais a menos de 1.200 km da Flórida, nos EUA?

E se os chineses estivessem a recolher milhares de toneladas por mês de coltan, terras raras e outros minerais fundamentais para a guerra e dominância tecnológica, enviados em bruto para refinação na Colômbia e reenviados para a China com rótulos ligeiramente alterados para fugir às sanções?

E se os russos estivessem implantados de pedra e cal na Venezuela, depois de terem fornecido todo o tipo de armas ofensivas e defensivas e mantendo centenas de instrutores comandados pelo general Oleg Makarevich — assassino que, na Ucrânia, mandou bombardear a barragem cuja destruição inundou cidades e matou muita gente?

E se os iranianos tivessem, por exemplo na Venezuela, uma fábrica de drones capazes de atingir a Flórida?

E se, além de dar um “chuto” nos três principais inimigos dos EUA, ainda pudesse vir bastante petróleo? Esta foi a que convenceu D. Trump, sempre pronto para umas negociatas. Como as outras eram complicadas para ele explicar, focou-se só no oil e nos direitos humanos.

E escrevendo Deus novamente direito por linhas tortas, Trump atacou o Irão — aliás, não, atacou foi o fanatismo religioso que vem fazendo da vida do Irão e dos iranianos um inferno sobre a Terra. Esperemos que não parem até que o último daqueles velhos assassinos em nome de tudo, menos de Deus, esteja enterrado numa vala comum.

A hipocrisia deste mundo sujo logo se expandiu em reclamações de que tal é contra a Lei Internacional. A lei imunda que permitiu o massacre de 30.000 manifestantes desarmados sem a “lei” para os proteger… E a inútil ONU ainda se atreve a “condenar”, como se fosse alguma coisa decente com capacidade para condenar o que quer que seja, e não cúmplice dos mais abjetos regimes terroristas deste mundo ao sentar-se ao lado deles e dar-lhes um reconhecimento e uma participação que estes regimes não devem ter. Não admira que Putin queira moldar uma igual, mas ainda mais à sua imagem.

Que os iranianos se possam livrar de quem os chacinou. Da mesma maneira que o único nazi bom é um nazi morto, estes nazis religiosos devem desaparecer sem deixar rasto. E que o dinheiro do petróleo possa, finalmente, financiar uma vida melhor para os iranianos, em vez do terrorismo internacional e das vidas de luxo daqueles assassinos religiosos.

Quanto à participação de Portugal ou, melhor, dos Açores, esta vem de longe… Salazar foi o primeiro que “expropriou” os terrenos da Base aos terceirenses e colocou a Força Aérea a pagar rendas que eles próprios escolhiam, sem o acordo dos proprietários. E continuaram depois do 25 de Abril (tanta coisa má que devia ter acabado no 25 de Abril, mas que continuou), apenas fazendo umas propostas de compra por valores miseráveis, dando a entender que quem não aceitasse ficava com as rendas ilegais do “Botas”, que até já tinha partido.

Nós pusemos uma ação de despejo da Aerogare construída ilegalmente ao Estado Português, ao Governo Regional e à Força Aérea; finalmente perderam e foram forçados a pagar o triplo do que estavam oferecendo antes. Mas, durante dezenas de anos, serviram para tudo: aeroporto militar e civil (pouco, ao princípio). Vimos todas as intervenções, desde o bloqueio de Berlim à Guerra dos Seis Dias, em que os caças eram munidos e pintados com as cores de Israel na pista, à vista de todos.

Há meses que a atividade era anormal: desde os reabastecedores a treinarem missões aos F-35 a passarem em linha a 700 km/h em frente à Aerogare Civil. Só quem fosse muito crédulo acreditaria que nada de novo se passava.

Esperemos que os iranianos consigam livrar-se desta gentalha e da sua falsa religião medieval, e que saibam, finalmente, que podem, de quatro em quatro anos ou coisa parecida, mandar para o lixo quem não lhes agradar a governar. Mas o que eles dizem e fazem é muito diferente; não estou muito otimista, nem na Venezuela — que passou de moda com a desastrada intervenção no Irão —, onde já não se fala dos 30.000 mortos nem da eliminação da “Gestapo” local.

Hoje os combustíveis sobem de preço no Continente, mas porquê, se se trata de petróleo comprado há três meses ou mais (informação deles, não minha)? Se um merceeiro — para não dizer um hipermercado —, face ao iminente desaparecimento ou encarecimento de algum dos bens que tem à venda, se aproveitar para subir os preços do que tem em stock com base no que os “futuros” vão ser, acho que comete o crime de especulação e pode, no limite, ir parar à cadeia. Mas o Estado pode fazer isso à vontade, ainda lhe chamando “desconto” com bastante hipocrisia?

E nem se fala de fazer o honesto, que seria eliminar a metade do preço dos combustíveis que são impostos (nem lhes quero chamar impostos, que normalmente são algo para os cidadãos terem serviços). Sabem o que pagam esses “impostos”? Milhares de entidades e pessoas privilegiadas que não foram referendadas, mas impostas pela tenebrosa CE e aumentadas pelos nossos políticos, especialistas em transformar a corrupção em direito só para alguns. Vão desde a Quercus e os seus minutos de conselhos aos revestimentos das casas, energias e outras facilidades dos mais ricos (não sou eu que o digo, são as estatísticas), sabendo-se que estas “corrupçõezinhas” ambientais nunca chegarão aos mais pobres — para não falar dos “carritos” elétricos e dos milhares de milhões estourados a subsidiar o turismo de massas (ou “prostituição forçada”, como lhe chamo).

E ainda falam do que é cumprir Abril?

Base das Lajes reforçada com drones MQ-9 Reaper em cenário de tensão internacional

A chegada das aeronaves de alta tecnologia à ilha Terceira, prevista para esta segunda-feira, intensifica a atividade militar na região e gera um misto de habituação e inquietação entre a população local, acompanhada de perto pelas instituições da comunidade

© RTP AÇORES/ IA

A Base Aérea n.º 4, nas Lajes, prepara-se para uma nova fase de operacionalidade com a chegada iminente de drones militares MQ-9 Reaper, no âmbito do prolongado conflito entre os Estados Unidos e o Irão.

Segundo informações avançadas pela estação de televisão SIC, estas aeronaves de última geração (utilizadas tanto para missões de reconhecimento como para ataque) deverão chegar aos Açores desmontadas em contentores já esta segunda-feira, sendo a sua montagem final assegurada nas instalações da base. Este reforço tecnológico surge num momento em que a prontidão operacional é máxima, tendo as autoridades locais, incluindo as corporações de bombeiros, recebido formação específica para responder a eventuais emergências associadas a estes aparelhos.

A intensificação das operações na ilha Terceira tem alterado significativamente o quotidiano dos residentes, que nos últimos trinta dias se viram confrontados com um aumento exponencial de caças e aviões de reabastecimento.

Para o padre Nelson Pereira, pároco das Lajes, a introdução destes novos meios aéreos acentua a perceção de risco na comunidade. “A chegada destes meios torna a ligação da base ao esforço de guerra ainda mais evidente. Isso inquieta as pessoas, mesmo sabendo que, segundo o que é divulgado, não haverá capacidade de atingir esta base diretamente”, afirma o sacerdote, em declarações à agência Igreja Açores, que refletem o sentimento de uma população que, embora habituada à presença militar, encara com apreensão a evolução do conflito.

O cenário nas imediações da base tem oscilado entre a curiosidade inicial, que levou muitos habitantes e visitantes a deslocarem-se ao aeroporto para observar a movimentação, e uma crescente adaptação ao ruído constante. O pároco local recorda que, nas primeiras semanas, a ansiedade era palpável devido ao receio de a base se tornar um alvo estratégico. Contudo, com o passar do tempo, o estrondo das descolagens e aterragens, mesmo em horários de madrugada, passou a integrar a rotina lajense.

Perante esta incerteza, a Igreja nos Açores tem assumido um papel de retaguarda emocional e pastoral, promovendo momentos de reflexão onde os paroquianos podem partilhar os seus medos. “Temos procurado estar presentes, ouvir as preocupações das pessoas e ajudá-las a encontrar serenidade no meio da incerteza. A fé e a comunidade tornam-se pilares importantes nestes momentos”, conclui o padre Nelson Pereira, sublinhando que, mais do que respostas técnicas, a prioridade tem sido oferecer uma presença de esperança num contexto de vigilância armada que já dura há mais de um mês.

Chega/Açores diz que “é crime” trabalhadores da Base das Lajes receberem abaixo do salário mínimo regional

© D.R.

O Chega/Açores entende que é crime os trabalhadores portugueses na Base das Lajes receberem abaixo do salário mínimo regional e, em alguns casos, nacional, segundo nota enviada pelo partido, que garante que “que vai continuar a lutar pelos direitos destes trabalhadores ao serviço das FEUSAÇORES (forças militares Norte-Americanas que se encontram destacadas na Base das Lajes).

A reação do Chega/A, de acordo com o mesmo, surge depois da resposta do Governo Regional a um requerimento acerca das tabelas salariais dos trabalhadores portugueses da Base das Lajes, “que recebem abaixo do salário mínimo regional e, em alguns casos, nacional, sendo que recebem um suplemento salarial na proporção necessária até perfazer o referido ordenado mínimo”.

O Governo regional entende que “a situação salarial dos trabalhadores da Base das Lajes é da responsabilidade do Governo da República”, sendo que o regime aplicável aos trabalhadores portugueses da Base das Lajes “resulta do respetivo Tratado Internacional e não diretamente da legislação portuguesa”, pode ler-se. Ou seja, responde o Governo regional, “as tabelas salariais aplicáveis aos trabalhadores portugueses da Base das Lajes são aprovadas nos termos do Acordo Laboral, assinado em 1 de Junho de 1995”, menciona o Chega/A.

Na resposta ao requerimento do Chega/A, o executivo terá respondido que o suplemento salarial – designado por “fair wage supplement” – foi a solução encontrada para compensar a diferença relativamente aos montantes do salário mínimo regional, uma vez que não era possível rever as tabelas salariais negociadas no âmbito do Acordo Laboral, lê-se.

Em maio de 2023, continua o Governo, a aplicação daquele suplemento salarial foi revista e passou a incluir também os trabalhadores que não recebiam diuturnidades, diz ainda o Chega/Açores.

O Governo regional acredita que a sua intervenção nesta matéria passou pela “participação na negociação da criação do referido suplemento salarial”, continuando a defender que aquele suplemento “seja implementado o mais próximo possível do dia 1 de janeiro e que os seus valores sejam revistos para 2025”, lê-se ainda, na mesma nota.

O Chega/A diz não se convencer com esta resposta do Governo regional e reforça que “é ilegal, é crime, haver trabalhadores a receber abaixo do salário mínimo regional. Além disso, quando falamos de um suplemento salarial é suposto que o mesmo seja aplicado sobre o salário base, e não seja para igualar o salário ao ordenado mínimo, que é de lei, tal como deveriam ser as diuturnidades e este suplemento também está a servir para isso”, adiantou o líder parlamentar José Pacheco.

O parlamentar lembrou que em maio deste ano, o vice-presidente do Governo regional, Artur Lima, congratulou-se com um aumento salarial para os trabalhadores portugueses da Base das Lajes, conseguido na Comissão Bilateral Permanente, “mas parece que a situação não ficou resolvida. Na prática não houve um aumento, houve este suplemento para que os trabalhadores passem a ganhar o ordenado que deveriam estar a ganhar. Foi anunciada com pompa e circunstância, mas não passa de uma mentira”, reforçou José Pacheco, citado no mesmo comunicado.

Trabalhadores da Base das Lajes com atualização salarial de 4,7 por cento

Anúncio foi feito após a 51.ª Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América © VPGR

Os trabalhadores da Base das Lajes, na ilha Terceira, vão ter uma atualização salarial de 4,7 por cento, a partir de julho, anunciou a vice-presidência do Governo regional dos Açores, após a 51.ª Comissão Bilateral Permanente (CBP) entre Portugal e os Estados Unidos da América (EUA), que se realizou na terça-feira, 14 de maio, em Washington.

O vice-presidente do Governo regional dos Açores, Artur Lima, marcou presença na Comissão, acompanhado pelo diretor regional dos Assuntos Europeus e Cooperação Externa.

Na agenda da reunião foram abordados assuntos relacionados com a Base das Lajes, nomeadamente sobre as tabelas salariais da força laboral portuguesa, o processo de descontaminação de solos e aquíferos da Praia da Vitória e a cooperação estratégica em áreas emergentes como a ciência ou a tecnologia.

Foi alcançado um acordo de princípio, a formalizar nas próximas semanas, para um novo alargamento do Fair Wage Supplement a mais graus e a mais escalões, de modo a abranger todas as situações que possam ainda subsistir, o que assegura, ainda, que as diuturnidades não sejam prejudicadas.

Contudo, o vice-presidente do Governo regional reiterou que é necessário discutir uma solução definitiva e estrutural para a questão das tabelas salariais, que garanta que todos os trabalhadores da Base das Lajes tenham uma remuneração digna, justa e sempre acima do salário mínimo regional.