
O Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, presidiu no passado dia 16 de novembro, a uma missa na igreja Matriz, em Santa Cruz, para comemorar os 40 anos da Ouvidoria da Lagoa, coincidindo com o Dia Mundial dos Pobres.
Na sua intervenção, o Bispo incentivou a comunidade a ir além da simples manutenção das tradições, pedindo coragem para encarar os desafios de hoje, ajudar os mais vulneráveis e colaborar de forma mais ampla. O prelado destacou também que a pobreza é fundamental na missão da Igreja, afirmando que os mais pobres estão no centro de todo o trabalho pastoral. Citando referências da Igreja, reforçou que a pobreza não é apenas uma questão social, mas sim “uma questão familiar”. Sublinhou que a falta de apoio espiritual é a pior forma de discriminação contra os pobres, defendendo que eles devem ser vistos individualmente, “olhos nos olhos”.
“A pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual”, disse.
O bispo alertou ainda para a proliferação de falsos profetas que exploram medos e conflitos, pedindo discernimento num tempo onde importa escolher “evangelho ou ideologia, integração ou exclusão, amor ou indiferença”. E recordou que, no Evangelho, cada tragédia anunciada é acompanhada por um ponto de viragem: “Tudo muda sempre que cuido de um pedacinho da minha terra e das suas feridas”.
O prelado advertiu para o fascínio contemporâneo por tecnologias, conquistas humanas e figuras de sucesso, lembrando, porém, a sua transitoriedade: “Só o homem, imagem de Deus, é eterno. É melhor que tudo desmorone, incluindo as igrejas mais bonitas, do que desmorone um único homem”.

No âmbito do atual ano pastoral, o Bispo de Angra desafiou os presentes a refletirem sobre a coerência do seu testemunho de fé, tanto nas celebrações como no apoio direto aos pobres. Perguntou se as paróquias estavam preparadas para caminhos mais participativos e para incluir quem está à margem, tanto a nível social como espiritual.
Ao felicitar a Ouvidoria, o Bispo destacou o papel da paróquia como um local de convívio e comunhão. Reforçou a importância dos leigos na missão da Igreja, dizendo que são eles que devem levar a mensagem do Evangelho para os seus locais de trabalho, para a política, a economia e para o mundo digital. Anunciou ainda que os Conselhos Pastorais passarão a ser obrigatórios em todas as paróquias e que a formação deve continuar para além da catequese e da confirmação.
O Bispo terminou a homilia com uma nota de esperança, afirmando que o futuro não é o caos, mas sim “o abraço definitivo do amor” de Deus.
A Ouvidoria da Lagoa, criada em 1984, engloba sete paróquias e, segundo a agência Igreja Açores, é uma das ouvidorias da diocese que regista “grandes bolsas de pobreza”.

O bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, presidiu na cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, à dedicação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no passado dia 11 de maio, e na celebração alertou para o problema da perseguição religiosa, sobretudo dos cristãos, em muitos lugares do mundo.
Segundo nota publicada pela agência de notícias Igreja Açores, no seu sítio online, D. Armando Esteves Domingues começou por referir que: “esta igreja tem uma história belíssima e ela é, em cada pedra, a expressão da fé dos que aqui passaram”, mas “a dedicação solene não é uma obra material, não é o melhoramento material mas algo espiritual de todos os que se deixam contagiar por Jesus e depois vão anunciá-Lo para o meio do mundo”.
“Há tantos cristãos, nossos irmãos, impedidos de construir ou de entrar em igrejas, que não podem dizer juntos que crêem neste Deus que a todos acolhe, que não podem rezar, sentar-se e converter-se juntos, que não podem rezar fora das suas casas. Teremos consciência disto ou estamos instalados?” alertou o bispo da diocese açoriana.
“Temos de desaparecer para que fique Cristo”, afirmou, referindo-se a esta celebração de dedicação.
“Nela somos todos benzidos; falamos de todos os sinais de louvor a Deus mas o mais importante para Ele são as pessoas”, disse deixando um apelo: “oxalá aqui nasça comunidade”.
“Depois da missa começa a missão e a religião prova-se no serviço generoso prestado ao homem, sobretudo aos irmãos pobres e abandonados”, salientou enquanto depositou, debaixo do altar, uma relíquia da beata e mártir Maria do patrocínio de São José, uma espanhola que morreu em 1936, inicio da guerra civil espanhola, com 33 anos, quando defendia a sua virgindade.
“Vivemos aqui ritos e gestos muito expressivos”, disse D. Armando Esteves Domingues indicando que a “casa é de todos” e a “iniciativa vem sempre de Deus”.
A celebração da dedicação decorreu da conclusão da primeira fase das obras de restauro da capela-mor da igreja e no início das comemorações do centenário da atual imagem de Nossa Senhora do Rosário, a ser celebrado em outubro de 2026.
Participaram os diversos movimentos paroquiais, as autoridades civis da cidade da Lagoa e a filarmónica Lira do Rosário. O templo, com 252 anos de construção, é dedicado a Nossa Senhora do Rosário.

D. Armando Esteves Domingues, bispo de Angra, vai presidir à solene dedicação da igreja paroquial de Nossa Senhora do Rosário, no próximo dia 11 de maio, pelas 11 horas, informa o Conselho para os Assuntos Económicos da paróquia lagoense.
A celebração da dedicação decorre da conclusão da primeira fase das obras de restauro da capela-mor da igreja e no início das comemorações do centenário da atual imagem de Nossa Senhora do Rosário, a ser celebrado em outubro de 2026.
Participarão os diversos movimentos paroquiais, as autoridades civis da cidade da Lagoa e a filarmónica Lira do Rosário.
O templo, com 252 anos de construção, será dedicado a Nossa Senhora do Rosário, e consagrado o seu altar.
Em nota enviada, indica-se que “a dedicação de uma igreja é uma celebração solene e única, presidida pelo Bispo, toda ela profunda em ritos e sinais, que manifestam a presença e a santidade de Deus, do próprio lugar, sobretudo do altar da celebração da Missa, e de todo o povo santo que nele é Igreja viva e Templo do Senhor. Sobre o altar da celebração serão depositadas Relíquias da Mártir Beata Maria do Patrocínio de São José, carmelita, Virgem e Mártir, espanhola, nascida em 1903, e martirizada em 1936 quando defendia a sua virgindade de dois usurpadores. Recordam-nos o antigo costume dos primeiros cristãos de celebrar a Eucaristia sobre os túmulos dos mártires, aqueles que levaram ao máximo o exemplo de Cristo, que por nós deu a vida”.