
A rede de instituições da diáspora açoriana conta, a partir desta semana, com um novo e estratégico ponto de apoio em território nacional. O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, enalteceu esta terça-feira, 21 de abril, em Ponta Delgada, a assinatura do termo de cooperação que formaliza a criação da Delegação Oficial da Casa dos Açores de Minas Gerais (CAMG) em Portugal continental. Segundo uma nota de imprensa enviada às redações, o documento foi subscrito pelo presidente da referida Casa, Claudio Luciano Valença Motta, e pelos representantes da entidade parceira NEW-New Economy World, Alexandre Brodheim e Pedro Gouveia, estabelecendo as bases para promover as atividades da instituição mineira junto da comunidade residente no continente.
Para o governante, este passo é um reflexo claro da vitalidade das nossas comunidades, classificando a Casa de Minas Gerais como uma entidade “recente, mas com um grande grau de criatividade, de competência e com um dinamismo extraordinário”. Paulo Estêvão sublinhou a importância estratégica de estreitar relações com Minas Gerais, lembrando tratar-se de um estado com mais do dobro da população portuguesa. “É vital ter um conjunto de relações de caráter cultural e institucional cada vez mais intensas”, defendeu o secretário regional, traçando um paralelo com o trabalho histórico já desenvolvido com outras Casas dos Açores no Brasil.
Esta iniciativa surge num contexto de afirmação da identidade açoriana à escala global, onde o Executivo açoriano apoia atualmente uma rede de 20 Casas dos Açores espalhadas pelo mundo, desde o Uruguai ao Canadá, com forte presença no Pacífico. “Os açorianos não se resumem aos 244 mil habitantes destas nove ilhas, pelo contrário, somos uma grande região cultural com mais de quatro milhões de açorianos e descendentes”, afirmou Paulo Estêvão, reforçando que estes vínculos intercontinentais superam hoje o tradicional “turismo de saudade”, atraindo projetos conjuntos que beneficiam diretamente a Região Autónoma.
A oficialização desta delegação ocorreu durante a visita oficial que uma comitiva da Casa dos Açores de Minas Gerais realiza ao arquipélago até à próxima sexta-feira. Com passagens previstas por São Miguel e pelo Faial, o programa inclui reuniões com autoridades autárquicas e membros do Governo, além de momentos culturais de relevo. Entre as iniciativas destacam-se a apresentação do livro “Somos Açores – Um arquipélago vivo pela ação das Casas dos Açores”, do jornalista Ígor Lopes, e a encenação da peça “Quando o Mar Galgou a Terra”, pela atriz brasileira Eleonora Marino Duarte, consolidando a união entre a raiz insular e a expansão mineira.

A recém-criada Casa dos Açores de Minas Gerais, no Brasil, presidida pelo luso-brasileiro Claudio Motta, vai promover a primeira “Missão Empresarial Minas Gerais – Açores”, entre os dias 20 e 24 de abril, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel. Estarão presentes empresários, investidores, instituições e autoridades numa “iniciativa de cooperação económica e empresarial entre Brasil e Portugal”. Ao longo de cinco dias, esta missão empresarial estabelece uma ponte entre Minas Gerais e os Açores, combinando encontros institucionais, promoção económica, valorização territorial e intercâmbio cultural, num modelo que reforça a cooperação entre o Brasil e a Região Autónoma dos Açores.
Segundo apurámos, a deslocação aos Açores surge como “desdobramento do primeiro Encontro Empresarial de Andrelândia, município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, situado a cerca de 280 km de Belo Horizonte, capital do Estado. Um evento que teve lugar no passado mês de fevereiro e que “representa um novo passo na estratégia de internacionalização da instituição, que se afirma como ponte ativa entre os dois territórios”.
“Mais do que um encontro empresarial, a missão pretende criar um espaço de intercâmbio de experiências, geração de oportunidades de negócio e reforço de parcerias duradouras, aproximando agentes económicos dos dois lados do Atlântico”, disse à nossa reportagem o presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais.
Ainda de acordo com este responsável, entre os principais destaques desta nova etapa está a “implantação da primeira representação institucional da Casa dos Açores de Minas Gerais em Andrelândia, bem como a estruturação de uma delegação internacional em Lisboa, reforçando a presença da instituição em território português continental”.
Nos últimos dias, a nossa reportagem conversou com José Andrade, diretor regional das Comunidades, que se mostrou interessado em auxiliar na ligação entre o Estado mineiro e a dinâmica das comunidades açorianas no arquipélago.
Sabemos que um dos objetivos da Casa dos Açores em Minas Gerais, além de promover as tradições, folclore, etnografia, usos e costumes dos Açores no Brasil, é também “alimentar e possibilitar novas interações no campo económico, beneficiando as relações comerciais entre os dois territórios”.
O arranque da missão está marcado para o dia 20 de abril, em Ponta Delgada, com reuniões institucionais entre os participantes e os membros do Governo Regional dos Açores. A delegação será recebida pelo Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, e pelo Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, num dia centrado no setor agrícola. A agenda inclui ainda um almoço institucional na Associação Agrícola de São Miguel, em Rabo de Peixe, e um encontro com o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, reforçando o diálogo com estruturas representativas do setor primário.
No dia seguinte, 21 de abril, a missão prossegue com uma visita técnica à UNILEITE – União das Cooperativas Agrícolas de Laticínios de São Miguel, nos Arrifes, permitindo o contacto direto com o modelo cooperativo açoriano. Ainda durante a manhã, decorre a cerimónia de criação da Delegação de Lisboa da Casa dos Açores de Minas Gerais, formalizada através da assinatura de um termo de cooperação no Azoris Royal Garden Hotel, em Ponta Delgada. A tarde inclui uma prova de produtos regionais promovida pela Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação e uma sessão de esclarecimento sobre oportunidades de investimento, com a participação de Camilo Moniz, da Ordem dos Economistas, e Emanuel Cordeiro, da Ordem dos Contabilistas. O dia encerra com a apresentação do livro “Somos Açores – Um arquipélago vivo pela ação das Casas dos Açores”, da autoria do jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes, no Hotel Marina Atlântico.
A 22 de abril, a agenda institucional mantém-se com encontros dedicados às políticas públicas e incentivos ao investimento. A delegação reúne-se com o Secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, e com a Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral. Durante a tarde, está previsto um encontro com o presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, seguido de uma visita técnica ao Ecoparque de São Miguel, gerido pela MUSAMI, onde serão apresentados processos de gestão e valorização de resíduos.
O dia 23 de abril é dedicado à componente territorial e turística, com um percurso pela ilha de São Miguel que inclui passagens por Vila Franca do Campo, Vale das Furnas e Parque Terra Nostra, além de visitas à Queijaria Furnense e à Fábrica de Chá Gorreana, integrando a valorização dos produtos locais e do património natural. Em paralelo, decorre um programa institucional na ilha do Faial, com deslocação à cidade da Horta, onde está previsto um encontro com o presidente da Câmara Municipal, Carlos Ferreira, seguido de almoço institucional.
A missão encerra dia 24 de abril com uma visita ao Vale das Sete Cidades, no concelho de Ponta Delgada, e um almoço de encerramento oferecido pelo Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades. A programação termina com um momento cultural, com a apresentação do espetáculo “Quando o Mar Galgou a Terra”, encenado pela atriz brasileira Eleonora Marino Duarte, no auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.
“Esta iniciativa reforça o nosso compromisso com a promoção do desenvolvimento económico, da cooperação internacional e da valorização das relações históricas entre Brasil e Portugal, através da interação com os Açores, abrindo novas oportunidades para o setor empresarial e consolidando uma ligação que se projeta no futuro”, finalizou Claudio Motta.

Entre os dias 7 e 14 de abril, o jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes vai estar presente no arquipélago açoriano para apresentar a sua mais recente obra. Trata-se da segunda edição, revista e ampliada, de: “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, que será lançado em três cenários distintos: Corvo, Flores e Ponta Delgada. Escrito no formato livro-reportagem, o livro oferece uma visão única sobre como as ilhas dos Açores são retratadas e mantidas vivas além-mar, com especial destaque para o papel das Casas dos Açores em vários Estados do Brasil, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Maranhão, Bahia, São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina. A novidade desta edição é a inclusão das informações, após entrevistas, da Casa dos Açores de Minas Gerais, recentemente criada.
Este projeto literário foi apoiado pelo Governo Regional dos Açores, através da Direção Regional das Comunidades, e editado pela Amazon.
“Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, segunda edição, revista e ampliada, conta com José Andrade, diretor Regional das Comunidades, e Adélio Amaro, escritor e responsável pela BibliRuralis, como prefacistas. Também José Manuel Bolieiro, presidente do governo regional dos Açores, participa com uma mensagem aos açordescendentes. Daniel Evangelho Gonçalves, historiador, assina o posfácio, por sua vez, a jornalista Paula Machado, da RDP Internacional, é autora de um texto sobre o escritor luso-brasileiro.
Ao longo de 138 páginas estão entrevistas aos presidentes das Casas dos Açores no Brasil, num período entre 2022 e 2026, com o intuito de revelar os contornos que levaram à criação dessas entidades açorianas no maior país da América do Sul. É também examinado o importante trabalho dessas instituições que, há décadas, preservam e promovem a cultura açoriana no Brasil, fortalecendo os laços históricos e culturais entre o arquipélago e a nação irmã de Portugal. Ao ler este livro, mergulhamos na rica história dessas casas, explorando as suas ações e contribuições para fortalecer os laços culturais entre os açorianos e os seus descendentes em solo brasileiro.
“A ideia é que seja um livro vivo, dinâmico, que ganhe novas páginas sempre que o movimento associativo açoriano no Brasil se desenvolve e crie raízes. Por outro lado, mantemos uma memória da criação de cada entidade, com os seus contornos, desafios e ações”, explicou Ígor Lopes
A apresentação de “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, segundo edição revista e ampliada, estará integrada no âmbito do IV Fórum das Migrações 2026, organizado pelo Governo Açoriano.
Por desejo do autor, esta nova edição será apresentada nas ilhas do Corvo e das Flores, ambas pertencentes ao Grupo Ocidental do arquipélago, caracterizando-se pelo seu isolamento, beleza natural, paisagens vulcânicas exuberantes e uma forte ligação ao oceano. Enquanto o Corvo é a menor e mais isolada, marcada pela simplicidade, as Flores destacam-se pela abundância de água e vegetação.
“Por essas razões, decidi levar a visão dos brasileiros e açordescendentes às duas ilhas. Estou feliz por poder, primeiro, conhecer essas duas comunidades e, depois, levar cultura e um pouco de luso-brasilidade, com sabor a Açores, aos corvinos e florenses”, sublinhou Ígor Lopes.
A agenda está organizada da seguinte maneira:
08/04 – Corvo – Salão Nobre da Câmara Municipal do Corvo – 18h30 – Apresentação: Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades – Governo dos Açores;
09/04 – Flores – Salão Nobre da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores – 18h30 – Apresentação: Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades – Governo dos Açores;
13/04 – Ponta Delgada – Livraria Letras Lavadas – 18h – Apresentação: Dra. Andrea Moniz DeSouza – Presidente da Associação dos Emigrantes Açorianos (AEA).
A primeira edição deste livro passou por diversas ilhas açorianas e pelo Brasil. Esta nova edição teve um pré-lançamento junto da comunidade açoriana e açordescendente no Uruguai e na Argentina, nos últimos dias.
Segundo o autor, “ao escrever “Somos Açores”, senti-me com uma grande responsabilidade de dar voz à resiliência da cultura açoriana longe do seu território de origem”.
“As Casas dos Açores no Brasil são guardiãs de uma identidade coletiva que sobrevive ao tempo e à distância. Espero que este livro inspire um novo olhar sobre a importância dessa preservação cultural. “Somos Açores” faz o caminho inverso de “Açores em Cores”. Este último, lançado em diversas cidades, procurou mostrar o arquipélago para o mundo, com foco também nos lusodescendentes. Agora, “Somos Açores” cruza o oceano saindo do Brasil para desembarcar nos Açores com boas novas. Sim, a açorianidade está viva em outras muitas paragens”, afirmou Ígor Lopes.

A presidente da Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, Viviane Peixoto Hunter, vai lançar o seu mais recente livro, “Colcha de Memórias – Mulheres do Atlântico: tecidas entre capote e capelo”, num roteiro especial que percorre três ilhas do arquipélago açoriano. As sessões decorrerão nos dias 26 de março, na Livraria Letras Lavadas, em São Miguel, às 18h00; 27 de março, no Peter Café Sport, no Faial, às 18h00; e 28 de março, no Lar Doce Livro, na Terceira, às 15h00.
Cada encontro servirá como momento de partilha e celebração da literatura e da identidade atlântica e procurará destacar histórias de mulheres que chegaram, partiram ou permaneceram nos Açores, costurando vivências individuais e coletivas ao longo do Atlântico.
O projeto surge no contexto da Portaria 68/2008 do governo regional dos Açores e foi editado pela Letras Lavadas, reunindo relatos que cruzam mares e gerações. Segundo Viviane Peixoto Hunter, o objetivo é preservar memórias femininas frequentemente invisíveis, transformando-as em narrativa viva que reforça os laços culturais entre o Brasil e o arquipélago.
“Entre retalhos, costuras e caminhos pelo mar e tantas vivências, esta obra reúne trajetórias de mulheres ligadas pelo oceano que une o Brasil e os Açores”, explicou a escritora, sublinhando que cada lançamento permitirá ao público conhecer histórias marcadas por deslocações, permanência e conquistas no contexto das ilhas.
Além de autora, Viviane Peixoto Hunter acumula experiência como presidente da Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul (CAERGS), promotora de cultura e educação, e tem vindo a destacar-se pelo trabalho de valorização da memória histórica e do património cultural feminino.

A diáspora açoriana no Brasil está no centro da agenda política regional nos próximos dias, com o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, a dar início a uma visita oficial de alto significado simbólico. Segundo a nota enviada pelo executivo açoriano à nossa redação, a deslocação ocorre num momento de particular relevo histórico, coincidindo com as celebrações dos 50 anos da Autonomia dos Açores. O governante, acompanhado pelo diretor regional das Comunidades, José Andrade, e pela investigadora Susana Goulart Costa, tem como objetivo estreitar os laços com as comunidades lusodescendentes nos estados do Rio Grande do Sul e do Maranhão, num périplo que combina diplomacia cultural, apresentações académicas e a inauguração de novos espaços de memória.
O roteiro arrancou este sábado, 21 de março, em Gravataí, no Rio Grande do Sul, onde a comitiva visitou a Casa dos Açores local para celebrar o 23.º aniversário da instituição. O programa em terras gaúchas ganha especial contorno em Porto Alegre, cidade que detém o título de maior metrópole do mundo fundada por açorianos. No Teatro da Santa Casa, inserido nas festividades da “Semana de Porto Alegre”, será lançada a obra “Açores: Nove Ilhas, Nove Histórias”, da autoria de Susana Goulart Costa. Este livro, editado pela Secretaria Regional em parceria com a Casa dos Açores local, pretende ser uma ferramenta de proximidade e conhecimento sobre a realidade atual e histórica do arquipélago junto dos descendentes de terceira e quarta gerações.
A segunda etapa da viagem foca-se no Nordeste brasileiro, especificamente em São Luís do Maranhão, onde a agenda institucional atinge o seu ponto alto na segunda-feira, 23 de março. Antes dos atos protocolares, Paulo Estêvão realizará uma visita de cortesia ao antigo Presidente da República do Brasil, José Sarney, seguindo-se uma apresentação académica da obra de Susana Goulart Costa na Universidade Estadual do Maranhão. O culminar da visita oficial acontecerá durante a tarde, com o governante açoriano e o Governador do Estado do Maranhão a presidirem à inauguração oficial da “Praça dos Açores” e do “Museu Açoriano”. Estas novas infraestruturas representam um marco decisivo na preservação do legado cultural dos nossos antepassados naquela região, garantindo que a identidade açoriana permaneça viva e visível no quotidiano brasileiro.

À margem do Prémio “Aproxima Portugal–Brasil”, o secretário de Estado da Cultura de Portugal, Alberto Santos, defendeu, em entrevista à Agência Incomparáveis — parceira do Diário da Lagoa —, que a cultura continua a ser o elo mais sólido entre portugueses e brasileiros, funcionando como uma ponte sem fronteiras num contexto de crescente mobilidade humana, cooperação institucional e afirmação da língua portuguesa no mundo.
Para o governante, a cultura é “a primeira ponte de ligação entre os povos, porque tem uma vantagem: não tem fronteiras, estabelece pontes”, sobretudo entre dois países que, embora separados pelo Atlântico, estão unidos por uma “grande história”.
Apesar de momentos de aproximação e também de algum distanciamento ao longo de mais de cinco séculos, o governante português considera que Portugal e Brasil sempre mantiveram elementos estruturais em comum, com especial destaque para a capacidade de comunicar e de cooperar através da língua portuguesa.
Segundo este responsável, a vitalidade da língua resulta da sua diversidade e da sua miscigenação.
“É a nossa base comum”, sublinhou, acrescentando que os fluxos migratórios históricos – primeiro de portugueses para o Brasil e, mais recentemente, de brasileiros para Portugal – reforçam a necessidade de investir na cultura como fator de integração, identidade e criatividade partilhada.
O secretário de Estado português destacou ainda a dimensão demográfica e geopolítica da língua portuguesa, recordando que o Brasil é o país do mundo com mais falantes de português e que, à escala global, o idioma ocupa hoje um lugar de relevo entre as línguas mais faladas, sendo dominante no hemisfério sul.
Para Alberto Santos, este capital linguístico deve ser usado de forma estratégica nas relações multilaterais, reforçando o posicionamento internacional conjunto de Portugal e do Brasil.
Questionado, enquanto escritor e profundo conhecedor da realidade brasileira, sobre que história ainda falta escrever entre os dois países, Alberto Santos sublinhou que “falta escrever o futuro”, acrescentando que esse futuro não apenas deve assentar na valorização do que une e não do que separa como também deve afastar leituras superficiais ou conjunturais.
No plano europeu e sul-americano, o governante português manifestou expetativa quanto ao avanço do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, considerando que esse entendimento poderá abrir novas oportunidades também na área da cultura, o que reforça a ideia de que Portugal e Brasil funcionam como embaixadas naturais um do outro: o Brasil como grande plataforma da língua portuguesa nas Américas e Portugal como porta de entrada privilegiada na Europa.
Recorrendo a Fernando Pessoa (“A Península Ibérica é a cabeça da Europa e Portugal é a coroa”), Alberto Santos concluiu que Portugal, com a sua fachada atlântica, continua a ser uma ponte natural entre continentes, uma imagem que, segundo sublinhou, simboliza a centralidade cultural e estratégica da relação luso-brasileira num mundo cada vez mais interligado.
A entrevista enquadra-se no âmbito de mais uma edição do “Prémio Aproxima Portugal-Brasil”, que reconhece várias personalidades, nas mais variadas categorias, pelos seus contributos para o fortalecimento da cooperação entre Portugal e Brasil, uma iniciativa promovida pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, liderada por Otacílio Soares, que, este ano, decorreu no Tivoli Kopke Porto Gaia Hotel, na cidade do Porto, Norte de Portugal.

A Casa dos Açores do Espírito Santo (CAES), no Brasil, promove, no próximo dia 10 de março, a quarta Romaria Quaresmal, integrada nas comemorações dos 504 anos das Romarias Quaresmais, uma das mais marcantes tradições religiosas açorianas.
O encontro terá início às 18h30 com o Terço dos Homens e Mulheres, momento de oração que reúne fiéis e participantes num ambiente de recolhimento e partilha espiritual.
Pelas 19h15 locais, terá lugar uma celebração presidida pelo padre Beto, na Capela Nossa Senhora Mãe de Deus, reforçando o caráter religioso da iniciativa e evocando a tradição das romarias que marcam o período quaresmal nos Açores.
Além dos momentos de oração e celebração, o programa inclui também a mostra fotográfica “Rostos de Fé”, dedicada aos romeiros e à vivência desta tradição secular, que ao longo de mais de cinco séculos tem marcado a identidade religiosa e cultural açoriana.
A iniciativa integra as comemorações dos 504 anos das Romarias Quaresmais (1522–2026) e pretende reunir a comunidade para assinalar e preservar uma das mais emblemáticas manifestações de fé dos Açores.
Neste sentido, a organização convida todos os interessados a participar neste momento de celebração e convívio.

O jornalista e escritor Ígor Lopes, CEO da Agência Incomparáveis e colaborador do Diário da Lagoa, foi distinguido na nona Gala As Notícias / RadioTV Lusa, realizada no passado dia 6 de fevereiro, no Restaurante Lusitânia, em Londres, numa cerimónia transmitida em livestream internacional. O prémio, atribuído na categoria “Literatura e Divulgação da Língua Portuguesa Ano 2025”, reconhece o percurso do profissional na promoção da língua portuguesa e na ligação entre Portugal, Brasil, União Europeia e Mercosul, com foco nas comunidades portuguesas, luso-brasileiras e lusófonas.
O troféu entregue ao jornalista tem a forma de uma guitarra portuguesa, facto que levou Ígor Lopes a dedicar o galardão à fadista portuguesa Maria Alcina, natural de Castro Daire e residente no Rio de Janeiro há mais de 70 anos, falecida recentemente, depois de anos de trabalho de promoção de Portugal e da sua cultura na América do Sul.
“É um orgulho poder vencer este prémio na categoria “Literatura e Divulgação da Língua Portuguesa Ano 2025”, tendo ao meu lado, como concorrente, o competente Círculo de Leitura em Português de Manchester”, afirmou Ígor Lopes, que sublinhou ter “dedicado o prémio à amiga Maria Alcina, de quem sou biógrafo e com quem convivi na afirmação da cultura portuguesa no Rio de Janeiro, no Brasil e em Portugal, sendo testemunha do seu esforço, dedicação, carisma e talento”.
A organização da Gala, que registou ainda momentos musicais protagonizados pelas artistas convidadas Sofia Escobar, Inês Fernandez e Madalena Alberto, sublinhou que o evento nasceu “para projetar e destacar na opinião pública o excelente trabalho dos portugueses residentes no Reino Unido. De todos aqueles que conseguem ultrapassar a medianidade, ultrapassar os limites do expetável e atingir uma condição de excelência inquestionável”. Essa mesma entidade acrescenta que são “centenas os que conseguem, anualmente, atingir esse estágio”, sendo muitos identificados através de indicações da própria comunidade, após verificação e certificação dos percursos.
A cerimónia contou com a presença do embaixador de Portugal no Reino Unido, Nuno Brito; da cônsul-geral de Portugal em Londres, Ana e Brito Maneira; do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa; e do deputado José Dias Fernandes, eleito pelo círculo da Europa pela emigração, entre outras autoridades portuguesas e representantes diplomáticos. Estiveram ainda presentes empresários, dirigentes associativos e figuras públicas da comunidade portuguesa e lusófona no Reino Unido.
A nona edição da Gala integrou 30 nomeações e 16 galardões, distribuídos em quatro blocos de prémios, com intervenções institucionais e atuações musicais que marcaram a noite.
Recorde-se que, ao longo das edições anteriores, foram distinguidas personalidades como António Horta-Osório, Paula Rego, Mónica Ferro e Dr. Justino Monteiro. Pelo palco passaram artistas como Carlos do Carmo, Luís Represas, Lúcia Moniz, João Pedro Pais e Roberto Leal, entre outros nomes da música portuguesa.
Com apoios institucionais do Consulado-Geral de Portugal em Londres, do Consulado-Geral de Portugal em Manchester, da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas e da República Portuguesa, a Gala destacou-se por consolidar-se como um dos momentos de maior visibilidade da diáspora lusa no Reino Unido.
Nascido no Rio de Janeiro, fruto da emigração portuguesa com raízes em Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real) e Douro (Armamar), Ígor Lopes é jornalista, escritor e social media entre Brasil e Portugal. É CEO da Agência Incomparáveis, agência de notícias sediada no Rio de Janeiro, que atua na América do Sul e do Norte, Europa Central, África Lusófona, Ásia Lusófona e em Portugal continental e ilhas.
Ao longo da carreira, recebeu distinções em Portugal e no Brasil pelo trabalho na área das migrações, da comunicação e da promoção cultural, integrando diversas academias literárias e instituições históricas.
É vice-presidente da Associação Mais Lusofonia, com sede em Castelo Branco; diretor de Relações Internacionais da Sociedade de Excelência Luso-Brasileira; com sede em São Paulo; integra a direção da Casa do Brasil – Terras de Cabral, com sede em Belmonte/Covilhã; Presidente da Assembleia Geral da Plataforma, entidade que atua na defesa da comunicação social da diáspora portuguesa, com sede na Europa. É também “Chanceler” na aproximação cultural entre Brasil e Portugal, título reconhecido pelo Ministério da Cultura do Brasil, através da Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística, entre outras entidades e ações. Colabora, também, há cerca de cinco anos com o jornal Diário da Lagoa, na ilha de São Miguel, nos Açores.
Assumiu recentemente como membro da Comissão de Cidadãos de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas no âmbito do “Projeto Os 230”, na segunda Edição das Comissões de Cidadãos na Assembleia da República portuguesa.
“O reconhecimento agora obtido em Londres reforça o nosso percurso de ligação entre comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e a afirmação da língua portuguesa como eixo de identidade e cooperação internacional. Há muito ainda por fazer, por isso, agradecendo à organização da Gala, aos profissionais do jornal As Notícias e da RTVLusa, e deixo um abração de gratidão e reconhecimento a todos os nomeados”, finalizou Ígor Lopes.

Fundada recentemente, a Casa dos Açores de Minas Gerais — a 19.ª Casa Mundial Açoriana — está a começar a desenvolver uma agenda de ações destinadas à aproximação institucional e empresarial entre Minas Gerais, no Brasil, e o arquipélago dos Açores.
Segundo o presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais, Claudio Motta, a instituição foi criada há pouco tempo e já se encontra em plena atividade.
Motta referiu que participou, há poucos meses, no Congresso Mundial Açoriano, realizado em Fall River, na Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, ocasião em que foram iniciadas as tratativas para a realização do Primeiro Encontro Empresarial Minas Gerais-Açores.
De acordo com o presidente, o projeto foi concebido em duas etapas interligadas, com foco na geração de oportunidades económicas e no fortalecimento das relações entre Minas Gerais e os Açores.
“O objetivo central é levar a Portugal, em especial aos Açores, empresários do segmento de leite, queijos e derivados, além de outros empresários interessados em conhecer o arquipélago e as oportunidades do seu relevante mercado”, destacou Claudio Motta.
A primeira etapa do encontro empresarial será realizada nos dias 28 de fevereiro e 1 de março, na cidade de Andrelândia (MG), município fundado pelo açoriano André da Silveira.
O evento reunirá empresários locais e contará com a presença do prefeito municipal, do presidente da Câmara, além de autoridades e representantes de entidades empresariais convidadas.
Na sequência, entre os dias 20 e 24 de abril, a Casa dos Açores de Minas Gerais liderará uma missão empresarial aos Açores, com programação central em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, sede administrativa do governo regional.
Conforme explicou Motta, a delegação mineira será recebida por autoridades regionais, empresários e representantes institucionais.
“Seremos recebidos pelo presidente do governo da Região Autónoma dos Açores, pelo diretor regional das Comunidades, secretários regionais, empresários e representantes de diversas entidades”, afirmou o presidente da Casa.
Ainda segundo o presidente, a programação prevê “cinco dias intensos de reuniões institucionais, encontros empresariais e networking qualificado”.
A viagem está prevista para o período de 18 a 28 de abril e encontra-se em fase final de organização.
Durante a missão, também serão tratados interesses específicos dos participantes, incluindo a abertura de oportunidades de negócios e a possibilidade de constituição de empresas em Portugal.
De acordo com Claudio Motta, estão previstas ainda reuniões com empresas do setor imobiliário, tendo como objetivo “a apresentação de oportunidades consistentes de investimento numa região que ainda oferece excelente relação custo-benefício”.

Os Açores estiveram representados pelo secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, na COP 30, a maior conferência sobre alterações climáticas do mundo, promovida pela Convenção-Quadro das Nações Unidas, que decorre em Belém do Pará, no Brasil.
“É muito relevante que os Açores estejam representados na COP 30, desde logo, porque nos permite dar visibilidade internacional ao trabalho que tem sido realizado em matéria de ação climática nos Açores, uma Região que é um autêntico laboratório para a implementação de soluções inovadoras, que podem ser replicadas em outros territórios com desafios semelhantes”, sublinha o governante.
“Mas, sobretudo, esta participação é importante porque nos dá uma oportunidade única de estar no centro das discussões, na presença de líderes, cientistas e especialistas, com os quais podemos aprender, bem como de estabelecer parcerias e ter contacto com soluções em implementação um pouco por todo o mundo, e com as respetivas fontes de financiamento, que, com as devidas adaptações, podem ser implementadas na Região, contribuindo para reforçar a nossa adaptação e resiliência às alterações climáticas”, acrescentou.
O recretário regional recordou que “os Açores são muito mais vítimas das alterações climáticas do que responsáveis por este fenómeno”.
E prosseguiu: “o nosso contributo para as emissões globais de gases com efeito de estufa e para o aquecimento do planeta é residual. No entanto, não significa que não possamos ser severamente afetados pelos efeitos das alterações climáticas”.
“Aliás, em resultado das alterações climáticas, os Açores têm vindo a ser afetados cada vez com maior frequência e intensidade por fenómenos meteorológicos extremos, que colocam em causa a segurança de pessoas e bens e que provocam enormes prejuízos materiais e financeiros, para além de outras ameaças, como a subida do nível da água do mar, a erosão costeira, a intrusão salina nos aquíferos, a perda de biodiversidade marinha e terrestre ou a acidificação dos oceanos, que impactam diretamente setores estratégicos para o desenvolvimento social e económico dos Açores, como a agricultura, as pescas ou o turismo”, disse ainda o responsável.
Alonso Miguel frisou que importa contribuir, de forma solidária e responsável, para a mitigação das alterações climáticas, mas, sobretudo, importa definir estratégias e medidas concretas para garantir uma adequada adaptação da Região aos efeitos deste fenómeno e a esta nova realidade.
“Para esse efeito, na Região têm sido desenvolvidos diversos instrumentos de ação climática, alguns dos quais tivemos a oportunidade de apresentar e partilhar aqui na COP30, no Brasil”, adiantou.
Alonso Miguel destacou que no Pavilhão de Portugal foram apresentados projetos de grande relevância para a Região, “como o Roteiro para a Neutralidade Carbónica dos Açores, o Projeto Life IP Climaz, um instrumento fundamental para a implementação do Programa Regional para as Alterações Climáticas dos Açores, a Agenda para a Economia Circular Regional e, ainda, projetos inovadores, como o Implacost e Planclimac2, desenvolvidos no âmbito do Programa INTERREG MAC, que, no seu conjunto, contribuem de forma decisiva para reforçar a nossa resiliência e capacidade de adaptação climática”.
O secretário regional salientou ainda que, a convite do Pavilhão do Brasil na COP 30, teve a oportunidade de representar o Governo Regional dos Açores na abertura de uma sessão sobre a importância das áreas marinhas protegidas para as estratégias de planeamento e sustentabilidade dos oceanos, no âmbito da qual destacou “a importância da criação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores, a maior rede de áreas marinhas protegidas do Atlântico Norte, que protege 30% do mar dos Açores”.
“Este é um facto que nos distingue e prestigia enquanto Região que lidera pelo exemplo, e que nos coloca num patamar de excelência, a nível mundial, em matéria de ação climática e de proteção dos ecossistemas marinhos”, vincou.
Alonso Miguel realçou ainda que “todos estes projetos e políticas traduzem o compromisso firme dos Açores para com a ação climática, com o objetivo de assegurar a mitigação e adaptação da Região aos efeitos das alterações climáticas, contribuindo para a segurança e bem-estar das populações, para a proteção de infraestruturas e bens e para a preservação dos ecossistemas naturais”.
O responsável revelou a expetativa de que “a COP 30 possa ser uma conferência de concretizações, que permitam acelerar a descarbonização e a transição energética e ecológica, com a devida calendarização e financiamento, aspetos cada vez mais fundamentais perante a emergência climática mundial”.