
A secretária regional da Saúde e Segurança Social marcou presença no Cine Teatro Lagoense para assinalar o primeiro aniversário de entrada em funcionamento do Centro de Saúde da Lagoa. O evento contou com a presença de várias entidades do setor e do concelho da Lagoa, segundo comunicado do governo regional.
Na ocasião, Mónica Seidi afirmou a sua satisfação para a resolução de um problema que não poderia persistir: “A Lagoa era o único concelho micaelense que não tinha um centro de saúde. Num concelho com mais de 14 mil habitantes, achámos que esta era uma situação que tinha de ser alterada”, lê-se, na nota.
Para o governo açoriano, extinguir a antiga Unidade de Saúde para criar um novo Centro de Saúde trouxe diversos benefícios à comunidade, pois “foi com o projeto da criação do Centro de Saúde da Lagoa que se conseguiu reorganizar os serviços para uma resposta mais eficaz à população” esclareceu a secretária da Saúde e Segurança Social.
Em consequência da criação do Centro de Saúde da Lagoa, “conseguiram-se condições notoriamente superiores no funcionamento de alguns serviços”, lê-se ainda, como a Sala de Tratamentos e Injetáveis e o Serviço de Atendimento Complementar, tal como os serviços de nutrição, psicologia e serviço social, saúde mental, cuidados domiciliários e apoio ao cuidador informal.
“Tudo isto é motivo de orgulho para nós, porque reflete aquilo em que acreditamos profundamente que é o trabalho feito num esforço conjunto entre o Governo Regional e as forças vivas de uma comunidade”, concretizou Mónica Seidi.

O Centro de Saúde da Lagoa, após declaração de calamidade pública regional em consequência do incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, começou a dispor, a 8 de maio, do Serviço de Atendimento Urgente (SAU), que funcionava todos os dias das 8h00 às 24h00. O serviço era composto por dois gabinetes médicos e dois espaços de enfermagem.
Como explica ao nosso jornal Sandra Silva, presidente do conselho de administração da Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel (USISM), o serviço foi criado para “garantir uma resposta para atendimentos urgentes a toda a população, evitando, deste modo, o aglomerado de pessoas no HDES, que estava na CUF, e também na Ribeira Grande. Era um complemento.”
O SAU da Lagoa encerrou a 3 de setembro, porque, conforme explica Sandra Silva, com a abertura do SAU de Ponta Delgada, considerando que consegue avaliar e admitir um maior número de utentes, esse serviço passa a ser efetuado na sede do Centro de Saúde de Ponta Delgada, que é um serviço também partilhado com o HDES”.
Segundo dados da USISM, durante o período de funcionamento do SAU na Lagoa, foram atendidas cerca de 2.300 pessoas.
Fomos à rua saber o que pensam os lagoenses sobre o encerramento deste serviço. Eduardo Medeiros saía de uma consulta do Centro de Saúde da Lagoa. Chegou a ir ao SAU, “duas ou três vezes”, conta. Questionado se o serviço vai fazer falta, considera que sim, porque “era noutra secção e éramos atendidos mais depressa.”
Manuela Simões também é da mesma opinião. “Acaba por fazer falta. Fica mais perto do que ir a Ponta Delgada”.
Eduarda, que não quis revelar o seu sobrenome, concorda que o SAU vai fazer falta, e justifica igualmente com o fator de proximidade: “era muito mais perto do que ir para Ponta Delgada”.
Questionada pelo Diário da Lagoa, a presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Cristina Calisto, lembra que “este foi um serviço criado em circunstâncias muito especiais e sabíamos que o mesmo tinha um caráter transitório”, porém considera que “sabendo-se que as urgências hospitalares ainda estão condicionadas no hospital modular, acho que poderiam ter permanecido até o Serviço de Urgência ter retomado a sua atividade com total normalidade”.
Sendo que o Centro de Saúde de Lagoa ainda oferece o Serviço de Atendimento Complementar (SAC), mantém a chamada “consulta do dia”, pelo que, considera a autarca, “a população lagoense não terá ficado prejudicada deste ponto de vista, daí este encerramento não ter causado um impacto significativo.”
De acordo com Sandra Silva, presidente da administração da USISM, “o que é importante transmitir à população da Lagoa é que, efetivamente, toda a carteira de serviços e toda a resposta que o Centro de Saúde da Lagoa se comprometeu com a comunidade mantém-se”.
Em situações de doença urgente que não são graves, como de doença aguda que precisa de ser vista no médico e medicada, “mantemos o nosso serviço de atendimento complementar que funciona nas instalações do Centro de Saúde, como era habitualmente, das 8h00 às 20h00”, explica Sandra Silva.
No caso de o Centro de Saúde já estar encerrado, o utente “acaba sempre por ter uma resposta aberta, tem é de vir ao SAU de Ponta Delgada”.
Sandra Silva considera que o SAU de Ponta Delgada vem oferecer mais resposta a toda a população, especialmente a lagoense. “ Agora até conseguimos oferecer uma melhor resposta. Antes tínhamos um SAC na Lagoa que funcionava até às 20h00 e depois não tínhamos mais nenhuma outra resposta próxima a não ser a Ribeira Grande ou a Vila Franca. Hoje os utentes de toda a ilha, e em particular do concelho da Lagoa, para além do atendimento de serviço complementar na Lagoa, também podem vir a Ponta Delgada”.
“Mantemos o nosso compromisso com a população da Lagoa. mantemos a mesma resposta em termos de carteira de serviços e aumentamos a resposta em termos de SAU, mas desta vez no Centro de Saúde de Ponta Delgada”, reitera a presidente da USISM.
Aproveitamos, ainda, para saber a opinião dos lagoenses sobre o funcionamento do Centro de Saúde e dos cuidados de saúde prestados no concelho. Apesar de reconhecerem melhorias, ainda faltam aspetos a melhorar.
Eduardo Medeiros afirma que por vezes ao tentar contactar o Centro de Saúde, o atendimento é demorado. A presidente da autarquia lagoense, Cristina Calisto, questionada sobre o que falta melhorar no estabelecimento, referiu as falhas no atendimento telefónico, “por haver falta de telefonista”.
Eduardo, residente em Água de Pau, lamenta não ter médico de família há quase um ano, sendo que neste tempo de espera tem de se deslocar ao Centro de Saúde da Lagoa quando necessita de consulta. Eduarda também está nesta situação, sem médico de família há quase um ano, por este se ter reformado e não ter sido substituído.
Manuela Simões, por sua vez, acusa que já teve duas consultas do filho canceladas que não foram reagendadas, pelo que teve de recorrer ao privado. “Deviam melhorar a remarcação de consultas. Eu pude ir ao privado, mas certamente há pessoas que não conseguem”, recomenda, acrescentado que “isto é uma situação que não acontece só comigo. Tem acontecido com várias pessoas da Lagoa”.